segunda-feira, 30 de junho de 2014

PODER DO PERDÃO

Saber perdoar é uma dádiva, na verdade, um sinal de maturidade, de grandiosidade, de generosidade. Principalmente consigo. Poque ao perdoar os erros de alguém, as ofensas que nos causaram, a puxada de tapete, a fofoca, a mentira, a calúnia, a traição, estamos nos libertando do peso da mágoa, da angústia, do sofrimento que determinada ação nos causou.
Então perdoar é necessário para que consigamos seguir adiante, sem resquícios, sem ficar remoendo, sem tentativas de vingança, sem revanche. Livres!
Mas perdoar, na minha concepção, não significa que queremos nos reaproximar de quem nos feriu. Porque voltar a confiar e acreditar é quase impossível. Não precisa, podemos manter distância, deixar de lado, até ignorar, mas sem culpas nem ressentimentos, com leveza nos sentimentos.
Já fui rancorosa, já acumulei mágoas e dissabores. Com o tempo percebi que tais coisas só faziam mal a mim. Quem as causou seguia sua vida normalmente. 
Então fui amadurecendo, mudando meus conceitos, revendo minhas atitudes. E aprendi a perdoar.
Sou contra a vingança e a favor da justiça. Então que sejamos justos.
Ao sermos traídos de alguma forma, por um amigo, um parente, um colega, um amor, tendemos a ficar mal. Inicialmente nos culpamos tentando encontrar explicação para o fato. Depois deixamo-nos inundar de ressentimentos, ódio, raiva, decepção.
Mas, quando simplesmente perdoamos, o alívio que sentimos é imensurável. Estamos libertos.
Não precisamos mais entender os motivos, não necessitamos mais buscar respostas. Passamos a limpo!
Mas o perdão há de ser real, verdadeiro, limpeza da alma, da mente e do coração. Enquanto remoermos a situação não ficaremos livres, não teremos perdoado pra valer.
E assim também é quando erramos e pedimos perdão. O alívio é libertador. Mas, nesse caso, ao admitirmos que erramos, temos a chance de tentar reparar, consertar, voltar atrás. Porque perdoar a nós mesmos também é imprescindível para alcançar a paz de espírito necessária para viver cada dia.
Hoje já não guardo mágoas nem rancores. Aprendi a perdoar e a pedir perdão. Para alguns erros, além do perdão, ofereço uma segunda chance, uma nova tentativa, um recomeço.
Para outros, prefiro manter-me longe, distante, mas sem sequelas. Não, definitivamente não tenho mais sequelas das mazelas vividas. estou livre, estou em paz.
E sabendo perdoar a mim, aos outros e, sabendo pedir perdão, sinto-me mais leve, mais tranquila, mais feliz! E diariamente repito: Eu sinto muito, me perdoe, eu te amo e sou grata! E diariamente eu perdoo, faço uma limpeza na memória e durmo sem nenhum ressentimento. Demorou, mas aprendi e estou muito melhor assim!

Maria conceição de Aguiar

domingo, 29 de junho de 2014

PARABÉNS AMIGA

Hoje quero fazer um texto diferente. Uma pequena homenagem a uma amiga muito especial. Éramos colegas de trabalho mas nos identificamos tanto que nos tornamos amigas de verdade. Temos, em nossa história de vida, trechos muito parecidos. Temos também pensamentos e convicções que se assemelham, por isso, em vários pontos, somos parecidas. Uma breve narrativa da sua trajetória, minha homenagem.
Ela casou muito cedo e logo teve duas filhas. Estudou e se tornou professora. Ansiosa por mudanças, mudou de profissão, aprendeu novo ofício, construiu uma família, tornou-se suporte do lar. Conseguia conciliar a vida profissional com a maternidade, ser esposa, dona de casa, filha e irmã. Vivia no interior e era feliz na simplicidade escolhida.
Mas como a vida não é um conto de fadas, o que parecia perfeito, desabou. Traída pelo marido, descobriu que ele seria pai fora do casamento. Mas uma mulher elegante e generosa não se deixa abalar. perdoou e até pensou em criar aquela criança como seu. Então refletiu, aconselhou-se, ponderou e decidiu que não, resolveu dar um basta!
Pediu a separação, a transferência do emprego para outra cidade e foi embora, com as filhas adolescentes, rumo à cidade grande, cheia de medos e anseios, mas repleta de coragem, garra e determinação.
Aos poucos a vida retorna ao eixo e então ela começa a permitir-se viver. Trabalhando muito para terminar de educar as filhas, fez novos amigos, conheceu pessoas, enamorou-se.
Anos mais tarde conheceu o amor da sua vida, estava pronta. E ousou recomeçar, acreditar, deixar-se envolver. Casaram e vivem em harmonia, claro, como a maioria dos casais, com altos e baixos, mas sem hipocrisias.
A vida pessoal em ordem, filhas crescidas, independentes, casamento solidificado, avó! Mas faltava um sonho a ser realizado. Cursar uma nova faculdade, específica, Direito. Então, novamente ousou e durante cinco anos dedicou-se ferozmente aos estudos, sem deixar de ser a esposa, a dona de casa, a mãe, a filha, a avó. Cada coisa no seu lugar, organização.
E eis que agora ela conquista o tão sonhado diploma e a aprovação no exame da Ordem na primeira tentativa. Feliz e orgulhosa, com toda razão. 
E aos 52 anos de idade, minha amiga certamente tentará um novo concurso, ousará ir mais longe ou, em breve, passará a exercer o ofício de advogada, com o mesmo brilhantismo que exerceu todos os demais.
Sinto-me honrada por ser sua amiga, por ter acompanhado sua história, ouvido seus relatos, debatido nossas vidas.
Sinto-me orgulhosa e feliz por ela, porque sei que está colhendo exatamente o que plantou, é merecedora de cada conquista, de todas as vitórias. 
Sinto-me inspirada pela sua força e determinação, coragem e sabedoria. Sabedoria essa conquistada aos poucos, vivendo cada fase, acreditando, caindo e levantando, sem jamais esmorecer. 
Parabéns amiga, siga em frente e que Deus continue abençoando seus planos e objetivos, sua família, sua vida. E que bom saber que posso chamá-la de amiga, em toda concepção da palavra. Obrigada e continue brilhando. Parabéns!

Maria Conceição de Aguiar

TRECHOS

"O Pequeno príncipe", meu livro predileto, deu-me importantes lições sobre o amor, a lealdade, a fidelidade. "É o tempo que dedicas a tua rosa, que a faz importante. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. O essencial não é visto com os olhos; é sentido com o coração."
Acredito sim que o tempo que dedicamos a alguém, o quanto de amor lhe damos é que o faz tornar-se importante para nós. Isso é cativar. E, ao cativarmos a amizade, o amor, o coração ou a admiração, ao cativarmos determinada pessoa, tornamo-nos responsáveis por ela, espelho, reflexo, compromisso! Essas coisas são essenciais e não podem ser vistas com os olhos, porque, embora óbvias, referem-se a sentimentos! E se nos deixamos cativar então tudo fica ainda mais bonito. Ficamos mais fortes, coração cheio de bons sentimentos, formamos elos, tornamo-nos parte da vida de quem nos conquistou!
"A Culpa é das Estrelas", livro lindo, mostrou-me que o amor sempre vale a pena e que, correr riscos, faz parte. “Não dá para escolher se você vai ou não vai se ferir neste mundo, meu velho, mas é possível escolher quem vai ferí-lo. Eu tenho medo de ser esquecido."
E quem não tem medo de ser esquecido? Queremos ser lembrado, de preferência com carinho. As feridas cicatrizam, os medos podem ser superados, as escolhas que fazemos trarão as consequências relativas, e assim será!
"O Caçador de Pipas", excelente livro, ensinou-me que, apesar das desigualdades, a família e os amigos devem estar acima de qualquer outra coisa. "Existe apenas um pecado, um só. E esse pecado é roubar. Qualquer outro é simplesmente a variação do roubo. Quando você mata um homem, está roubando uma vida. Está roubando da esposa, o direito de ter um marido, roubando dos filhos um pai. Quando mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando trapaceia, está roubando o direito à justiça..."
Quando li esse trecho no livro refleti e concordei. O maior de todos os pecados é roubar. Não temos o direito de roubar os sonhos de ninguém, os seus direitos, deveres e, principalmente, a sua personalidade. Então é preciso cuidado ao lidar com os sentimentos alheios, evitar a manipulação, a mentira, o dolo. Ao enganarmos ou iludirmos um coração estamos roubando-lhe a felicidade!

E há ainda trechos memoráveis de poemas, sonetos e músicas, que carrego comigo como fonte de inspiração, reflexão, desenvolvimento. Sou amante dos livros, dos textos, das crônicas, das músicas de boa qualidade. Sou pensadora nata e escrevedora por vocação, então, ler e ouvir grandes autores é para mim a melhor distração, o maior divertimento. E, para finalizar, cito alguns dos meus preferidos, apenas alguns, porque tenho uma lista enorme para recomendar!
"Que não seja imortal, posto que é chama, Mas que seja infinito enquanto dure" (Vinícius de Moraes
"Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a escrever." ( Clarice Lispector)
"Eu quero o silêncio das línguas cansadas, Eu quero a esperança de óculos; E meu filho de cuca legal
"Queria ter aceitado as pessoas como elas são. Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração."
"Mas "quase" também é mais um detalhe; Um grande amor não vai morrer assim; Por isso, de vez em quando você vai lembrar de mim"
Elis Regina, Titãs, Roberto Carlos. Trechos riquíssimos, eloquentes, os quais admiro.
Ah, palavras escritas que se transformam em letras de músicas, poemas, livros, histórias...amo muito tudo isso!

sábado, 28 de junho de 2014

QUERENDO

E nessas andanças aumenta mais e mais minha ânsia por mudanças! Aff, como sou mutável, graças a Deus!
Estou querendo mais!
Mais abraços apertados, mãos entrelaçadas, braços abertos, beijos quentes, noites sem dormir!
Mais sorrisos, olhares e papo bom! Mais passeios, viagens e a alegria de voltar para casa!
Estou querendo dançar, levitar, suspirar, prender a respiração de tanto amor!
Mais dias de sol, mais noites de lua cheia, mais finais de semana.
Estou querendo um novo amor, um amor novo, um motivo, um sentido, um encontro.
Mais vida, mais sonhos, mais realizações, mais livros, mais textos.
Mais namoro, mais atrevimento, mais ousadia!
Ah, como o novo me atrai. e me deixo levar pelas vontades, quando quero, vou atrás!
Então agora penso que estou querendo amar e ser amada, ser a namorada, ficar apaixonada!
Porque a vida pulsa em mim com tamanha intensidade que, de tempos em tempos, preciso desencantar, renascer, reviver, renascer!
Fico pilhada, gosto disso. Minha energia me inspira. Escrevo, trabalho muito, cuido da casa, sou mãe e avó, amiga de toda hora.
Mas está faltando alguma coisa, neste momento, claro! Quero um amor.
Um amor na medida, nem demais nem de menos. Um amor feito de laços mas sem nós, sem amarras, sem frescuras.
Estou querendo, mas não procurando, talvez esperando! Mas não é muito do meu perfil esperar. Porque logo já quero outra coisa e esqueço o queria agora. portanto, acho que preciso agir.
Meu coração e minha mente estão abertas ao amor. Meu corpo está sempre pronto para o amor! Então que venha, que chegue, que fique por um tempo, pouco ou muito tempo, o tempo todo, não sei!
Sei apenas que estou querendo! E isso já é um bom começo!

Maria Conceição de Aguiar

METÁFORA

E no meio de um temporal o céu escurece, as nuvens pesadas impedem a visibilidade e o vento forte dilui pensamentos. Em meio ao temporal a chuva grossa tudo embaça, o barulho dos trovões ensurdece, os raios assustam.
E de tempos em tempos atravessamos temporais. Alguns duram dias, semanas, meses. Enquanto o estivermos contemplando, sentindo, vivenciando tudo fica conturbado, deturpado, estranho. 
E quanto mais tentamos sair dali, mais envoltos ficamos, mais amedrontados, assustados, sem conseguir ver uma estrela no céu, uma ponta do arco-íris, um filete de sol.
Mas eis que mesmo em meio a um grande temporal e, apesar dele, precisamos continuar vivendo, trabalhando, executando nossas atividades, dando seguimento à vida!
Então o enfrentamos!  Ousamos passar por ele, mesmo com medo, mesmo receosos. 
E nos deixamos molhar, ligamos o limpador de para-brisas, o desembaçador, abrimos as janelas da casa e da alma.
E então, ao encararmos o temporal começamos a nos surpreender com a força que temos, com tudo que somos capazes, com nossa superação.
Enfrentando o temporal ele passa, sempre passa. O sol volta a brilhar, as estrelas surgem resplandecentes, a lua majestosa, o céu limpo de novo!
Então, passado o temporal, é hora da faxina, da limpeza, da remoção dos entulhos, da lama, do mofo. Momento de renovação, inspiração, recomeço!
Pois é, temporais são inevitáveis, a intensidade que eles têm é que depende de nós, do que fazemos, de comor reagimos. É preciso suportá-los por um tempo, mas reagir até que passem, sem forçar nada, sem tentar remar contra a correnteza, apenas saindo dele com calma, paciência e sabedoria. 
Sim, saber atravessar os temporais da vida é ser sábio, é aquirir a sapiência necessária para lidar com a vida e com o que ela nos apresenta diariamente. Com um limão podemos fazer uma limonada, uma caipirinha ou tomar seu suco puro e ficar fazendo careta pelo gosto amargo que fica. Depende de nós! A chuva que alaga é a mesma que rega e gera vida, depende de nós!
Depende de nós o rumo que damos à vida, a maneira como enfrentamos os revessos. Enquanto temos vida e mente ativa, somos responsáveis por nossos atos e atitudes e, claro, pelas consequências das decisões. Portanto, enfrentemos os temporais e saibamos sair deles ainda mais fortes, com alma e coração lavados!

Maria Conceição de Aguiar

sexta-feira, 27 de junho de 2014

PARÓDIA

O tempo passa, o mundo evolui rapidamente, mas as princesas Disney continuam influenciando e moldando a vida de muitas mulheres, em pleno século XXI.
Natural uma menina sonhar em ser princesa, vestir-se e portar-se como tal. Sonhos de criança. Mas, ao crescer, é preciso cair na real e entender que a vida é bem mais que um faz de conta, não dá pra ficar parada esperando o príncipe encantado. Pois bem, nem todas crescem.
Conheço Brancas de Neve que vivem em pequenas aldeias, cercadas de 'anões', os quais fazem de tudo para agradá-las, conquistá-las, encantá-las. Mas não, elas os consideram inferiores. Não conseguem enxergar suas qualidades na simplicidade em que vivem, tratam-nos bem, mas mantendo a distância necessária, deixando claro que não devem aproximar-se além do estabelecido. Envelhecem esperando o príncipe aparecer montado em seu cavalo branco para então viverem felizes para sempre!
Sei de Belas Adormecidas que se enclausuram em seus castelos de sonhos sem ver o mundo, sem contato com os outros, sem querer acordar. Seguras em seu quarto arrumado, vivem no sonho de que o príncipe chegará e com um beijo as acordará e então começarão a amar, como num passe de mágicas onde o coelho sai da cartola.
Há Cinderelas que se sujeitam aos maltratos das irmãs, da madrasta, da família, porque nada fazem para mudar a situação. Não reagem, não batalham, não se impõem. Limpam, cozinham, costuram, sempre resmungando e reclamando, mas sem coragem de atravessar a porta e ir em busca da vida real. Ao contrário, esperam pela fada que as deixará belas, prontas para o primeiro baile e lá encontrarão o seu príncipe.
E tem muitas que escolheram a vida da Rapunzel. Do alto da torre apenas observam o tempo correr, ninguém pode se aproximar, não há espaço para mais nada além da espera pelo amor ideal.
Pois é mulherada que vive presa no sonho de viver um conto de fadas, sinto desapontá-las, mas vocês têm que ir à luta.
Os príncipes não se encantam tão facilmente. Querem mulheres de verdade, prontas para a vida. Que saibam o que querem, que estabelecem objetivos e vão em busca deles. Que estudam, leem, trabalham, vivam. Que enxerguem além da aparência. Que não ficam eternamente nas janelas e torres, apenas esperando.
É possível ser princesa sem sapatos de cristal. É possível ser princesa e culta, profissional, descolada.
É possível ser princesa real que vai pra balada, sai com as amigas, paquera, namora, tem pegada e não espera ser escolhida, sabe escolher. É possível ser princesa escolhendo por amor, afinidades, semelhanças ou diferenças, independente dos defeitos e imperfeições do príncipe, dividindo as despesas, alegrias e frustrações.
E se for para se inspirar que seja na Bela, que enxergou a Fera além da sua aparência e má fama. Soube amá-lo e por ele amada, vencendo juntos as barreiras das diferenças!
Portanto, princesas acordem! O príncipe não chegará altivo em seu cavalo branco, nem num camaro amarelo para salvá la. Talvez você o encontre de carro popular, de motocicleta, bicicleta ou a pé. Mas faça a sua parte, acorde! Olhe para os lados, analise-se e veja que na vida real o que vale é viver uma história legal. E que seja eterno enquanto dure!

Maria Conceição de Aguiar

quinta-feira, 26 de junho de 2014

ADMIRÁVEL

Admirável beleza ao contemplar a natureza!
Admirável o sol nascente, não menos belo o poente!
Admirável imensidão do mar, da onda na praia a bailar!
Admirável o céu estrelado, ensolarado, nublado!
Admirável o assovio do vento, fazendo correr o tempo!
Admirável o dia e a noite e entre os dois a ponte!
Admirável a vida e a morte, leme ao norte!
Admirável o amor que aflora e a saudade que afoga!
Admirável a lembrança boa, a despedida à toa!
Admirável o homem e a mulher, e deles o que vier!
Admirável o gerar outro ser e ver nova vida nascer!
Admirável mundo velho, entrelaçado meio sem elo!
Admirável concepção do ser, saber, aprender!
Admirável terra viva, fonte de vida!
Admirável!

NOVIDADES

Adoro o novo, literalmente! Por isso não penso muito quando decido mudar. Decido e faço acontecer!
E mudo de casa, de cidade, de profissão, de trabalho, de amor, de opinião, de conceitos!
As novidades me atraem, atiçam minha curiosidade e me impulsionam à aprendizagem.
Estou, neste momento, aprendendo a me integrar ainda mais ao mundo virtual, digital. Digo ainda mais porque no meu dia a dia já sou bastante conectada. Blogueira, participo das redes sociais, salvo e compartilho meus arquivos no OneDrive. Mas, em breve também o meu trabalho será executado no ambiente virtual.
Estamos migrando para a realidade dos processos digitais!
Então, além de estar fazendo um curso virtual, participei do curso presencial. Confesso que minha cabeça está dando nó com tanta informação. Mas confesso também que estou gostando, sentindo-me desafiada e isso me fascina.
Novos desafios, novos projetos, novos aprendizados, novas tarefas. Fascinante!
Porque penso que não podemos nos deixar estagnar pelo cansaço, pela mesmice, pelo comodismo ou pelo medo. Não, ao contrário. Acredito que necessitamos de constantes desafios, os quais reativam nosso pensar e agir, nosso raciocínio, nossa infinita capacidade de aprendizagem.
Ah, sou fá das novidades. Não desprezo o velho, o passado, o que ficou, minhas bagagens. Mas estou sempre pronta para o novo, o diferente, o desafiador!
E aquariana de mente barulhenta e perfil questionador, fico feliz em conhecer novas tecnologias e inserir-me na vida real do mundo virtual!

Maria Conceição de Aguiar

segunda-feira, 16 de junho de 2014

PARA SEMPRE!

Para sempre pode se referir a um dia, uma noite, uma semana, um mês, um ano, uma década, muitos anos, uma vida inteira.
Uma vida inteira pode durar um dia, uma noite, uma semana, um mês, um ano, uma década, muitos anos.
Um momento, uma lembrança, um abraço, uma palavra, um gesto, um sorriso são coisas que podem ficar para sempre em nós, em quem transmitiu ou em quem recebeu.
Como é relativo o tempo. Pouco tempo, muito tempo, tempo ideal! Tudo depende da circunstância, da visão que temos, da sensação do acontecimento. 
Os dias de uns podem faltar horas, faltar tempo, já os de outros as horas vagam, o tempo sobra. 
Mas, pensando bem, é difícil definir o que é para sempre, quanto tempo dura uma vida inteira.
Numa fração de segundos tudo pode acabar, transformar-se, mudar. 
Sentimentos mudam, realidades são reviradas, maneiras de pensar são revistas. Vidas são ceifadas diariamente.
Mas não costumamos pensar muito nessas coisas, nem tem por quê. Vivemos o hoje, o momento presente e assim deve ser. Claro, assimilando as lições do passado, preparando-se para o futuro, mas sem depressão nem ansiedade, apenas vivenciando cada dia.
Porque o para sempre pode ser interrompido a qualquer momento. A vida pode ser interrompida a qualquer instante.
Portanto precisamos estar preparados, não prontos, porque dificilmente estamos prontos para lidar com as perdas, com as despedidas, com a partida.
Mas preparar-se é deixar-se levar mais pelo coração, pela emoção, sem perder o foco da razão. 
E pensando nisso concluo que não devemos economizar sorrisos, gentilezas, caridade, amizade, nem dinheiro. Aliás, o dinheiro serve para nos garantir o essencial, a vida digna, o conforto necessário para que tenhamos alimentação, saúde, lazer, educação. Mas, não deveria servir para o acúmulo de bens materiais dos quais nem precisamos, não usaremos. Não, o ter não pode sobrepujar o ser, jamais.
Ninguém sabe quanto tempo viverá, quando ainda resta, quantas viagens faremos, quantos amores viveremos, quantos aniversários comemoraremos. Portanto, é preciso amar incondicionalmente o outro, por mais difícil que possa parecer, mas dá pra aprender, exercitar até aperfeiçoar-se. 
É como viver um processo de despedidas diárias, sem pessimismo ou melancolia, sem preocupar-se em demasia, mas procurando sempre melhorar, olhar e enxergar, ouvir e escutar, falar e se fazer entender. É necessário julgar menos e perdoar mais, lamentar-se menos e agradecer mais. 
É imprescindível gastar tempo passeando, admirando paisagens, conhecendo novos lugares, abraçando, praticando o que pregamos.
Não sei mais o que significa para toda a vida, para sempre, a vida inteira. Não sei quanto tempo tenho para estar ao lado dos que amo. Não sei quanto tempo eles têm. Não acredito em videntes, prefiro nem saber.
Então procuro valorizar o tempo que tenho, o qual poderá ser longo ou curto, mas valorizo cada momento que passo no meu trabalho, na minha casa, com minha família e meus amigos. Valorizo meus momentos de solidão e recolhimento. E vou me preparando emocionalmente, cultivando bons sentimentos, compartilhando meus pensamentos, fazendo a minha parte. por vezes, uma escorregada, mas logo volto ao prumo.
E divagando vou vivendo, despedindo-me sem querer ir, mas sabendo que a vida é breve, os amores vão e vem, as relações são frágeis. Então, vamos seguindo, buscando a felicidade diária, a satisfação permanente, para sempre!

Maria Conceição de Aguiar
16/6/2014

quarta-feira, 11 de junho de 2014

BAGAGENS

Estou exercitando cada vez mais a valorização das bagagens que carrego. Ao longo da vida vamos acumulando bagagens emocionais, culturais, psíquicas e materiais. Mas, chega um momento em que tornam-se fardos.
Então é hora de começar a selecionar. Levar consigo apenas o essencial, o que faz bem, o que agrega. Memórias, lembranças, sentimentos, angústias, lamentos, saudades, ganhos, perdas, roupas e calçados. Selecionar a bagagem, para mim, é fazer uma limpeza na alma, no coração, no guarda-roupa, na casa. Livrar-se do que já não serve, não tem utilidade, passar adiante coisas que podem servir a outros, despir-se dos vestígios negativos, da soberba, da inércia.
De tempos em tempos faço essa limpeza. E a medida em que o tempo passa, meus avessos despojados tornam-se mais claros, minhas verdades revistas, minha bagagem mais leve.
De tempos em tempos reviro-me em pensamentos, reflexões, ponderações e me descubro mais forte, mais humana, mais sábia.
Na verdade, passo a vida buscando a sabedoria de reencontrar-me constantemente e de encontrar o melhor do outro, sua face Cristã. 
Tarefa árdua revirar-se do avesso para encontrar novos dons, novos objetivos, novos sonhos. Entender as mazelas alheias, o vai e vem das vidas, o cotidiano do próximo no contexto em que se encontra.
Não quero ser melhor do que ninguém, quero ser melhor do que eu era ontem e, amanhã, melhor do que hoje.
A sabedoria dos livros eu assimilo bem. Mas a sabedoria humana, ah, muito mais difícil.
Então vou selecionando minhas bagagens, revistando minhas verdades e crenças. E eis que descubro novas verdades, novos sentimentos, novas amizades, novas formas de amar. Então experimento as novidades, adaptando e assimilando algumas, descartando outras.
E quando me reviso deixo de lado as discussões inúteis, a arrogância e prepotência, o julgamento para com o outro. E vou esvaziando as malas, gavetas, bolsas. E vou modificando sentimentos, impressões e necessidades. E vou restabelecendo prioridades. 
Então levo comigo apenas o necessário, o que de fato preciso para ser feliz, para viver com maior liberdade de escolhas, de idas e vindas, de redescobertas e renascimentos.
Bagagens pesadas já não me servem. pessoas pesadas me cansam. Meu eu, quando está pesado, torna-se fardo fatigante. Portanto, ouso revirar-me, reagir, esvaziar-me de algumas coisas para abrir espaços necessários ao novo, mais leve, dinâmico, que melhor se adapta ao meu momento de vida!
E nessas redescobertas constato que não preciso provar nada para ninguém, não devo esperar recompensas ou retribuições, não posso apontar o dedo para os defeitos alheios, nem tampouco para os meus, esses, devo corrigi-los!
E assim eu sigo firme e forte, sentindo-me abençoada por dar-me sempre mais uma chance, uma oportunidade, novas opções, renascimento! Como faz bem essa faxina interna e externa! Como é necessária a limpeza da alma, do pensar, sentir e agir. Como é providencial o esvaziamento das gavetas e armários. Que dádiva maravilhosa poder desmontar-se e recompor-se, sem grandes sequelas, experimentando o despertar para uma nova vida, progressivamente!

Maria Conceição de Aguiar
11/6/2014

terça-feira, 10 de junho de 2014

SEGREDOS

Hoje acordei mais leve, com uma vontade absurda de viver. Fui até a praia, sentei na areia e contemplei o mar, o céu azul, o sol radiante depois de vários dias de chuva forte.
Senti-me inspirada, agradecida, privilegiada por estar aqui e agora, por estar viva, pelos meus sentidos, por tudo que tenho, por ser quem eu sou!
Confesso que passei por momentos desgastantes em que cheguei a desanimar. Orçamento apertado, adaptando-me a morar numa cidade pequena, sem tantos recursos, sem tantas facilidades, novo grupo de trabalho, recaída ao tabagismo. Além das crises pessoais e existenciais, deixei-me abalar pelos problemas sociais e coletivos, que afetam-me demais. Corrupção, ingerência, desmandos, direitos essenciais negados. Povo sofrido, empobrecido, humilhando-se para conseguir sobreviver. coisas que mexem comigo.
Sou racional no pensar e no agir, mas sou emocional e sonhadora na observação das gentes, das atitudes, das ações e reações.
E sonho com um mundo melhor, onde, independente de cotas, as pessoas tenham oportunidades iguais. Um mundo em que a dignidade passa pelo trabalho e pelo sustento que dele provém, pela moradia digna sem paredes de papelão ou telhados desabando, pela educação, saúde, pela liberdade de expressão, de escolhas e pela consciência da importância em assumir as consequências.
Então esmoreço em meio a tamanha discrepância entre o ideal e o real. Então recuo, perco a inspiração, a fala, a esperança.
Mas eis que de repente repenso, revejo, refaço-me e percebo que se fizer a parte que me cabe posso inspirar outros, podemos formar uma corrente e continuar a luta por um mundo melhor, com pessoas melhores, esperanças renovadas.
Nunca fui ambiciosa. Estudo e leio muito porque tenho necessidade do saber. Mas gosto de levar uma vida simples, sem frescuras nem armaduras, exponho-me, compartilho, renasço!
Então reencontro a paz que havia me deixado, reencontro-me e me encho de novas esperanças, novos projetos, novas atitudes. E deixo a leveza tomar conta do meu ser, assim tudo fica mais fácil, mais claro, nítido. E mais leve sou mais saudável, mais bonita, mais amada e consigo amar despretensiosamente.
E hoje acordei querendo ver o mar. E hoje dormirei embalada por novos sonhos. E amanhã não sei, amanhã ainda está por vir, não estou ansiosa, não estou acomodada, apenas estou leve, em paz, feliz!

Maria Conceição de Aguiar
10/6/2014

CONTROVERSO

Tempos estranhos estes em que estamos vivendo. O Brasil sedia a copa do mundo. Estádios de primeira grandeza foram construídos, porém nem todos concluídos. Grandes obras para mobilidade urbana foram iniciadas, mas a maioria está inacabada.

E o povo brasileiro prepara-se para assistir à copa. Enfeitam suas casas, compram novos aparelhos de TV, vibram e torcem pelo campeonato, na expectativa da conquista do título pela nossa seleção. Por um mês esquecerão dos problemas corriqueiros, fascinados pelo grandioso espetáculo.

País controverso o Brasil! Enquanto a bola rolar no campo continuaremos a enfrentar a grave crise financeira e econômica. Os doentes continuarão em longas filas de espera pela consulta, o exame, a cirurgia, o remédio, a internação. As escolas continuarão sucateadas, com professores desmotivados e alunos vibrando porque sairão mais cedo nos dias de jogos da seleção.
Mas não se faz copa com hospitais, escolas, postos de saúde, delegacias de polícia, creches...claro que não!

E enquanto os jogadores se preparam, recebendo salários milionários, alimentação balanceada, acomodações dignas de reis, o povão segue sonhando, trabalhando, tentando driblar a crise, goleando a escassez, esforçando-se para vencer as dificuldades do dia a dia.
E há os que afirmam que a copa já está ganha, comprada, arranjada. Não quero crer, prefiro não saber.

Mas, não posso deixar de pensar e ponderar sobre tamanha falta de senso administrativo. O país está em greve. Os salários estão defasados frente a inflação galopante dos últimos tempos. Inflação essa maquiada, disfarçada, embora real e sentida pela classe média, pagadora de impostos, consumidora de bens e serviços.

E em meio a tamanha controversa vamos seguindo, meio sem rumo, sem tino. Depois da copa tem eleição, então o circo continua. E depois o que será? Como será? 
Do mundial restarão os belos estádios, monumentais 'elefantes brancos', sem nenhuma utilidade prática. Da campanha política sobrarão as dívidas, as promessas eleitoreiras, as cortinas mal fechadas.

Mas eis que logo em seguida será natal, ano novo com posse presidencial, de governadores, deputados e senadores. Então tudo começa outra vez, ano novo, vida nova, quem sabe a gente entra no prumo! 

Não sou contra a copa, a prática de esportes, a competição. Mas não posso ser solidária com tamanha insensatez! Antes de darmos uma festa precisamos dispor dos recursos para tal, arrumar a casa, limpar o quintal. Esconder a sujeira debaixo do tapete não resolve! Amontoar o lixo num canto do pátio também não dá, é nocivo. Em ambos os casos pode ventar e o lixo espalhar para nos envergonhar!

Que tempos estranhos, que país controverso!

Maria conceição de Aguiar
10/6/2014

segunda-feira, 9 de junho de 2014

DONS

Para nós Cristãos, a Santíssima Trindade representa o Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo. E ao celebrarmos o Dia de Pentecostes, fiquei a refletir sobre os Dons do Espírito Santo.
São sete: Piedade, ciência, conselho, temor de Deus, inteligência, fortaleza e sabedoria.
Lendo sobre o assunto e refletindo, chego a conclusão que todos os outros dons que possuímos provêm destes. Na verdade, todos somos dotados de algum dom, com maior ou menor intensidade, vamos desenvolvendo-os ao longo da vida, aperfeiçoando uns e agregando outros.
Mas falando especificamente dos dons do Espírito Santo, vemos que não é fácil atingi-los em plenitude. Faz-se necessário adotar posturas de vida, de pensar, de ser, de agir; maneiras de enxergar o mundo, o outro, a mim e a Deus!
É preciso muito esforço, paciência, outros tantos dons desenvolvidos.
A piedade por si só nada acrescenta, nada adianta. Ao sermos tocados pela piedade temos que agir, tentando reverter a situação daquele que está em situação difícil. Piedade sem ação é discurso vazio, empobrecido. Portanto, essa deve estar aliada a caridade, ao fazer o bem, a praticidade e verdade de realizações, senão, de nada vale.
A ciência por si só é confusa e difusa. Não podemos desprezar os avanços tecnológicos, ao contrário, é preciso incentivá-los e, através deles, desenvolver mais e mais meios que facilitem o trabalho, as tarefas diárias, a cura de doenças e enfermidades, a qualidade de vida. Mas a ciência deve respeitar os direitos humanos, individuais ou coletivos e precisa estar em sintonia com nossas crenças, com a fé de cada um, com seus preceitos e particularidades. 
O conselho pode nortear ou fazer debandar. O conselheiro há de estar atento à realidade do outro, ao contexto da situação. Aconselhamento é necessário, faz parte do crescimento, mas é necessário que se tenha um cuidado muito especial para não incutir no outro o nosso pensar, esvaziando-o do que pensa, sente e crê. Aconselhar é muito mais do que apontar caminhos, é saber ouvir, ponderar, calar se preciso for, abraçar e acarinhar, é ajudar com convicção.
O temor de Deus deve servir não para que tenhamos medo, não para que pensemos Naquele Deus do Antigo Testamento, que punia, castigava, exigia provas radicais. Ao contrário, deve servir para lembrarmos do Deus do Novo Testamento, mostrado por Jesus, que ama incondicionalmente, que perdoa os pecadores arrependidos, que norteia nossos passos e ações em busca de uma vida mais justa para todos, com melhor igualdade de condições, com fraternidade e lealdade uns para os outros. 
A inteligência nos faz pensar, refletir, entender a realidade, compreender os ensinamentos, assimilar teorias, aprender, dominar conhecimentos. Ser inteligente é ter a capacidade de raciocinar, agindo de acordo com nossas convicções.
A fortaleza nos mantém de pé, mesmo enfrentando situações adversas, normalmente movidos pela fé, pela compreensão de que tudo pode mudar, de que podemos sempre reverter o que nos está incomodando, invocar iluminação e encontrar respostas mesmo em meio as piores tempestades. Ser forte não significa que não podemos esmorecer vez por outra, mas sim, que a fé é capaz de nos fortalecer a tal ponto que passamos a enxergar os problemas com mais clareza, buscando soluções.
A sabedoria é por em prática o nosso pensar. É agir visando o bem comum, lembrando que fazemos parte de um todo, de um conjunto, que sozinhos nada somos, que precisamos uns dos outros. Ser sábio é saber ponderar, esperar, agir com cautela, discernir. 
Esses sete dons são dádivas da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Para que os alcancemos é preciso muita fé, invocação, oração e ação. Não são fáceis. Não é de primeira que os atingimos e por vezes, deixamos que nos escapem. Mas quando conseguimos, saboreamos a vitória de sentirmos a presença viva do Deus que é Pai, que é Filho e que é Espírito Santo agindo em nós, transformando a nossa vida, direcionando-nos. Vale a pena tentar!
Essas 'definições' e ponderações são minhas, talvez muitos discordem, tenham outras, mas é a minha maneira de ver e sentir os dons do Espírito Santo, por isso decidi compartilhá-las. 
E neste dia de Petencostes, elevo minhas preces invocando ao Espírito Santo de Deus que me dê a graça de alcançar, entender e praticar a ciência, o conselho, a sabedoria, a piedade, o temor de Deus, a inteligência e a fortaleza. Que assim seja, amém!

Maria Conceição de Aguiar

RESPOSTAS

Sou curiosa na essência. Sou observadora, conselheira, palpiteira. Sou perguntadora, gosto de 'porquês'.
E não me contento com respostas do tipo 'porque sim'! Quero sempre saber mais, especular, pesquisar, interagir. Quero sempre argumentar, provocar o pensamento crítico, a recíproca, a discussão saudável, com conflitos de opinião, com o pensar nem sempre lógico em todos os sentidos, mas que reforça, rebate, chama ao debate.
Então leio, falo e escrevo. E recebo as críticas, discutindo-as, argumentando. E dou pitaco na opinião alheia. E, muitas vezes, recolho-me envolta em pensamentos que guardo internamente, sem exposição. Normalmente faço isso quando o debatedor deixa de argumentar e tenta impor a sua verdade absoluta, tenta incutir seus dogmas como se minha opinião de nada valesse. Então, deixo ser, não entro em duelos vazios, que nada condizem com meu jeito de pensar, ser e agir. Vou saindo de mansinho e mantendo minhas convicções.
E por ser assim sou admiradora dos pensadores. Grandes ou pequenos, públicos ou anônimos, antigos ou contemporâneos. Mas gosto de gente que pensa, que tem o poder de persuasão através da razão, da racionalidade, mesmo que, por vezes, utópica. Pessoas que experimentam, analisam, observam e contribuem para o nosso enriquecimento intelectual, emocional, pelo desenvolvimento da nossa criticidade, da nossa maneira de enxergar o mundo e as pessoas.
Por isso tudo é que não me contento com respostas vagas, com discussões sem argumentos, com imposições de dogmas. Gosto mesmo é da discussão saudável, em que cada um contribui argumentando, ponderando, favoravelmente ou contrariando nosso pensar, mas pensando junto, formando opinião, colaborando.
Pois é, eu gosto da palavras, da troca delas, do seu simbolismo, de saber a sua essência, os vários modos de aplicá-las, seus diversos significados dentro dos mais variados contextos. Gosto de quem pensa e gosto de pensar. 
Mas, ao mesmo tempo que admiro tanto o racional, também aprecio o emocional. Portanto, sinto o mesmo prazer em ler poemas, escrever sobre histórias de amor, ouvir casos e contos. As palavras em si me fascinam, sejam escritas em verso ou prosa, sejam faladas ou sentidas, sejam compartilhadas ou guardadas para ocasiões especiais.
E assim sigo, perguntando porque, para que, como assim....e assim obtenho respostas vãs e outras memoráveis. E assim continuo aprendendo, curiosa, ansiosa pelo saber, pelo descobrir, pelo desvendar a alma e mente humana. E assim vou escrevendo meu pensar, de maneira simples e clara, provocando o seu pensar, questionando-o, atiçando-o, compartilhando!

Maria Conceição de Aguiar

LIMITES

Ao longo da vida vamos nos deparando com limites e limitações, impostos ou necessários, confusos ou esclarecedores.
Ao educarmos filhos temos que, necessariamente, impor-lhes limites. Se assim não for, não crescerão em plenitude. Aliás, quem ama há que se preocupar com os limites diários. Posso? Devo? É legal? É moral? É ético?
Os limites impostos pelos educadores, pais, professores, mestres e afins condizem com a percepção de vida que têm, com os valores que querem repassar. Quando deixamos crianças, ainda sem condições de discernir, livres, estamos negando-lhes o direito à educação, impossibilitando a sua formação. Então, quando amamos traçamos limites. Nem tudo é permitido, nem tudo é possível, nem tudo é aceitável.
E, assim agindo, contribuímos para moldar o caráter dos que amamos, formamos seres de bem, ou, no mínimo, mostramos os caminhos do bem, do ético, do moral e legal.
Então, mais tarde, quando adultos, a vida virá com novos limites e estarão prontos para saber seguir adiante.
Porque sabemos que podemos tudo, mas nem tudo nos convém. E se sabemos disso é porque fomos educados, recebemos orientação, exemplos, amor.
Mas infelizmente, cada vez mais os pais têm menos tempo para seus filhos. Então, para compensar, tornam-se permissivos demais, tentam desviar a falta de atenção e amor com presentes, passeios, bens. Dai vemos uma geração perdida, sem noção de tempo, de espaço, em que o agora é o que vale e, portanto, precisam vivenciar tudo muito cedo, com uma urgência desmedida, sem a devida orientação.
Então meninas de onze, doze anos desfilam maquiadas, já namoram, vestem-se como adultas. Meninos ainda na pré-adolescência experimentam drogas, bebidas, baladas.
Nossos adolescentes dominam o mundo virtual, os jogos eletrônicos e vorazes, mas não dominam a gentileza, a convivência, a harmonia. Mas quando nos apercebemos é tarde demais, o estrago está feito e eles não estarão prontos para enfrentar o mundo real, competitivo mas seletivo. E eis que, por falta de limites ao longo da vida, terão que aprender a lidar com as limitações do dia a dia, da concorrência, do mercado de trabalho, da profissão escolhida, da vida vivida.
Portanto, continuo acreditando que quem ama educa, mostra as alternativas, impõe limites e dá o exemplo. Pois só assim teremos adultos capazes, coerentes, bem resolvidos, gente de cabeça boa.
Fácil não é, claro que não. Mas vale refletir, repensar, analisar. Que espécie humana queremos inserir na sociedade, que tipo de gente deixaremos para este mundo? Vale refletir sim, temos feito a nossa parte? Ou temos deixado que a escola, a mídia e a vida eduquem por nós? Preocupa-me uma geração sem limites!