domingo, 13 de abril de 2014

CANSADA

Estou cansada das desigualdades sociais, das hipocrisias desconcertantes, das incoerências da globalização.
Estou cansada das injustiças, dos paradoxos, das ineficiências!
Estou cansada dos discursos vazios, dos políticos sem escrúpulos, da exploração da vida.
Estou cansada das falsidades, das mentiras, das falácias!
Estou cansada de saber que ainda crianças morrem de fome e verminose, que cidadãos morrem em corredores de hospitais ou em intermináveis filas para atendimento.
Estou cansada de ouvir que o Brasil é o país do futuro, enquanto espertalhões roubam-nos o presente.
Estou cansada da desvalorização do professor, do profissional da saúde, do policial, do motorista de ônibus, do coletor do lixo, da caixa do supermercado.
Estou cansada da supervalorização do vereador, do deputado, do prefeito, do governador e do presidente!
Estou cansada da inversão dos valores num mundo em que, quem é eleito, torna-se mais importante do que quem o elegeu.
Estou cansada dos deuses moldados pela conotação, pela distorção, pela ignorância e apatia, reflexo do cansaço coletivo.
Não quero regime socialista ou comunista, não quero Robin Hood! Quero as mudanças reais e necessárias, capazes de gerar igualdade de oportunidades, independentes das cotas. Quero a escola equipada, professores qualificados e valorizados, hospitais em condições de atender a todos, sem distinções.
Não quero bolsas nem vales, não vivo de esmolas. Quero o que me cabe de direito, conquistado com o meu salário, fruto do meu trabalho, o qual deve ser valorizado.
Estou cansada das discrepâncias salariais entre patrões e empregados, governantes e governados, eleitos e eleitores.
A dignidade humana passa, essencialmente, pelo trabalho digno e remuneração condizente, pela moradia, pelo acesso à escola, saúde e lazer. Bolsas, cotas e vales retiram essa dignidade, inibem o desenvolvimento, impedem o crescimento, sustam a democracia. Pois quem vive de esmolas, deve servir obedientemente a quem o mantém, sem direitos, de opinar, de gritar de reagir, na verdade, nem mesmo saberá mais agir!
Ah, não pode ser esta a receita. Não há de ser esse o remédio. É preciso distribuir o pão num primeiro momento, matar a fome momentânea para, logo em seguida, devolver-lhe a dignidade perdida, capacitando, valorizando, dando-lhe as condições necessárias ao crescimento, autonomia, sustentabilidade.
Estou cansada das amenidades que nada acrescentam, de dar murro em ponta de faca, nó em pingo d'água, de jogar palavras ao vento. Talvez também falte-me ação e reação. 
Mas ainda talvez esteja tão cansada e indignada que esteja desistindo, esmorecendo, deixando ser, deixando estar. Talvez esteja tão cansada e indignada que jã não encontre forças para ir contra os sistemas e então, insensata fico estagnada, antenada ao mesmo tempo que apática, pronta para desistir. Triste constatação, triste fim, triste realidade.
Mas, estou cansada!

Maria Conceição de Aguiar

DIAS E DIAS

E os dias passam, as semanas, os meses, os anos...e quando nos damos conta já é natal, carnaval, páscoa, aniversário...e quando percebemos já somos mães, avós, aposentadas.
E vivemos meio que sem perceber a passagem do tempo, na correria de viver cada dia, deixamos de viver a cada dia. Porque, na maioria das vezes, começamos a segunda já pensando no final de semana e quando ele chega, planejamos a próxima semana. Afinal, são muitos afazeres, muitos compromissos, muita coisa pra pouco nós!
E de repente somos pegos de surpresa quando reencontramos alguém que há tempos não víamos, quando reviramos velhas fotografias, quando voltamos a lugares que fizeram parte do nosso passado. Então, nesses momentos, há como que um choque de realidade da intensidade desse tempo decorrido.
Mas é só por um instante, algumas horas, poucos dias, pois a vida não para e a realidade do hoje nos espera de volta.
E assim há dias em que acordamos de bem com a vida, prontos para ela, cheios de amor e harmonia, esbanjando sorrisos e gentilezas, semeando a paz.
Noutros, somos despertados pelo desespero, pelas angústias do ontem, pela imprecisão do amanhã e deixamos de vivê-lo com deveria. Este, passa-nos desapercebido.

E quando estou aqui diante do meu computador, escrevendo no blog, tais pensamentos afloram. Pensamentos sempre inspirados em conversas, observações, acontecimentos. O mundo cotidiano é altamente inspirador. As pessoas são fontes de inspiração!
E a reflexão do que vivo, vejo, percebo, observo, ouço e analiso são os alicerces dos meus textos.
E tem dias que parecem mágicos, que tudo flui, que a vida apresenta-se maravilhosa, perfumada, como que embrulhada em papel de presente.
E tem dias sombrios em que nada dá certo, em que o melhor seria nem sair da cama e bate a vontade de isolar-se, de ficar só. Dias nublados em nosso interior.
Somos seres humanos, pensantes, dotados de sentimentos, vontades e até pequenos devaneios. Natural que haja dias e dias!
E afinal qual será a receita? Haverá uma fórmula mágica? Vamos vivendo um dia de cada vez, executando uma tarefa de cada vez, sentindo o passar do tempo, admirando-o como um dia de primavera? Ou vamos fazendo tudo ao mesmo tempo, exercendo nossos múltiplos papeis, vivendo como dá, um dia após o outro como numa noite fria de inverno?
Há dias em que o meio nos afeta e noutros em que enfeitamos o meio. Há dias em que o outro nos desorganiza e noutros em que harmonizamos. Há dias que somos tempestade, noutros calmaria. Há dias que somos alegria, noutros melancolia.
Pois é, há dias e dias e assim passam-se as semanas, os meses, os anos e a vida! E como é tênue essa passagem!

Maria Conceição de Aguiar

SEMANA SANTA

Para os Cristãos hoje, Domingo de Ramos, marca o início da Semana Santa, que relata os últimos dias de Jesus com os Apóstolos, sua Morte e Ressurreição.
E pensar na Semana Santa é pensar sobre a vida e a morte, a fé, independente de Religião, e, principalmente em renascimento.
Como Cristã que sou participo da Semana Santa tradicional da Igreja Católica. Confesso-me, guardo a sexta-feira abstendo-me da carne, de qualquer bebida, de ouvir música ou dançar. E no domingo celebro com a família a ressurreição e a Páscoa.
Mas também como Cristã que sou, aproveito a Semana Santa para pensar e refletir sobre tudo isso. Não apenas sobre os simbolismos tradicionais, repassados por gerações. Mas, principalmente, sobre este tempo de recolhimento, de fraternidade, de humildade.
Jesus Cisto deixou-nos estas lições. Ao partilhar o pão e o vinho com os Apóstolos, ao deixar-se crucificar, ao morrer entre ladrões e, principalmente ao ressuscitar.
Lições que, ao pararmos para analisar, tornam nosso fardo mais leve, nossos problemas mais amenos, nossas dificuldades mais banais, nossa fragilidade humana fortalecida.
E se refletirmos mais profundamente sobre a simbologia real desta Semana, tendemos a lançar olhares mais humanos aos nossos semelhantes, ao outro, ao próximo. Talvez até percebamos quem é o nosso próximo, o que podemos fazer por ele, o tanto de amor que temos e que devemos distribuir sem avareza.
Mas, o essencial desta reflexão é acreditarmos na ressurreição e compreendermos que, para renascer, é preciso morrer!
Talvez não exatamente no sentido literal da palavra, mas naquele mais abrangente. Só nos tornamos pessoas melhores quando deixamos morrer em nós características que nos puxam para trás como o orgulho, a inveja, a intolerância e a discórdia; e ainda quando matamos sentimentos de ódio, rancores, lamúrias, queixas vãs. 
E ao deixarmos morrer sentimentos ruins, ações sem sentido, reações ilógicas, estamos aptos a renascer.
E como é bom renascer, voltar à vida, reencontrar o prumo, redescobrir-se, redesenhar-se. 
Então, nesta Semana Santa que s inicia faço esta reflexão: O que em mim precisa morrer para que algo melhor renasça? O que em mim precisa ser morto para que ressuscite noutros moldes, noutra forma, em maior plenitude? Como expressar meu amor e meu desejo por um mundo melhor? Quais ações práticas farão de mim melhor Cristã, preparada verdadeiramente para a Páscoa da ressurreição? Reflexões!!!

Maria Conceição de Aguiar
13/4/2014

AVESSOS

Vivendo aprendemos, obrigatoriamente, a lidar com os avessos da vida. O outro lado de toda história, o jeito do outro, a releitura das vivências e experiências...
Mas, assimilar os avessos do dia a dia não é tarefa fácil, ao contrário, carece de aprofundamento, reflexão, revisão, amadurecimento.
Porque desde sempre somos orientados a olhar o lado direito, certo das coisas e do mundo. Entretanto, a definição de certo e errado pode ser bastante conflitante, passa por pontos de vista diversos, pela educação, criação, bagagem cultural, social, ideais e ideias.
Então, eis que de repente nos vemos diante de uma situação que parece avessa a tudo o que acreditamos ou esperamos. E temos a impressão de que nada daquilo nos serve, tendemos a julgar, renegar ou ignorar.
Mas quando decidimos enfrentar este avesso podemos nos surpreender. pois muitas vezes nas situações adversas, nos avessos das situações aprendemos, crescemos, tiramos lições. Na maioria das vezes encorajamo-nos e enfrentamos, reviramos, remexemos até encontrarmos o lado certo ou, simplesmente, compreender que na verdade este avesso é o lado certo, a melhor opção, a escolha mais apropriada.
No entanto para que assim seja precisamos aprender a lidar com os 'nãos' nossos de cada dia. E mais ainda, com os 'nãos' da vida. 
Ah mas como é complicado aceitar tais nãos. Idealizamos, desejamos, pensamos, planejamos e executamos. E durante o percurso chegam os contrários, os avessos, os nãos. E lá vamos replanejar, repensar, refazer ou, desanimar e desistir, depende de cada um.
Particularmente acredito que muitas vezes esses reveses da vida estão a nos desafiar. Desafiam-nos a continuar ou desistir.
E quantas vezes pensamos em desistir, não vai dar certo, não era para ser, deixa pra lá. E quantas vezes desistimos e fica aquela sensação amarga de que poderíamos ter seguido adiante, ter tentado novamente. Mas, foi, ficou lá atrás.
E quantas vezes persistimos, respiramos profundamente, elevamos o pensamento e bola pra frente. Então vamos tentar de outro jeito, uma nova fórmula, uma nova maneira, um novo sentido, o novo de novo. Então a sensação de recomeçar é maravilhosa, revigorante!
E nesses encontros e desencontros, erros e acertos, avessos e direitos, vamos nos aperfeiçoando como seres humanos, como profissionais, como homens e mulheres dotados da capacidade magnânima de plenitude, apesar dos nãos de cada dia, os quais um dia farão todo o sentido!

Maria Conceição de Aguiar

terça-feira, 8 de abril de 2014

INTUIÇÃO

Alguns chamam de sexto sentido, outros dizem ser a força do pensamento e há ainda os que acham que é a sensibilidade.
Na verdade também não sei exatamente o que é esta tal de intuição. Mas sei que através dela podemos gostar de alguém logo de cara, de graça, ou, ao contrário, antipatizar totalmente com determinada pessoa. Também pela intuição sentimo-nos confortáveis ou não, confiantes ou não, em harmonia ou em completa desordem em determinadas situações.
E normalmente a intuição tenta nos avisar, prevenir, deixar-nos antenados para prestar mais ou menos atenção aos acontecimentos, discernindo, opinando ou calando.
Então acho que intuição é esta característica muito particular de enxergar o mundo e as pessoas, de sentir, pressentir, de arrepiar-se ou alegrar-se, atentar-se ou deixar passar.
Minha intuição induz-me a escrever, refletir, achegar-me, recuar. Algumas vezes faz-me bem, noutras, deixa-me com a sensação de algo inacabado, um desassossego inexplicável, uma ânsia angustiante ou uma letargia alucinante.
Minha intuição eleva minha fé e esperança na justiça, na lealdade, na fraternidade, na união. Mas também me leva a duvidar dos que tentam agradar a todos, o tempo todo, dos que não conseguem unir fala e ação, dos que agem sentindo-se sempre em meio a uma conspiração e, portanto, não podem confiar em ninguém. Em pessoas assim, de fato, não confio!
Pois é, que coisa mais intrigante pode ser a intuição. Um sexto sentido, sensibilidade aflorada, força do pensamento positivo ou negativo.
Sei apenas que todos a temos, mais ou menos aguçada e que muitas vezes fingimos não ouvi-la ou senti-la, pagamos para ver. E querem saber, há momentos em que vale a pena ignorar esses avisos, essas sensações. Mas nem sempre, afinal, é bom estar atento aos sinais dos cinco sentidos e deste sexto, mais forte e aguçado, tentando nos livrar das decepções nossas de cada dia!
E assim seguimos, por vezes mais racionais, guiados pelo pensamento concreto, pela certeza do certo e do errado e noutras, deixando-nos levar pela emoção, pelo que denominamos intuição!

Maria Conceição de Aguiar