Grama para roçar, árvores para podar, flores para cultivar!
E ele fazia seu trabalho alegre, cantarolando, assoviando! O jardim florescia e o jardineiro rejuvenescia!
Mas de repente o belo e amplo jardim teve que ser destruído e uma obra iniciada.
E de repente o jardineiro já não tinha mais o que fazer, seu trabalho tornou-se o nada!
E a obra continua...e já não há mais jardim...não há grama, árvores nem flores, e o tudo tornou-se nada até que a obra seja finalizada!
Mas o jardineiro continua por lá. E agora, na sua inutilidade, vaga de um lado para o outro, com as máquinas não tem intimidade.
Então senta-se ora na escadaria do prédio, ora no banco que restou, amargurado pelo tédio.
E ao observá-lo vejo um semblante triste, por debaixo de um boné surrado, mantendo o uniforme alinhado, como se a esperar que o tempo passe, a obra termine, ao jardim retorne.
E ao vê-lo vagando pra lá e pra cá, penso em que pensamentos viaja, que sonhos acalenta, que frustrações lamenta, para aonde vai quando seu olhar se fixa no nada, no chão ou na escada.
Vez por outra puxa assunto com os passantes, mas ninguém tem tempo, parar e conversar não é interessante.
Então o jardineiro segue triste, cumprindo sua jornada de trabalho sem trabalho! Segue inútil sem ter o que fazer, vazio pois não consegue entender.
E todos os dias o vejo ali e aqui, sem rumo, sem norte na triste condição de ser jardineiro sem jardim para cuidar, sem ao menos uma planta para regar.
Certamente gostaria de novamente sentir-se útil, ter o que fazer, fazer o que sabe.
Esta é a história do jardineiro sem jardim, história essa que ainda não sei o fim!
Maria Conceição de Aguiar
Espero a continuação...Gostei!
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