quinta-feira, 10 de outubro de 2013

SILÊNCIO

E no silêncio da noite começo a pensar, remoer, relembrar, fantasiar, filosofar.
E no silêncio do dia vou escrevendo minha história, literalmente!
Mas o silêncio me assusta. Embora por vezes precise dele.
Gosto mesmo é de barulho. Porque tenho alma barulhenta, sou inquieta e inconstante, sou transparente.
E se por fora sou silêncio, por dentro sou algazarra! De pensamentos e emoções, de sentimentos e sentidos, de observações!
Minha mente barulhenta nunca para, não dorme, não descansa. Está sempre a questionar, querer saber o porquê, entender, analisar....
Minha mente barulhenta não aceita o porque sim, porque não, quer mais, quer explicação!
E no silêncio do mundo sinto-me perturbar, embaralhando as palavras, tentando decifrar a mim e ao outro, o mundo e a vida!
E no silêncio dos outros fico a questionar, tentando entender, buscando saber, querendo aprender.
E no silêncio da vida reviro-me do avesso e me encontro, ou me perco em mim mesma.
Porque tenho alma e mente barulhentas. Que já não conseguem calar, que já não querem cessar.
E quando por fora sou silêncio por dentro sou algazarra. Mente e alma barulhando, coração transbordando, vida aflorando, sempre e sempre!
Porque na inquietude do meu ser não sei ser diferente. Não sei o porquê do talvez, do pode ser, do tanto faz. Não sei o porquê do não sei!
E no barulho inquietante do meu ser sou redundante.
E sou dúbia, e sou una. Mas sou eu!
E no silêncio da vida vou-me questionando, mudando, melhorando, aprendendo, sempre recomeçando.
E no barulho que brota do meu ser vou-me reescrevendo, aprimorando, revivendo.
E assim prossigo! E assim sou feliz! E assim faço minha história, deixo meu legado, conquisto uns e perco outros.
E assim sou feliz!
Maria Conceição de Aguiar

Nenhum comentário:

Postar um comentário