segunda-feira, 30 de março de 2015

CAROS SENHORES

Excelentíssimos senhores Desembargadores e Juízes do Poder Judiciário de Santa Catarina:
Nós, servidores, estamos unidos na busca da nossa valorização profissional.
Talvez muitos dos senhores não entendam as nossas reivindicações, o nosso movimento paredista, a nossa assembleia histórica. Talvez alguns dos senhores, por não entenderem nossa luta, tenham proibido em suas comarcas o uso do e-mail ou do pandion para encaminharmos textos ou conversarmos sobre a mobilização. Talvez outros digam que deveríamos estudar mais e passar no concurso da Magistratura. Talvez....
Mas senhores, vejamos. Caso todos resolvêssemos tentar a magistratura, quem faria o nosso trabalho diário? Claro, viriam outros e mais outros, mas a insatisfação continuaria.
Porque estamos clamando por justiça. Somos Técnicos Judiciários Auxiliares, Oficiais de Justiça, Agentes de Portaria, Agentes de Serviços Gerais, Psicólogos, Assistentes Sociais, Analistas e tantos outros profissionais de carreira, concursados, altamente comprometidos com sua função, com seu trabalho, com a celeridade processual.
Há anos estamos trabalhando sem reajuste salarial. Nossas promoções por aperfeiçoamento estão paradas, sem análise. Os Cartórios Judiciais estão barrotados de processos e com um número ínfimo de profissionais, o que nos deixa sobrecarregados e impotentes, pois, por mais que façamos não damos conta.
Mas fazemos da melhor maneira possível. E fazemos muito. São sete horas diárias ininterruptas em que nos desdobramos para dar conta do trabalho.
Trabalhamos com a mente, lemos, analisamos, cumprimos, certificamos, juntamos. Trabalhamos com o corpo, carregamos pilhas, localizamos, fazemos cargas. Trabalhamos muito.
E o que queremos? Reconhecimento, valorização profissional.
Queremos apenas o que merecemos. Salários dignos, reposição das perdas. Queremos mais profissionais, principalmente  nos cartórios. Queremos ser ouvidos, queremos ser visitados, queremos ser respeitados, queremos ficar no Judiciário Catarinense.
Merecemos mais qualidade de vida agora e depois de aposentados. Merecemos gozar nossas folgas, férias e licenças. merecemos ser tratados como profissionais de carreira, que escolheram fazer parte desse poder, dessa instituição, cada qual na sua função.
Senhores, não queremos propostas de aumento de gratificação para quem tem curso superior em direito, não queremos nenhuma categoria dividida, pois todos, dentro de uma categoria, realizam as mesmas atividades, portanto, não queiram nos dividir, pois estamos mostrando que somos um grupo forte e unido e que queremos e merecemos ser tratados com igualdade e imparcialidade. Afinal, não é assim que se faz Justiça?!
Então pedimos aos senhores que repensem, que nos ouçam e que revejam sua posição. Nosso Plano de Cargos e Salários precisa ser tratado como prioridade. Porque somos merecedores, sem dúvida nenhuma.
E aos excelentíssimos Desembargadores e Juízes que estão apoiando nossas reivindicações, muito obrigado!

sexta-feira, 27 de março de 2015

E DEPOIS?

Colegas do Poder Judiciário de Santa Catarina. Novamente trago nossa pauta ao meu blog. 
Estamos vivendo um momento importante. Estamos nos mobilizando para realizarmos uma grande assembleia no dia 31 de março. Mas, infelizmente ainda há colegas indecisos, em cima do muro, acomodados ou simplesmente apáticos a toda essa situação.
Somos livres, seres pensantes, racionais e cada um tem seus motivos para aderir ou não ao movimento.
Mas vamos pensar um pouco no depois. 
Depois que nos aposentarmos, o que sobrará? Muito pouco!
Basta conversar com qualquer colega aposentado para ver que o futuro dos servidores do TJSC não é nada animador.
Perdemos o auxílio alimentação, o qual na verdade é um complemento no nosso parco salário.
Ao final da jornada, quando conseguimos aliar idade, tempo de contribuição e tempo na função para finalmente pedirmos a aposentadoria, estamos acabados, literalmente.
Problemas visuais, problemas de coluna, LER, transtornos como ansiedade, depressão. Enfim, saímos derrubados, com menos dinheiro, menos saúde, menos perspectivas.
Então o que nos resta? Contar com ajuda do cônjuge? E que não o tem? Dos filhos, talvez, mas, e quem não os têm? Voltar ao mercado de trabalho? Tentar advogar, lecionar ou qualquer outra coisa que a saúde e a idade permitam.
Então, pensemos bem. Pensemos no agora e no depois. Pensemos nos que já estão atravessando as dificuldades da aposentadoria. Pensemos que todos estaremos aposentados um dia!
Portanto, caso alguns colegas insistam em ficar de fora da nossa luta, da nossa jornada pela dignidade do servidor do TJSC, eu respeito. Não entendo, mas respeito!
Mas insisto que o momento é este, a hora é agora. Ou nos mobilizamos, unimos forças dos ativos e inativos, fazemos uma grande assembleia no dia marcado, ou nos preparamos para mais um longo período de enrolação, de enganação, de estagnação.
Portanto, vamos lá! Se você acredita que juntos somos fortes, que podemos conquistar nossas revindicações e ter um plano de cargos e salários digno, esteja lá, compareça, convide seu colega.
Mas façamos com elegância, com respeito as opiniões contrárias, mas com firmeza, convictos de que nossa luta é justa e que assim, e só assim, poderemos pensar num futuro melhor e viver o presente conscientes da nossa importância, da nossa unidade, da nossa certeza de estarmos trabalhando com justiça, pela justiça.
Até 31 de março de 2015 em frente ao tribunal de Justiça de Santa Catarina. Eu vou e espero encontrar você lá!

quarta-feira, 25 de março de 2015

COLEGAS

Caros colegas funcionários do Tribunal de Justiça de Santa Catarina:
Comecei a trabalhar no Poder Judiciário faz sete anos. Sou formada em Comunicação Social, prestei o concurso em 2005, fui aprovada em 30º Lugar e assumi em nove de abril de 2008. Logo que entrei, no mês de maio, houve um reajuste salarial considerável, o que deixou a todos bastante animado, a mim principalmente, recém chegada, achei que tinha feito a opção certa na escolha do concurso para Técnica Judiciária Auxiliar.
Doce ilusão! De lá para cá não tivemos mais nenhum aumento significativo, nenhum ganho real.
Somos profissionais, somos eficientes, somos altamente produtivos e céleres no exercício das nossas atividades. Mas infelizmente nosso trabalho não é reconhecido.
Fomos enrolados por mais de dois anos com o PCS, até o seu arquivamento. Os cartórios estão abarrotados de processos, petições, ARs. Mas somos poucos e nos desdobramos para dar conta.
Trabalhamos 35 horas semanais, sete horas diárias ininterruptas. Fazemos nosso lanche na mesa de trabalho. Fazemos cursos de aperfeiçoamento, mas nossos requerimentos levam anos para ser analisados.
Folgas e férias precisam ser conversadas, justificadas, pedidos analisados. Licença prêmio adquirimos por direito, mas para gozá-la é quase impossível. Licenças para tratamento de saúde não são bem vistas, doentes, tornamo-nos fardos.
Nosso salário base, salário líquido, salário bruto está completamente defasado. Com ele temos que pagar aluguel, alimentação, vestuário, educação e tudo mais. Alguém está conseguindo? Não acredito. Eu sou sozinha e tenho que me sustentar e manter-me com esse salário. Não estou conseguindo! 
E de novo tentam nos enrolar com datas e mais datas para discutir o novo PCS. Mas para os juízes e desembargadores não há prazos, tudo é imediato. Não que não mereçam, claro que sim!
Mas e quanto a nós? Também não somos merecedores? O Judiciário catarinense seria o que é se não fossem os seus servidores? Claro que não. Juntos formamos um elo. Juízes, servidores, desembargadores. Cada qual tem a sua importância, o seu papel imprescindível nos cartórios, gabinetes, comarcas.
Sempre ponderei sobre as greves, porque acho que quem mais perde é a população que paga seus impostos sem retorno em serviços. Mas estou certa de que agora é a hora de darmos um basta, de falarmos mais alto, de mostrarmos nossa força, de darmos as mãos.
Então dia 31 de março iremos para a assembleia. Estaremos de mãos dadas, cabeça erguida, discurso reto de quem está com a razão. Pressionaremos, reivindicaremos, exigiremos soluções.
Queremos e merecemos reposição das perdas salariais, aumento real no vencimento. Queremos e merecemos pausa para lanche, gozar folgas, férias e licenças. Queremos e merecemos mais servidores nos Cartórios Judiciais, diminuindo a sobrecarga de serviço. Queremos e merecemos ser tratados com dignidade, igualdade, justiça. Queremos ficar no Judiciário com orgulho por sermos respeitados, por sermos valorizados, por termos um plano de carreira em que possamos planejar o futuro e viver o presente.
Porque nós merecemos!

terça-feira, 17 de março de 2015

PENSANDO BEM....

Pensando bem a vida é breve demais e o tempo curto demais para perder-se em mazelas.
Então melhor é buscar a felicidade. Na verdade, nem precisamos buscá-la, nem procurá-la, basta olhar ao redor e a contemplarmos.
A felicidade está no nascer do sol, na chuva fina de fim de tarde, no cantar dos pássaros, no florescer da alma.
Felicidade é poder contemplar o céu, encontrando desenhos nas nuvens.Molhar os pés na água do mar ou do rio e sentir o quanto é bom poder sentir. Felicidade é poder olhar, falar, escrever, ouvir, andar. Ou, ainda, mesmo não podendo fazer alguma dessas coisas, sentir-se bem, completo, pleno mesmo com limitações.

Aliás, limitações todos temos. E diariamente tentamos superá-las.
Pensando bem, a vida é breve, mas linda. E vale a pena cada minuto, cada hora, cada dia, cada ano. 

Pensando melhor ainda, nada mais lindo que o sorriso franco, a gargalhada gostosa de uma criança, as mãos estendidas em apoio, o abraço apertado, os laços.

E ser feliz é ter a noção do quanto tudo isso é importante, do quanto são importantes as coisas mais simples e corriqueiras, de como são essenciais os bons sentimentos.
Pensando bem, nada melhor que a alegria compartilhada, o brinde à conquista do outro, a torcida, a amizade, a família, o amor correspondido, imensurável, incondicional.
Pensando bem, o tempo urge, a vida passa e temos que acompanhar este vai e vem, as idas e vindas, as partidas e chegadas. Algumas tristes, perdas, idas que doem, machucam e nos fazem chorar. Outras tão felizes, gente que vem, que fica, ganhos desde os mais simples até os mais duramente conquistados. Momentos de festejar, celebrar.
E pensando bem, celebrar a vida é viver cada dia, não como se fosse o último, não como se fosse o único, mas como mais um dia, presente de Deus, especial. Sem deixarmos que as angústias do que passou ou a ansiedade pelo que poderá vir nos atrapalhem. 
Pensando bem, hoje estou melhor que ontem. Amanhã não sei. Mas hoje é dia de celebrar, brindar a vida que renasce, renova-se a cada amanhecer e agradecer, conscientemente, por esta maravilhosa dádiva que é viver.
Pensando bem, temos todos os motivos para sorrir e abrir os braços para a felicidade. E que assim seja!

CALMA E PACIÊNCIA

Sempre fui referência de calma, paciência, bom humor. Sempre demonstrei alegria em viver, gratidão, amizade.
Nunca fui ambiciosa, estudei porque tinha necessidade do conhecimento formal. Li muito porque sempre tive fome de saber. Fui professora, jornalista, assessora. Hoje sou funcionária pública. Sempre trabalhei com paixão, com dedicação e eficiência. Uma casa para morar, um carro para me transportar, um emprego para me manter são o que me bastam materialmente.
Jamais fui interesseira. Os amigos que conquistei e que me conquistaram foi por empatia, afinidade. Os amores que vivi tinham ainda menos que eu. Saí de um longo casamento com as mãos vazias, sem arrependimento, pela liberdade de pensamento, de ação.
Sempre fui batalhadora, criei meus filhos com noções muito rígidas de valores éticos e morais. Eduquei-os também sem ambição, talvez um erro, afinal um pouco de ambição impulsiona o ser humano, mas para mim continua sendo uma virtude nesta atual inversão de valores.
Ouvinte, amiga, conselheira, pau pra toda obra, confidente; metida, chata, mandona; sempre querendo o seu bem.
Entretanto de uns tempos para cá tenho perdido a calma mais facilmente. Como
escrevi há pouco estou intolerante, sem tempo pras babaquices do dia a dia.
Talvez estes tempos austeros, em que o custo de vida está alto e meu salário estagnado. Talvez a falta de um amor. Talvez a falta de planejamento, de perspectiva. Talvez o cansaço, excesso de trabalho. Talvez a saudade de casa, dos amigos de Joinville, da minha antiga Comarca. Talvez a preocupação com a velhice que virá. Talvez a menopausa não tarde a chegar.
Enfim, para descobrir os muitos 'talvez' que rondam meus dias, comecei a terapia. 
Porque, como sempre escrevi neste blog, sou muito consciente das minhas limitações e das minhas realidades e percebo claramente quando não estou bem, quando preciso de ajuda. E peço.
Então estou buscando ajuda, fazendo psicoterapia, tentando me reencontrar.
E quero perceber que ainda tenho tempo para fazer muita coisa, para viver muita vida, para amar e ser amada, para trabalhar, quem sabe voltar a estudar, mudar de emprego. E quero descobrir que estou viva, saudável, voltar a ser amável, sem exageros claro, porque tudo que é demais soa falso.
Na verdade quero reencontrar o equilíbrio perdido. E detectar o que está me fazendo falta. Se for Joinville, voltarei para lá. Se for um amor, vou procurar. Se forem as dívidas e contas a pagar será hora de buscar uma renda extra, um bico, outro trabalho. Se for a menopausa que se aproxima, então partir pro tratamento. Se for apenas cansaço, uns dias de férias, uma viagem a Tubarão para rever meus tios. 
Enfim, sei que esta fase de incertezas vai passar. E como sempre darei a volta por cima e voltarei ainda mais forte, mais inspirada, de novo de bem com a vida.
Mas, por enquanto "de escolha própria, escolho a solidão"!

segunda-feira, 16 de março de 2015

FILOSOFANDO

Filosofia e poesia sempre me atraíram. Ambas nos fazem pensar, refletir, sonhar, idealizar, cada qual a seu modo.
Como escrevedora gosto de brincar  com as palavras, embaralhar, misturar e ver no que dá.
Não sou filósofa mas gosto de filosofar, debater temas atuais, comportamentos e sentimentos, principalmente, os meus.
Não sou poeta mas gosto das rimas, da aliteração, das frases de improviso, do texto lido.
Filosofando eu sigo adiante. Nuns dias alegre e sorridente, noutros sombria e torturante. Mas sempre transparente.
Filosofando eu falo de mim, dos outros, da vida, do mundo. Deixo minha opinião, questiono paradigmas, brado por soluções.
Filosofando busco respostas, lanço perguntas, quero porquês.
Escrevendo deixo rastros, pistas de quem sou, do que gosto, o que quero e o que abomino.
Escrevendo sou inteira, letreira, palavreira, texteira.
Nem todo dia é sol, nem toda chuva é ruim. Nem todo dia é chuva, nem todo sol é bom.
Assim também sou controversa, dou-me o direito de mudar conceitos, modificar minha opinião, voltar atrás, assumir erros e tentar consertá-los.
Assim também me faço poeta que fala dos sentimentos, do amor, da reconciliação da harmonia, mas também, da intolerância, das desigualdades, do cansaço, da insatisfação pessoal e coletiva.
Minha filosofia e  minha poesia são controversas, dependem do meu estado de espírito, da minha vivência, do meu aprendizado, do dia, da noite, do tempo, do vento, do sol e da chuva.
Escrever deveria ser meu ofício mas tornou-se meu hobby. Mas ainda assim não me sinto frustrada. 
Escrevendo aqui neste blog sou livre para expressar o que penso, sem censuras, sem julgamentos. E meus leitores são livres para opinar, compartilhar, discordar, ler, guardar ou descartar.
Filosofia e poesia, pode até parecer utopia, mas tornam meu mundo melhor.

INTOLERANTE

Com o passar do tempo vou ficando sem tempo para um monte de coisas e, principalmente para um tanto de gente.
Estou intolerante!
Meu tempo está passando rápido demais. Meu prazo de validade começa a ficar mais próximo do vencimento. 
Então, já não tenho tempo nem tolerância para a maldade, a mediocridade, a falsidade, mentira, bajulação.
Já não tenho tempo nem tolerância com pessoas que mudam até o tom de voz para falar co seus superiores, tornam-se meigas, extremamente simpáticas. Mas, ao lidarem com os que consideram seus inferiores, são ríspidas, mal educadas ou simplesmente os ignoram.
Já não engulo desaforos, nem pitis. Respondo no mesmo tom. 
E com as palavras sou ferina, mas sou verdadeira. 
E como já não tenho mais tempo nem tolerância, falo o que penso, o que sinto, sou sincera. E quem não gostar que se afaste. Ficará quem tiver que ficar.
Não sou e nem pretendo ser melhor que ninguém e já não tolero quem acha que é. 
Não sou e nem pretendo ser dona da razão, mas não suporto quem acha que é.
Não sou e nem pretendo ser pior que ninguém e não admito que alguém ache que é.
Somos todos iguais. Com algumas diferenças, culturais, sociais e econômicas. Mas, na essência somos todos iguais, viemos do pó e ao pó retornaremos sem levar nada da vida.
Na verdade apenas deixaremos lembranças que podem ser boas ou ruins, sementes que poderão germinar ou não, pessoas que sentirão nossa falta, saudades e outras que em pouco tempo terão nos esquecido completamente.
Portanto, já não tenho tempo nem tolerância para a pequenez humana. Faço a minha parte e espero apenas que cada qual faça a sua.
E nesta fase de intolerância acabo machucando e sendo machucada, ferindo e sendo ferida, magoando e sendo magoada. Mas, faz parte. Não quero nada que não me caiba, não anseio nada que não possa ter, não invejo, não cobiço. Sou quem sou e me orgulho de mim!

sábado, 14 de março de 2015

CORAJOSA AMIGA

Trabalhamos juntas por apenas quatro meses, mas foi, para mim, tempo suficiente para aprender a admirá-la, respeitá-la e nutrir por ela carinho, afeição e amizade para a vida toda.
Ela desenvolveu um câncer e trabalhou até a véspera da cirurgia. Desde então não conseguiu ainda recuperar-se totalmente, portanto, sem condições de voltar ao trabalho.
Uma mulher sábia, linda por dentro e por fora, de olhar profundo e sorriso largo, que não se deixou abater. Uma doença grave, que chegou, alojou-se e espalhou-se muito rapidamente.
E há quase dois anos minha amiga trava essa batalha. Entre cirurgias, quimioterapias, radioterapias, e todos os efeitos colaterais comuns aos tratamentos radicais.
Não, ela ainda não está pronta para retornar ao trabalho, não está curada. Mas está convicta de que a cura acontecerá. Ela está bem, mantém o olhar e o sorriso bonitos, já não sofre, resigna-se sem desanimar, levando o tratamento muito a sério, acatando todas as orientações do seu médico.
E agora minha corajosa amiga toma uma decisão um tanto drástica. Vai pedir exoneração do serviço público. Porque? porque está sendo pressionada a se aposentar por invalidez, mas não se considera nem está inválida, a doença é passageira. Porque sente-se culpada em saber que não há ninguém no seu lugar e, portanto, seu trabalho está diluído entre os outros servidores, sobrecarregando-os. Porque não quer mais ser humilhada em perícias intermináveis, em questionamentos irracionais, em burocracias que em nada acrescentam. Porque sabe que para o Judiciário Catarinense somos um número, uma matrícula e interessantes enquanto somos úteis, saudáveis, mas, ao adoecermos nos tornamos fardos, querem livrar-se de nós para colocar gente nova no lugar.
Corajosa! 
E eu a entendo. Temos a mesma idade, histórias de vida meio parecidas em determinados pontos. Entendo que não aceite que seu mal é fatal, permanente. Entendo que tenha esperança de cura e que não se sinta inválida. Entendo que enxerga muito além disso tudo e que sabe que poderá voltar a ser útil, trabalhar, desenvolver-se profissionalmente. Entendo que não queira aposentar-se por invalidez!
Então querida amiga, este texto é para demonstrar meu apreço, meu apoio, meu carinho. para desejar que logo estejas plenamente bem. E termino repetindo suas palavras me ditas ontem: "Estou com prazo de validade, vou terminar minha vida neste estresse? Não preciso disto, posso fazer muitas outras coisas!" E pode, com certeza pode e fará. Boa sorte!

quinta-feira, 12 de março de 2015

POR TRÁS DA CORTINA DE FUMAÇA

Quem consegue enxergar por trás da cortina de fumaça, percebe claramente que estamos vivendo um momento de transição, de mudanças, de quebra de alguns paradigmas e retomada de outros.
Quem consegue enxergar por trás da cortina de fumaça sente e vive mais um momento histórico do nosso país.
Estamos cansados, chegamos ao ápice da tolerância com os desmandos, com a evasão das nossas riquezas, com a baixaria que tomou conta da política e do governo brasileiro.
Vamos à luta! Vamos para as ruas! Vamos desarmados, vamos em paz, vamos em busca do retorno da dignidade.
Dia 15 seremos todos uma só voz. Apartidários. Unidos pelo Brasil.
Queremos retorno dos impostos que pagamos. Queremos saúde, educação, segurança, lazer, emprego e moradia. Queremos mostrar que sabemos o que queremos e, principalmente o que não queremos.
Claro que não queremos a volta do regime militar. Aliás, quem enxerga por trás da cortina de fumaça, sabe que não há mais espaço para esse retorno. Ditadura? Não obrigada! Estamos numa atualmente e não estamos gostando.
Sairemos às ruas pela democracia, pela soberania popular, pela mudança de posturas de quem no governo está.
Tentam desqualificar nosso movimento. Tentam subestimar nossa insatisfação. Tentam corromper nossas ideias.
Mas é ai que somos diferentes. Porque conseguimos enxergar por trás da cortina de fumaça. 
Então queremos voz e vez para debater as reformas necessárias, políticas, eleitorais, sociais. Que saiam do papel, que tornem-se fatos, não pela imposição, mas pela decisão do povo que pensa, que vota, que deve e precisa ser ouvido, que sabe o que quer.
Imaginávamos que a parca diferença nas urnas serviria de alerta para essa gritante insatisfação. Mas não foi! A arrogância da presidente do Brasil, que se acha melhor que todos, que se acha acima do bem e do mal, levou o país ao caos.
Mas eis que o povo desgostoso volta às ruas para expulsá-la. 
Queremos a democracia plena, sem pão e circo, sem programas de enganação, sem falsas promessas, sem votos de cabresto. Queremos um país mais justo. Queremos um futuro mais digno.
E eles tentarão desqualificar também o nosso movimento no dia 15. Haverá infiltrados, baderneiros, sanguessugas. 
Mas nós estaremos lá, pelas praças e ruas de cada município brasileiro, pelo bem da nação, pelo bem do nosso povo, de cabeça erguida, exigindo nossos direitos, provando que enxergamos muito além da cortina de fumaça!

quarta-feira, 11 de março de 2015

PROFUNDA

Não gosto de ficar na superfície, gosto de mergulhar, de revirar-me nas entranhas do mundo, do ser, da alma. Gosto de ir até o fundo, submergindo, emergindo, ido e vindo sempre que necessário.
Não sou superficial, sou profunda, autêntica, sangro, faço sangrar.
Não sou metade, não sou meio isto ou meio aquilo, não sou mais ou menos coisa nenhuma. Sou tudo ou nada, sou transparente e verdadeira, sou quente e fria, sou Maria, 
sou eu!
E o tempo escasseia e já não dá tempo para melindres, fingimentos, rasuras. Já não há espaço para a pequenês, a tolerância cega, a intolerância generalizada.
Não gosto de lerdeza, amo a velocidade. Dias velozes, ventos fortes, turbilhões de pensamentos, sentimentos intensos.
Não gosto da incerteza, adoro a lealdade, sinceridade, parceria, igualdade.
Não suporto gente rasa, sem conteúdo, sem vontade, sem brilho, sem trilho.
Não tenho paciência para gente que finge, que não olha nos olhos, que vive de aparências vãs.
Não convivo bem com a superficialidade humana dos que se deixam levar pela maré, dos que puxam tapete, que bajulam.
Não aceito a fé profana da mediocridade que bate no peito para dizer-se melhor, maior.
Gosto do profundo, do simples, do complexo, do inteiro.
Prefiro o café bem quente e a água bem gelada. Extremos, deles tiro forças, inspiração, moderação.
Extremos, diferentes, opostos, contraditórios, controversos.
Aprecio uma boa discussão, pautada nas ideias, sem violência verbal, sem ideologismos irredutíveis. Ah, fascina-me o campo das ideias. Compartilhá-las, mudá-las sim, e por que não? Argumentos convincentes! Sem gritos, sem elevar as vozes, argumentando, partilhando opiniões, enriquecimento cultural.
Ah, fascina-me a conversa simples, com o camponês, o feirante, a gari. Como são ricas em ideias, proveitosas, enriquecedoras.
Não, definitivamente não gosto da superfície nem da superficialidade. Sou profunda, vivo nas profundezas, mergulhada em meus devaneios sóbrios e, volta e meia, venho à superfície para recuperar o fôlego. Sempre fascinada!

segunda-feira, 9 de março de 2015

DETALHES

Ao mesmo tempo em que sou observadora atenta dos sentimentos, dos comportamentos, do que há por trás da felicidade ou tristeza aparente, da ira ou do amor demonstrado, da maldade ou da bondade escancarada, enfim do dia a dia das pessoas, do mundo, da vida, sou totalmente desatenta aos detalhes.
E isso é um paradoxo. Posso lembrar de tudo que ouvi, do que vi, do que senti. Mas jamais lembro que roupa que o outro estava vestindo, o novo corte de cabelo, a marca e modelo do carro. Interessante isso.
Minha mente parece dividida, absorve o que importa mas não se atém a determinados detalhes. Não gravo números de telefones, endereços, placas de automóveis, nomes de ruas, modelos de carros. Mas gravo feições, palavras, gestos e 
atitudes.
Por vezes esta falta de atenção aos detalhes é benéfica, pois jamais vou reparar se você está bem ou mal vestida, se sua casa está arrumada, se seu cabelo está bem tratado. Mas noutras é prejudicial porque parece que não me importo.
E querem saber, não me importo mesmo. 
No entanto sou incapaz de esquecer algo que você me disse, que me fez de bom ou de ruim. Sou capaz de lembrar de quando os conhecemos, das palavras que trocamos, se vi verdade no seu olhar.
Aliás, o olhar, os gestos, a maneira de falar me diz muito mais do que suas palavras. 
O conceito de felicidade é muito efêmero. Você pode demonstrar que está feliz da vida, realizada em todos os sentidos, mas seu modo e agir pode desmenti-la num piscar de olhos.
O conceito de certo e errado é bastante contraditório, portanto, suas ações é que demonstram como você lida com eles, não seus posts ou palavras, nem tampouco sua religião.
Pois é, sou observadora e isto me angustia as vezes, porque consigo ultrapassar as barreiras da aparência, do fugaz, do que você quer me mostrar.
Mas não sou detalhista. Não quero saber quantos vestidos você tem no seu guarda roupa porque se usar o mesmo todos os dias nem vou reparar. Não quero saber se você trocou de carro porque se o vir nem vou saber a diferença. Não preciso saber se você pintou a casa porque nunca reparei na cor antiga. Efêmera eu sou, no pensar e no agir e, principalmente no conseguir enxergar o todo sem ater-me aos detalhes. Complicado não é? Intrigantes as peculiaridades de cada ser.

HOJE

Hoje é só um dia, mais um dia como tantos outros. Mas hoje estou pesada, coração aflito, mente acelerada.
Hoje queria um colo, um aconchego, um abraço apertado. Só por hoje gostaria de ter um tempo, dar um tempo, sumir por um tempo.
Hoje estou cansada, amargurada, chorosa e lamuriosa.
Hoje estou carente, displicente, largada em pensamentos encharcando a mente.
Hoje eu gostaria de pensar menos, preocupar-me menos, relaxar mais, sorrir mais.
Hoje me sinto só!
E só por hoje me permito esmorecer, entristecer, apiedar-me de mim mesma, só por hoje.
Hoje eu sou nada, sou tudo, sou gota de água que pouco rega, sou a flor que murcha e cai.
Hoje sou metade, sou porção, sou inteira e sem muita noção vou me deixando levar pelos sentimentos que, ao brotar, transcrevo nesta narração.
Hoje sou noite, tempestade mansa, que devagar avança e vai deixando rastros ainda indecifrá
veis.
Hoje, e só hoje, sou fera ferida, enjaulada nas profundezas, rasgada nas entranhas, despojada nas amarras.
Hoje queria seguir sem sangrar, amar sem cobrar, dar-me sem nada esperar.
Mas hoje também queria parar, amada, retribuída.
Hoje meu pensar vagueia, meus sensores desnorteiam, meu rumo está sem prumo!
Hoje, somente por hoje desejaria não mais pensar, não mais questionar, não mais me cobrar, não mais enlouquecer.
E hoje, só por hoje, queria poder relaxar, sem me deixar abalar, sem me deixar contaminar.
Mas hoje não dá! Mas hoje são apenas sombras, chuva forte, ventania. Hoje nada vai melhorar meu dia! Só por hoje!

sábado, 7 de março de 2015

LEMBRANÇAS

Dos lugares por que passei muita bagagem acumulei.
Dos lugares onde morei muito de mim eu deixei.
Das pessoas que conheci muito aprendizado absorvi.
Dos anos que vivi muitas lembranças armazenei.

Dos amores que tive, das paixões que contive, 
dos sabores e dissabores, dos sentimentos enfim,
com eles foi que cresci.

Dos dias ensolarados, dos nascentes nublados,
das noites chuvosas, das madrugadas nervosas,
do dia a dia da vida fui ficando mais atrevida.

Dos medos que cultivei, dos traumas que me curei,
dos complexos que superei, das vitórias que conquistei,
aliados que jamais esquecerei.

Das muitas que já fui, das tantas outras que ainda vou ser
das inúmeras que hoje sou,
a vida há de dizer.

Das histórias que ouvi, dos contos que narrei
da observação que partilhei, dos pensamentos que compartilhei
deixei fluir o que sei.

Das lembranças adormecidas,
das memórias remexidas, 
o calar da saudade endurecida.

Maria Conceição de Aguiar

sexta-feira, 6 de março de 2015

BARRA VELHA


Cidade linda naturalmente. Natureza exuberante. Praias, matas, montes, lagoa! 

Adoro estar aqui, morar aqui, compartilhar destas belezas naturais.
Mas, fico entristecida ao constatar que a cidade é tão desprovida de cuidados essenciais, correndo o risco de perder o seu encantamento natural.
Aqui as ruas são esburacadas, não há planejamento urbano, o crescimento é ao acaso, de qualquer jeito, de todo jeito. Saneamento básico também não há, nem sistema de tratamento de resíduos.

Os terrenos baldios são cobertos pelo mato, atraindo insetos e animais peçonhentos. A empresa que recolhe o lixo ostenta o belo nome 'RECICLE', mas não realiza coleta seletiva. E cobra caro demais por um serviço de péssima qualidade.

Cidade de veraneio e de moradores fixos, famílias tradicionais, pescadores, comerciantes, gente que vem e que vai, gente que vem e fica, gente que daqui não sai.
Escolhi morar aqui, há dois anos mudei para cá. Mas confesso que esta falta de infraestrutura me incomoda. 
Não sinto falta dos semáforos, dos shoppings, das grandes lojas, do trânsito agitado. Mas sinto falta da organização, dos projetos de sustentabilidade, da água melhor tratada, da pavimentação, do lixo reciclado, dos dejetos tendo destino certo. 
Sou feliz em Barra Velha, mas me deixa triste o descaso e a falta de cuidados com esta tão bela e acolhedora cidade. Porque, a continuar assim, a médio e longo prazo não mais atrairá turistas ou novos moradores.
Mas ainda dá tempo de reverter a situação. E cabe a cada morador, a cada veranista, a cada proprietário de imóvel cobrar das autoridades e das entidades de proteção ambiental que ajam com mais foco, vontade, veracidade. 

E cabe a cada um de nós fazer a sua parte, contribuindo para que Barra Velha continue bela e atraente, naturalmente!

segunda-feira, 2 de março de 2015

SILÊNCIO


No silêncio da noite eu me inspiro, penso, reflito, escrevo.
No silêncio da alma eu medito, creio e confio.
No silêncio da casa eu me encontro e me perco, tranquila.
No silêncio do coração nada sinto, nada sei, sou incógnita.
No silêncio do dia sou uma, sou muitas.
No silêncio da boca o semblante demonstra quem sou, como estou.
No silêncio da vida meus olhos enxergam além, e falam, e gritam, e se mostram.
No silêncio sou eu, sou você, sou nós.
No silêncio fico forte ou fraca, poderosa ou ameaçada.
No silêncio forçado sinto medo, fico apavorada.
No silêncio escolhido fico bem, sinto-me abençoada.
No silêncio ouço melhor, falo com o olhar, comunico-me mais claramente.
No silêncio encontro amor, aconchego, luz, sabedoria, iluminação, Deus.
No silêncio sou mais eu!

CAOS

E o caos está instalado no Brasil. Já não é possível ignorar o rumo que as coisas tomaram. Já não se pode fazer vistas grossas, deixar pra lá, deixar de opinar. Todos somos responsáveis e precisamos acordar, discordar, mudar o rumo dos acontecimentos.
Governo corrupto, com falsas promessas, desmando desenfreado. Roubalheiras por todos os lados.  A Petrobrás, que já foi a maior empresa nacional, hoje está falida, virou casa da mãe joana, de todos e de ninguém. Fadada ao fracasso por causa de um bando de ladrões que não pensaram antes de usurpá-la. A água escassa para a população, que é responsabilizada pela sua falta. Mas e as grandes indústrias que gastam de maneira desmedida esse bem tão precioso? E onde estão os planos de manejo sustentável, de reaproveitamento, de prevenção?
A energia elétrica aumenta assustadoramente e novamente nós, os consumidores domésticos, somos responsabilizados e penalizados. Não conseguimos arcar com o preço alto da eletricidade então economizamos, ou seja, deixamos de usar nossos aparelhos elétricos para não sermos assaltados com a conta de luz. O preço da gasolina está tão alto que nem há o que falar.
E o principal, a cesta básica, os alimentos. A inflação está nas alturas e vemos e sentimos isso em cada ida ao supermercado, à padaria, ao açougue, à verdureira. Aliás, nossas idas estão cada vez mais escassas, compramos menos e gastamos muito mais.
De resto então, melhor esquecer. Trocar de carro, comprar uma roupa nova, presentear alguém, fazer um passeio ou uma viagem em família são luxos não mais permitidos. A classe média está empobrecida, literalmente.
Mas continuamos trabalhando, pagando impostos o tempo todo e agora, o pior deles, o Imposto de Renda, que leva parte do nosso salário!
Até quando vamos aguentar? Até quando vamos suportar tamanha humilhação, tanta disparidade, tal descontrole governamental.
Queremos dignidade, exigimos dignidade! Queremos uma sociedade mais justa e igualitária para todos, sem sacrifício de uns em prol de outros. Queremos cartas na mesa, jogo limpo, sem trapaças.
Queremos e exigimos o fim do caos.
Dia 15 de março vamos para a rua. Vamos parar, vamos exigir nossos direitos e fazer com que cumpram seus deveres como o temos feito. Vamos à luta armados com a razão que nos assiste. Sem quebradeira, sem xingamentos, sem baixaria. Munidos de razão! 
Está em nossas mãos, nas mãos dos milhões de brasileiros insatisfeitos mudar a situação atual e dar fim ao caos!