terça-feira, 1 de setembro de 2015

VENTO

Tão veloz quanto o vento lá fora são meus pensamentos de agora
De repente me pego divagando, com olhar distante, além do horizonte
E as ideias que fluem já nem muito sentido fazem ou, todo sentido trazem
E com o barulho do vento minha mente ainda mais barulhenta busca acalento
Então me perco em mim ou em mim me encontro
Ah, como saber exatamente o que passa pela mente
Nessa imensidão de coisas, palavras, imagens, lembranças, lentidão que apascenta
Explosão que emudece, pensar que enaltece, explicando o que acontece
Difícil expressar, sentir, desejar, amar
Complicado falar, escrever, desenhar, desvendar
Tão veloz quanto o vento lá fora são meus pensamentos de agora
E nessa mistura frenética do eu, do meu, do teu, do nosso
Já não diferencio quem sou, se sou, quem és, porque és, apenas somos
E mergulhada no pensar redundante, no balançar relaxante
Sinto o vento mais forte, as ideias sem norte, a vida sem sorte
Mas de que vale a sorte, ou ideias com norte sem vento forte
E na contradição de tudo, um contratempo e um contrassenso
Já não sofro nem me abalo, ouço o vento levando consigo o tempo!

BASTA OLHAR

Basta um olhar mais atento, ou até mesmo uma simples olhadinha para vislumbrar as belezas que estão por ai.
Céu limpo, nuvens lindas parecendo dançar sob nossas cabeças, num ritmo lento, calmo e tranquilo, quase uma valsa.
Sol radiante, trazendo vida, iluminando, revigorando, aquecendo corpos, corações, casas e pensamentos.
Noites de lua cheia, quase transbordando. Noites iluminadas, céu estrelado, brisa leve.
Jardins florescendo, grama verde, pássaros cantando, um conjunto harmonioso que encanta olhos e ouvidos, que faz tudo parecer melhor, que faz a vida ser mais bela.
Beleza que contagia, inspira, transforma. Beleza que não se compra nem se vende, não e mede, não há limites, basta olhar.


E nas cidades as árvores balançam ao sabor do vento, espalhando folhas e flores, formando um tapete natural, gostoso de ser pisado.
E no campo os animais saem das tocas, nas suas mais variadas espécies, encantam, desfilam deslumbrantes, basta olhar.
E no litoral, as ondas do mar chegam à praia. O ar marinho traz cheiro e gosto de vida, de paz, de tranquilidade. 
E as nascentes renascem jorrando vida, formando rios que se juntam aos mares. Vida natural entrelaçada.
Basta olhar para que o dia se transforme, para que a nossa visão de mundo seja ampliada, para que as mazelas sejam deixadas pra lá. Basta olhar! 

domingo, 30 de agosto de 2015

APARECIDA

Sou Católica de nascença, depois de adulta, por decisão.
Desde pequena, fui ensinada a ter fé em Nossa Senhora Aparecida. Lembro da minha avó ligando o rádio todas as tardes, às 15 horas, para ouvir a Consagração a Nossa Senhora Aparecida. Ela colocava um copo com água sobre o rádio, ajoelhava e rezava fervorosamente. Depois, dividia aquela água entre nós. Um ritual, sem dúvida. Simples, verdadeiro, cheio de fé.
E assim, através da minha avó paterna, minha fé em Aparecida começou, aumentou e se consolidou. Há muito tinha vontade de ir até o Santuário a ela construído, mas, nem sei bem porque, fui adiando. Até que neste ano realizei meu desejo antigo. Fui ver a Imagem encontrada no rio Paraíba, 298 anos atrás.
Indescritível a sensação de estar lá! A paz interior é tamanha que fica difícil expressar. Não fui idolatrar uma imagem, claro que não. Fui ver o sinal da Vigem Maria no Brasil e o que isso tudo representa para os católicos.
Fiquei maravilhada. Senti-me abençoada.
E desde que voltei sinto-me em estado de graça. Interessante como aquele lugar é especial. Tanto que já planejo voltar ano que vem.
Estar lá, olhar à Imagem, ouvir a história de como foi encontrada, visitar a sala dos milagres, o rio onde os pescadores a acharam. Não tem explicação, só quem é devoto entende.
Foi uma viagem abençoada, em boa companhia. passamos por lugares belíssimos, os quais eu conhecia apenas de ouvir falar. Em Campos do Jordão vi uma cidade de clima agradável, com a natureza preservada, visitei o Mosteiro da Misericórdia, lugar de paz, de reclusão, introspecção.
Em Cachoeira Paulista, a Canção Nova. Em Roseira, o Mosteiro da Sagrada Face, linda história de milagre, de fé. Em Guaratinguetá conhecemos a história de Santo Antônio de Santana Galvão, Frei Galvão, primeiro Santo brasileiro. E, em Aparecida do Norte, a beleza e o encanto de estar lá!
Respeito os que não acreditam, mas minha fé em Nossa Senhora Aparecida é inquebrantável. E agradeço por essa oportunidade, por essa viagem, por tudo de bom que meus olhos viram, por tudo de belo que meus ouvidos ouviram, pela convivência com  pessoas iluminadas. Muito obrigada!

CRER

A crença de cada um é algo muito pessoal, particular, singular. Há os que creem em Deus, em Buda, em Jesus. Há os que creem nas forças da natureza, no sobrenatural, no céu e no inferno, no mal e no bem.
E ainda há os que creem no outro, em si, na Bília, nos livros, na história, na ciência.
E há os que não creem em nada, será?
Duvido um pouco quando ouço alguém dizer que não acredita e

m nada. Pode até ser ateu, agnóstico, mas há de crer em algo, com certeza.
Particularmente, eu creio!
Creio em Deus, em Jesus Cristo e no Espírito Santo. Creio na Virgem Maria, nos Anjos e Santos. Creio na verdade, nos seus vários ângulos, nas pessoas, até que me provem o contrário, em mim, mesmo quando me contradigo. 
E creio na natureza, na força que vem do mar, do ar, da terra, do sol, da chuva. E creio na união de esforços pela construção de um mundo melhor, de uma sociedade mais justa, na dignidade humana.
Creio no amor em todas as suas formas, na força do trabalho, no conhecimento que liberta, na educação que transforma, nas virtudes que diferenciam.
E crendo sinto-me mais forte, recorro, peço ajuda, alento, socorro. E crendo as coisas ficam mais fáceis, a vida mais leve, os problemas menores.
E mesmo quando tudo parece dar errado, minha crença não esmorece, não enfraquece, sei sempre que tudo passa, que dias melhores virão, que toda tempestade tem fim.
E assim, guiada pela fé vou vivendo, aceitando o que não posso modificar, enfrentando o que chega, revirando-me, revertendo, seguindo.
E respeito a crença alheia. Assim como respeito as opções individuais, as escolhas, mesmo não concordando algumas vezes, mas respeitando, sempre!

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

ENTÃO

Então é assim, a gente vai vivendo um dia de cada vez, dominando a ansiedade, controlando alguns impulsos e deixando fluir outros.
E assim vamos levando a vida, fazendo o melhor que sabemos e, se não for suficiente, aprimorando nossos conhecimentos, mas sem estresse, sem neuras, sem avalanches.
E então no final de cada dia uma prece, um agradecimento, muito obrigada. E ao acordar a inspiração do Espírito Santo, a intercessão de Deus, pois só assim conseguimos dar conta de tudo.
E pensando bem, não há que se ter pressa, tudo tem seu tempo, tudo na hora certa. 
Então que sejamos felizes, não por obrigação, mas por convicção. Que nos alegremos nas coisas simples, nas mais corriqueiras, no dia a dia. 
Então que tenhamos sempre um sorriso amigo, uma palavra de alento, mão estendida, braços abertos.
E então assim o mundo fica mais bonito, nossa vida mais plena, nossa semana mais rica, nosso ano mais vindouro.
Então façamos o melhor que pudermos, sempre, nas mínimas coisas, semeando, cultivando, podando e enfim, colhendo.
E que cada dia seja leve, que cada semana seja alegre, que cada mês seja generosos, que cada ano seja bom. 
Então que a gratidão seja uma constante, agradecer um hábito, valorizar o que temos e, principalmente quem somos, uma atitude verdadeira.
Então, pensando bem, não é bem melhor pensar assim? Agir assim? 
Xô baixo astral, pensamentos negativos, doenças e demências, sobrecargas inúteis, bagagens pesadas.
Então que venha amor, fé e esperança. Que venham dias e dias. Que sejam floridos, iluminados e ensolarados, mesmo que chova lá fora.
Então, bora lá ser feliz!

HOJE

Hoje eu me sinto bem, estou bem.
Hoje estou em paz, apesar de tudo que há por fazer.
Hoje estou mais amena e serena, com fé.
Hoje estou mais focada, embora ainda algumas coisas fora de foco, aos pouco, tudo se ajeita.
Hoje olhei o mar, ouvi-o, senti a areia sob os pés, o vento no rosto, o sol.
Hoje acalmei meu coração, minha alma, meu ser. desabafei, escrevi, contei, falei.
Hoje renovo as esperanças de dias melhores, de progresso, sucesso!

Hoje sei quem sou, o que sou, o que penso.
Hoje meu coração transborda, minha mente viaja, meu teclado ampara.
Hoje sou mais eu, mais nós, mais você.
Hoje sinto a luz acender, a lua transcender, o entardecer
Hoje sou como a fênix que se renova ou como a lagarta que se transforma

Hoje eu quero paz, amor, fraternidade
Hoje penso no coletivo, no geral, no todo
Hoje desejo o bem, o bom, o prazer
Hoje quero bem querer, reaprender a gostar
Hoje eu só quero o que acrescenta, apascenta, diverte
Hoje é bênção, é dádiva, é vida vivida, dia florido
Hoje fiquemos em paz, na paz, pela paz!


PESO

De repente pareço sentir o peso do mundo em minhas costas e isso tem me cansado. Mérito de ser sozinha, ônus de escolher ficar só.
Mas são tantas coisas ao mesmo tempo que, em certos dias, dá vontade de nem sair da cama, ou ainda, de fugir. Não posso ficar na cama, nem posso fugir, então tenho de encarar tudo, enfrentar, resolver. Mas não dou conta. Daí decido que vou fazer uma coisa de cada vez e não sei por onde começar. Eita, que tá difícil!
O ano já não começou bem, fizemos a maior greve da história do Judiciário catarinense. 47 dias reivindicando um plano de carreira para os servidores. O que conseguimos? Descontos mensais no salário, 10% até o final de 2016. Então, com o salário defasado e sendo descontado o resultado é menos dinheiro e mais contas a pagar.
Comprei uma casa em Barra velha que, dois anos depois, começa a apresentar problemas. Rachaduras nas paredes, pintura descascada, esgotos entupindo. Precisa de manutenção, claro, mas percebo que o material utilizado na obra não foi de boa qualidade, principalmente a tinta das paredes. Então fico irritada, tenho que mantê-la, consertar o que está estragando, cuidar para não piorar.
A casa de Joinville está desocupada, fechada, a umidade tomando conta. Precisa de uma reforma ampla, mas, sem condições financeiras para tal. Então tenho que decidir se alugo, vendo, troco, abandono de vez, sei lá.
O carro bati e ainda não tive tempo nem cabeça para consertar. Também precisa de revisão completa.
Passei a exercer uma nova função no trabalho, na verdade estou tentando acumular as duas funções, mas está difícil. Entretanto tem as cobranças, as metas, a produtividade, a chibata costumeira dos servidores do PJSC. E por causa da nova função iniciei um curso em Joinville, todo sábado, até o final do ano, corrido.
Um longo tratamento odontológico, cirurgia para não usar mais óculos e muito medo de gastar tanto e tudo dar errado, não sair do jeito que planejei.
Duas viagens marcadas, compradas, pagas. Em agosto, Santuário de Aparecida, em setembro, Porto Seguro. ótimo, adoro viajar, mas são tantas coisas que tenho que providenciar e ainda nem comecei a me organizar.
E tem esta maldita crise financeira, política, ética e moral que assola o país. Mexe comigo, com meu bolso, com meus nervos, com meu humor. Já não dou conta das contas, já não compro mais nada e fico furiosa em ter que pagar a conta da roubalheira, da corrupção, dos desmandos.
E tudo isso tem me pesado, tem me tirado o sono, o ânimo, a inspiração.
Então há momentos em que sinto falta de alguém do meu lado, que me ajude a respirar, a tomar fôlego e a prosseguir, que divida comigo as responsabilidades, as rédeas. Mas, ao mesmo tempo, ficar só é minha opção, pensada, refletida e tomada.
Daí complica. Essa indecisão não me é companheira, aparece de repente para me confundir. E nesta avalanche de providências na lista de espera, fico remoendo, escrevendo, repensando e pouco fazendo, porque, sinceramente, não sei por onde começar. Sinto o peso do mundo em minhas costas!

domingo, 9 de agosto de 2015

SER FILHA

Por pouco tempo fui filha, quase nem lembro, mas as lembranças são intensas. Que paradoxo! Mas é isso, não lembro bem como é ser filha, ter pai e mãe, mas do pouco tempo que os tive guardo lembranças, boas e ruins, Na verdade, somente as boas, as lembranças ruins eu apaguei, deletei, esqueci!
Mas, de vez em quando da uma vontade de ser filha. De ouvir um conselho, uma chamada, um elogio. De ganhar um abraço, um colo, um aconchego. De abraçar, acarinhar, comprar um presente, preparar um almoço, visitar no fim de semana.
Quem me dera ter tido o privilégio de ver meus pais envelhecerem, de ver meu pai brincando com os netos, de vê-lo embranquecer os cabelos, enfraquecer a voz pela naturalidade da velhice e não pela doença precoce que o levou tão cedo.
Quem me dera ter tido quem me acompanhasse à maternidade, na primeira consulta ao ginecologista, nas dores da adolescência, da vida adulta, 
Ser filha ou filho é desfrutar de um amor incondicional, do bem querer. Ter a referência da casa da mãe, da casa do pai ou da casa de ambos deve ser uma experiência indescritível quando já somos adultos. Pois lá sempre será o ponto de apoio, sempre haverá um lugar para o filho, um café quente ou uma água gelada, um abraço, laços!
Fui filha por tão pouco tempo!
Então por vezes sinto esta falta, este peso nos ombros, desde muito cedo, desde muito tempo. O peso de ter que decidir, agir e arcar com as consequências, como deve ser. Mas as vezes cansa!
Quisera ser filha e pedir pro pai ver o problema do ralo entupido, da parede descascada, do carro batido. Quisera ser filha  e pedir pra mãe fazer um almoço, um bolo de chocolate, um doce. Quisera ser filha e dizer ao pai que preciso dele, que quero conversar, desabafar, aconselhar-me. Quisera ser filha!
Ah que vontade eu tinha de ser filha ainda. Mas queria ser filha querida, desejada, amada. Mas queria ser filha amorosa, dedicada, cuidadosa. Mas não sou, por pouco tempo fui.
Então sou mãe! E como mãe de quando em quando inverto tudo e viro filha. peço colo, conselhos, ajuda. Peço afagos, mimos, atenção. E dou carinho, amor, dedicação. E preparo o almoço de domingo, o bolo pro café, o pão caseiro. E levo pra passear e deixo que me levem. E como não sei como é ser filha exercito a honra de ser mãe. 
E sou a mãe forte, corajosa, que ampara e acolhe, que está sempre de braços abertos, mas que também sabe repreender, chamar atenção, chamar à responsabilidade. Sou mãe e isso me basta, mesmo que, por vezes, bata esta vontade de ser filha, ser mãe completa minha existência.
Não tenho traumas nem neuroses por não ter sido filha, mas felicito aos que ainda têm seus pais por perto. Aproveitem, desfrutem do privilégio de ser filho ou filha!

segunda-feira, 20 de julho de 2015

APRENDENDO E VIVENDO

Então realizo o exercício diário, semanal, mensal, anual do aprender e reaprender a viver.
E por vezes tropeço, escorrego, dou voltas em vão, saio do eixo, do prumo, do norte, mas dai nova lição, novo aprendizado, renovação.
E aprendo que a vida pode ser breve ou longa demais, de acordo com o estilo que optamos.
Que os dias chuvosos podem ser tão agradáveis quanto os ensolarados, que dormir e comer tem que ser na medida exata, nem demais, nem de menos.
E aprendo que não é preciso esperar o fim de semana, as férias, o natal, o fim do ano para ser feliz, o tempo é o presente, o agora, o hoje.
Que a roupa nova é para ser usada, assim como o carro, a casa, o enxoval, a porcelana. a ocasião especial quem decide somos nós e não o calendário.
E aprendo que pessoas vão e vem, que enquanto algumas portas se fecham outras são abertas, que é preciso olhar pro alto e contemplar o céu, mas necessário também olhar pro chão e saber onde pisa.
E que amor de verdade é incondicional, forma laço, mas que, quando se torna nó, aprisiona, amarra, sufoca.
E que posso amar, sentir raiva, enfurecer-me, lamuriar, perdoar, relevar, deixar pra lá. Mas não posso ser ingrata, insensata, desrespeitosa.
Aliás, diariamente aprendo que o respeito é o mais belo dos sentimentos. Que dele faço questão, que dele não abro mão.
E que minhas escolhas são cada vez mais minhas, pois já não me importo tanto com o que pensam, falam, imaginam. 
Então aprendo que o dinheiro serve para prover as minhas necessidades, que já
nem são muitas, aliás, aprendo que a simplicidade da vida me enriquece e me alegram os pequenos prazeres do dia a dia.
Aprendo que posso mudar de ideia, de casa, de trabalho, de profissão. Que posso ser uma, ser muitas, ser mais eu a cada dia.
E que gostar de mim é um aprendizado constante, apreciar a minha companhia é um exercício emocionante e que não preciso de metades, de tampas, de quem me complete, talvez alguém que acrescente, ou que me faça transbordar, nada menos que isso.
E aprendendo vou vivendo melhor, entre erros e acertos, recaídas e recomeços, comigo como parceira, fiel aos meus ideais, escrevendo e poetando, pensando e sentindo, renascendo a cada amanhecer.
E assim eu sou feliz, estou viva e vou vivenciando meu aprendizado, corrigindo quando necessário, fazendo do pouco o muito que me basta para ser eu. Na verdade, sou feliz porque me amo e adoro viver comigo, ser quem sou, por isso agradeço.
E aprendendo vou vivendo......

AMIGOS

Ah mas eu sou uma pessoa rodeada de amigos. Alguns que foram chegando de mansinho, outros, repentinamente, uns de longa data, e os mais recentes.

E nestes anos todos de vida tenho sido presenteada com amigos de todo tipo. 
Há os que me entendem pelo olhar, pelo tom de voz, pelo levantar da sobrancelha.
Há os que me reconhecem pelo modo de dirigir, de me vestir, de balançar a cabeça.
Há os que me conhecem pelo silêncio e outros pelo barulho.
Há os virtuais, os digitais e os analógicos.
Tenho amigos chatos pra caramba, adoro-os. Tenho amigos que falam demais, outros, de menos. E os do tempo do colégio, do curso de Magistério ou do Curso de Comunicação. Tem os de ontem, os de agora e os de sempre.
Colegas que se fizeram amigos, amores que se transformaram em amigos, olhares, gestos e palavras que me conquistaram.
A maioria dos meus amigos em nada se parece comigo. Há gente de todo gosto, de sorriso largo ou riso tímido, de olhar altivo ou cabisbaixo, de abraço apertado ou toque suave.
Amigos que me cativaram, por quem me deixei cativar. E cada um a seu modo faz meu mundo melhor, minha vida mais vivida, meus dias mais ensolarados, minhas lembranças mais fartas.
Ah, mas que sorte eu tenho por ter tido a oportunidade de conhecer tanta gente, de me aproximar, de dizer olá e mais um amigo encontrar. Que bom poder ter com quem desabafar, cantarolar, sair pra paquerar ou dançar, simplesmente conversar.
E vibrar com suas conquistas e sentir sua felicidade em ver-me bem e ainda, mesmo que não nos vejamos tão amiúde, sabemos que estamos por perto, independente da distância física ou geográfica, mas a amizade verdadeira permanece e se enriquece, e se envaidece em saber o amigo feliz.
Obrigada aos amigos que me aceitam do jeito que sou, que respeitam meus altos e baixos, que conseguem enxergar algo de bom em mim. Obrigada aos amigos que me deixaram cativar. Amo vocês!

quarta-feira, 15 de julho de 2015

CURIOSA

Curiosa que sou, vou mexendo, vasculhando, pesquisando, lendo, perguntando. E se não entendo faço tudo de novo. 
Gosto de aprender. O novo me fascina!
Acho que isso tem um pouco a ver com o fato de eu ser aquariana, sempre querendo ir além, redescobrindo, reinventando, renascendo. Também acho que por isso estudei Comunicação, porque o saber me instiga.
E nessa era digital, no mundo virtual, em que as informações são transmitidas instantaneamente, no momento em que as coisas acontecem, vivemos a história, fazemos-na.

Então fico fascinada com a velocidade da vida, do mundo, da gente, dos fatos que viram notícia e que rapidamente são suplantados por outros ainda mais factuais. 
Ufa, haja fôlego e disposição para acompanhar tudo. E principalmente para não perder nada nem perder-se no meio do todo, de tudo, do muito.
Então o segredo é reciclar-se diuturnamente. Aprender, reaprender, refazer até saber. Estudar, sim, estudar muito, estudar de tudo um pouco.
Especialista em um assunto específico ou conhecedor básico de vários assuntos? Há lugar para os dois, ainda. Mas, aos poucos a engenhoca digital toma o lugar do analógico e tudo fica virtual, entre nuvens e sites, blogs e redes sociais. 
A informação mais rápida e pontual, o aprendizado facilitado, a atualização necessária.
Porque quem ficar parado será engolido pela velocidade, pela inconstância do achar que sabe, porque de fato, pouco sabemos, aprimorar-se é a palavra da hora.
Então aja. Porque não há mais como escapar. O virtual, o digital está no seu celular, no relógio, na TV, no telefone, na antena, no computador, na sua vida. E, por menos que se interesse, o mínimo de conhecimento é necessário, lembrando que mesmo esses conhecimentos avançam muito rapidamente, exigindo aprendizado constante.
Bem, eu particularmente tenho todas as minhas fotos salvas no OneDrive, meus documentos no Office Lens,minhas notas e lembretes no OneNote, enfim, estou literalmente no mundo das nuvens, mantendo apenas os pés no chão.

O TREM DA VIDA

Como se passageiros de grandes trens fôssemos, seguimos adiante, entre curvas e retas, túneis, viadutos, pontes.
Por vezes o trem desencarrilha e levamos um susto, sacolejamos, levantamo-nos e avante!
Em cada estação alguém fica. Um desconhecido, um parente, uma amiga, um pai, um filho, uma mãe. 
Por alguns dias o lugar fica vago, mas logo outro passageiro o ocupa.
Então lembramos daquela senhora de cabelos grisalhos com o teço nas mãos, daquele homem garboso assanhado, fazendo pose de galã para as moças de todos os vagões, daquela menina bonita, com laço de fita, vestido de chita, daquele garoto sardento, meio rabugento. E pensamos no bebê recém-nascido, cujo choro cessou, na noiva já pronta, no velho ranzinza que os resmungos já não se ouve, na mulher falante, cuja fala calou.
Em que estação desceram?
E os trens continuam, aqui e acolá. Por vezes se cruzam, mas o manobrista experiente não deixa que colidam. E neles há vagões mais cheios, outros mais vazios, outros sem ninguém. Ouve-se choro, rizo, alegria, tristeza, fala, assovio, lamúria, agradecimento.
E de tempos em tempos pensamos que talvez na próxima estação sejamos convidados a descer. Talvez, quem sabe. Um mistério! Ninguém poderá saber, iniciamos a viagem sem saber a data do final. O bilhete só de ida não aponta o prazo de validade!
Então vamos viajando, mudando de vagão, trocando de trem, ocupando outro lugar, visualizando novos cenários, encenando novos contextos.
E quem saberá em qual estação nossa viagem terminará? Ninguém! Portanto, o que podemos fazer é apreciar e saborear cada momento desta linda viagem, antes que chegue ao final.
E se amanhã eu chegar a minha estação de desembarque, chegarei feliz e tranquila, pronta para mais uma viagem, desta vez sem bagagem, misteriosa como só! E para os que no trem prosseguirem, acenarei saudosa, conformada, feliz, desejando-lhes boa viagem!

segunda-feira, 6 de julho de 2015

GENTE

E gente de pouca sorte
Sem rumo nem norte
Como que a esperar a morte
Vendo a vida passar distante
Alheio ao pensar constante
De quem nada espera adiante!

E gente de pouca luta
Que não sabe enfrentar labuta
Esmorece até ficar maluca
De querer sem poder aprender
De saber sem querer fazer
De deixar-se pela vida abater!

E gente de pouca fé
Que da vida pouco quer
Que vive em compasso de ballet
Como se espreitando pelo acaso
Vivendo banalizado 
Meio que pelo mundo escorraçado!

E gente que não quer ver, ouvir ou falar
E que sentir já não lhe apraz
Que prefere distante observar
O trem da vida passar
E em cada estação talvez, ao parar
Abra-lhe as portas e o convide a entrar!

E gente que já nem sei
Se amo ou se amei
Se de fato passou ou se ficou
Se algo representou
Ou se nada modificou
Gente com quem, apenas, pela vida dancei!


MARIA

E todos os dias ao acordar digo bom dia Deus, bom dia vida, bom dia Maria Conceição. E agradeço por mais um despertar, por mais um dia, pelo sol ou pela chuva, pelo alimento, pelo trabalho, pela vida.
E todos os dias enceno as muitas 'Marias' que em mim existem. Sou a mãe, a mulher, a servidora pública, a colega, a amiga, a avó, a ouvinte, a falante, a leitora, a escrevedora.....
E para cada uma dessas, e de tantas outras, que compõem-me tenho um jeito, um falar, um pensar, um agir. Não que eu seja falsa ou aparente. É que sou muitas numa só e uma em muitas. 
Então me adapto, vou me aperfeiçoando, moldando-me a minha maneira, ao meu discurso, unindo fala e ação, tornando-me única mesmo que desfragmentada.
Pois é, desfragmentada! Para ser muitas é preciso saber discernir, adaptar-me, aprender a lidar com as emoções, a separar o que é relevante do que não tem importância, saber deixar pra lá.
Mas nem sempre é fácil. A profissional exige de mim muito tempo, muito esforço, muito trabalho. A mãe exige que eu me desdobre em três, em oito, em dez. A amiga me faz, por vezes, sentir o peso da responsabilidade em ouvir um desabafo, um segredo, um conselho. A colega me traz emoções dúbias como a decepção, a angústia e a admiração.
Não é fácil, mas vou tentando.
E nem sempre acerto, claro. Tem vezes que misturo tudo. Há dias que separo muito. Mas vou tentando.
E quando finalmente chega a noite, a hora de deitar e repensar no dia que passou, novamente uma prece, um obrigada por mais um dia, por cada dia, por tudo que tenho, principalmente por ser quem eu sou.
Porque sou a Maria Conceição e gosto de ser quem sou. Gosto desta fragmentação, de dividir-me em muitas para somar e, no final, multiplicar.
Mas que final? 
Enquanto eu viver não haverá um final. Haverá recomeços, tropeços, mudanças. Haverá pessoas indo e vindo. haverá novos papeis e novos desafios. Haverá erros e acertos. Haverá amores e desamores, gente que passa, gente que fica, sentimentos que mudam, opiniões modificadas. Mas não haverá fim!
Então, pensando assim, continuarei a ser as muitas Marias, por ora pensadora, observadora. 
Continuarei viva enquanto vida em mim houver. Continuarei mãe para os filhos, avó para os netos, amiga e colega para os que assim desejarem, sobrinha, irmã, tia, sogra. Continuarei a Maria profissional que vive em busca de novos saberes, dos desafios, do que acrescenta, da eficiência.
E como é bom continuar viva sentindo-se viva, capaz de enfrentar os percalços cotidianos, desanimando um pouco algumas vezes para, logo em seguida, reerguer-se ainda mais forte, como a Fênix. Assim sou eu, Maria Conceição de Aguiar. 
PS: Também um pouco presunçosa talvez, mas na medida para me saber valorizar!

DESAFIOS

Aceito mais um desafio profissional. Nem sei ainda se já estou pronta e preparada, nem sei ainda se darei conta do trabalho, mas sei claramente que estou me esforçando ao máximo para aprender e encarando este desafio como mais um de tantos que já enfrentei e superei.
E afinal o que é viver senão ir desafiando
a vida, os acontecimentos, o acaso, o saber, o conhecimento, a nós mesmos?
E desafiando também somos desafiados. Enfrentando-os podemos escolher entre deixar acontecer ou fazer acontecer. Dependendo da importância do desafio, escolho a primeira ou a segunda opção.
Em se tratando de vida profissional, normalmente faço acontecer. Aceito o desafio, vou em busca do conhecimento, do saber, do preparo até que consiga dominá-lo, superá-lo.
Mas, se o desafio é pessoal, confesso, nem sempre sou tão astuta e determinada. por vezes deixo-me levar, vencida pelo cansaço, preguiçosa demais para enfrentar batalhas que julgo desnecessárias.
Então é mais ou menos assim. Desafio e sou desafiada. Enfrento tudo, mas não luto sempre. Depende sempre do motivo, da motivação, do querer, da importância que dou. E se preciso for, vou além, vou mais firme, fico mais forte. 
Mas, se preciso for, também posso recuar, dar um passo atrás, repensar e até deixar pra lá. Desistir não. Adiar talvez! Porque nem todas as batalhas precisam ser ganhas, assim como nem tudo precisa ser a ferro e fogo. Acredito nos meios termos, na verdade questionável, em que o que acredito pode ser diferente da crença do outro, mas nem por isso menos verdadeiro. portanto, não acredito na verdade absoluta.
Mas, pensando bem, a vida é mesmo um constante desafio, viver e manter-se viva é desafiador. E, convenhamos, aí está a graça de tudo, o segredo, o que de fato nos impulsiona.
Então, amanhã começo um novo desafio profissional e, mais do que sorte, desejo-me capacidade de aprender, apreender, sem considerar-me pronta, sem esmorecer, aprimorando-me a cada dia, assimilando e desenvolvendo novas aptidões. E que venham novos desafios!

segunda-feira, 15 de junho de 2015

HETEROFOBIA?

Eu saúdo as diferenças! Não me importo se você professa alguma fé ou se é ateu, se é católico, protestante, espírita ou do candomblé. Não preciso saber se você é vegetariano, vegano ou se prefere um churrasco. Não me incomodo se você é culto, sábio, letrado ou se escorrega no português. Não faz diferença se você é homo, hetero, bi! Cada um na sua e todos convivendo em harmonia.
Entretanto, tenho percebido que, de uns tempos para cá, ser heterossexual passou a incomodar alguns. 
Caso assim não fosse, como explicar tamanha necessidade de afirmar-se como homossexual, atacando aos que não são? Não entendo!
Eu respeito você, suas escolhas, suas opções, suas decisões, respeite as minhas, as  dos vizinhos, dos amigos, dos parentes. Porque, caso contrário, as relações interpessoais tendem a desaparecer ou tornarem-se caos.

Não sou a favor dos acharques machistas, da moralidade aparente em forma de preconceitos. Também não sou favorável aos insultos insanos, misturando opção sexual com  escolha religiosa ou coisas do tipo. Estamos beirando ao exagero, levados pelas fobias sociais que nos impedem de viermos a nossa vida sem deixar que a opinião dos outros e, principalmente as suas escolhas de vida, nos afetem.
Mas esperem, vamos repensar! Somos seres humanos, racionais, dotados de  inteligência, de capacidade emocional suficiente para sabermos discernir o que é importante para nós, para a coletividade, para a sociedade em que vivemos. E, especialmente, o que não é. Porque se a minha vida não interfere na sua, está tudo bem, e por ai vai.
Mas se eu começo a lhe incomodar ou se você me incomoda e passamos a revidar, o desmanche social tem início e vai se transformando numa bola de neve sem precedentes. Depois do estrago feito, fica difícil consertar!
Então eu proponho a revolução dos conceitos, especialmente do respeito! Respeito às diferenças, às escolhas, às diversidades!
E é com respeito que peço para que sempre lembremos que a liberdade de um termina onde começa a do outro. Portanto, convivamos em paz, eu na minha e você na sua. Afinal, temos tanto mais para nos preocupar que acho total perda de tempo esse papo de fobia social. Concorda? 

ELA ENVELHECEU......

Elas envelheceram! Que maravilhosa dádiva envelhecer. Conhecer netos, bisnetos, acompanhar o desenvolvimento tecnológico, o vai e vem da vida, a vinda e a ida das pessoas, o desenrolar dos acontecimentos. E melhor ainda envelhecer em família!
Ela envelheceu ao lado do seu companheiro, com quem conviveu por mais de 50 anos. Aos 91 ficou viúva. Mas não se deixou abater porque tem uma família enorme, amorosa, presente. E os filhos não a deixam só. E ela mantém a vaidade de outrora, cuida dos cabelos, unhas e roupas. Cuida do espírito mantendo-se alegre. E está sempre entre os seus, recebendo carinho, atenção, apreço. Eles lhe são gratos e ela saboreia o envelhecer envolta em amor, laços que não se desfazem, vida que se aprimora e se renova com a chegada de cada novo integrante da família. E a matriarca está lá, como fonte de referência, como elo entre as gerações, sendo cuidada e paparicada e, acima de tudo, sendo amada.
Ela envelheceu vendo a casa cheia. Filhos, netos, genros e noras. Viúva, fechou-se para um novo amor. Viu partir um filho, uma filha, pedaços de si. Envelheceu juntando amarguras, dissabores. E foi vendo outros se afastarem. Dos cinco filhos, restaram três, destes, apenas uma decidiu cuidar e zelar pela mãe já velha e doente, tão carente. E ela já não tem vaidades nem vontades, apenas saudades. E lembra do que foi, do que passou, do que ficou. E chora sem muita esperança, sem muito em que se apegar. Ah quem dera pudesse fazer o tempo voltar, talvez teria sido diferente, talvez!
Ela envelheceu sozinha. O marido morreu, os filhos foram cuidar da vida, os netos igualmente. Os bisnetos, pouco vê. Mas ela entende que nesse corre corre da vida já não há tempo para a mãe, a avó, a bisa, a sogra. E ela entende que cumpriu sua missão e que, agora, resta esperar na mansidão dos dias que se arrastam, na solidão de quem muito viveu. E por vezes chora sozinha, lembrando dos seis filhos, do muito que trabalhou, do quanto amor lhes deu, do tanto que os ajudou. e se orgulha em sabê-los bem, vida equilibrada, saúde, família formada. Mas sente-se abandonada! Porém não reclama, tudo entende, tudo aceita, lamúria não lhe apraz.
Ela envelheceu e deixou-se mergulhar na solidão. Acalentou desamores, dissabores, tristezas. Enquanto pode soube aproveitar o lado bom de viver, divertiu-se, riu, fez rir. Amou, foi amada; abandonou, foi abandonada. E hoje já não sabe o que esperar, já cansou de bradar, já cansou de brincar de vida. E cobra atenção, carinho, amor. Mas na solidão dos dias a vida passa, as lembranças voltam, as lágrimas teimam em cair. E num dia está ótima, no outro nem tanto. E em alguns se refugia de tudo e de todos, na angústia que invade, na saudade que dói, na vida que se desfaz.
Ela envelheceu preparada para a vida longa, sem remorsos ou ressentimentos, sem medos nem sobressaltos. Ela envelheceu meio que de qualquer jeito, sem preparar a si nem aos seus. Ela envelheceu sem querer, esperando colher um pouco do muito que plantou, mesmo que a espera pareça em vão. Ela envelheceu sem perceber, sem estar pronta, sem entender o porquê, sem saber o que agora fazer!
Elas envelheceram, com mérito chegaram aos 70, 80, 90. Cada qual a sua maneira, cada uma do seu jeito. Com suas memórias ainda tão ávidas, relembram momentos vividos, esperam o amor merecido, celebram a vida que resta. E querem a paz e o aconchego, o abraço do filho, o sorriso do neto, o almoço de domingo. E merecem todo carinho do mundo. E precisam dos cuidados dos seus. E querem ser úteis e importantes. Elas envelheceram mas continuam vivas! E a elas minha homenagem!

terça-feira, 9 de junho de 2015

POETANDO

Hoje decidi poetar
Contemplei o céu, o sol, o mar
O mundo a me encantar
A vida a me inspirar!
A rima pode ser pobre e fraquejar
Pode até nem rimar
Mas o bom de poetar
É o dom de se deixar encantar!

E como é bom saber entender
Que tudo na vida tem um porquê
Que tal qual um bilboquê
Nem sempre basta querer
Necessário faz-se merecer
Tentar, errar, refazer
E insistir até aprender!

E neste jeito de viver
Vou deixando acontecer
Tentando, errando, acertando
Por várias vezes consertando
Aos poucos aperfeiçoando!
E o que já foi choro se faz riso
E o que já foi feio se faz belo
E o que já foi incerto hoje é preciso
E o que foi nó tornou-se elo!

E nesse mundo imperfeito
Em que perfeita também não sou
Escrevo, leio e me deleito
Na lembrança do que passou
Na esperança do que virá
Na certeza do que aqui hoje está!


Maria Conceição de Aguiar

SERENIDADE

Serenar, aquietar, apaziguar
Mente, alma, coração
E então depois de muito pensar
Tentar deixar de ter razão!

E eis que vem a serenidade
Tomando o lugar da verdade
Lembrando que o melhor é viver
O que tiver que ser, deixar acontecer!

E de nada adianta chorar
De nada resolve sofrer
Mas ainda assim a lágrima deixar rolar
Sem jamais se deixar abater!

Porque a vida é este trem
Que por vezes desencarrilha
Por onde, em estações, pessoas vão e vem
E pelas janelas vê-se o dia que lá fora brilha!

Porque vida é hoje, aqui e agora
Porque o presente é reflexo de outrora
Porque melhor ser livre e, felizmente
Melhor é sorrir e agradecer serenamente!

segunda-feira, 1 de junho de 2015

LENDO

Hoje passei o dia por aqui, lendo. Textos, matérias, blogs, notícias, de tudo um pouco. Li coisas interessantes, outras, nem tanto.
Li o desembargador presidente do TJSP questionando se a ética está na UTI ou já teria morrido. "A preocupação com a aparência suplanta aquela com o conteúdo", exemplificou o Magistrado.
Li que houve decisões judiciais baseadas em fotos e perfis das redes sociais. "Com base em fotos do facebook, juiz cancela auxílio-doença de trabalhadora".
Li que o caso das cinco crianças de Monte Santo, na Bahia, que supostamente haviam sido retiradas pela polícia  e entregues para adoção através de uma rede de tráfico de crianças, não passou de uma farsa. Tudo descoberto, decisão de devolução aos pais biológicos anulada.
Li que a ALESC teve a maior despesa do sul e do sudeste com diárias em 2014, totalizando R$16,2 milhões.
Li sobre as greves pelo país afora. Servidores municipais, estaduais e federais mobilizados, buscando valorização profissional e financeira.
Li sobre a diferença entre TOC e Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva.
Li que tudo que recebemos de salário, nestes primeiros cinco meses do ano, foram apenas para pagar impostos. 41,37% de tudo o que o brasileiro ganhar, em média, será destinado para pagar tributos.
Dentre as muitas leituras que fiz hoje, essas se destacaram, por estarem, de certa forma, interligadas. Ao menos na releitura que delas faço.
O país está em greve, em todos os setores trabalhadores param para reivindicar melhores condições de trabalho, salários dignos, valorização. Enquanto isso, nossos representantes, democraticamente eleitos pelo voto direto, esbanjam o dinheiro público sem dó nem piedade. Talvez não entendam que público pertence a todos, à sociedade, à comunidade e não aos que detêm cargos públicos. 
Quando um Juiz questiona a ética, levantando a questão de que esta está sendo suplantada pela estética, põe em xeque a lisura dos poderes constituídos. Ainda, quando postagens em perfis das redes sociais constituem provas para processos jurídicos, essa lisura torna-se ainda mais questionável.
Os altos impostos que pagamos, os tributos que mantêm toda essa estrutura política administrativa dos três poderes nos levam aos transtornos obsessivos compulsivos e, mais a fundo, podem desencadear o transtorno da personalidade obsessivo-compulsiva.
Porque convenhamos, está difícil! Complicado conviver com tamanhas discrepâncias. Não há saúde mental e psicológica que resista! Estamos beirando o caos social, político, mental e, consequentemente, moral!
Como confiar no Poder Executivo que não respeita seus servidores, concursados, de carreira, que trabalham sim e muito para manter o serviço público funcionando. Que apesar de ficar com mais de 40% de tudo o que recebemos em salário, não oferece saúde, segurança, educação, laser, enfim, os direitos sociais básicos.
Como confiar no Poder Legislativo que legisla em causa própria. Que fecha olhos, ouvidos e bocas aos apelos sociais, à pobreza e à miséria, que só lembra do povo em época eleitoral. Esquecem de onde vieram, como chegaram lá. Esquecem suas bases, esquecem o compromisso assumido.
Como confiar no Poder Judiciário que discute, durante a reunião do pleno, se vão votar de acordo com a Constituição Federal ou não. Que pratica a justiça da porta pra fora. Que se deixa levar por impulsos, por fotos e frases nas redes sociais para fazer (in)justiça. Que sucumbe a farsa de uma rede de televisão e se deixa levar por achismos, dispondo da vida alheia, retirando crianças adotadas de seus lares sem levar em conta os laços afetivos construídos e, anos depois, volta atrás. Acaso pensam no estrago feito a essas famílias, a essas crianças? Como ouvir passivamente um desembargador bradar pela volta da moralidade judiciária?
Como confiar numa sociedade desmotivada, sem rumo, sem chances, oportunidades roubadas, mentes cansadas. Cidadãos perdendo sua dignidade, sem emprego, sem moradia, sem qualidade de vida, sem chance de crescimento, sem poder olhar para frente e vislumbrar mudanças. Nosso povo está desanimando, mas não perde a força, a garra, a esperança.
E é essa esperança que nos move, que nos leva a levantar da cama diariamente, fazer uma prece e esperar que o milagre aconteça, que as coisas se ajeitem, que o mundo melhore, que sejamos concisos, que nossos representantes tornem-se conscientes. E nessa esperança vamos seguindo, lendo, acompanhando, vivenciando, experimentando, apanhando, caindo e levantando. Até quando?

segunda-feira, 25 de maio de 2015

TROPEÇOS

Tenho tropeçado na vida, tenho tropeçado em mim mesma. Tenho tentado, inutilmente, caminhar em linha reta, visando evitar os tropeços.Mas, confesso, não consigo.
A vida me faz olhar para os lados, para trás, desviar-me do caminho traçado. Ouso sonhar, lutar, esbravejar. Atrevo-me em batalhas alheias, tento ajudar, não suporto as diferenças, o contraditório do viver.
Quisera ser alienada, passiva, mente desligada, coração calmo, seguindo em frente sem me importar. Mas como?
São tantas as discrepâncias que não tenho como me omitir, não posso e não quero.
Então, transformo-me em várias, absorvo, chamo para mim, clamo por justiça. E tropeço, claro!
Porque não é tão fácil quanto parece, porque os paradigmas tornam-se enigmas e decifrá-los cansa ao mesmo tempo que enobrece.
Então planejo muito e executo pouco, sonho muito e pratico pouco. Quero a paz da igualdade sentida, da simplicidade vivida, da vida em plenitude para todos. Quero o sorriso franco, a amizade desinteressada, a confiança depositada, a paz e a harmonia restauradas.
E nesse querer vou tentando, pensando, escrevendo, fazendo, tropeçando.
Porque é difícil mas não impossível. Porque acredito que querer é poder, mas então o querer tem que ser pra valer. E de repente me vejo assim, vivendo em rimas, buscando a poesia nas palavras, fazendo a minha parte ao compartilhar o meu pensar.
E por sentir que é tão pouco, vou mais e mais me aprofundando, aconchego quero ser, amiga pra valer.
Então continuo tentando, errando e acertando, caminhando e tropeçando, por vezes balançando, noutras caindo. Mas sempre recupero o equilíbrio, do chão levanto e sigo, com os sentidos aguçados, buscando o anseio coletivo. E neste corre-corre voraz, nesse tempo de ter, o que eu quero mesmo é ser.



domingo, 17 de maio de 2015

E EU

E eu que me deixo assediar pelas ideias e ideais coletivos, misturando-os aos meus
E eu que me permito embaralhar a mente, não tão brilhante, mas borbulhante, com o pensar que me consome dias e noites
E eu que me padeço das mazelas alheias, fazendo-as minhas, tentando, com meu pensar, um tanto delas aplacar

E eu que em verso e prosa mostro-se por inteira, não pioneira nem prisioneira, apenas verdadeira
E eu que escrevo o que sinto, o que vejo, o que imagino, o que percebo, o que desvendo
E eu que sou observadora de gentes e mundos, escrevedora dessas observações!

Mas e eu, quem sou? Por vezes certa, noutras inquieta, tentando reencontrar-me em muitas de mim, em cada uma, na única
Mas e se não sou?
Não sou uma, sou muitas, mas as muitas são a mesma
E que confusa fica minha mente incandescente, meu pensamento estruturado, quase enclausurado, por vezes sufocado
E nesta confusão proposital, busco o reencontro constante, o conhecimento distante, o renascer com brilho no semblante

Então eu sigo adiante, corpo e alma florescente, focada no aqui e no acolá, no hoje e no agora, na vida e no viver. e sigo confiante, dando graças ao pensar borbulhante, ao falar desconexo, embora inserido no contexto.
E assim eu provoco, promovo, atiço. E então eu renovo e reflito. E você que me lê me decifra e tenta entender-me. E concluímos que eu posso ser um pouco de você e você um pouco de mim, porque somos assim, misturados, oxigenados, partes do todo ou o todo em partes!

E eu sou assim!

sábado, 16 de maio de 2015

PROFESSORES

Aqui estou em frente ao computador, pensando, escrevendo, transformando ideias em frases que, juntas, formam um texto. Mas só consigo fazê-lo  porque, ao longo da vida, tive excelentes professores. Ainda lembro da dona Joana, minha professora alfabetizadora. Ensinou-me as primeiras letras, o gosto pela leitura e pela escrita, o despertar do conhecimento. E vieram outros, cada qual com seu saber, contribuindo para o meu desenvolvimento cultural, pessoal, profissional.
Lugar comum, mas nunca é demais lembrar que todos os profissionais foram alunos durante grande parte da vida. Todos tivemos professores, mestres, que muito se esforçaram para que nos tornássemos gente grande.
Mas, depois que 'crescemos', tendemos a esquecê-los. Professor? Não! Melhor ser doutor! Juiz, advogado, promotor. Ou médico, dentista, cientista. Talvez vereador, senador, governador. Tudo, menos professor.
Mas sem o professor quem poderia ser doutor? Sem o professor quem haveria de transmitir conhecimento, incentivar a pesquisa, o raciocínio, o pensamento crítico, a interpretação, a leitura e a escrita conscientes? Sem o professor eu não saberia me fazer entender e você não conseguiria interpretar meu pensar!
Mas então, porque este profissional essencial é tão desmerecido, desrespeitado, mal pago, menosprezado? 
Em Santa catarina, novamente os profisisonais da educação pública estadual estão em greve. Brigam por valorização, por reconhecimento profissional, por manutenção dos direitos conquistados, por melhoria salarial. Mas não são ouvidos! Tornaram-se invisíveis! Acampados no átrio da Assembleia Legislativa, em frente à Secretaria de Educação, nas praças e jardins, nas ruas das cidades, clamam por ajuda, pedem socorro.
Deveriam ser reverenciados e são desprezados. Deveriam ser homenageados e são escorraçados. Deveriam ser valorizados e são achincalhados! 
Cadê nossos representantes políticos? Onde estão nossos doutores de notórios saberes que fecham olhos, ouvidos e bocas para a situação caótica que se abateu sobre o magistério estadual? 

Eles precisam de ajuda, da mão amiga, da palavra de esperança, da manifestação de solidariedade.
E, através deste texto, faço um apelo. Não deixemos nossos profissionais da educação a mercê da própria sorte, da omissão, da desqualificação. O movimento paredista que enfrentam é justo, digno e devemos apoiá-los. Investir em educação é melhorar as condições de trabalho dos profissionais que nela atuam, dando-lhes salários dignos, tratamento igualitário. 
Portanto governador, chame-os para negociar, mas seja decente e coerente. Não os faça mendigar, respeite-os. Senhores deputados, abracem mais esta causa, mostrem o quanto se importam, o quanto estão comprometidos, o quanto são valorosos nossos educadores.
Comunidade catarinense juntemo-nos a eles. Nossos filhos carecem de educação de qualidade e isso passa, principalmente, pela valorização do professor.
Professores, pedagogos, mestres, jamais duvidem da sua capacidade, do seu poder, da sua importância. Continuem firmes, de cabeça erguida, voz cansada mas não abafada. Santa Catarina precisa de vocês! O Brasil, o mundo precisam do seu trabalho. Portanto, não desanimem, não se curvem. Nós estamos com vocês!

sábado, 9 de maio de 2015

OBRIGADA PRESIDENTE

Excelentíssimo Presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, nós servidoras deste Poder e mães, queremos agradecê-lo pela forma filial com que estamos sendo tratadas desde que deflagramos greve no Judiciário. Aliás, pensando bem, nosso tratamento majestoso iniciou-se muito antes, na verdade, desde o nosso ingresso nesta Casa.
Somos profissionais capacitadas, trabalhamos ininterruptamente sete horas por dia. Exercemos nossas funções com agilidade, competência, eficiência e elegância, a qual nos é peculiar. Compomos a grande maioria do quadro de servidores. Somos organizadas, habilidosas no trato com partes e advogados, no cumprimento às determinações judiciais, no trabalho diário.
Mas, temos vida fora do Judiciário, ah sim, nós temos. E somos esposas, namoradas, noivas, amigas, filhas, irmãs, vizinhas, donas de casa. Temos família! E principalmente, somos mães!
Talvez o senhor não saiba mas já deixamos nossos filhos doentes, febris, com enfermidades mais simples ou mais complexas, aos cuidados de outras pessoas, em nome do comprometimento profissional. Talvez o senhor nem faça ideia, mas muitas vezes perdemos momentos valiosos do crescimento deles, porque tínhamos metas a cumprir, pilhas de processos para dar andamento, então chegamos mais cedo e saímos muito mais tarde do trabalho. Talvez o senhor nem imagine o que seja nunca almoçar com seus filhos, não poder levá-los ou pegá-los na escola, porque nosso horário de trabalho não permite. 
Mas tudo isso acontece senhor presidente. Somos mães em tempo integral, mas, por muitas vezes, perdemos a apresentação escolar, a homenagem, a feira de ciências, a apresentação do TCC, porque nem sempre podemos dar uma saída, nem sempre podemos pegar uma folga, nem sempre as datas e horários coincidem.
E o que temos recebido em troca de tamanha dedicação ao trabalho? Salários defasados, serviço excessivo, doenças cônicas, distúrbios psicológicos, qualidade de vida diminuída ano a ano. E quando finalmente, esgotadas pelo descaso, cansadas das promessas vãs, decidimos parar e entrar em greve somos humilhadas de toda forma, ameaçadas moralmente, expulsas do local de trabalho, tratadas como um monte de nada.
Mas continuamos firmes e fortes, cada vez mais unidas. Porque somos mães, estamos formando novas gerações, estamos criando homens e mulheres que precisam aprender pelo exemplo o que é ter garra, o que é lutar pelos direitos. Porque nossos filhos, apesar de não poderem frequentar escolas de excelência, conhecer a disney, viajar em todas as férias, sentem orgulhos de nós, suas mães. Porque sabem que tudo fazemos para dar-lhes o melhor. E o melhor, para nós e para eles, é amor, carinho, atenção, valorização do pouco tempo que temos juntos. Mas queremos também que tenham uma vida melhor financeiramente e que depois, mais tarde, quando envelhecidas, cansadas e aposentadas, não nos tornemos fardos para eles. Por tudo isso estamos em greve, por  tudo isso estamos lutando. Pela nossa valorização e consequente valorização da nossa família.
Portanto excelência, agradecemos a sua atenção aos nossos pleitos, a sua dedicação em analisar as nossas reivindicações, o seu carinho para conosco e até perdoamos o esquecimento da mensagem nos parabenizando, porque entendemos que deva estar profundamente ocupado, preocupado em estudar nossos pedidos, considerá-los justos e atendê-los o quanto antes, dando fim ao movimento de greve.
E amanhã, quando sentar-se à mesa do almoço com as mães de sua família, olhe para elas e nos veja em cada uma. E que este dia das mães seja especial para o senhor e os seus. E que ao abraçar sua esposa, mãe, filhas, irmãs ( caso as tenha), estenda esse abraço às mães do judiciário Catarinense. Muito obrigada senhor presidente!

MÃES SERVIDORAS DO JUDICIÁRIO CATARINENSE

terça-feira, 5 de maio de 2015

DESABAFO

Iniciei minha vida profissional um pouco tarde, aos 30 anos. Fui professora, diretora de escola, jornalista, assessora de imprensa, repórter, coordenadora de jornalismo. Até que decidi prestar concurso para o Poder Judiciário de Santa Catarina. Aprovada, assumi dois anos depois e aqui estou há sete anos.
Nestes 20 anos de atuação profissional, conheci pessoas de todos os tipos, conquistei amigos, colecionei colegas, parceiros, chefes e líderes. Cativei e me deixei cativar. Para alguns provoquei antipatia ou eu não simpatizei. Mas sempre convivi bem com todos. Procuro sempre enxergar o lado bom das pessoas, para facilitar a convivência diária, afinal, no trabalho passamos a maior parte do dia, portanto precisamos conviver em harmonia.
Mas, neste 20 anos de vida laboral, nunca havia me sentido tão humilhada e desvalorizada como agora.
Desde que aderimos à greve, nós, servidores do Poder Judiciário Catarinense, temos sido covardemente injustiçados e maltratados por aqueles que representam a justiça. Quanta contradição!
Estou em greve sim e por tempo indeterminado. Estou exercendo um direito constitucional. Estou reivindicando um plano de cargos e salários, aumento real da renda básica, valorização.
E mereço! Assim como os cerca de sete mil servidores merecem. Trabalhamos sete horas por dia, ininterruptamente. Não temos pausa para lanche. Não temos direito a adicionais por hora extra e dificilmente conseguimos gozar férias, folgas e licenças. Somos uma equipe extremamente eficiente, atuante, compromissada com o resultado final. trabalhamos com afinco e determinação para que a justiça se faça.
Mas então que contrassenso! Meus pleitos não merecem respeito? Meu trabalho não merece ser valorizado? Acaso não sou digna deste Tribunal?
Já no primeiro dia de greve as ameaças tiveram início. Liminar determinando que fôssemos expulsos dos Fóruns e nos mantivéssemos a 200 metros de distância. Em seguida, novas proibições arbitrárias, e ameças descabidas.
Enquanto os representantes da categoria tentavam negociar, recebiam enxurradas de nãos. Em nova atitude sem nexo, encerraram as negociações e mandaram que voltássemos ao trabalho.
Mas não voltei! Continuei firme, convicta da razão que me assiste. E agora o golpe final: Desconto salarial.
Estou preocupada? Claro que sim. Sobrevivo do meu parco salário. Preocupa-me ainda mais os processos parados, a sociedade penalizada por uma política pautada em ameaças, desmandos, tentativas de desmobilizar o movimento grevista, de amedrontar a categoria.
Sinto-me humilhada. Tratada como lixo descartável pelos senhores da lei. 
Mas a eles dou minha resposta enfática: Não arredarei, não voltarei atrás, não vou desertar nem retroceder. Podem descontar meu salário, eu me viro, posso vender sanduíche e água mineral na praia. Podem me ameaçar com processos administrativos, saberei me defender, pois não estou fazendo nada ilegal. E se o objetivo for fazer com que eu me sinta tão incomodada a ponto de procurar outro trabalho, podem esquecer! Vou ficar! Continuarei fazendo parte do quadro funcional do Poder Judiciário, porque assim decidi, este foi o trabalho que escolhi.
E quando mais tarde olhar para trás, sentirei orgulho em ter participado deste momento histórico, da maior greve da categoria. E contarei esta história, e relembrarei, e saberei que tudo valeu  a pena.
Sim, apesar de todas as humilhações sofridas, do descaso com que tenho sido tratada, do desprezo aos pleitos apresentados, sei que ficarei até o final, por quanto tempo for necessário e que seremos vitoriosos porque não pedimos nada absurdo, tudo bastante coerente.
Então colegas servidores, neste texto simples e complexo, em que misturei a primeira e a terceira pessoa, quero conclamar a todos que não se deixem intimidar. Mas, caso apareça um pouco de medo, respire fundo, conte ate dez e pense: Estou fazendo história, estou lutando pelo presente mais ameno e pelo futuro digno, por mim, por você, por nós!
Não senhor presidente, eu não vou recuar! Nem vou deixar o PJSC. Ficarei em greve enquanto esta durar e depois me encherei de coragem para retornar ao trabalho com a mesma disposição de antes, mesmo tendo sofrido tamanha desconsideração!
Estou indignada e esta indignação me torna mais forte e mais certa do que devo fazer, do meu papel social aqui e agora. Não vou deixar que me tratem como objeto descartável, Vou em frente cada vez mais convicta e certa de que estou no caminho correto. E quero olhar meus filhos com orgulho de não tê-los ensinado uma coisa e feito outra. E quero olhar meus colegas, cada vez mais próximos pela luta comum, com a satisfação de que cumprimos com o nosso dever, fizemos a nossa parte e certamente os resultados positivos estão muito próximos.
Indignada, mas determinada! Greve até o fim da vida se preciso for! E fico feliz por pensar e agir assim, por ser intensa, por entrar com tudo neste movimento, por não esmorecer! E estou profundamente orgulhosa de mim e de todos que estão no movimento, atuantes, guerreiros, unidos!

Maria Conceição de Aguiar
5/5/2015

segunda-feira, 4 de maio de 2015

POR QUE CONTINUAR A GREVE?

Nós, servidores do Poder Judiciário de Santa Catarina estamos em greve há 25 dias. A maior greve do Judiciário catarinense. A maior mobilização desta categoria. 
E porque?
Durante anos fomos sendo esquecidos. Trabalhadores eficientes, alta produtividade, celeridade processual. O TJSC entre os mais produtivos do Brasil e seus servidores entre os mais mal remunerados dentre os tribunais estaduais.
E fizemos várias solicitações. E protocolamos pedidos de melhorias. Sempre em vão. Nossos pleitos têm sido arquivados sem o devido estudo, sem análise de viabilidade, acostumamo-nos com os muitos 'nãos'. 
Até que finalmente cansamos. Decidimos dar um prazo ao Tribunal para uma resposta positiva, caso contrário, greve! Pagaram pra ver e nós cumprimos o combinado, o que foi decidido em assembleia: Greve por tempo indeterminado!
Mas o que queremos? Ganhos tão simples, pleitos fáceis de serem atendidos, pois orçamento há. Queremos que o nosso Plano de Cargos e Salários seja enviado para a Assembleia Legislativa, votado, aprovado e implantado. Assim, trabalharemos com a certeza de que seremos valorizados, de que não precisaremos mais mendigar anualmente, inclusive pela reposição da inflação. Com um plano de cargos e salários poderemos, mais tarde, aposentarmo-nos com dignidade, sem que tenhamos que depender da caridade alheia para sobrevivência na velhice.
Queremos aumento real de 16%, como antecipação do NPCS. Estamos há cinco anos sem aumento salarial. Nosso poder aquisitivo diminui a cada dia. Estamos sim beirando a penúria!
Queremos a reposição das perdas inflacionárias, que transformaram nosso vencimento em quase nada. Tornamo-nos servidores que, apesar da qualificação, da eficiência e do empenho profissional, não conseguem manter suas contas em dia, vivem no vermelho, recorrem aos empréstimos consignados, comprometendo ainda mais o salário. 
Mas desde o início da greve o tribunal tem se mostrado de uma incoerência decepcionante. Não há justiça na casa da justiça. Não há conciliação, não há diálogo, não há abertura. Sentimo-nos como vivendo em uma ditadura. Amagamos ofensas, humilhações, ameaças, nenhuma contraproposta, nenhuma oferta, nenhuma negociação. 
Então, sendo assim, resta-nos continuar em greve. Nós estamos convictos da legitimidade das nossas reivindicações, portanto, não vamos nos deixar abater.
Desistir não está no nosso dicionário! E a partir de amanhã, nosso movimento entra em nova fase. Agora, há de se usar de astúcia, inteligência, pedir ajuda, buscar aliados. E é o que faremos.
Vamos procurar desembargadores, juízes, deputados, vereadores, advogados, imprensa, sociedade. Vamos explicar os reais motivos que nos trouxeram até aqui. Vamos dar visibilidade ao nosso movimento paredista. 
Proponho que as comarcas próximas se reúnam diariamente, por região de abrangência e comecem as visitas, as passeatas, as caminhadas. Cada dia em uma cidade, com servidores de várias comarcas reunidas. 
Sinto que estamos na reta final, que logo nossa greve terá fim e seremos vitoriosos na conquista dos nossos direitos. No entanto, esta semana que se inicia terá que ser decisiva. Com estratégias pautadas no bom senso, na inteligência, nas ações direcionadas a buscar aliados. Vamos todos, a partir de amanhã, acelerar o movimento, dar novo impulso, novos rumos, sem perdermos o ânimo que nos motivou até aqui, sem perdermos a união, a garra, a força e a coragem que nos têm servido de inspiração. Vamos em frente! Foco no NPCS! A greve continua e nós continuaremos em greve, juntos!