Na minha constante observação do ser humano, na minha incessante autoanálise, na convivência diária com os mais diferentes seres, chego a conclusão de que todos temos algum tipo de neura. Aliás, costumo dizer que, as minhas, eu trato, mas tenho!
E todos temos sim. Manias, obsessões, transtornos, desvios, enfim, nosso comportamento perante o mundo, a vida e as pessoas reflete quem somos, como somos, como lidamos com os problemas, enfrentamos os desafios, superamos as mazelas diárias.
Difícil é assumir essas neuras, admitir, procurar ajuda, pedir socorro, evitar que nos dominem.
Como disse, tenho as minhas, mas quando vejo que está ficando demais, pesando, incomodando, procuro tratamento. E não tenho nenhum problema em admitir que faço terapia, que busco cada vez mais me conhecer, lidar comigo e com os demais.
Mas no meu dia a dia encontro gente de todo tipo. E, como gosto de gente, suas manias, seus traumas e complexos, suas neuroses não me incomodam, aprendo a conviver.
Entretanto, quando a própria pessoa não consegue conviver com isso, mas não admite, não busca o foco do problema para tentar resolvê-lo, fica difícil. Porque quem não percebe que tem problemas, ou, percebe, reconhece mas fica inventando desculpas, dizendo que é por isso ou por aquilo, que logo passa, também não percebe que seu comportamento atinge todos a sua volta.
Porque conviver com alguém carregado de problemas gerados pela mente é fatigante, mas até tolerável. No entanto, quando a pessoa não os assume, torna-se um fardo a convivência.
Costumo dizer que sou adepta da teoria Freudiana, ou seja, Freud explica.
Mas claro que nem sempre é assim, nem tudo pode ser explicado e tratado pela psicanálise, há neuroses provenientes de sequelas neurológicas.
Pensando bem, vivemos numa era tão confusa, onde tudo é muito rápido, tudo é passageiro, tudo é efêmero e tudo é relativo. E, assim sendo, torna-se importante TER, correr atrás, fazer acontecer. E quando algo dá errado, não acontece como planejado, não flui ordeiramente, ficamos meio que sem saída, daí a fuga, e a mente passa a desenvolver processos de comportamento estranhos, imperceptíveis no início, mas que tendem a complicar e piorar se não tratados, curados, sanados.
Não sou especialista, não sou médica, ao contrário, sou paciente. Mas, sou observadora, antenada e, como disse, com minhas neuras sob controle. Então, sei reconhecer um companheiro de neuroses, de manias, de desconfortos emocionais.
Afinal, há um ditado que diz 'de médico e de louco todo mundo tem um pouco'! Eu compartilho dessa opinião. Mas tudo tem que ter medida certa, não pode extrapolar, passar dos limites, impedir a convivência harmoniosa.
Portanto amigos, tratem suas neuras antes que elas tratem de lhes dominar. Pensamentos meus!
Maria Conceição de Aguiar
31/7/2013