segunda-feira, 15 de junho de 2015

HETEROFOBIA?

Eu saúdo as diferenças! Não me importo se você professa alguma fé ou se é ateu, se é católico, protestante, espírita ou do candomblé. Não preciso saber se você é vegetariano, vegano ou se prefere um churrasco. Não me incomodo se você é culto, sábio, letrado ou se escorrega no português. Não faz diferença se você é homo, hetero, bi! Cada um na sua e todos convivendo em harmonia.
Entretanto, tenho percebido que, de uns tempos para cá, ser heterossexual passou a incomodar alguns. 
Caso assim não fosse, como explicar tamanha necessidade de afirmar-se como homossexual, atacando aos que não são? Não entendo!
Eu respeito você, suas escolhas, suas opções, suas decisões, respeite as minhas, as  dos vizinhos, dos amigos, dos parentes. Porque, caso contrário, as relações interpessoais tendem a desaparecer ou tornarem-se caos.

Não sou a favor dos acharques machistas, da moralidade aparente em forma de preconceitos. Também não sou favorável aos insultos insanos, misturando opção sexual com  escolha religiosa ou coisas do tipo. Estamos beirando ao exagero, levados pelas fobias sociais que nos impedem de viermos a nossa vida sem deixar que a opinião dos outros e, principalmente as suas escolhas de vida, nos afetem.
Mas esperem, vamos repensar! Somos seres humanos, racionais, dotados de  inteligência, de capacidade emocional suficiente para sabermos discernir o que é importante para nós, para a coletividade, para a sociedade em que vivemos. E, especialmente, o que não é. Porque se a minha vida não interfere na sua, está tudo bem, e por ai vai.
Mas se eu começo a lhe incomodar ou se você me incomoda e passamos a revidar, o desmanche social tem início e vai se transformando numa bola de neve sem precedentes. Depois do estrago feito, fica difícil consertar!
Então eu proponho a revolução dos conceitos, especialmente do respeito! Respeito às diferenças, às escolhas, às diversidades!
E é com respeito que peço para que sempre lembremos que a liberdade de um termina onde começa a do outro. Portanto, convivamos em paz, eu na minha e você na sua. Afinal, temos tanto mais para nos preocupar que acho total perda de tempo esse papo de fobia social. Concorda? 

ELA ENVELHECEU......

Elas envelheceram! Que maravilhosa dádiva envelhecer. Conhecer netos, bisnetos, acompanhar o desenvolvimento tecnológico, o vai e vem da vida, a vinda e a ida das pessoas, o desenrolar dos acontecimentos. E melhor ainda envelhecer em família!
Ela envelheceu ao lado do seu companheiro, com quem conviveu por mais de 50 anos. Aos 91 ficou viúva. Mas não se deixou abater porque tem uma família enorme, amorosa, presente. E os filhos não a deixam só. E ela mantém a vaidade de outrora, cuida dos cabelos, unhas e roupas. Cuida do espírito mantendo-se alegre. E está sempre entre os seus, recebendo carinho, atenção, apreço. Eles lhe são gratos e ela saboreia o envelhecer envolta em amor, laços que não se desfazem, vida que se aprimora e se renova com a chegada de cada novo integrante da família. E a matriarca está lá, como fonte de referência, como elo entre as gerações, sendo cuidada e paparicada e, acima de tudo, sendo amada.
Ela envelheceu vendo a casa cheia. Filhos, netos, genros e noras. Viúva, fechou-se para um novo amor. Viu partir um filho, uma filha, pedaços de si. Envelheceu juntando amarguras, dissabores. E foi vendo outros se afastarem. Dos cinco filhos, restaram três, destes, apenas uma decidiu cuidar e zelar pela mãe já velha e doente, tão carente. E ela já não tem vaidades nem vontades, apenas saudades. E lembra do que foi, do que passou, do que ficou. E chora sem muita esperança, sem muito em que se apegar. Ah quem dera pudesse fazer o tempo voltar, talvez teria sido diferente, talvez!
Ela envelheceu sozinha. O marido morreu, os filhos foram cuidar da vida, os netos igualmente. Os bisnetos, pouco vê. Mas ela entende que nesse corre corre da vida já não há tempo para a mãe, a avó, a bisa, a sogra. E ela entende que cumpriu sua missão e que, agora, resta esperar na mansidão dos dias que se arrastam, na solidão de quem muito viveu. E por vezes chora sozinha, lembrando dos seis filhos, do muito que trabalhou, do quanto amor lhes deu, do tanto que os ajudou. e se orgulha em sabê-los bem, vida equilibrada, saúde, família formada. Mas sente-se abandonada! Porém não reclama, tudo entende, tudo aceita, lamúria não lhe apraz.
Ela envelheceu e deixou-se mergulhar na solidão. Acalentou desamores, dissabores, tristezas. Enquanto pode soube aproveitar o lado bom de viver, divertiu-se, riu, fez rir. Amou, foi amada; abandonou, foi abandonada. E hoje já não sabe o que esperar, já cansou de bradar, já cansou de brincar de vida. E cobra atenção, carinho, amor. Mas na solidão dos dias a vida passa, as lembranças voltam, as lágrimas teimam em cair. E num dia está ótima, no outro nem tanto. E em alguns se refugia de tudo e de todos, na angústia que invade, na saudade que dói, na vida que se desfaz.
Ela envelheceu preparada para a vida longa, sem remorsos ou ressentimentos, sem medos nem sobressaltos. Ela envelheceu meio que de qualquer jeito, sem preparar a si nem aos seus. Ela envelheceu sem querer, esperando colher um pouco do muito que plantou, mesmo que a espera pareça em vão. Ela envelheceu sem perceber, sem estar pronta, sem entender o porquê, sem saber o que agora fazer!
Elas envelheceram, com mérito chegaram aos 70, 80, 90. Cada qual a sua maneira, cada uma do seu jeito. Com suas memórias ainda tão ávidas, relembram momentos vividos, esperam o amor merecido, celebram a vida que resta. E querem a paz e o aconchego, o abraço do filho, o sorriso do neto, o almoço de domingo. E merecem todo carinho do mundo. E precisam dos cuidados dos seus. E querem ser úteis e importantes. Elas envelheceram mas continuam vivas! E a elas minha homenagem!

terça-feira, 9 de junho de 2015

POETANDO

Hoje decidi poetar
Contemplei o céu, o sol, o mar
O mundo a me encantar
A vida a me inspirar!
A rima pode ser pobre e fraquejar
Pode até nem rimar
Mas o bom de poetar
É o dom de se deixar encantar!

E como é bom saber entender
Que tudo na vida tem um porquê
Que tal qual um bilboquê
Nem sempre basta querer
Necessário faz-se merecer
Tentar, errar, refazer
E insistir até aprender!

E neste jeito de viver
Vou deixando acontecer
Tentando, errando, acertando
Por várias vezes consertando
Aos poucos aperfeiçoando!
E o que já foi choro se faz riso
E o que já foi feio se faz belo
E o que já foi incerto hoje é preciso
E o que foi nó tornou-se elo!

E nesse mundo imperfeito
Em que perfeita também não sou
Escrevo, leio e me deleito
Na lembrança do que passou
Na esperança do que virá
Na certeza do que aqui hoje está!


Maria Conceição de Aguiar

SERENIDADE

Serenar, aquietar, apaziguar
Mente, alma, coração
E então depois de muito pensar
Tentar deixar de ter razão!

E eis que vem a serenidade
Tomando o lugar da verdade
Lembrando que o melhor é viver
O que tiver que ser, deixar acontecer!

E de nada adianta chorar
De nada resolve sofrer
Mas ainda assim a lágrima deixar rolar
Sem jamais se deixar abater!

Porque a vida é este trem
Que por vezes desencarrilha
Por onde, em estações, pessoas vão e vem
E pelas janelas vê-se o dia que lá fora brilha!

Porque vida é hoje, aqui e agora
Porque o presente é reflexo de outrora
Porque melhor ser livre e, felizmente
Melhor é sorrir e agradecer serenamente!

segunda-feira, 1 de junho de 2015

LENDO

Hoje passei o dia por aqui, lendo. Textos, matérias, blogs, notícias, de tudo um pouco. Li coisas interessantes, outras, nem tanto.
Li o desembargador presidente do TJSP questionando se a ética está na UTI ou já teria morrido. "A preocupação com a aparência suplanta aquela com o conteúdo", exemplificou o Magistrado.
Li que houve decisões judiciais baseadas em fotos e perfis das redes sociais. "Com base em fotos do facebook, juiz cancela auxílio-doença de trabalhadora".
Li que o caso das cinco crianças de Monte Santo, na Bahia, que supostamente haviam sido retiradas pela polícia  e entregues para adoção através de uma rede de tráfico de crianças, não passou de uma farsa. Tudo descoberto, decisão de devolução aos pais biológicos anulada.
Li que a ALESC teve a maior despesa do sul e do sudeste com diárias em 2014, totalizando R$16,2 milhões.
Li sobre as greves pelo país afora. Servidores municipais, estaduais e federais mobilizados, buscando valorização profissional e financeira.
Li sobre a diferença entre TOC e Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva.
Li que tudo que recebemos de salário, nestes primeiros cinco meses do ano, foram apenas para pagar impostos. 41,37% de tudo o que o brasileiro ganhar, em média, será destinado para pagar tributos.
Dentre as muitas leituras que fiz hoje, essas se destacaram, por estarem, de certa forma, interligadas. Ao menos na releitura que delas faço.
O país está em greve, em todos os setores trabalhadores param para reivindicar melhores condições de trabalho, salários dignos, valorização. Enquanto isso, nossos representantes, democraticamente eleitos pelo voto direto, esbanjam o dinheiro público sem dó nem piedade. Talvez não entendam que público pertence a todos, à sociedade, à comunidade e não aos que detêm cargos públicos. 
Quando um Juiz questiona a ética, levantando a questão de que esta está sendo suplantada pela estética, põe em xeque a lisura dos poderes constituídos. Ainda, quando postagens em perfis das redes sociais constituem provas para processos jurídicos, essa lisura torna-se ainda mais questionável.
Os altos impostos que pagamos, os tributos que mantêm toda essa estrutura política administrativa dos três poderes nos levam aos transtornos obsessivos compulsivos e, mais a fundo, podem desencadear o transtorno da personalidade obsessivo-compulsiva.
Porque convenhamos, está difícil! Complicado conviver com tamanhas discrepâncias. Não há saúde mental e psicológica que resista! Estamos beirando o caos social, político, mental e, consequentemente, moral!
Como confiar no Poder Executivo que não respeita seus servidores, concursados, de carreira, que trabalham sim e muito para manter o serviço público funcionando. Que apesar de ficar com mais de 40% de tudo o que recebemos em salário, não oferece saúde, segurança, educação, laser, enfim, os direitos sociais básicos.
Como confiar no Poder Legislativo que legisla em causa própria. Que fecha olhos, ouvidos e bocas aos apelos sociais, à pobreza e à miséria, que só lembra do povo em época eleitoral. Esquecem de onde vieram, como chegaram lá. Esquecem suas bases, esquecem o compromisso assumido.
Como confiar no Poder Judiciário que discute, durante a reunião do pleno, se vão votar de acordo com a Constituição Federal ou não. Que pratica a justiça da porta pra fora. Que se deixa levar por impulsos, por fotos e frases nas redes sociais para fazer (in)justiça. Que sucumbe a farsa de uma rede de televisão e se deixa levar por achismos, dispondo da vida alheia, retirando crianças adotadas de seus lares sem levar em conta os laços afetivos construídos e, anos depois, volta atrás. Acaso pensam no estrago feito a essas famílias, a essas crianças? Como ouvir passivamente um desembargador bradar pela volta da moralidade judiciária?
Como confiar numa sociedade desmotivada, sem rumo, sem chances, oportunidades roubadas, mentes cansadas. Cidadãos perdendo sua dignidade, sem emprego, sem moradia, sem qualidade de vida, sem chance de crescimento, sem poder olhar para frente e vislumbrar mudanças. Nosso povo está desanimando, mas não perde a força, a garra, a esperança.
E é essa esperança que nos move, que nos leva a levantar da cama diariamente, fazer uma prece e esperar que o milagre aconteça, que as coisas se ajeitem, que o mundo melhore, que sejamos concisos, que nossos representantes tornem-se conscientes. E nessa esperança vamos seguindo, lendo, acompanhando, vivenciando, experimentando, apanhando, caindo e levantando. Até quando?