domingo, 30 de agosto de 2015

APARECIDA

Sou Católica de nascença, depois de adulta, por decisão.
Desde pequena, fui ensinada a ter fé em Nossa Senhora Aparecida. Lembro da minha avó ligando o rádio todas as tardes, às 15 horas, para ouvir a Consagração a Nossa Senhora Aparecida. Ela colocava um copo com água sobre o rádio, ajoelhava e rezava fervorosamente. Depois, dividia aquela água entre nós. Um ritual, sem dúvida. Simples, verdadeiro, cheio de fé.
E assim, através da minha avó paterna, minha fé em Aparecida começou, aumentou e se consolidou. Há muito tinha vontade de ir até o Santuário a ela construído, mas, nem sei bem porque, fui adiando. Até que neste ano realizei meu desejo antigo. Fui ver a Imagem encontrada no rio Paraíba, 298 anos atrás.
Indescritível a sensação de estar lá! A paz interior é tamanha que fica difícil expressar. Não fui idolatrar uma imagem, claro que não. Fui ver o sinal da Vigem Maria no Brasil e o que isso tudo representa para os católicos.
Fiquei maravilhada. Senti-me abençoada.
E desde que voltei sinto-me em estado de graça. Interessante como aquele lugar é especial. Tanto que já planejo voltar ano que vem.
Estar lá, olhar à Imagem, ouvir a história de como foi encontrada, visitar a sala dos milagres, o rio onde os pescadores a acharam. Não tem explicação, só quem é devoto entende.
Foi uma viagem abençoada, em boa companhia. passamos por lugares belíssimos, os quais eu conhecia apenas de ouvir falar. Em Campos do Jordão vi uma cidade de clima agradável, com a natureza preservada, visitei o Mosteiro da Misericórdia, lugar de paz, de reclusão, introspecção.
Em Cachoeira Paulista, a Canção Nova. Em Roseira, o Mosteiro da Sagrada Face, linda história de milagre, de fé. Em Guaratinguetá conhecemos a história de Santo Antônio de Santana Galvão, Frei Galvão, primeiro Santo brasileiro. E, em Aparecida do Norte, a beleza e o encanto de estar lá!
Respeito os que não acreditam, mas minha fé em Nossa Senhora Aparecida é inquebrantável. E agradeço por essa oportunidade, por essa viagem, por tudo de bom que meus olhos viram, por tudo de belo que meus ouvidos ouviram, pela convivência com  pessoas iluminadas. Muito obrigada!

CRER

A crença de cada um é algo muito pessoal, particular, singular. Há os que creem em Deus, em Buda, em Jesus. Há os que creem nas forças da natureza, no sobrenatural, no céu e no inferno, no mal e no bem.
E ainda há os que creem no outro, em si, na Bília, nos livros, na história, na ciência.
E há os que não creem em nada, será?
Duvido um pouco quando ouço alguém dizer que não acredita e

m nada. Pode até ser ateu, agnóstico, mas há de crer em algo, com certeza.
Particularmente, eu creio!
Creio em Deus, em Jesus Cristo e no Espírito Santo. Creio na Virgem Maria, nos Anjos e Santos. Creio na verdade, nos seus vários ângulos, nas pessoas, até que me provem o contrário, em mim, mesmo quando me contradigo. 
E creio na natureza, na força que vem do mar, do ar, da terra, do sol, da chuva. E creio na união de esforços pela construção de um mundo melhor, de uma sociedade mais justa, na dignidade humana.
Creio no amor em todas as suas formas, na força do trabalho, no conhecimento que liberta, na educação que transforma, nas virtudes que diferenciam.
E crendo sinto-me mais forte, recorro, peço ajuda, alento, socorro. E crendo as coisas ficam mais fáceis, a vida mais leve, os problemas menores.
E mesmo quando tudo parece dar errado, minha crença não esmorece, não enfraquece, sei sempre que tudo passa, que dias melhores virão, que toda tempestade tem fim.
E assim, guiada pela fé vou vivendo, aceitando o que não posso modificar, enfrentando o que chega, revirando-me, revertendo, seguindo.
E respeito a crença alheia. Assim como respeito as opções individuais, as escolhas, mesmo não concordando algumas vezes, mas respeitando, sempre!

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

ENTÃO

Então é assim, a gente vai vivendo um dia de cada vez, dominando a ansiedade, controlando alguns impulsos e deixando fluir outros.
E assim vamos levando a vida, fazendo o melhor que sabemos e, se não for suficiente, aprimorando nossos conhecimentos, mas sem estresse, sem neuras, sem avalanches.
E então no final de cada dia uma prece, um agradecimento, muito obrigada. E ao acordar a inspiração do Espírito Santo, a intercessão de Deus, pois só assim conseguimos dar conta de tudo.
E pensando bem, não há que se ter pressa, tudo tem seu tempo, tudo na hora certa. 
Então que sejamos felizes, não por obrigação, mas por convicção. Que nos alegremos nas coisas simples, nas mais corriqueiras, no dia a dia. 
Então que tenhamos sempre um sorriso amigo, uma palavra de alento, mão estendida, braços abertos.
E então assim o mundo fica mais bonito, nossa vida mais plena, nossa semana mais rica, nosso ano mais vindouro.
Então façamos o melhor que pudermos, sempre, nas mínimas coisas, semeando, cultivando, podando e enfim, colhendo.
E que cada dia seja leve, que cada semana seja alegre, que cada mês seja generosos, que cada ano seja bom. 
Então que a gratidão seja uma constante, agradecer um hábito, valorizar o que temos e, principalmente quem somos, uma atitude verdadeira.
Então, pensando bem, não é bem melhor pensar assim? Agir assim? 
Xô baixo astral, pensamentos negativos, doenças e demências, sobrecargas inúteis, bagagens pesadas.
Então que venha amor, fé e esperança. Que venham dias e dias. Que sejam floridos, iluminados e ensolarados, mesmo que chova lá fora.
Então, bora lá ser feliz!

HOJE

Hoje eu me sinto bem, estou bem.
Hoje estou em paz, apesar de tudo que há por fazer.
Hoje estou mais amena e serena, com fé.
Hoje estou mais focada, embora ainda algumas coisas fora de foco, aos pouco, tudo se ajeita.
Hoje olhei o mar, ouvi-o, senti a areia sob os pés, o vento no rosto, o sol.
Hoje acalmei meu coração, minha alma, meu ser. desabafei, escrevi, contei, falei.
Hoje renovo as esperanças de dias melhores, de progresso, sucesso!

Hoje sei quem sou, o que sou, o que penso.
Hoje meu coração transborda, minha mente viaja, meu teclado ampara.
Hoje sou mais eu, mais nós, mais você.
Hoje sinto a luz acender, a lua transcender, o entardecer
Hoje sou como a fênix que se renova ou como a lagarta que se transforma

Hoje eu quero paz, amor, fraternidade
Hoje penso no coletivo, no geral, no todo
Hoje desejo o bem, o bom, o prazer
Hoje quero bem querer, reaprender a gostar
Hoje eu só quero o que acrescenta, apascenta, diverte
Hoje é bênção, é dádiva, é vida vivida, dia florido
Hoje fiquemos em paz, na paz, pela paz!


PESO

De repente pareço sentir o peso do mundo em minhas costas e isso tem me cansado. Mérito de ser sozinha, ônus de escolher ficar só.
Mas são tantas coisas ao mesmo tempo que, em certos dias, dá vontade de nem sair da cama, ou ainda, de fugir. Não posso ficar na cama, nem posso fugir, então tenho de encarar tudo, enfrentar, resolver. Mas não dou conta. Daí decido que vou fazer uma coisa de cada vez e não sei por onde começar. Eita, que tá difícil!
O ano já não começou bem, fizemos a maior greve da história do Judiciário catarinense. 47 dias reivindicando um plano de carreira para os servidores. O que conseguimos? Descontos mensais no salário, 10% até o final de 2016. Então, com o salário defasado e sendo descontado o resultado é menos dinheiro e mais contas a pagar.
Comprei uma casa em Barra velha que, dois anos depois, começa a apresentar problemas. Rachaduras nas paredes, pintura descascada, esgotos entupindo. Precisa de manutenção, claro, mas percebo que o material utilizado na obra não foi de boa qualidade, principalmente a tinta das paredes. Então fico irritada, tenho que mantê-la, consertar o que está estragando, cuidar para não piorar.
A casa de Joinville está desocupada, fechada, a umidade tomando conta. Precisa de uma reforma ampla, mas, sem condições financeiras para tal. Então tenho que decidir se alugo, vendo, troco, abandono de vez, sei lá.
O carro bati e ainda não tive tempo nem cabeça para consertar. Também precisa de revisão completa.
Passei a exercer uma nova função no trabalho, na verdade estou tentando acumular as duas funções, mas está difícil. Entretanto tem as cobranças, as metas, a produtividade, a chibata costumeira dos servidores do PJSC. E por causa da nova função iniciei um curso em Joinville, todo sábado, até o final do ano, corrido.
Um longo tratamento odontológico, cirurgia para não usar mais óculos e muito medo de gastar tanto e tudo dar errado, não sair do jeito que planejei.
Duas viagens marcadas, compradas, pagas. Em agosto, Santuário de Aparecida, em setembro, Porto Seguro. ótimo, adoro viajar, mas são tantas coisas que tenho que providenciar e ainda nem comecei a me organizar.
E tem esta maldita crise financeira, política, ética e moral que assola o país. Mexe comigo, com meu bolso, com meus nervos, com meu humor. Já não dou conta das contas, já não compro mais nada e fico furiosa em ter que pagar a conta da roubalheira, da corrupção, dos desmandos.
E tudo isso tem me pesado, tem me tirado o sono, o ânimo, a inspiração.
Então há momentos em que sinto falta de alguém do meu lado, que me ajude a respirar, a tomar fôlego e a prosseguir, que divida comigo as responsabilidades, as rédeas. Mas, ao mesmo tempo, ficar só é minha opção, pensada, refletida e tomada.
Daí complica. Essa indecisão não me é companheira, aparece de repente para me confundir. E nesta avalanche de providências na lista de espera, fico remoendo, escrevendo, repensando e pouco fazendo, porque, sinceramente, não sei por onde começar. Sinto o peso do mundo em minhas costas!

domingo, 9 de agosto de 2015

SER FILHA

Por pouco tempo fui filha, quase nem lembro, mas as lembranças são intensas. Que paradoxo! Mas é isso, não lembro bem como é ser filha, ter pai e mãe, mas do pouco tempo que os tive guardo lembranças, boas e ruins, Na verdade, somente as boas, as lembranças ruins eu apaguei, deletei, esqueci!
Mas, de vez em quando da uma vontade de ser filha. De ouvir um conselho, uma chamada, um elogio. De ganhar um abraço, um colo, um aconchego. De abraçar, acarinhar, comprar um presente, preparar um almoço, visitar no fim de semana.
Quem me dera ter tido o privilégio de ver meus pais envelhecerem, de ver meu pai brincando com os netos, de vê-lo embranquecer os cabelos, enfraquecer a voz pela naturalidade da velhice e não pela doença precoce que o levou tão cedo.
Quem me dera ter tido quem me acompanhasse à maternidade, na primeira consulta ao ginecologista, nas dores da adolescência, da vida adulta, 
Ser filha ou filho é desfrutar de um amor incondicional, do bem querer. Ter a referência da casa da mãe, da casa do pai ou da casa de ambos deve ser uma experiência indescritível quando já somos adultos. Pois lá sempre será o ponto de apoio, sempre haverá um lugar para o filho, um café quente ou uma água gelada, um abraço, laços!
Fui filha por tão pouco tempo!
Então por vezes sinto esta falta, este peso nos ombros, desde muito cedo, desde muito tempo. O peso de ter que decidir, agir e arcar com as consequências, como deve ser. Mas as vezes cansa!
Quisera ser filha e pedir pro pai ver o problema do ralo entupido, da parede descascada, do carro batido. Quisera ser filha  e pedir pra mãe fazer um almoço, um bolo de chocolate, um doce. Quisera ser filha e dizer ao pai que preciso dele, que quero conversar, desabafar, aconselhar-me. Quisera ser filha!
Ah que vontade eu tinha de ser filha ainda. Mas queria ser filha querida, desejada, amada. Mas queria ser filha amorosa, dedicada, cuidadosa. Mas não sou, por pouco tempo fui.
Então sou mãe! E como mãe de quando em quando inverto tudo e viro filha. peço colo, conselhos, ajuda. Peço afagos, mimos, atenção. E dou carinho, amor, dedicação. E preparo o almoço de domingo, o bolo pro café, o pão caseiro. E levo pra passear e deixo que me levem. E como não sei como é ser filha exercito a honra de ser mãe. 
E sou a mãe forte, corajosa, que ampara e acolhe, que está sempre de braços abertos, mas que também sabe repreender, chamar atenção, chamar à responsabilidade. Sou mãe e isso me basta, mesmo que, por vezes, bata esta vontade de ser filha, ser mãe completa minha existência.
Não tenho traumas nem neuroses por não ter sido filha, mas felicito aos que ainda têm seus pais por perto. Aproveitem, desfrutem do privilégio de ser filho ou filha!