domingo, 17 de novembro de 2013

PAULA

Era início de 1980 quando descobri que estava grávida. Levei um susto pois tinha um bebê de apenas seis meses. Confesso que demorei um pouco para assimilar e aceitar a ideia, não estava preparada! Então pensei, "bom então que seja um menino porque já tenho uma menina". Mas nada, veio outra menina.
E você nasceu tão pequena, frágil, precisando tanto de cuidados que, imediatamente me apaixonei. E desde então nos tornamos tão amigas, parceiras, companheiras mesmo. Estabelecemos uma relação muito íntima de mãe e filha e posso assegurar com certeza que você foi mais um grande presente de Deus na minha vida.
E hoje, quando você completa aniversário, faço essa confissão de rejeição inicial, mas, ao mesmo tempo, quero dizer que desde o início te amei e  que, intimamente, sabia que seria outra menina, tanto que tinha já o nome escolhido: Paula.
Então de repente me vi mãe de duas meninas, como se brincasse de bonecas eu me esmerava para cuidar de vocês. Nem sempre consegui, por vezes me sentia meio perdida, ainda muito nova, com duas crianças pequenas. Mas sempre estive presente em todos os momentos, ainda estou e assim sempre será.

Lembro do meu desespero quando você quebrou a clavícula, queria verdadeiramente sentir a dor em seu lugar. Lembro das decepções amorosas, das vezes que te abracei e disse, chore, desabafe.
Lembro das tantas coisas que fizemos juntas, que ainda vivemos juntas. Dos passeios, das viagens, das compras, das conversas.
Lembro do prazer em ajudá-la nos preparativos do seu casamento. Na verdade meu lado egoísta sofria um pouco, porque iria perder a companheira de todas as horas. Mas você estava feliz, então eu também estava, fiz tudo com amor e esmero.
Lembro da sua formatura, fiquei orgulhosa da minha filha, agora fisioterapeuta.
E nestes anos muitas foram as vezes em que te chamei para me aplicar uma injeção, fazer-me companhia, ouvir meus desabafos e você sempre solícita, jamais me disse não.
Paula, hoje é seu aniversário e quero dizer que te amo muito, que agradeço a Deus por ter-me dado uma filha tão abençoada, carinhosa, companheira, responsável. Você e seus irmãos são dádivas de Deus em minha vida e sou grata por isso.
Saiba filha que sempre estarei por perto, que minha casa será sempre a sua casa, que meu colo sempre estará pronto para você e que meu mundo é muito mais bonito com a sua presença.
Amo você filha, de todo coração e te desejo toda felicidade do mundo. E rogo a Deus que continue abençoando a tua vida, protegendo a família linda que formaste. Saiba que sinto orgulho de ser sua mãe e que bom que Deus me escolheu para sê-lo.
Feliz aniversário, com as bênçãos da tua mãe que tanto te ama!

Maria Conceição de Aguiar
17/11/2013

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

BARULHO

Há dias em que gosto do silêncio, noutros prefiro o barulho. Sons que mexem comigo, que me fazem pensar, sonhar, fantasiar, realizar, lembrar, sorrir e até chorar.
Adoro música, de todos os gêneros, ritmos, mas, gosto principalmente das que têm letras que mexem com a gente. Ouvir uma música pode mudar o nosso dia , o humor, a vontade.
E tem aqueles dias em que a música certa, na hora certa, dá um up, uma mexida geral.
Adoro o barulho do mar, das ondas batendo nas pedras ou desfazendo-se na areia. Som que acalma, reanima, energiza.
Gosto de ouvir a chuva caindo, cadenciada, lavando a terra seca, tocando o solo como uma sinfonia.
Gosto do barulho da brisa suave, que passa fazendo um carinho na pele, assoviando de mansinho, revirando os cabelos, envolvendo os sentidos.
Adoro o barulho de casa cheia, família reunida, todos falando ao mesmo tempo, os assuntos mudando a todo instante, risos, copos brindando, crianças brincando. Som maravilhoso que vem de gente que se ama e que nos ama.
Barulhos que alegram, que encantam, que trazem alegria, sorriso largo. Sons como a voz da pessoa amada, do canto dos pássaros, da cerveja gelada, do poema recitado, do sussurro ao pé do ouvido.
Ah, no meu silêncio há barulhos que fazem a diferença. 
E tem os barulhos internos, do pulsar do meu coração, da imensidão dos meus pensamentos, da inquietude da minha alma, do silêncio intrigante da madrugada...
Barulhos que me inspiram, alertam, aguçam meus sentidos. Adoro o som do barulho redundante dessas palavras embaralhadas, dando vida aos sentimentos!

Maria Conceição de Aguiar

terça-feira, 12 de novembro de 2013

AMORES IMPERFEITOS

Hoje uma cena chamou minha atenção. Um casal considerado diferente por ela ter certa deficiência mental ou neurológica. Tentavam separá-los e vi-os abraçados, enquanto ela chorava copiosamente ele declarava seu amor, dizendo que nada o faria dela desistir.
Ah, quem me conhece sabe que fiquei encantada. Histórias de amor me encantam, fascinam e aguçam a minha imaginação.
E aqui estou pensando e divagando sobre o quanto preconceituosos somos. Olhamos, analisamos, julgamos! Então rotulamos o que achamos amores imperfeitos!
Imperfeitos por serem diferentes, mas perfeitos no amor que os une, na cumplicidade que demonstram, na sintonia da atração mútua, no entrosamento, no dia a dia companheiros!
Sou a favor do amor e acho que toda forma de amor vale a pena. Então não gosto de rótulos, de segregação, de antologias vãs.
Ela é mais velha e ele ainda garotão, e por que não?
Ele é mais velho e ela tão menina, diferença que aproxima.
Ela é negra e ele alemão, juntos olhando na mesma direção!
Ele é rico e ela pobre, amor que se torna nobre.
Ela é doutora e ele mal sabe falar, mas a paixão pode ser vista no olhar!
Ele é cadeirante e ela atleta, vida que desperta.
Ela é feia e ele um gato, amor de fato.
Ele é ocidental e ela oriental, amor original.
Ela é sonhadora e ele pé no chão, construindo uma relação.
E assim são os amores 'imperfeitos'. Aos preconceituosos de plantão parece que sempre há algo por detrás. Interesse, mentira, traição.
Pois eu acho lindos os casais apaixonados, independente das suas diferenças ou semelhanças, indiferentes aos olhares curiosos e maledicentes, enfrentando a todos e a tudo para que possam ficar juntos. Por vezes as batalhas a encarar são grandes, fortes, mas valem a pena, sempre vale a pena. 

E este casal que hoje vi, sem saber nome nem sobrenome, sem conhecê-los, mas em breves instantes de observação, convenci-me de que são o exato exemplo da perfeição de um amor imperfeito. E torço para que consigam vencer as barreiras e continuarem juntos.
Porque afinal, como diz o poeta "Tudo vale a pena se a alma não é pequena" e "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"!
Portanto, quando cativar alguém ou se deixar cativar, engrandeça sua alma e viva esse amor em plenitude, pois sempre valerá a pena! Adoro amores perfeitos nas suas imperfeições!

Maria Conceição de Aguiar

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O JARDINEIRO 2

E as obras continuam e o jardineiro sem jardim continua por lá, sem tino nem rumo, para o nada a olhar.
Mas, observando bem, ele acostumou-se ao marasmo do nada para fazer. 
Já não rega as poucas plantas que restaram em frente ao prédio. Já não retira as ervas daninhas que começam a subir pela escadaria principal. Entregou-se ao tédio, ou, ao ócio.
Como toda obra, essa também está atrasada e aparentemente ainda levará um bom tempo para ser concluída. Enquanto isso, o pouco ou quase nada que sobrou do que antes era um jardim está totalmente abandonado.
E o jardineiro a tudo observa calado. Cumpre um horário ilógico, sem fazer absolutamente nada.
E assim agindo vai deixando de ser admirado e passa a ser ignorado. Mesmo restando apenas um canteiro, alguns poucos vasos, as ervas daninhas em volta da escadaria, ele poderia demonstrar que se importa, que gosta do que faz, que quer manter o que resta.
Mas, ao contrário, como um moribundo que espera a hora da morte, o jardineiro sem jardim aguarda que a obra chegue na parte da frente do prédio, então cuidar para quê se logo será destruído, acabado ou renovado.
Talvez ele esteja certo, talvez não. Mas particularmente sua presença inútil começa a incomodar, pois já não mostra interesse, vontade, prazer.
Vejo-o diariamente sentado no banco ou na calçada, puxando assunto com quem passa, chega ou sai, sem nenhuma iniciativa, sem nenhum zelo, sem mais nada.
Pois é, um jardineiro sem jardim de fato torna-se inútil. Assim como uma blogueira sem textos, um médico sem pacientes, um advogado sem clientes, um escritor sem contos, um jornalista sem notícias. Enfim, quando já não há muito para fazer pode-se fazer o pouco que há, renovar, reciclar, redescobrir novas habilidades, redesenhar sua profissão.
Mas, talvez a este jardineiro falte ânimo, incentivo ou cobranças. Está solto, acostumou-se ao vazio da inutilidade, portanto, esta história continua e com certeza ainda termos novidades!

LEMBRANDO

Há tempos cultivava a ideia de mudar para o litoral. Mas queria ficar por perto, morar em uma cidade próxima a Joinville, mas, de porte menor, com praia, ar saudável, menos trânsito, mais qualidade de vida.
E há um ano, exatamente no feriado de 15 de novembro de 2012, fui passear em Piçarras e decidi que queria morar e trabalhar naquela cidade. No dia seguinte fui até o Fórum local conversar sobre a possibilidade de remoção ou permuta. Informaram-me que no momento não havia vagas, mas que, em seis meses, duas pessoas iriam se aposentar e então abririam novas vagas.
Mas, quando decido, quero que seja pra já. Então vim passear em Barra Velha e por alguns dias fiquei pensando na possibilidade de mudar para cá. Conversei com meus filhos, expliquei que queria mudar, morar próximo ao mar, mas continuar perto deles. Aceitaram e me apoiaram.
Então no início de dezembro fiz contato com o Fórum da Comarca e imediatamente consegui uma permuta.

 
E em dois meses comprei uma pequena casa na cidade, fiz a mudança e comecei a trabalhar aqui em fevereiro.
Há um ano decidi e comecei a providenciar minha mudança de vida. Passou rápido.
Hoje fiquei pensando nisso. Não me arrependo de ter mudado, estou bem aqui. Tenho sim mais qualidade de vida, vou à praia, pedalo pela cidade, fiz amigos.
Jamais saberei se deveria ter esperado a vaga em Piçarras. Não sei se seria mais feliz lá, mas sou feliz aqui.
Estou perto, meus filhos e netos estão sempre por perto.
Mas claro enfrento os prós e contras de morar em uma cidade pequena, cidade de veraneio. Não há shoppings nem grandes lojas, o trabalho é puxado com poucos funcionários. Mas em compensação não há trânsito, nem semáforos, uma brisa leve diariamente, um sol maravilhoso, ar bem mais limpo, sem fumaça ou cheiro de poluição da Tupy. As pessoas se cumprimentam, caminham, andam de bicicleta, todos se conhecem.
Gosto daqui, gosto de morar aqui, gosto da minha casa simples e da vida simples que levo aqui. Gosto de olhar o mar, comprar peixe fresco, participar das festas tradicionais.
Estou bem, estou feliz e pretendo ficar por aqui até que novamente decida mudar, ou não. Quem sabe? Vivo o hoje, estou feliz hoje, satisfeita hoje, amanhã quem sabe? Amanhã talvez!
Lembrando faço balanço e fecho com saldo positivo minha decisão de mudar. Lembrando penso que fiz a escolha certa em continuar aqui pelo litoral Norte, porque não conseguiria ficar longe da minha família. E de Barra velha a Joinville é tão rápido que não dá tempo de sentir-me sozinha ou com saudades. Estou sempre lá e eles sempre cá. Lembrando percebo que não há do que me arrepender, estou bem melhor aqui!

domingo, 10 de novembro de 2013

AMOR

Ah o amor quando chega normalmente nos encontra desprevenidos, desprovidos de ação e então ficamos meio que sem reação, até um tanto sem noção.
E quando se instala nos deixa confusos, num misto de medo e segurança. Por amor enfrentamos tudo, pai, mão, filhos, amigos. Por um amor abrimos mão da própria identidade, já não sabemos quem somos, já não somos únicos, tornamo-nos um em dois ou dois em um.
Hum, o amor que vem e nos transforma, fortalece, enaltece, enobrece.
Amando sentimo-nos mais fortes, mais belos, gentis, a vida fica mais bonita.
Sentindo-nos amados tornamo-nos poderosos, abençoados, enaltecidos.
E o amor é capaz de coisas incríveis. Sorrimos à toa, passamos a saudar o sol, a lua, as estrelas, a vida fica cor de rosa. 
E o ser amado torna-se fonte de referência, de exemplo. Aconchego!
Como é bom amar e ser amado. Esse é, sem dúvida, o grande desejo da humanidade. 
Queremos saúde, emprego, salário digno, casa, carro, viajar, estudar, progredir. Mas queremos amar, queremos amor!
Senão nada do mais tem sentido, nada é compatível, é como se a vida não fosse completa, sempre faltará algo.
Não que precisemos de alguém ao nosso lado para sermos felizes. Mas somos muio mais felizes com alguém do nosso lado.
Um amor, um companheiro, um amante, confidente, parceiro.
E amando nos entregamos e queremos entrega, partilha, soma.
Amando ficamos melhores, tornamo-nos seres melhores. Porque não há nada pior do que gente que não sabe amar, que não credita no amor, que não o aceita, tornam-se sépticos, amargos, quase insuportáveis.
Mas, enfatizando, não falo aqui das pessoas que estão sozinhas, que optam por não ter um par. Falo daquelas que não conseguem amar nem se deixam amar. Essas sim, perdem momentos preciosos na vida.
Porque amor é bom, necessário, faz bem. E, parafraseando os poetas: "Toda forma de amor vale a pena" e "Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure"!
Então um brinde ao amor!
Maria Conceição de Aguiar

sábado, 9 de novembro de 2013

ETERNO

O que é eterno? O que pode ser eterno? Um sentimento, um amor, um rancor, uma dor, uma conquista, uma perda, um momento...o que é eterno?
Na verdade acredito que, na vida, tudo pode ser eterno. Porque tudo o que vivemos fica em nossa mente, em nosso consciente ou subconsciente para sempre, então torna-se eterno.
Como prova disto, quantas vezes sorrimos ou choramos ao lembrarmos de algo, de alguém, de um acontecimento, de um instante?
Quantas pessoas que já se foram para longe há tempos continuam vivas em nossa memória, presentes em nossa vida, como que se aqui estivessem?
Então, o que é eterno?
Realmente tudo passa, tudo se transforma, os sentimentos mudam, pessoas vão e vem, crescemos, amadurecemos, mudamos. E de verdade tudo é chama que se apaga, fogo que cessa, vida que passa.
Mas será que apaga mesmo? Cessa, passa?
Se pensarmos bem, veremos que fazemos eternos os momentos que vivemos, os sentimentos que desfrutamos, as alegrias e tristezas, os amores e amigos, a família.
E embora vamos mudando, o que foi permanecerá para sempre, eternizado em nosso íntimo, por vezes em forma de saudade, outras em forma de vontade, de nostalgia, sabor de quero mais. Ou ainda em forma de mágoa, ressentimentos que só nos fazem mal, culpa, lástima.
Eternizamos momentos especiais, pessoas especiais, sabores, lugares, sentimentos.
Eternizamos especialmente o que foi bom, o que nos fez bem, o que nos causa sorrisos ocasionais ao ouvir uma música, ao visitar um lugar, a relembrar.
Então o que é eterno? Tudo? Ou será que nada?
Bem, depende do ponto de vista, depende do entendimento individual. Há acontecimentos em minha vida que, mesmo passados, continuarão a fazer parte de mim para sempre. Há pessoas que, mesmo sem vê-las ou sabê-las continuarão eternizadas em minhas lembranças. Há coisas que relembro em sonhos, que imagino como teriam sido se tivesse sido diferente.
Podemos eternizar um segundo, um minuto, um dia, um fim de semana, um ano, uma vida. Podemos tornar eterno em nós o que quisermos, desde que valha a pena, que nos faça bem. Aliás, pensando bem, eternizar é guardar a parte boa do que foi ou ainda é. Registrar na memória , retirar lições, vivenciar, reviver.
Então, na verdade, que nada seja eterno apenas enquanto dure, mas que continue eternizado enquanto nos fizer bem, arrancar sorrisos bobos, produzir lembranças agradáveis, aquietar nossa alma e coração, sabendo que valeu a pena!
E para você, o que é eternos? Pense nisso!

Maria Conceição de Aguiar

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

DE REPENTE

E de repente tudo muda de lugar. O que era fundamental passa a ser opcional, as prioridades são revistas e modificadas e a lista da vida, refeita.
E de repente o dever torna-se prazer e o prazer vira dever, invertem-se as posições.
E o sol agora é necessário, indispensável, já o protetor solar fica no armário.
O peixe passa a ter um novo sabor e assume lugar de honra no cardápio.
E de repente são bem vindos o leite e seus derivados, a carne branca, as frutas e os legumes.
O sal já tem mais tanto sabor e o refrigerante é como se nunca houvesse existido.
E de repente a bicicleta torna-se essencial e a vida especial.
E de repente tudo muda de valor, de razão de ser e de ter, rever torna-se a palavra de ordem!
E assim a vida segue. Mudando, revirando, recomeçando. E assim o tempo passa e o que num instante era sem graça, noutro torna-se admirável mundo novo.
E de repente novos planos surgem, novos sonhos brotam, novas ideias pedem passagem, a vida não pode parar!
E eis que o novo deixa de ser novidade e torna-se rotina, realidade, dia a dia.
E eis que o que outrora difícil, torna-se aprazível, de fácil realização.
E de repente já não se é o mesmo, como camaleão que precisa mudar de forma e de cor, adaptamo-nos às mudanças, como que num passe de mágicas, em que o querer torna-se poder e fazer.
E então, abrimos o leque, os braços, o sorriso....e então estendemos a mão, aceitamos a mão estendida, o sorriso, o abraço!
E de repente a vida volta a pedir passagem, o que foi não voltará e o que tiver que vir o tempo trará. E eis que o hoje é o presente, o aqui, o agora, a dádiva da vida!
E de repente tudo muda de lugar!

Maria Conceição de Aguiar

MUITO OBRIGADA!


Muito obrigada pela vida, pela dádiva de ter nascido e de estar aqui e agora!

Obrigada pelos filhos que são a minha continuidade, a minha contribuição, a minha razão maior.
Obrigada pela família linda, com netos que iluminam meus dias.
Obrigada pela casa que me acolhe, pela coberta que me aquece, pela roupa que me cobre.
Obrigada pelo alimento de todo dia, por cada refeição que faço.
Obrigada pelo trabalho que realizo, dele provém meu sustento.
Obrigada pelos amigos que me apoiam, que me aceitam sem julgamentos, sem preconceito.
Obrigada pelos antepassados, sem eles eu também não existiria.
Obrigada pelos professores que orientaram, ensinaram, mostraram-me os caminhos do saber.
Obrigada pela saúde que desfruto e pelos remédios que curam meus males sempre passageiros.
Obrigada pelas palavras que escrevo, por este dom que tanto aprecio.
Obrigada pelos amores que tive e por aqueles que ainda terei.
Obrigada pelos meus sentidos, ainda bastante aguçados, que me mantém firme e forte em meu viver.
Obrigada por meus membros que me conduzem aonde quer que eu vá.
Obrigada por todos que passam pela minha vida, ninguém passa em vão.
Obrigada por cada sorriso, cada lágrima, cada lembrança, cada saudade.
Obrigada por cada vitória, cada conquista, cada tombo, cada recomeço.

Obrigada por cada dia, cada noite, cada estação, cada novo ano, cada aniversário.
Obrigada por tudo e por todos.

Muito obrigada!

ATÉ QUANTO?

Até quanto? Quanto vale, vale quanto? Tudo tem preço, será mesmo? 
Até quanto vale a vida? E a morte, vale quanto?
Quanto vale a saúde, e a doença quanto vale?
Até quanto vale o amor, e o desamor não tem valor?
Quanto vale a amizade, a intimidade, qual o preço da vida? 
Até quanto estamos dispostos a pagar para realizar um sonho, idealizar um projeto, recuperar a saúde, a beleza e a juventude?
Até quanto nos dispomos a gastar para ajudar alguém que precisa, doar sabendo que retorno financeiro não haverá?
Quanto vale o dinheiro? 
O meu, o seu, o nosso, ganhos com nosso trabalho, muitas vezes parco e escasso, ou, de outros, além do esperado, do necessário, do cobiçado. Todos têm valor e vem do salário merecido, do fruto colhido.
O que diferencia é o valor que a ele damos. Quanto vale meu dinheiro? Quanto vale o seu salário? Quanto valem os rendimentos alheios?
Até quanto posso gastar para viver? Até quanto gasto para promover a vida?
Valor monetário, valor coletivo, valor unitário. 
Valor do prazer, do bem querer, do desapego, do saber viver.
Viver com seus recursos, dentro das suas possibilidades, mas vivendo e aprendendo lições de humildade e fraternidade.
Até quanto vale a vida, os vivos e os mortos? Até quanto valemos uns para os outros? Há preço, piso, teto?
Quanto vale um coração inquieto? E a alma em plena serenidade, quanto vale?
Até quanto?