O mundo é grande e grandes são as voltas que ele dá. Minha mente borbulhante não cabe em mim, então me explora, implora por espaço, fica num descompasso sem fim.
Não sei me limitar, falar o essencial, calar, aceitar sem retrucar. Não sei deixar de opinar, de mostrar, de ver, de observar. Quisera saber simplificar e não me deixar abater, nem esmorecer.
Mas não, meu pensar extrapola os limites do meu ser.
Grande coisa não sou, até por opção.
Escolhi ser mais uma na multidão. Mas minha mente barulhenta não me deixa aquietar-me. Então fico pequena, quero asas, batê-las em disparada, beber novas águas, conhecer novas gentes, sentir novos cheiros, sabores, preencher lacunas.
Então preparo o passo, libero espaço, formato o disco, saio do compasso para então reencontrar o rumo.
E não quero aprender a aquietar-me, acomodar-me, aceitar, não! Quero aprender mais e mais a deixar fluir, sentir, agir.
Quero mente aberta, alerta, mas sem subestimar nem superestimar o outro, a mim, o mundo. Quero a profundeza do ser, do saber que chama saber, do aprender que lembra que nada sei, que pouco saberei, mas que sou quem sou.
E sou uma em muitas e muitas em uma. E sou forasteira, que precisa partir para novos desafios. E sou felina quando falo tudo o que penso e reflexiva quando ouço o que preciso.
E sou a ex, a atual, a futura. Sou a mãe, a avó, a sogra, a tia. Sou a professora, a jornalista, a servidora pública. Sou a escrevedora, a contadora de histórias, a que gosta de opinar sempre. Sou a que encanta ou desencanta, conquista ou afasta, faz-se amar ou odiar, ou simplesmente ignorar!
Ah mas sou quem sou, resultado das escolhas que faço, da vida que vivo, dos laços que crio, dos nós que me envolvem, das emoções que compartilho, das tristezas e alegrias, do despertar de cada dia.
Ah e sou eu tão comum, apenas mais uma dentre tantas. Mas sou seu, tão cheia de ideais e tão pouco prática.
Ah mas sou sou o que sou e de mim me orgulho. Sou jardim que floresce e espinho que fere. Sou sonho que embeleza e pesadelo que entristece. Sou fada, sou bruxa, sou boa e sou má, sou o que eu quiser ser, sou o que escolho ser.
Então não reclamo, nem me deixo abater. Apenas repenso, revejo, relaxo e recomeço!
Um brinde às chances de recomeçar, sempre!