terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

EMOÇÕES!

Durante a consulta o neurologista disparou o diagnóstico: "Você precisa aprender a lidar melhor com com o estress, trabalhar as emoções, não se deixar afetar". Simples assim!
Sem estress, sem conflitos, consequentemente sem dores de cabeça, sem crises de enxaqueca. Simples assim.
Ela saiu do consultório pensando naquelas palavras. Trabalhar as emoções, aprender a controlá-las. Parece simples, fácil, mas na prática, como se faz isso?
Diariamente os conflitos assolam sua vida, rondam o sono, tiram o sossego. Uma mulher aparentemente bem resolvida, mas apenas aparentemente. Começam a falta-lhe forças. Diariamente têm necessidades comuns a qualquer ser humano, já não consegue manter a pose de super mulher. Sente falta de um amor, de carinho, de proteção. Sente falta de afeto, de amizade, de companheirismo.
Olha prá trás e vê que falhou diversas vezes. Olha prá frente e vê-se perdida, confusa. Não, não é fácil aprender a lidar com a emoções.
Então perde-se em devaneios, sonhos, fantasias, chora, reza e espera um milagre. Que alguém venha salvá-la. Como nos contos de fadas. Um pouco tarde para esperar finais de contos de fadas, mas é um refúgio quando as forças começam a diminuir.
Queria aprender, ou melhor, reaprender a dominar as emoções, os sentimentos. Mas já não sabe fazê-lo. Precisa de ajuda. Precisa de um norte, de um caminho, mas, neste momento, sente-se fraca.
É difícil para ela admitir esta fraqueza, desanimar. Afinal, sempre fora o ponto de equilíbrio, o exemplo de garra e disposição, a mulher forte, dominadora, dona de todas as situações.
Já não o é. Insatisfeita na vida pessoal, profissional, financeira, afetiva e social. Infeliz nas escolhas. Seus olhos perdendo o brilho, sua aura apagando, seu brilho, ofuscando. Decididamente, neste momento, não consegue lidar com a emoções, com os sentimentos, precisa de ajuda.
Mas continua orgulhosa demais para pedir, para buscar, para desabar. Então disfarça, cria um personagem e fica à espera do milagre.
Mas sabe que isto vai passar. Esta fase ruim, esta melancolia, este mister de sentimentos, esta tristeza...Tudo vai passar. Ela vai tratar-se, reerguer-se, recomeçar...um dia...
Por enquanto está sem forças, então, os remédios...
Afinal, é um ser humano, uma mulher como tantas outras, que, sozinha, luta para sobreviver. Com tarefas a cumprir, família para se preocupar, trabalho para executar, contas a pagar. É uma mulher tentando se encontrar, tentando se recuperar, esperando um milagre!!!

Maria Conceição de Aguiar

Eterno!?

"Você sabe que não será eterno", falou olhando-a atentamente, como a examiná-la. Duas mulheres da mesma idade, uma, a mãe, a outra, a namorada. Um duelo disfarçado acabava de se estabelecer.Não havia reprovação nos olhos da mãe, apenas preocupação, apreensão. A outra esforçava-se para agradar, demonstrar que também amava aquele menino, mas de um jeito diferente.
Não será eterno... "Eu sei, e que seja eterno enquanto dure", respondeu com certa ironia.
Eterno, duradouro, fugaz, passageiro, amor, paixão, infinito... Conceitos que aprendemos e apreendemos ao longo da vida. Alguns são por nós incorporados de tal maneira que os vemos como filosofia de vida, como norte para nossas ações. Outros vamos aplicando aqui e ali, por vezes, experimentando, aplicando, disseminando ou dizimando, depende do momento, do estado de espírito. Conceitos, apenas conceitos.
O que é eterno? O que podemos dizer que é para sempre? Infinito?  O que hoje nos parece tão certo, amanhã não tem a mesma característica. O que hoje nos faz sorrir amanhã pode nos fazer chorar. O que hoje nos completa pode transformar-se em vazio. O que é eterno?
Pensamentos, sentimentos, ações, palavras, gestos...Tudo depende sempre de fatores esternos que mexem com nosso interior. A cada ação uma reação. Seguimos em frente, caímos, levantamos, olhamos para os lados, limpamos a poeira e seguimos em frente até novo tombo. E assim vamos, fortalecendo pontos e enfraquecendo outros. Caindo e levantando, por vezes rastejando, noutras altivos e soberbos, porque talvez nada seja eterno.
Há uma citação que diz 'não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe'. Dito popular que traduz essa tênue linha entre o hoje, o ontem e o amanhã.
A namorada concordou com a mãe, sabia que não seria eterno, mas que, naquele momento, ambos estava felizes, construindo, planejando, amando, eternizando momentos.
É isso, em suma, eternizamos momentos, bons e ruins, guardamo-os em lugares privilegiados para sempre. Estes sim, momentos vividos, são eternos, são só nossos, propriedades privadas com marcas registradas, os quais estarão sempre lá, nas nossas lembranças, nas nossas relíquias!


Maria C. de Aguiar

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

5/2/2011

É meu aniversário. Gosto de fazer aniversário, apesar de ver e sentir o tempo passando rápido demais, ainda me sinto bem, cheia de energia, vitalidade e disposição.
Mas, a cada aniversário faço uma retrospectiva, uma análise da minha vida, coisa natural de quem está envelhecendo.
No próximo ano completo 50 anos e, olhando para trás, somei, diminui, multipliquei e dividi. Fiz coisas boas, acertadas, outras nem tanto, muitas ainda vou fazer.
Não me ensinaram a amar, a me entregar, a abrir a guarda, as defesas. Não aprendi a fraquejar, pedir socorro, lamuriar, chorar. Afinal, sempre fui forte, poderosa, tomando decisões, agindo, fazendo.
Casei muito cedo, tive filhos muito cedo. nem sabia ser filha e fui ser mãe. Claro que me atrapalhei bastante. Mas criei três filhos saudáveis, bem resolvidos, mas um pouco carentes, natural também. Estudei muito, trabalhei, mudei de emprego, separei, botei silicone no peito e continuo aqui, tentando viver, tentando acertar, tentando ainda me encontrar.
Tenho três filhos maravilhosos, os quais amo incondicionalmente, pelos quais viro fera se preciso for. Tenho quatro netos que são bênçãos de Deus nas nossas vidas. Tenho emprego e salário fixo, saúde....
Mas ainda me sinto perdida, no tempo e no espaço. Quero viver um grande amor, agora sinto falta de um companheiro, de alguém para dividir a vida comigo, os problemas, as tristezas, as alegrias, as vitórias e as contas. Quero um amor de verdade, maduro, capaz de entender meu jeito aquariano de ser, quero amá-lo verdadeiramente, como nunca o fiz.
Começo a sentir solidão e isso me assusta. Já não me atraem os amores fugazes, a falta de compromisso. Preciso de alguém do meu lado, preciso estar ao lado de alguém. 
Minha determinação de aniversário: Tenho um ano para cuidar melhor de mim, tratar as crises de enxaqueca, parar de fumar e construir uma relação de amor, companheirismo e amizade. E, em 2012, quando comemorar 50 anos, poderei finalmente dizer que sou feliz, que vivo em plenitude. E assim será!  

4/2/1981

Há 30 anos ele partiu, morreu. Ainda lembro daquela noite em que ele, agonizante, chamou os filhos para se despedir, pediu uma vela, virou a cabeça para o lado e foi embora. Foram nove meses definhando, com um câncer que começou no esôfago e foi se espalhando. Meu pai sofreu, passou fome e sede, pois o aparelho digestivo estava corroído pelo mal.

Na verdade nunca fora um homem feliz. Nasceu pobre, cresceu frágil, não soube amar nem ser amado. Casou, teve muitos filhos, separou, bebeu todas e morreu aos 42 anos.
Ás vezes sinto saudades, sinto sua falta, sinto vontade de dizer-lhe o que nunca disse, de afagar-lhe os fartos cabelos, de beijar-lhe o rosto magro, de abraçá-lo. Por vezes penso, imagino, fantasio de quanto tudo poderia ser diferente se ele estivesse vivo, se fosse mais forte, se tivesse garra, perseverança, vontade de lutar, de acertar, de viver.
Eu era tão jovem ainda e o sofrimento do meu pai deixou em mim marcas profundas, superadas ao longo de muitos anos.
30 anos se passaram, mas ainda posso sentir seu cheiro, ouvir sua voz, ver seus olhos azuis, suas mãos calejadas, seu semblante triste tentando aparentar alegria.
30 anos que parecem 30 dias.
Que grande mistério é a vida e a morte. Será que temos de fato uma missão a cumprir? Será que nascemos com tempo definido? Ou talvez o destino esteja em nossas mãos, possamos moldá-lo e mudá-lo a qualquer tempo. Não tenho estas respostas, não sei se alguém as têm. Mas acredito em Deus e creio que deve haver alguma explicação lógica para tudo que nos acontece, para tudo que vivenciamos. Senão, qual o sentido da vida? E da morte?