sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

SAUDADE

                    Saudade, palavra difícil de traduzir, explicar, exemplificar. Saudade, sentimento difícil de suportar, conviver, compartilhar.
                    Há vários tipos de saudade. Existe aquela saudade boa, que nos faz rir ao recordar momentos passados, pessoas queridas, tempos vividos. Há aquela saudade nostálgica, que nos remete a um tempo distante, a lugares distantes, que nos faz 'viajar' nas lembranças.
                    Mas há a saudade que vai chegando de mansinho, instalando-se, ocupando muito espaço, tanto que começa a sufocar! O peito dói, os pensamentos já não obedecem e se desviam a todo instante, as lembranças aumentam  a falta que sentimos e faz com que esta saudade torne-se quase insuportável! 
Saudade de alguém que partiu, que foi embora, que nos deixou de alguma forma. O vazio que fica causa dor e sofrimento que só o tempo consegue curar.
                    Ah, o tempo, este cura tudo! Pois não há saudade que sempre dure. Aos poucos, com o passar do tempo, ela se transforma em pequenas lembranças, recordações de alguém que se foi e que não vai voltar. O tempo leva a saudade e traz de volta o sorriso, a paz, a alegria.
                    E de repente, o que hoje parece ser insuportável, amanhã terá um novo significado, um novo gosto, um novo conceito. 
                    Sentimos saudades de fases da vida que vivemos e que passaram, não voltam mais. Sentimos saudades de momentos que foram únicos, bons, bem aproveitados ou não, ficaram lá atrás. Também sentimos saudades de quem fomos na infância, na adolescência, no início da vida adulta.
                    Sentimos saudades da criança despreocupada, protegida e amparada. Saudades do jovem idealista, querendo mudar o mundo, cheio de ideias e planos. Temos saudades dos pais, dos irmãos, dos filhos pequenos, da família que formamos!
                    Saudades da primeira professora, do primeiro namorado, do primeiro casamento?! Saudade da liberdade ou da responsabilidade, do compromisso!? Saudade dos amigos, daquele colega especial, daquele vizinho...
                    Sentimos saudade do amor que foi embora, do homem dos nossos sonhos, da mulher ideal. 
                    Ah essa tal saudade! Pode até ser boa, Pode até ser bem-vinda. Só não pode escravizar, sufocar, desfocar. Com o passar do tempo ela também passa e vira uma vaga lembrança. Saudades!!!

Maria Conceição de Aguiar 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

SINTO FALTA



Sinto falta dos olhos brilhando, do sorriso escancarado, da gargalhada escandalosa...
Sinto falta dos jeitos e trejeitos, de ficar sem jeito...
Sinto falta das palavras abafadas, das frases escondidas, das promessas esquecidas...
Sinto falta dos compromissos assumidos, das juras proferidas, quebradas...
Sinto falta dos que partiram e dos que nem chegaram, daqueles que não puderam ficar...
Sinto falta do que vivi e mais ainda do que deixei de viver...

Sinto falta dos momentos felizes que me animaram e me impulsionaram
Sinto falta das tristezas passadas que me fizeram crescer
Sinto falta dos amores...e dos desamores...
Sinto falta das conquistas, realizações e vitórias que nem pude saborear...
Sinto falta do grito preso na garganta, do choro contido, da lágrima escondida...
Sinto falta das coisas que tive e das que não tive, das que queria, e daquelas que nem fazia questão...

Sinto falta das pessoas...
Sinto falta de gente...
Sinto falta do abraço apertado, da mão entrelaçada, do beijo carinhoso...
Sinto falta do colo, do cafuné, do aconchego...
Sinto falta do carinho sincero, do olhar verdadeiro, do riso espontâneo... 
Sinto falta do amor, da amizade, da fraternidade...
Sinto falta da lealdade, da fidelidade, da cumplicidade...

Sinto falta da vida real que está sendo deixada pra trás, trocada pela televisão, pelo computador, pela internet!
Sinto falta dos amigos reais que estão sendo substituídos pelos virtuais...
Sinto falta dos namoros reais, trocados pelo 'ficar'...
Sinto falta dos cumprimentos, das saudações, dos agradecimentos...
Sinto falta dos elogios, das gentilezas, da boa educação...
Sinto falta das pessoas...
Sinto falta de gente!

Maria Conceição de Aguiar

DROGAS

Entro no último mês de tratamento antitabagismo. Em menos de trinta dias o remédio termina e confesso que estou ficando apreensiva. Não sei como será, como vou reagir, como meu organismo, meu cérebro, meu subconsciente vão reagir. 
O médico receitou mais uma droga para começar a usar nestes últimos trinta dias e continuar por mais três meses. O Cloridrato de Bupropiona. Segundo ele, além de ser antidepressivo, auxilia no combate ao tabagismo, então, estou reforçando o tratamento.
O cheiro do cigarro agora me incomoda. Quando saio, tento evitar ao máximo ficar próxima de fumantes, porque me sinto incomodada, irritada, fico com enjoo. Mas às vezes, em casa, em determinadas horas ainda sinto vontade de fumar. Várias vezes me pego procurando o cigarro nos lugares onde costumava deixá-lo. Força do hábito.
Também nos meus sonhos o cigarro tem aparecido constantemente. Sonho que acendo um, fumo e nada acontece, então penso:"Puxa, e todo este tratamento que tenho feito não vai dar resultado?" 
Portanto, sei que ainda preciso me cuidar e me tratar, que ainda não estou curada. Preciso dos remédios, da força de vontade, da fé em Deus e da perseverança para levar este tratamento até o final e, principalmente, para vencer definitivamente este vício, esta dependência.
Desde dezembro tenho suportado estas drogas e seus efeitos colaterais, porque estou plenamente decidida a livrar-me do cigarro. Admito que não é fácil. Ainda sinto muito enjoo, náusea, sonolência, dificuldade de raciocínio. A sensação de estar sempre dopada é horrível, parece que já não sou dona de mim, das minhas vontades, do meu dia a dia.
Mas tenho seguido firme em meu propósito. E agora que chego nos últimos trinta dias de tratamento com o Tartarato de Vareniclina, sinto-me aliviada, apesar do medo da recaída. Mas tenho a impressão de estar conseguindo, de que vou conseguir, de que vou me libertar! Este desejo é muito forte em mim, por isto tenho enfrentado este tratamento 'sinistro', por isto tenho rezado e pedido força e coragem a Deus, por isto tenho me isolado ao máximo até que consiga estar segura de que estou curada, livre da dependência, livre do cigarro e sem precisar das drogas sintéticas, lícitas...Quero estar totalmente livre e sei que estarei em breve!


Maria Conceição de Aguiar

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

GESTOS DE AMOR


                             Falei aqui sobre grandes provas de amor, histórias que contam grandes feitos para provar amor. 
                             Mas há também os pequenos gestos, aqueles do dia a dia, demonstrações de afeto, carinho, companheirismo, provas de amor diárias, demonstrações cotidianas, que, de tão comuns, às vezes já nem damos mais atenção, nem as valorizamos.
                             Os cuidados quando estamos doentes, o presente fora de hora, as flores sem nenhuma comemoração,  o convite para sair ou para ficar em casa, o abraço apertado, a comidinha especial, o cafezinho, enfim são tantas formas de carinho, de atenção.
                             Gestos, atitudes e palavras. Sim, porque palavras são importantes. Precisamos expressar nossos sentimentos, extravasar as emoções e gostamos de fazê-lo. Também ficamos felizes em ouvir coisas do tipo: Estou com saudades, te amo, sinto sua falta, adoro você, estou te esperando, já estou chegando pra te encontrar...
                            Palavras, gestos e atitudes que fazem os relacionamentos especiais e os nossos dias mais bonitos, a nossa vida diferente!
                            Pois se o amor se faz presente ele precisa ser vivenciado, falado, demonstrado.
                            Amor de verdade salta aos olhos que brilham, iluminados, irradiados pela fascinação do mais belo sentimento. O olhar dos apaixonados é diferente, é cúmplice, é especial, é radiante, é público.
                           Por isso amor pra valer não pode ser escondido, mantido em segredo por muito tempo. Os olhos traem e confessam. Logo, torna-se público. Logo quer-se que todos saibam!
                          Ah, as histórias de amor realmente me fascinam. Os pequenos e grandes gestos, as pequenas e as grandes atitudes, as mais singelas ou as mais grandiosas demonstrações, as mais belas ou as mais simples palavras...não importa. Vivenciar a experiência de amar e ser amado é algo maravilhoso. Apaixonar-se, deixar-se envolver, viver, sempre vale a pena.
                         Sim, porque o amor vivido, pelo tempo que for, sempre terá valido a pena!


MARIA CONCEIÇÃO DE AGUIAR

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

AMOR VERDADEIRO

Gosto de ouvir e de contar histórias de todo tipo, principalmente de amor, de romance e de provas de amor. Ah, adoro histórias de gestos e atitudes que demonstram o quanto uma pessoa ama a outra. Estas histórias me fascinam e enchem a minha imaginação.
Vou partilhar algumas aqui.
A primeira é a de um casal que namorou por mais ou menos dez anos. Passaram por muitas idas e vindas, terminaram várias vezes, até envolveram-se com outas pessoas. Viveram períodos complicados de uma relação complicada. Ela, cerca de quinze anos mais velha, divorciada, com três filhos pequenos, funcionária pública, tomada pelas responsabilidades e compromissos de mãe, profissional, dona de casa... Ele, ainda muito jovem, estudante, viciado em drogas, sem emprego fixo, sem conseguir concluir os estudos, nenhum curso sequer. Terminavam, voltavam, terminavam... Os anos foram passando! Até que um dia ela o levou à cada dos pais e disse que nunca mais queria vê-lo, que a deixasse em paz, que iria seguir o seu caminho.
E assim fez. Os filhos já mais crescidos, voltou a viver, a sair e se divertir, namorar. Sentia falta do homem amado, mas sabia que não podia continuar assim, sabia que tinha tomado a decisão mais acertada. Foi quando o rapaz finalmente caiu na real e percebeu que havia perdido o amor da vida dele. Então pediu ajuda, socorro a todos que podiam ajudá-lo. Internou-se, fez tratamento de desintoxicação, passou a frequentar uma Igreja, converteu-se, começou a estudar e arranjou trabalho. Mais de um ano depois, quando finalmente achou que estava pronto, comprou um par de alianças, um buquê de flores e bateu à porta da ex-namorada, pedindo-a em casamento com toda pompa e circunstância. Ela, emocionada, viu a mudança nos olhos dele, no gesto, na maneira de portar-se. Aceitou e casaram. Talvez não sejam felizes para sempre. Provavelmente ainda enfrentarão muitos obstáculos porque a vida real é cheia de obstáculos e desafios. Mas eles estão unidos pelo amor. Ele mudou por amor. Ele provou a ela o quanto a ama e a força deste amor transformador! 
Uma outra história que gosto é a de um outro casal conhecido, casados já há muitos anos, com um filho adolescente. De repente, ela teve uma alteração hormonal e começou a engordar exageradamente. Até que conseguiu estabilizar mas nunca mais voltou ao peso normal, tornou-se obesa. Para não vê-la deprimida, ele fez uma dieta alimentar de engorda, para ganhar peso e ficarem iguais. Hoje são dois gordinhos e não se incomodam nem um pouco. Vejam que outra grande prova de amor. Engordar absurdamente para não deixar seu amor sentir-se mal! Lindo isto!
São tantas histórias, tantas mostras reais, tantos sentimentos verdadeiros. Amor de verdade existe sim. Pessoas se encontram e se completam, se misturam e trasbordam, isso acontece. Acho lindas estas demonstrações. 
Também sei de histórias ao contrário, do tipo faça isto por mim que faço aquilo por ti, troca, escambo, hipocrisia. Quem quer fazer faz e pronto. Faz porque ama, sem exigir nada em troca, sem esperar nada em troca, sem avaliar se valeu a pena, faz porque ama!

Adoro estas histórias de amor!

MARIA CONCEIÇÃO DE AGUIAR

PILATES


Retomei meus exercícios de pilates. Ainda com muita resistência, bastante dificuldade e um certo receio. Faço as aulas pela manhã, logo após  ingerir aquele remédio antitabagismo, então fico meio chapada. Além disso meu pé ainda não está totalmente bem, continua inchado e dói, mas a fisioterapeuta disse que os exercícios ajudarão.
Fui, cheguei de mansinho, comecei o alongamento e fui evoluindo nos exercícios, devagar, com medo, parava, recomeçava...mas fiz a aula inteira. 
Comecei a fazer pilates com a Cláudia ano passado, logo no início do ano e parei no final de setembro para fazer uma cirurgia. Depois quebrei o pé, comecei o tratamento para parar de fumar, entrei neste processo depressivo e só agora consegui voltar. Foram quatro meses sem nenhuma atividade física.
Na verdade,admito que não sou adepta de exercícios físicos. Não tenho a menor boa vontade para frequentar academias. Já fiz natação e desisti, aula de dança de salão e desisti. O pilates achei legal porque alonga, mexe com todos os membros, dá um resultado bom. Mas faço porque tenho que fazer algum exercício, todos têm.
Então o escolhi. Faço na DHARMA Estúdio de Pilates, cuja fisioterapeuta tem experiência, paciência e os resultados são visíveis.
Assim, aos poucos, vou voltando a minha vidinha normal. Já estou trabalhando, fazendo pilates, saindo de casa, vivendo, voltando à vida!


MARIA CONCEIÇÃO DE AGUIAR

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

30 DIAS

                            Hoje faz exatamente 30 dias que não fumo um único cigarro sequer! Para quem está de fora e nunca passou por esta experiência parece nada, mas para mim parece uma eternidade. Costumo dizer que estou vivendo um dia de cada vez e assim superei os primeiros trinta.
                            Também hoje voltei ao trabalho depois de quase dois meses de recesso e férias. Esta volta também mexeu comigo, não sabia como seria. Fiquei ansiosa desde segunda-feira, pensando que teria que conviver com fumantes novamente, enfrentar as pessoas depois de tanta reclusão e sabendo que meu rendimento estaria comprometido por causa dos efeitos do Champix.
                            Então fui, pedi para falar e contei a todos do meu setor o que estava acontecendo, tudo o que eu tinha passado neste tempo de recolhimento voluntário. Falei do pé quebrado, da luta contra a dependência do cigarro, dos efeitos da droga no meu organismo, do fim do namoro, da depressão e do blog, meu refúgio.
                            Depois voltei a trabalhar normalmente, com lentidão, ainda me readaptando, mas sem neuroses.
                            Sempre fui boa ouvinte, confiável, se é para levar a sério eu levo e quem me conhece sabe disso. Então, pelos corredores, cada vez que saia da sala, encontrava alguma colega precisando desabafar. De repente me dei conta de que todos têm problemas e que todos têm dificuldades em encontrar com quem falar, então ouvi.
                            A primeira me disse que está com medo porque o médico mandou que ela esteja em seu consultório amanhá às sete horas para conversar sobre o resultado de uma biópsia. Tem a minha idade, talvez esteja com alguma doença mais grave, o marido está viajando a trabalho e vi nos seus olhos a insegurança. Então até me ofereci para ir junto, mas ela recusou e disse que confia em Deus e vai dar tudo certo.
                            Depois veio outra falar que separou do marido depois de vinte anos de casamento. Decisão pensada, repensada, adiada por anos, mas que, quando concretizada machuca, dói, dá uma sensação estranha de perda, de fracasso. Já passei por isso. Contou que pegou os dois filhos e saiu de casa. Agora sente-se sozinha, com o peso do mundo sobre si...Também tem a minha idade e sei o que está sentindo. Combinamos de nos encontrar fora do trabalho para conversarmos melhor.
                            Encontrei a terceira que me criticou por ter tirado férias com o pé quebrado em vez de licença para tratamento de saúde. E começou a falar "para eles somos apenas números, não contamos, não somos gente, não temos direitos, já passei por cada coisa aqui dentro..." e enquanto ela falava lágrimas brotavam-lhe nos olhos. Mágoas, dissabores, decepções acumuladas!
                            E mais uma veio me falar que, para sua surpresa, ao voltar hoje das férias havia sido removida de setor. Ninguém havia perguntado se ela desejava mudar, nem explicaram o porquê, simplesmente mudaram-na. Quase 30 anos de serviços prestados e sem direito de opinar, de escolher, também estava magoada.
                            Então fui esquecendo minhas dores e temores, fui ouvindo, meio com pressa, primeiro dia de trabalho, tanto por fazer, mas elas precisavam de mim para ouvi-las, era só o que podia fazer, ouvir!
                            E nestes momentos a dor do outro parece tão mais importante que a nossa! Na verdade esquecemos as nossas para acolher quem está precisando de nós naquele momento. Isto faz bem quando estamos bem. Confesso que se estivesse naquela fase depressiva, chorosa, desanimadora, teria absorvido todos estes problemas, teria chorado com elas. Mas como já estou bem melhor consegui dar a cada uma o meu melhor sorriso de amizade, companheirismo, cumplicidade. Disse a cada uma que podem contar comigo, pois passei por uma fase ruim mas melhorei. E agora compartilho tudo com vocês!
                            Problemas todos têm! A proporção que atingem depende da importância e da direção que damos a eles. Às vezes fazemos tempestades por nada, outras reagimos com firmeza a duros golpes. Mas é sempre bom poder partilhar, dividir, falar alivia e ouvir o outro faz com que enxerguemos as coisas sob novos ângulos, novos pontos de vista, novas perspectivas.
                            Conseguir falar e saber ouvir! Duas coisas difíceis, mas que podem fazer uma diferença enorme na vida da gente! 

MARIA CONCEIÇÃO DE AGUIAR

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

BOM ESTAR COM VOCÊS



Há pessoas que são imprescindíveis na nossa existência, fazem parte de uma maneira tão significante que não conseguimos imaginar como seria a nossa vida sem elas. Para mim, estas pessoas são meus filhos e netos.
Tenho três filhos, cada um com seu jeito, temperamento e características próprias. A Patrícia, a mais velha, tem um coração enorme. Sabe amar incondicionalmente, respeita o espaço do outro, as escolhas, as opções. É batalhadora, guerreira, já levou algumas pancadas da vida, bem sérias até, mas não esmoreceu, sempre ergueu a cabeça, armou seu melhor sorriso e foi tocar a vida. A Paula é conselheira, ouvinte, pacificadora, mas ao mesmo tempo boa de briga. É de uma simpatia inigualável, trata a todos com igualdade, gosta de gente e compra briga pelos desiguais, pelas vítimas de preconceitos, pelos seus. Também guerreira, sempre arrumou tempo para ser mãe, esposa, profissional e estudante, tudo junto! O Tiago é o mais novo, o meu bebê. Teve que amadurecer cedo, mas por opção. Casou, tornou-se pai e cresceu. É responsável, muito na dele, observador, ouve muito e fala pouco. Tem valores muito bem definidos, os quais passará para o filho, pelo exemplo.
Tenho orgulho dos meus filhos. Admiro cada um deles pelas suas qualidades, pela sua trajetória de vida até aqui, pelo apreço e carinho com que me tratam. Respeito suas escolhas, opiniões e argumentos. Respeitamo-nos mutuamente.
Netos já tenho cinco. O mais velho é o Lucas. Quando ele nasceu conheci um amor diferente, o amor de avó, que sensação maravilhosa. Esperto que só, inteligente, sempre cuidadoso com as pessoas que ama, sempre preocupado comigo, com meu bem-estar. Depois vem a Beatriz, minha miniatura. Ela gosta de dizer que parece comigo, que é perua como eu, que quando crescer vai ser igualzinha a mim. Eu gosto de sentir esta admiração dela. Na verdade, o nascimento dela também mexeu muito comigo, houve em mim, um renascimento. E tem a Isadora. Essa é brava, briguenta, de personalidade forte. Aos dois anos de idade empina o nariz e sai de perto que ela manda ver. A seguir, vem o Caio. É lindo com os olhos azuis e o cabelo loiro. Inteligente, já fala bastante, frases inteiras e entende tudo que se fala. Às vezes é carinhoso, outras é arredio, não quer muito chamego. E tem a menorzinha, a Luíza. É uma bebezinha linda com seus olhos azuis sempre procurando para quem olhar.


Esta é a minha família. Amo cada um deles de um jeito único e especial. Minha vida não seria a mesma sem eles. Eu não seria a mesma se eles não existissem. Sou a favor da família, gosto de estar com eles, da barulhada de crianças correndo e brincando, do bater de panelas, do aconchego em volta do fogão, da reunião em torno da mesa para o almoço, o lanche.
Gosto e passo o máximo de tempo que posso com eles. Sem sufocá-los, sem aprisioná-los, sem deixar que a minha presença chegue a incomodá-los. 
Sei que estes momentos que passamos juntos ficarão para sempre em nossas lembranças. Porque gostamos de estar juntos, não é obrigação, então tornamos nossos encontros prazerosos. Amo meus filhos e netos, amo minha família e gradeço a Deus todos os dias por tê-la!

MARIA CONCEIÇÃO DE AGUIAR

VIDA NOVA




Enfim cheguei aos 50 anos de idade. Domingo, dia do meu aniversário, acordei cedo, tomei o café da manhã, um banho demorado, caprichei na maquiagem, arrumei o cabelo e me vesti. Pronta para a festa! Pronta para enfrentar a vida e o mundo lá fora! Pronta para cumprir a minha determinação de começar uma vida nova ou uma nova vida!
Meus filhos prepararam uma festa com muito capricho, com decoração temática como eu queria, tudo estava perfeito. Senti-me bem, entre os que verdadeiramente me amam. Senti-me em paz, como que cumprindo uma parte da minha missão. Sentimentos múltiplos invadiram minha mente, lembranças, saudades, planos, fantasias, tantas coisas, tantos sonhos, tantas emoções vividas...
É, foi vivendo que cheguei até aqui, fazendo que aprendi. Experimentando, errando, acertando, tropeçando, caindo, levantando, seguindo em frente. às vezes olho pra trás, outras não. Às vezes tenho vontade de voltar a determinadas épocas, outras não. 
Nestes anos todos chorei, sorri, dancei, amei, corri, pulei, parei, olhei, enxerguei, trabalhei, estudei, partilhei, compartilhei, dividi, multipliquei, somei e subtrai, enfim, vivi!
Nestes anos, fui mulher, mãe, esposa, namorada, sogra, nora, irmã, amiga, chefe, funcionária, vivi!
Hoje estou bem, sinto-me bem aos 50 anos, sem frescuras para dizer a minha idade. Porque to me achando ultra, mega, super, hiper e quem não achar desculpe, mas que se dane, o que vale é a minha opinião sobre mim. Estou bem, estou viva, estou pronta para a vida. 
Estou voltando a viver, a sorrir, a planejar, a sonhar. Já não tenho lamentado o que perdi, pois sei que coisas melhores virão para substituí-las. Já não lamento o que deixei de viver mas celebro o que vivi, o que aprendi, às vezes que meu coração quase explodiu de emoção, àquelas em que fiquei sem palavras, as outras que fizeram meus olhos brilhar, minha cabeça girar, minhas pernas bambearem. Celebro a vida. Porque sei que ainda tenho muito para viver, para aprender e ensinar, ou melhor, para compartilhar!
Amigos, estou achando maravilhoso chegar aos 50 anos, ter 50 anos. Estou me achando maravilhosa aos 50 anos. Estou tão cheia de vida que quase transborda e isso é ótimo. 
Os vícios e os remédios, bem, ainda estou na batalha, mas agora com menos sofrimento, sem depressão, sem isolamento, agora é vida normal, trabalhando e estudando, saindo e me divertindo, vivendo! Claro, vou continuar dividindo com vocês meu tratamento para me livrar do cigarro e os efeitos dessas drogas no meu organismo. Mas neste momento estou tão bem e é isso que quero partilhar. 
A partir de hoje serei uma nova mulher, renovada, repaginada, de bem com a vida, alto astral, contente alegre e feliz!



MARIA CONCEIÇÃO DE AGUIAR

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

ANIVERSÁRIO

"Minha determinação de aniversário: Tenho um ano para cuidar melhor de mim, tratar as crises de enxaqueca, parar de fumar e construir uma relação de amor, companheirismo e amizade. E, em 2012, quando comemorar 50 anos, poderei finalmente dizer que sou feliz, que vivo em plenitude. E assim será!"
Com essas palavras encerrei meu texto de aniversário ano passado, intitulado 5/2/2011. Pois bem, um ano passou e o que fiz? Vamos fazer um balanço: comecei a cuidar melhor de mim, praticar pilates, alimentar-me melhor, preocupar-me mais com minha saúde física e mental. O tratamento contra as crises de enxaqueca comecei exatamente após meu último aniversário e estou bem melhor. Tinha várias crises durante o mês, que me derrubavam, horríveis mesmo. Atualmente, normalmente tenho uma crise mais leve apenas no período pré-menstrual. Bem, quanto ao tabagismo, eu tenho dividido com vocês, aqui nesse blog minha luta. Estou em tratamento, há exatos 24 dias sem nenhum cigarro, mas ainda não me sinto curada da dependência, continuo o tratamento com afinco, pois sei que posso recair, então minha fé e minha determinação falam mais alto.
Mas não consegui atingir a um dos meus projetos, o que eu considero ainda tão importante, tão imprescindível na minha vida: construir uma relação de amor e companheirismo. Até tentei, tentamos. Mas nossas diferenças, gritantes, atrapalharam, impediram. Ou não éramos nós o verdadeiro amor um do outro. Sei que pessoas perfeitas não existem, sei que todos têm defeitos, também os tenho e não são poucos. Não procuro ninguém perfeito nem ofereço perfeição. Quero apenas uma relação saudável, de igualdade,de companheirismo,respeito, amor!
Pois é, este projeto fica adiado para este ano. Porque sou perseverante, tenho calma e paciência! Cresci, evolui, aprendi e estou aprendendo. Quem leu meu texto 'Meio Século' viu que traço meus objetivos e vou tentando alcançá~los. Alguns são de curto, outros de médio e outros de longo prazo. E que, principalmente, estou em processo de mudanças.
E no meu aniversário gosto de refletir, repensar, replanejar. Então, foi um ano bom, de vitórias, de objetivos atingidos, agora traço outros, porque a vida sem objetivos não teria a menor graça.
Até o próximo aniversário quero concluir minha pós-graduação e realizar alguma atividade paralela como ministrar aulas particuares ou começar a escrever um livro, quem sabe, tenho pensado nisso! Quero saldar minhas dívidas e começar a economizar para comprar um pequeno imóvel na praia. E onde pretendo morar futuramente. Quero inscrever-me para adotar um menino de três a cinco anos. E o mais importante, quero viver! Continuar vivendo, amando e sendo amada por meus filhos e netos, por meus amigos de verdade e por todos a quem quero bem. Quero viver!
Agradeço a Deus por estes 50 anos! Que bênção chegar até aqui tão bem! Porque ainda estou muito bem! Obrigada Deus, pela vida, por cada dia e por mais este aniversário!
Parabéns para mim!!!!

MARIA CONCEIÇÃO DE AGUIAR