quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

FAMÍLIA

Sou de uma geração em que a família era composta pelo pai, a mãe e os filhos. E tinham os avós, os tios e um monte de primos. As crianças eram educadas em casa, pelos pais. Aprendiam a respeitar os mais velhos, ajudar nos afazeres domésticos, cuidar dos irmãos, rezar antes de dormir e agradecer as refeições. A principal tarefa era estudar. Então tinham a obrigação de tirar boas notas, aprender o conteúdo, passar de ano e ler, ao menos, dois livros por ano.
Cresciam, tornavam-se jovens e formavam a sua turma. Curtiam música, baladas, às vezes um cigarrinho, uma bebida, mas nada muito radical.
Namoravam e casavam, tinham filhos e educavam-nos como foram ensinados. Divorciavam-se e seguiam suas vidas ou mantinham-se casados para sempre.
Mas o tempo passou, o mundo evoluiu e as relações familiares acompanharam esta evolução, como tinha que ser. Mas, de vez em quando precisamos parar e analisar se tanta evolução está fazendo bem às famílias.
Claro, há o lado bom. Hoje as crianças são mais descoladas, mais antenadas, captam as coisas mais facilmente, não crescem alienadas. O jovens têm mais oportunidades de estudar, trabalhar e prosperar. Divórcio deixou de ser tabu, é visto com naturalidade. Segundo, terceiro, quarto casamento é encarado sem preconceitos.
E o lado negativo? Porque sempre tem um lado que não é tão bom assim. Atualmente os casamentos são instantâneos, começam e terminam com uma rapidez incrível. As mães e os pais sempre muito ocupados, trabalhando, estudando, querendo ganhar dinheiro, visando dar aos filhos tudo o que precisam.
E na maioria das vezes esquecem que o que eles mais precisam é da presença de ambos para vê-los jogando futebol, dançando ballet, apresentando seu projeto na feira de ciências. Necessitam de carinho, de uma história antes de dormir, de almoços em família. Urgem por atenção, compreensão.
Mas as famílias mudaram. Aquele modelo que conhecemos há vinte, trinta anos mudou, não existe mais. Já não há modelos, padrões. Cada família tenta adequar-se a sua realidade. 
E há famílias com duas mães ou dois pais. Outras com filhos de pais e mães diferentes, convivendo todos juntos. Filhas apresentam suas namoradas e filhos, namorados. Pais que depois de separados assumem sua homossexualidade. 
Não estou julgando, até porque não cabe a mim fazê-lo. Nem tenho direito para tal. Não estou condenando, longe de mim. Também não estou generalizando. Apensas citando, narrando fatos atuais.
Algumas famílias conseguem conviver harmoniosamente com tantas mudanças. Na verdade, muitas crianças e adolescentes nascem da diversidade e crescem encarando tudo com uma naturalidade invejável.
Mas nem todos. Percebo crianças, jovens, adolescentes e adultos perdidos, sem rumo, em busca de um porto. 
O que está certo ou o que está errado é muito efêmero, tênue. Cada um na sua, cada qual no seu quadrado. Respeito e tolerância são palavras de lei para a boa convivência social.
Entretanto, é preciso cuidar das cabeças, das mentes, afastar os monstros que afloram a imaginação juvenil. Pessoas em formação precisam de exemplo, de modelos, de padrões. Não necessariamente àqueles antigos, ultrapassados, descabidos no contexto atual. Mas de algum ponto de equilíbrio, para que tenham segurança, cabeça boa, cuca legal!
Independente do estilo de vida de cada um é preciso respeitar, educar, ensinar, cuidar. Sim, todos precisam de cuidados, de carinho e de atenção.
Família é família, com seus moldes antigos ou modernizados e sempre deve estar em primeiro lugar.

Maria Conceição de Aguiar
23/1/2013

MEUS, TEUS, NOSSOS...

Fui casada durante vinte e três anos e tive três filhos. Depois de divorciada namorei alguns poucos rapazes, mais jovens, solteiros, sem filhos. Nunca vivi a experiência de ser madrasta, ter enteados, conviver com ex-mulheres!
Mas, observando parentes e amigas que passam por essa situação percebo o quão difícil pode ser. É fácil amar aos seus, aos que você gerou, criou, educou. Difícil amar o filho de outra, com suas manias, imperfeições e defeitos. Atributos que seus filhos certamente também tem, mas são seus, é mais fácil lidar, mais natural compreender. Os outros são outros, vem com uma bagagem estranha a você, difícil!
Então fico observando e pensando. Como é possível amar a mãe ou o pai mas rejeitar os filhos? Que sentimento se apodera deste parceiro? O que se passa com ele? Sente ciúmes? Sente-se ameaçado? Vê naquela criança a imagem do outro, da outra, do ex? Isto assusta, incomoda, amedronta!!!
Pois é, mas namorar e, principalmente casar com alguém que vem de uma relação anterior, com filhos e ex, precisa estar preparado para enfrentar adversidades.
E quando estes filhos vão morar com o novo casal tudo pode acontecer. Desde uma relação harmoniosa, uma nova família aprendendo a conviver com as diferenças individuais, transformando-as em semelhanças coletivas ou coisa assim. Mas também pode ser o prelúdio do caos, da competitividade excessiva, da rivalidade acirrada, da rejeição velada.
E o que fazer? dentre os casais que conheço e que passaram ou passam por esta situação, vi todo tipo de tentativa de acerto. Algumas com sucesso, outras fracassadas.
Uns tentam estabelecer o diálogo, a conversa franca, a reunião familiar semanal onde todos têm voz e vez para que expressem seus sentimentos, suas carências, frustrações, decepções e também suas boas impressões. E assim, em família, tomam juntos a decisão de mudar o que não está bem e reforçar o que está dando certo. Trabalho contínuo, árduo, que não pode ser interrompido.
Outros decidem morar em casas separadas, cada qual com sua prole e ficar todos juntos apenas nos finais de semana. Um casamento, duas casas; uma família, meia família, duas famílias. Pode até dar certo, mas pode ser que não. É uma tentativa!
Há os que convivem todos juntos durante a semana e nos finais de semana os filhos dela vão para a casa do pai e os dele para a casa da mãe. Ficam os dois sozinhos por dois dias, livres, libertos, juntos!
E também vi muitos jogarem a toalha e desistir no meio do caminho. Simplesmente não conseguem conviver com o filho do parceiro, preferem terminar a relação.
E esta situação piora quando o casal tem filhos em comum. Dai passa a ser o meu, o teu e o nosso. Ou ainda mais complicado quando apenas um dos dois tem filhos do casamento anterior. O outro não sabe ser padrasto ou madrasta. Então torna-se permissivo ao extremos visando conquistar aquele ser ou, ao contrário, ignora-o, age como se não existisse, não se envolve.
Em todos estes casos sofrem os pais e os filhos. Faltando harmonia, falta tudo. Para manter-se juntos , todos juntos é preciso abrir mão de muita coisa, de verdades e conceitos pré-estabelecidos e é necessário muito respeito a individualidade de cada um. E nesta convivência todos têm papel fundamental, pois se um desiste, a história desanda. Mas entendo e sei como é complicado.
Bem, quem se envolve com alguém que vem com bagagem há de ter consciência que está levando um 'pacote'. Então prepare-se. E este esforço precisa ser conjunto, pai/padrasto, mãe/madrasta, filhos e ex. Todos precisam contribuir para que as coisas deem certo, ou não.
Tudo o que escrevi aqui foi baseado em observações. Pessoas muito próximas a mim vivem situações deste tipo. Não sei como seria comigo! Não faço a menor ideia de como agiria caso tivesse enteados morando comigo. Não sei. mas quem vive isto precisa estar atento, pesar, contrabalancear e lembrar que de repente são todos nossos, sem distinção. Difícil, mas necessário!

Maria Conceição de Aguiar
23/1/2013

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

SERENIDADE

Estou mais serena! Bem, verdadeiramente estou atravessando um período bom, de paz comigo mesma. E olhem que estou sozinha, sem namorado, sem um amor, mas estou feliz comigo! Ainda sinto uma imensa vontade de fumar, mas vou segurando um pouco, cedendo às vezes, mas de bem comigo!
E nesta serenidade vou preparando minha mudança, minha retirada de cena, desta cena, entrando em outra peça, atuando em outro palco, vislumbrando outro público.

E neste momento sereno em que me encontro, afasto-me um pouco dos que amo para que minha presença não os sufoque! Não posso ser empecilho, não quero promover discórdia, não admito me intrometer, palpitar, ser a estraga-prazeres. Mas se estou muito perto, recrimino, permito, proíbo, acabando metendo a colher, a pá e o armário inteiro. Longe não vejo, então não sinto, não me deixo atingir.

Serenamente decidi pelo afastamento voluntário, recolhimento necessário. Não é isolamento, claro que não. Apenas mudança de cenário. Serenamente abro mão do conforto do tudo feito e me lanço ao novo, aos desafios, às novidades. Com serenidade vou alçando voo até pousar em um novo lugar e depois de novo, de novo, de novo...

Somos seres imperfeitos sempre em busca da perfeição. Por vezes achamos que estamos certos, que apenas nossa opinião conta, somente o que falamos é verdade. mas claro que não é bem assim. Nossa liberdade termina onde começa a do outro. para viver em harmonia há de se ter respeito, coerência, discernimento! 

E minha serenidade me avisa que, se posso ajudar estou aqui, contem comigo, se não posso, então melhor não atrapalhar! E serenamente saio de cena, ou melhor, mudo de cena! Rebusco, reinvento, reescrevo! E vou vivendo um dia de cada vez. Sempre aprendendo a conviver com as diferenças e igualdades, ambas incomodam! Sempre buscando sentido para tudo e para todos! Sempre observando, analisando, repensando!

Estou serena! Estou bem! Estou mais EU!!!

maria Conceição de Aguiar
22/1/2013

EU E A TURMA

Saí com uma amiga hoje e ela me levou um texto de Martha Medeiros, "Minha Turma"! Li, gostei e pensei sobre o assunto. Agora reflito!

Quem faz parte da minha turma? Na verdade, tenho várias turmas. A do trabalho, da família, do pilates, do clube, da internet...
Mas quem verdadeiramente faz parte da minha turma? Alguns colegas de trabalho que se tornaram amigos; parentes que, independente do sangue mostram-se companheiros; pessoas adicionadas, encontradas ao acaso, com as quais esbarrei em determinado momento, até virtualmente, mas que fazem parte da minha turma.
Porque têm muito a ver comigo. Porque compartilham do mesmo posicionamento. Não que pensem igual a mim, ou que digam amém a tudo que falo ou faço. Aliás, apenas aqueles que verdadeiramente pertencem a minha turma podem discordar de mim, chamar minha atenção, dar-me uma bronca, uma chamada, uma sacudida. Os que estão apenas como enfeites simplesmente me bajulam, aplaudem e ficam esperando eu me ferrar.
Então para fazer parte da minha turma tem que ser verdadeiro, leal, correto, fiel! Não precisa ser um poço de virtudes, não é necessário ser perfeito, não queira ser o que não é. Aliás, pra fazer parte da minha turma basta ser você mesmo, sem falsidade, sem máscaras, sem subterfúgios.
E minha turma é maravilhosa, eclética, viva! Gente de ideias saradas, ideais definidos, leitores, comentadores, artistas da vida! Na minha turma tem gente de bem e do bem! Tem quem chega e fica pra sempre, outros por um tempo e há os que nem esquentam lugar, porque erraram de turma.
Pois é, não tenho mais tempo nem paciência para perder com o que não me faz bem. Como já disse aqui, se me incomoda, deixo pra lá, afasto-me, ignoro. Então vou indo em frente e deixando para trás tudo que me faz mal, que não me acrescenta, que não me agrega nada. Coisas e pessoas!

Quero conservar a minha turma, mas ao mesmo tempo, quero que ela seja mutável. Permaneça quem estiver feliz, integrado, a vontade e saia quem estiver incomodado.
Há muitas pessoas das quais sinto orgulho em manter laços de amizade, tê-las em minha turma e poder ter o privilégio de fazer parte da sua.
Então, você que me honra com seu carinho ou que recebe minha amizade lembre-se sempre que somos da mesma turma e isto me faz um bem danado!

maria Conceição de Aguiar
22/1/2013

PAPO BOM

Papo bom é papo leve, descontraído, sem aquecimento, sem ensaio nem preparação. Papo leve é aquele que corre solto, vai vazando, fluindo naturalmente.
Papo bom pede olho no olho, expulsa melindres e espanta a tristeza.
Porque papo pra ser bom, tem que deixar brotar, tem que estar a fim, tem que despir-se de preconceitos, paranoias, melancolias, bla bla blas!
Ah, sentar no boteco, na padaria, na beira da praia, da piscina, ou na varanda da casa e bater aquele papo com a amiga, os colegas, filhos, pais, a turma. Enfim, quando rola um papo bom, a gente nem vê a hora passar, nem sente o tempo correr. É bom, é gratificante e é revigorante.

E há pessoas cuja empatia é tamanha que a conversa, mesmo leve e descontraída, serve de terapia. Outras, na sua simplicidade ensinam coisas surpreendentes e ainda há as que nos fazem sorrir, enxergar um mundo melhor, com cores mais vivas e saímos do encontro muito melhores do que chegamos.
Hum, papo bom é papo bom. E quando a conversa flui falamos sobre assuntos generalizados e diversificados, comentamos sobre coisas e pessoas, falamos de nós, abrimo-nos ao outro. E se tem uma comidinha, um petisco, um café ou uma bebidinha, o papo fica melhor ainda, com recheio.

Sou observadora e na maioria das vezes sou quieta no meu canto, expressando-me apenas com as palavras escritas. mas adoro um bom papo, uma conversa amigável, um bate-papo!
E como faz bem relembrar momentos vividos, partilhar emoções, compartilhar vivências, perceber que o outro também sente, age  e pensa como nós em determinados assuntos. Mas também é saudável divergir, discordar, argumentar, claro, sempre dentro dos limites da boa convivência.

Adoro sentar pra bater papo, conversar, trocar ideias, jogar conversa fora e ganhar experiência. porque, em cada conversa, volto com mais bagagem, abasteço-me, fico revigorada. E é bom fazer essa troca com pessoas de mente aberta, cabeça feita, mas sem radicalismo, que sabe o que pensa e o que quer mas está pronta para receber, sem estigma Gabriela 'eu nasci assim, vou ser sempre assim...'. Bom mesmo é conversar com quem gosta! Afinal, papo bom é papo leve!!!

Maria Conceição de Aguiar
22/1/2013

RECAÍDAS

Pois é, viver é uma constante tomada de decisões. Fazemos escolhas e seguimos em frente, às vezes orgulhosos, felizes e satisfeitos, outras, nem tanto.
Diversas vezes nos vemos forçados a voltar atrás, dar um passo à ré, retroagir, retroceder, recomeçar. E normalmente fazemos esta volta quando percebemos que determinadas decisões não foram acertadas, não condizem com a nossa real vontade ou necessidade.
Entretanto, muitas vezes tomamos decisões pensadas, repensadas e analisadas, certos de que aquele é o melhor caminho. E na maioria das vezes é.
Então seguimos adiante conscientes da escolha acertada até que eis que ela chega: A recaída
E eis que de repente sucumbimos a tentação. Poxa vida, tanto trabalho para largar aquele namorado babaca, abandonar o vício que nos escravizava, levar a dieta a sério por meses, parar de roer unhas, de fumar, de beber...Ah, tanto sacrifício e de repente....recaída.
E então aquele traste reaparece do nada e nos pega de um jeito que só ele sabia pegar. Dai aquele churrasco, com maionese, pão e chopp e adeus dieta! E o cigarro? Meses de luta para largar o vício e uma tragada, pronto, lá sei vai todo o trabalho por água abaixo.

Pois vou confessar aqui que cai em tentação, meti o pé na jaca, recaí! Vou contar esta história. 
Sexta-feira sai com um grupo de amigos, todos bebiam e fumavam. Comecei a tomar umas cervejinhas, fui me animado e quando dei por mim estava acendendo um cigarro de uma amiga. Dali sai para dançar com outra turma e novamente filei uns cigarrinhos. 
Pronto, baspou para atiçar a vontade. Agora, fico aqui louca para sair e comprar cigarros. É como se nunca tivesse parado de fumar. Não sei quanto tempo vou resistir.

E querem saber mais? O primeiro me fez entontar, o segundo deu um pouco de enjoo, mas daqui a pouco estava normal outra vez. E sem culpa, sem remorso, apenas um pouco envergonhada, de mim mesma, da minha fraqueza, da minha falta de persistência.
Afinal, fiquei um ano e dez dias sem um único cigarro e de repente volto a experimentar esta droga. Bem, sei de todos os males que ele causa, sei de tudo que gastei para livrar-me dele, sei de todo o sacrífico que fiz para ficar limpa durante estes 375 dias. E novamente caio em tentação. Tenho uma recaída. E agora sinto que voltar a fumar é questão de tempo, pouco tempo...aff!!!

Bem, na verdade mesmo, quem sabe da minha vida sou eu, portanto, compartilho com vocês minhas fraquezas, mas, no final, a decisão tem que ser minha, de novo minha, somente minha! Vamos ver!

maria Conceição de Aguiar
22/1/2013

domingo, 20 de janeiro de 2013

VELHARIA


Hoje me peguei a pensar em coisas antigas, velharias fora de moda, mas que em algum momento foram tão importantes na minha vida e na vida de tantas outras pessoas e que simplesmente tornaram-se obsoletas. Gestos e atitudes, pessoas...Tudo passa, tudo muda, tudo se transforma! E o que parece tão importante hoje logo fica para trás, torna-se fugaz!
Meus diplomas de Professora e de Jornalista foram conquistados com enorme sacrifício, celebrados com euforia e hoje estão guardados no fundo de uma gaveta, sem nenhuma utilidade. Tive um fusca, o qual adorava e hoje nem sei mais dirigir fuscas! 
Minha primeira máquina de escrever, totalmente mecânica, depois uma eletrônica, evolução! Nem lembro direito como funcionavam! Meu primeiro computador que demorava um tempo para ligar, a internet discada, o mimeógrafo tão útil a uma professora! Velharias!
Lembro da máquina fotográfica Kodak com filme e flash tudo separado. 
Lembro com carinho dos brinquedos que faziam as crianças brincarem pois não eram eletrônicos. As brincadeiras de roda, as traquinagens inocentes em grupo, saudades!
Relembro pessoas que passaram pela minha vida e deixaram marcas, mas seguiram adiante ou, eu segui, sei lá, a vida nos afastou. Aquela amiga de adolescência inseparável, o primeiro namorado, as colegas de faculdade, de trabalho, os amigos.
Sinto falta de gentileza, afeto, tempo.
Tempo pra perder com quem nos faz bem, com quem nos é importante. Tempo pra ganhar com amigos, família, com a gente!
Penso ainda no prazer em assistir a uma missa, seguir uma procissão, rezar um terço! Também em assistir a um bom programa de TV, ou a uma novelinha água com açúcar. Parque de diversões, circo, bicicleta, banho de cachoeira. Tudo ficou para trás.
Hoje as relações são mais virtuais, então, mais superficiais! Agora as crianças são precoces, os amores passageiros, os relacionamentos instantâneos. Atualmente tudo evolui com uma agilidade avassaladora, tornando o mundo e as pessoas obsoletas. 
Sigo esta evolução! Mas não abro mão dos meus valores, das coisas nas quais acredito, das pessoas que me são caras! Mas sigo deixando muita coisa para trás. A maioria sem culpa nem arrependimento, outras, com um pouco de resistência.
Mas sigo evoluindo, mudando, sendo mudada e promovendo mudanças! Evoluindo, modernizando-me, sempre antenada a este  mundo em constante transformação.
Mas, de vez em quando, como hoje, lembro de algumas velharias com saudades, com nostalgia!

maria Conceição de Aguiar
20/1/2013

COM CARINHO...

Tudo que é bem feito fica mais bonito, melhor e mais duradouro. Tudo que é feito com amor e dedicação fica bem feito! 
Na verdade nem sou muito detalhista, mas, se me proponho a fazer alguma coisa, procuro fazer da melhor forma possível, dai o resultado é sempre bom.
Mas quando me envolvo, faço com carinho, sinto carinho, expresso carinho! Ah, dai os resultados são maravilhosos!
Com carinho preparo um almoço de domingo pra filharada, planejo um piquenique com os netos ou uma visita a uma amiga.
Com carinho escrevo meus textos, posto no blog, compartilho no face, no Orkut, no google. 
Não tenho a pretensão de agradar ou bajular, nem de me tornar bestseller. Escrevo de mim para mim e para quem se interessar, gostar, assimilar. Escrevo de dentro, das minhas profundezas, mas sempre com muito carinho.
E fico embevecida quando recebo o mesmo carinho de volta. Quando vejo o número de pessoas que leram, compartilharam, comentaram...recebendo e-mails, enfim! Saber que meus escritos serviram para alguém, de alguma maneira, é gratificante e é um carinho sem igual.
Vou confessar aqui que não sou muito carinhosa fisicamente. Gosto de abraços, mãos dadas, sentar junto, conversar. Mas muita melação me incomoda, não faz parte do meu ser. 
Entretanto, gestos de carinho, atitudes que refletem troca, interação, integração, valorização, gratidão...ah, estas coisas me fascinam!
Com carinho fico mais forte, mais animada, empolgada, pronta para a vida. E me sinto acariciada quando recebo um e-mail, um telefonema, uma visita, um convite pra sair. Sinto-me acariciada quando me procuram  para desabafar, conversar, partilhar uma novidade, uma boa notícia ou qualquer outra coisa. Sou acariciada quando confiam em mim, demonstram amizade, cumplicidade.
E com carinho a vida da gente fica mais bonita, mais agradável, mais fácil de ser vivida. Demonstrações de carinho, de afeto, de apego são fundamentais para vivermos em grupos, em redutos.
Dar e receber carinho! Fazer as coisas com carinho! Felicidade! Vida plena!!!

Maria Conceição de Aguiar
20/1/2013

sábado, 19 de janeiro de 2013

DESAPEGO

Há dez anos terminei meu casamento. A partir de então comecei a me desfazer de todos os móveis da casa, substituindo-os por outros, novos, diferentes, que representavam uma nova fase na minha vida. Assim, aos poucos, durante cinco anos, fui trocando quartos, salas, cozinha, lavanderia.
Agora, sinto-me vivendo novamente uma outra fase. Mudando de cidade, de casa, de trabalho. E, de novo, desfaço-me dos meus móveis, os quais já não combinam comigo, com esta nova etapa da minha vida.
Vou mudar para uma casa menor, bem menor. Quero móveis novos, práticos e de fácil manutenção. Também não quero nada de vida infinita. Quero, daqui a um tempo, poder trocá-los mais uma vez, sempre acompanhando as mudanças de rumo, de visão, de pensamento, de opinião!
Gosto de citar o poeta que disse " Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo...". Assim, mudo de ideia, de opinião, de gostos e de pensamentos. Não acredito em verdades absolutas. Acredito sim que tudo é relativo e que tudo pode mudar de acordo com o tempo, o espaço, a situação e o momento que se está vivendo.
E nesse ínterim, mudo de casa, renovo os móveis, as roupas de cama e banho, os utensílios domésticos. Vendo, compro, mudo. Então vou me reciclando. Por dentro e por fora. E gosto disso. Gosto de mudar! Gosto de mudanças!
Aliás, a rotina me sufoca, maltrata minha alma, meu ser. Não consigo conviver com ela, não somos boas companheiras.
Também pessoas estagnadas, com mentes fechadas e pensamentos atrofiados me incomodam. Torna-se difícil nossa convivência. 
Dai eu mudo. E me sinto bem agindo assim. Fico feliz em olhar para frente e visualizar novos horizontes. Fico encantada em vislumbrar um mundo novo sempre, de coisas diferentes, novas ou renovadas, recicladas, mas diferente. 
Sou mutável! Sou motivada pela vontade de aprendizado constante, de aperfeiçoamento, de continuidade com nova roupagem. Sou mutável e gosto disso!
Assim vou mudando por dentro e por fora, incluindo meu espaço. Assim vou crescendo. E o que me serve hoje já não quero amanhã. Pratico o desapego.
Mas isto se refere a mim, aos meus pensamentos, objetivos, ideais e aos meus bens, objetos e coisas. 
Como já falei, quanto as pessoas sou apegadinha, demoro a me desvincular. Aliás, nem sei se quero me desapegar. Se me deixo cativar, ou se cativo alguém, quero-o por perto, manter acesa esta empatia, este companheirismo, a nossa amizade.
E valorizo muito a amizade, os laços afetivos que unem pessoas tão diferentes. Respeito, admiração, valorização do ser humano refletem a amizade verdadeira, independente do contato constante, do convívio diário. Independente do vínculo familiar. pessoas cativadas são especiais e tornam-se imprescindíveis na nossa vida. Então, nestes casos, meu apego é eterno.
Mas de resto mudo, promovo mudanças, renovo! De resto sou uma metamorfose ambulante. De resto sou aberta ao mundo em que vivo!

Maria conceição de Aguiar
19/1/2013

JANEIROS

O mês de janeiro sempre teve um significado especial, tanto para mim quanto para a maioria das pessoas. É simbólico, ano novo, vida nova.
Em janeiro traçamos metas, fazemos planos, elaboramos cronogramas, orçamentos, projetos. Em janeiro renascemos, cheios de expectativas, esperança, fé e otimismo.
Em um janeiro pedi o divórcio! Em outro parei de fumar!
E assim, de janeiro em janeiro vou revivendo, reinventando, reescrevendo minha história.

Mas, nos últimos anos, o mês de janeiro tem significado espera, letargia, lentidão.
Em janeiro de 2012 estava parando de fumar, tomando medicação forte. Os dias passavam lentamente, vivia numa pasmaceira, com picos de ansiedade e depressão, esperando o tempo passar, a vida andar, as coisas se ajeitarem. Passou!
Agora, janeiro de 2013, estou novamente em tempos de espera. Mudança pronta, aguardando a nova casa ser liberada, esperando para assumir no novo local de trabalho, tomar novamente posse da minha vida.
E, de novo sinto essa mistura de ansiedade e angústia, serenidade e desconforto.
Num dia estou confiante, animada, empacotando tudo, fazendo planos. No outro, fico meio estranha, com receio, um pouco de medo.
E assim permaneço, atravessando janeiro nesta espera angustiante. Por vezes ponho nas mãos de Deus e digo "Seja feita a Tua vontade!"; outras deixo por conta do destino e penso "O que tiver que ser será!"; e, na maioria das vezes estabeleço uma relação de conformismo bradando "Tudo a seu tempo!".

E nesta mistura de sentimentos, nesta espera alucinante, nesta vida suspensa por janeiros indefinidos pelas mudanças...vou seguindo, vou levando, esperando!
E espero confiante! E espero ansiosa! Mas espero. E novamente, somente quando fevereiro chegar, minha vida terá continuidade. Como se janeiro fosse o tempo de recolhimento e apenas depois do meu aniversário saio da casca  e volto à vida. 
A boa notícia é que quando reapareço, após 5 de fevereiro, volto renovada, com forças restabelecidas, cheia de vida, de planos, de projetos, sonhos e esperanças. O bom é que janeiro me ajuda a recompor as energias e fevereiro me devolve ao mundo.
Esta sou eu! Assim sou eu! E assim são tantas pessoas. Precisam de um tempo de recolhimento, reclusão voluntária, enclausuramento e depois, v ida plena!
Ah maravilhosa a invenção do calendário. Sempre haverá janeiros e fevereiros! E ainda sobram dez meses de vida, de lucro, de presente! maravilha! 

Maria Conceição de Aguiar
19/1/2013

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

SOL

Até o final do mês vou mudar daqui, vou para outra cidade, sair do apartamento, morar novamente em uma casa. Meu irmão, minha cunhada e meu sobrinho me presentearam com a SOL. É uma cadelinha, Yorkshire, com quatro meses de idade.
Bem, aceitei o presente porque acho que vai ser legal ter uma companhia ...mas, vou confessar aqui que estou com dificuldades de adaptação. 
Na verdade, nunca fui muito de ter bicho de estimação. O Tiago teve a Kikinha por longos anos. Até me apeguei, mas não era muito fã. Depois veio o Frederico,um dálmata enorme que se apossou de mim e não deixava ninguém chegar perto. Passei adiante!
Agora veio a Sol. Ainda bebê, quer atenção, faz bagunça, mexe em tudo, faz xixi pela casa. Estamos as duas neste apartamento quase vazio, com a mudança pronta e por vezes me vejo irritada, pensando que não deveria tê-la aceitado.

Talvez seja apenas este início. Período de adaptação. provavelmente vai passar e ela será uma boa companhia para mim. 
Mas por enquanto está difícil. o cheiro me incomoda então levo ao pet dia sim, dia não. Remédio pra isso, pra aquilo...descer pra fazer cocô, correr, brincar. Aff, não tenho jeito pra isso não.

Em menos de uma semana já estou quase jogando a toalha. 
Então esvaziei a lavanderia e fiz lá os aposentos da Sol. Limpo dez vezes por dia. Ponho cheirinho e de vez em quando deixo ela sair. Mas destrói tudo o que vê.
Bem, certamente quando estivermos na nossa casa, sem escadas, com pátio, tudo será mais fácil, mais tranquilo. É o que espero.
Mas cada vez me convenço mais de que não estou pronta pra ter animal de estimação, não gosto de cuidar, pegar, ser lambida, enfim. pra falar bem a verdade, até os bichos de pelúcia que tenho estão sentadinhos quietinhos em algum canto da casa. Pois é, devo ser insensível né???
Tanta gente adora bicho, prefere-os aos humanos! E eu, forço-me a aprender a conviver com um ser de dois quilos que pula feliz quando me vê, querendo carinho, brincar, colinho. Não, realmente sou insensível. Não me comovo. 
Ah Sol, espero realmente que, com o passar do tempo, possamos aprender a conviver e nos tornemos amigas e companheiras. Espero sim meu bem, porque senão ....
Bem, mas ainda é cedo. Ela está aqui há apenas cinco dias. Vamos lá! É um aprendizado, é uma experiência, é um aperfeiçoamento do meu ser. Vamos lá, calma, paciência! Logo as coisas se ajeitam. Assim espero!!!

Maria Conceição de Aguiar
18/1/2013