Hoje passei o dia por aqui, lendo. Textos, matérias, blogs, notícias, de tudo um pouco. Li coisas interessantes, outras, nem tanto.
Li o desembargador presidente do TJSP questionando se a ética está na UTI ou já teria morrido. "A preocupação com a aparência suplanta aquela com o conteúdo", exemplificou o Magistrado.
Li que houve decisões judiciais baseadas em fotos e perfis das redes sociais. "Com base em fotos do facebook, juiz cancela auxílio-doença de trabalhadora".
Li que o caso das cinco crianças de Monte Santo, na Bahia, que supostamente haviam sido retiradas pela polícia e entregues para adoção através de uma rede de tráfico de crianças, não passou de uma farsa. Tudo descoberto, decisão de devolução aos pais biológicos anulada.
Li que a ALESC teve a maior despesa do sul e do sudeste com diárias em 2014, totalizando R$16,2 milhões.
Li sobre as greves pelo país afora. Servidores municipais, estaduais e federais mobilizados, buscando valorização profissional e financeira.
Li sobre a diferença entre TOC e Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva.
Li que tudo que recebemos de salário, nestes primeiros cinco meses do ano, foram apenas para pagar impostos. 41,37% de tudo o que o brasileiro ganhar, em média, será destinado para pagar tributos.
Dentre as muitas leituras que fiz hoje, essas se destacaram, por estarem, de certa forma, interligadas. Ao menos na releitura que delas faço.
O país está em greve, em todos os setores trabalhadores param para reivindicar melhores condições de trabalho, salários dignos, valorização. Enquanto isso, nossos representantes, democraticamente eleitos pelo voto direto, esbanjam o dinheiro público sem dó nem piedade. Talvez não entendam que público pertence a todos, à sociedade, à comunidade e não aos que detêm cargos públicos.
Quando um Juiz questiona a ética, levantando a questão de que esta está sendo suplantada pela estética, põe em xeque a lisura dos poderes constituídos. Ainda, quando postagens em perfis das redes sociais constituem provas para processos jurídicos, essa lisura torna-se ainda mais questionável.
Os altos impostos que pagamos, os tributos que mantêm toda essa estrutura política administrativa dos três poderes nos levam aos transtornos obsessivos compulsivos e, mais a fundo, podem desencadear o transtorno da personalidade obsessivo-compulsiva.
Porque convenhamos, está difícil! Complicado conviver com tamanhas discrepâncias. Não há saúde mental e psicológica que resista! Estamos beirando o caos social, político, mental e, consequentemente, moral!
Como confiar no Poder Executivo que não respeita seus servidores, concursados, de carreira, que trabalham sim e muito para manter o serviço público funcionando. Que apesar de ficar com mais de 40% de tudo o que recebemos em salário, não oferece saúde, segurança, educação, laser, enfim, os direitos sociais básicos.
Como confiar no Poder Legislativo que legisla em causa própria. Que fecha olhos, ouvidos e bocas aos apelos sociais, à pobreza e à miséria, que só lembra do povo em época eleitoral. Esquecem de onde vieram, como chegaram lá. Esquecem suas bases, esquecem o compromisso assumido.
Como confiar no Poder Judiciário que discute, durante a reunião do pleno, se vão votar de acordo com a Constituição Federal ou não. Que pratica a justiça da porta pra fora. Que se deixa levar por impulsos, por fotos e frases nas redes sociais para fazer (in)justiça. Que sucumbe a farsa de uma rede de televisão e se deixa levar por achismos, dispondo da vida alheia, retirando crianças adotadas de seus lares sem levar em conta os laços afetivos construídos e, anos depois, volta atrás. Acaso pensam no estrago feito a essas famílias, a essas crianças? Como ouvir passivamente um desembargador bradar pela volta da moralidade judiciária?
Como confiar numa sociedade desmotivada, sem rumo, sem chances, oportunidades roubadas, mentes cansadas. Cidadãos perdendo sua dignidade, sem emprego, sem moradia, sem qualidade de vida, sem chance de crescimento, sem poder olhar para frente e vislumbrar mudanças. Nosso povo está desanimando, mas não perde a força, a garra, a esperança.
E é essa esperança que nos move, que nos leva a levantar da cama diariamente, fazer uma prece e esperar que o milagre aconteça, que as coisas se ajeitem, que o mundo melhore, que sejamos concisos, que nossos representantes tornem-se conscientes. E nessa esperança vamos seguindo, lendo, acompanhando, vivenciando, experimentando, apanhando, caindo e levantando. Até quando?