domingo, 19 de junho de 2016

RIMA...

Amores que se vão, outros logo vem
Amigos de fé a gente sempre tem
Irmãos de caminhada a quem queremos bem!

Família unida também briga
Filha emburrada sempre liga
Companheiros de vida!

Seres humanos irracionais
Animais com atitudes leais
Sociedade que faz e desfaz!

No emaranhado do ser
Por vezes mais importante é ter
Assim fazendo o mal acontecer!

Mas no cotidiano social
Muitos procuram ser igual
Semeando a paz e enterrando o mal!

E assim vou rimando
Como que poetando
Mas apenas palavras treinando!

Maria Conceição de Aguiar

MULHERES FASCINANTES


Ela tem 70 anos, fez uma cirurgia no joelho e foi se recuperar na casa da filha. No dia seguinte recebeu a visita do namorado, carregando um buquê de flores e um sorriso largo.

Ela tem 82 anos e mora sozinha. Quando o filho avisou que pretende visita-la em breve, respondeu que se ele demorar talvez não a encontre mais lá. Preocupado, tenta reanima-la, quando ela diz: "Mas quem está pensando em morte? Estou comprando um novo apartamento e pretendo mudar logo!"

Ela tem 91 anos mas fala para todos que tem 90, não quer parecer velha. Elegante e vaidosa, faz questão de ir semanalmente ao salão de beleza. Acompanha as tendências da moda e jamais recusa um convite para um passeio.

Três mulheres, três exemplos fascinantes, três histórias que ouvi nesta semana. Assim como elas, há centenas, milhares de outras não menos fascinantes, que se esforçam para envelhecer com sabedoria, mantendo a qualidade de vida, o convívio social, as atividades do dia a dia.
Dificuldades elas têm, claro. Mas a diferença é que não se deixam sucumbir. Superam os problemas, as dores, os momentos de solidão, as limitações. São felizes e gratas pela vida e tudo fazem para prolonga-la.
Então hoje faço minha homenagem às mulheres que envelhecem sabiamente, belas por dentro e por fora, que não se lamentam, ou que, quando o fazem, logo reanimam-se, vestem-se e saem por aí espalhando vida!
Parabéns a estas três mulheres fascinantes e a todas as outras que nos inspiram a querer ser parecidas com elas!

MUNDO

O mundo é grande e grandes são as voltas que ele dá. Minha mente borbulhante não cabe em mim, então me explora, implora por espaço, fica num descompasso sem fim.
Não sei me limitar, falar o essencial, calar, aceitar sem retrucar. Não sei deixar de opinar, de mostrar, de ver, de observar. Quisera saber simplificar e não me deixar abater, nem esmorecer. 
Mas não, meu pensar extrapola os limites do meu ser. 
Grande coisa não sou, até por opção. 

Escolhi ser mais uma na multidão. Mas minha mente barulhenta não me deixa aquietar-me. Então fico pequena, quero asas, batê-las em disparada, beber novas águas, conhecer novas gentes, sentir novos cheiros, sabores, preencher lacunas.
Então preparo o passo, libero espaço, formato o disco, saio do compasso para então reencontrar o rumo.
E não quero aprender a aquietar-me, acomodar-me, aceitar, não! Quero aprender mais e mais a deixar fluir, sentir, agir.
Quero mente aberta, alerta, mas sem subestimar nem superestimar o outro, a mim, o mundo. Quero a profundeza do ser, do saber que chama saber, do aprender que lembra que nada sei, que pouco saberei, mas que sou quem sou.
E sou uma em muitas e muitas em uma. E sou forasteira, que precisa partir para novos desafios. E sou felina quando falo tudo o que penso e reflexiva quando ouço o que preciso.
E sou a ex, a atual, a futura. Sou a mãe, a avó, a sogra, a tia. Sou a professora, a jornalista, a servidora pública. Sou a escrevedora, a contadora de histórias, a que gosta de opinar sempre. Sou a que encanta ou desencanta, conquista ou afasta, faz-se amar ou odiar, ou simplesmente ignorar!
Ah mas sou quem sou, resultado das escolhas que faço, da vida que vivo, dos laços que crio, dos nós que me envolvem, das emoções que compartilho, das tristezas e alegrias, do despertar de cada dia.
Ah e sou eu tão comum, apenas mais uma dentre tantas. Mas sou seu, tão cheia de ideais e tão pouco prática.
Ah  mas sou sou o que sou e de mim me orgulho. Sou jardim que floresce e espinho que fere. Sou sonho que embeleza e pesadelo que entristece. Sou fada, sou bruxa, sou boa e sou má, sou o que eu quiser ser, sou o que escolho ser.
Então não reclamo, nem me deixo abater. Apenas repenso, revejo, relaxo e recomeço!
Um brinde às chances de recomeçar, sempre!

sábado, 18 de junho de 2016

INSPIRAÇÃO

Há tempos não tenho inspiração para escrever. Devo estar perdendo o jeito, ou talvez o rumo, o prumo, o gosto. Sei lá, tenho estado ausente, distante, alheia, meio que sem vontade de olhar, observar, opinar, meio sem gosto para ouvir, falar, escrever.
Talvez seja uma fase de introspecção, de recolhimento, ou de reconhecimento de meus limites!
Limites que me limitam e limites que transbordam. Na verdade, falta de paciência para as mesmices e babaquices. Então, não escrevo, não ouço, não falo. Mas leio!
E lendo viajo, conheço, aprendo, supero. E lendo amplio meus limites e vislumbro novos horizontes. E lendo sou livre, fico leve, ganho força!
Mas sinto falta do papo bom, das conversas sobre acontecimentos, da vivência que inspira e que desperta o pensar e o agir. Sinto falta de gente leve, que brinda à vida, que vive, sonha e realiza.
Falando sério, tenho sentido falta de uma noite com amigos, um almoço agradável, um passeio, um encontro, uma reunião elegante!
Sim elegante, em que não se fale sobre pessoas mas sim sobre ideias, e que as opiniões sejam respeitadas, sem imposições. Elegante pois todos conseguem se olhar nos olhos, falar o que sentem, rir sem culpa, dizer sem medo, ouvir sem julgar.
Mas cadê as pessoas que antes me inspiravam? Cadê o mundo em que eu vivia? Teria sido equívoco? Teria eu me afastado? Teria então me decepcionado? Ou decepcionado aos demais, ao mundo, a mim mesma!
Onde estará minha inspiração? Terá se perdido em minha falta de atenção? Terá de desviado de mim? Terá sido levada pelo mar, pelo ar, pelo tédio?

Já não sei! 
Mas hoje, reflexiva, repenso e me busco, tento me reencontrar, rever minhas escolhas, reverter minha desolação, deixar de queixar-me e encontrar novo rumo, novo tempo, novo paradigma.

Pensante que sou, sinto-me errante a ecoar um grito de socorro, de novos ares, novos pares, nova vida, vida nova.
Eis que me vejo assim, em modo de transição, em meio a uma confusão de ideias que me me fazem querer viver o que virá, sem esquecer o que vivi, sem esperar nem sufocar, mas reaprender a me encontrar!
Então assim, a inspiração voltará, a vida vai florir e a semente germinar. E encerro com outro pensar, o que comecei num reclamar, reanimada, reativada, motivada a continuar! 

Maria Conceição de Aguiar