terça-feira, 29 de novembro de 2016

TRAGÉDIA


Dezenas de jovens, atletas, sonhadores, idealizadores! Um número incontável de órfãos. Pais, irmãos, esposas, namoradas, filhos, torcedores, todos órfãos! 
E a pergunta de todos, porque?
Por que eles? Porque uma viagem que deveria ser festiva transforma-se numa tragédia de tamanha proporção?
Teriam sido escolhidos para outra festa, outro jogo, outra partida, outro rumo? Teriam cumprido sua missão, todos juntos, talhados no mesmo destino?
Queríamos entender, encontrar respostas, buscar sentido. E deve haver!
Mas, neste momento, somos todos tristeza e luto, somos todos solidários às famílias e amigos, aos chapecoenses, catarinenses, brasileiros, somos todos desolação!

Difícil entender, aceitar, acreditar. Complicado demais perceber o quanto a vida é tênue, o quão perto ronda-nos a morte! 
Mas, em meio a toda esta tragédia, somos levados a refletir sobre o tempo, a vida, a morte, o modo de viver, o amor e a sua importância.

Faz-nos pensar em abraçar mais, dizer obrigado, por favor, com licença. Reunir amigos e parentes, reconciliar-se consigo, com os outros, com Deus, com o mundo e com a vida!
Então, neste momento de consternação, choremos os mortos, sejamos solidários com suas famílias, desejando paz aos que se foram e conforto aos que ficaram.
E depois, mas não muito depois, levemos como lição o não deixar para depois. Porque amanhã pode ser muito tarde, pode ser que nem venha, ou que não nos encontre. Que a lição sirva para mostrar que a amizade vale a pena, que a vida é para ser vivida e o amor cultivado. 
Que tiremos um tempo para olhar o céu, o mar, o sol, a chuva. Que saibamos ouvir, falar, calar e enxergar. Que sejamos mais autênticos, mais justos e solidários. Que saibamos agradecer a cada momento, por cada acontecimento, bom ou ruim, pois tudo tem um porquê!
Que descansem em paz as vítimas da tragédia com o time da chapecoense. Que estejam com Deus e que Ele esteja com os seus!

(foto: Associação Chapecoense de Futebol)

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

EMPATIA

Colocar-se no lugar do outro, como é difícil e complicado! Mas só assim para entendermos um pouco das mazelas alheias.
Tenho tentado, tenho praticado. Procuro tratar as pessoas como gosto de ser tratada e não fazer ao outro o que não quero que façam comigo.
Então cada vez mais me distancio das fofocas, das intrigas, das inimizades. E vou deixando de lado sentimentos pesados como rancor, mágoa, desejo de vingança.
Um aprendizado constante, de exercícios diários, com escorregadas, erros e acertos.
Mas continuo tentando!
Porque entendi que de outra forma não tem sentido. Como posso querer um mundo melhor se não me vejo no outro, se não tento entender seus sentimentos, conflitos, dores, dissabores. Como posso falar e não fazer nada?
Não, de outra maneira não pode ser!
Então já não sou de esquerda ou de direita, olho para ambos os lados, mas principalmente para frente! E tento olhar nos olhos, ouvir com atenção, observar sem analisar negativamente.
Mas ainda há muito que aprender. Como disse, exercício diário, mas por vezes extrapolo, falo sem pensar, vejo-me julgando como se esse direito eu tivesse.
Não, não tenho. Não posso julgar, discriminar, disseminar a ira. Assim como não posso endeusar ninguém.
Então, sempre que posso, coloco-me no lugar do outro, tento entendê-lo, suas razões e seus motivos. Caso não me convençam apenas me afasto, ignoro, sem julgamentos.
Caso resolva dar uma chance, faço sem pestanejar e, acaso me decepcione, deixo pra lá, afasto-o e me afasto.
Porque ainda acredito no ser humano, nas mudanças de atitude, nas oportunidades de melhorar. E eu, humana que sou, nem melhor nem pior do que ninguém, apenas procuro fazer a minha parte da melhor forma que puder. mas, caso me sinta traída, não esmoreço, nem critico, dou de ombros e deixo pra lá.
Melhor pra mim, pro outro, pros demais. Melhor para o mundo. 
E por acreditar num mundo melhor, procuro melhorar, devagar, mas com constância, porque antes tarde do que muito mais tarde! E sempre há tempo para aprender, praticar, errar e reparar, desculpar e pedir desculpas, amar e ser amado!
Só acho!

SENSATEZ


Sensata procuro ser, sem no entanto esmorecer, na calmaria da sensatez!
Dicotomia que me guia, impulsiona meu ser pensante, então, de sensata a delirante!
Mas a lucidez constante, por ora dá vez ao lúdico, meu eu tão consistente, transforma-se num ser errante!
De ideias e sentimentos controversos. De verso e prosa andante, de olhar penetrante ou de ver ao léu, o céu, sem semblante!
E na minha dualidade, vou vivendo a atualidade, lembrando que é possível igualdade, meu pensar teima em crer veracidade!
Já não busco a rima perfeita, nem a prosa de direita, ou que de esquerda espreita!
Já não sigo a mesma linha, de ontem, de amanhã ou de agorinha, posso voar como andorinha, no céu que se avizinha!
E se assim estou, também assim não sou, que de tudo um pouco buscou e apenas o pensar restou!
Então me vejo insensata, nessa fúria ingrata, da peleja inata, que por ora faz-se ata!
Mas meu ser leve, caminha suave, clama e pede por um mundo sem neve!
Que tudo seja quente, do nascer ao poente, que a paz seja presente, num tempo resplandecente!
Só assim veria o mundo, humano e soberano, e o ser bem mais profundo, crescendo a cada ano!
Sensatez que me atrai, e trai, pois na minha utopia, sou verso que distrai!
Quisera poder entender, como posso ainda crer, na gente poder se ater, no elevado poder do ser!
Mas creio e disso não me abstenho, e procuro e encontro, outros com o mesmo devaneio!
Eis que daí sensata minha alma jaz, na imensidão da paz, na igualdade dos desiguais, na diferença dos iguais!
E em meus versos conexos, meu pensamento se desconecta e me deixo levar pelo nexo, pela beleza da porta aberta!

terça-feira, 6 de setembro de 2016

QUANDO A PRIMAVERA CHEGAR

Quando a primavera chegar, a temperatura amenizar, o dia ensolarar, renascerei.
Jardins vão igualmente renascer, flores reviver, luar vai iluminar e o sol aquecer!
Meus passos estarão mais firmes, minha voz mais branda, meu pensar mais pensante, meu dia mais fascinante!
Quando a primavera chegar e o dia se alongar, a noite encurtar, meu coração voltar a pulsar.
No ritmo acelerado do vai e vem desenfreado, dos dias ensolarados!
Ah quanta beleza meus olhos verão, quantos sons meus ouvidos ouvirão, quanta inspiração!

E poderei olhar o mar, ouvir as ondas batendo na areia, casais enamorados, crianças animadas, correria de vida que ressurge.
Então escreverei meus versos e prosas, meu observar será compartilhado, minha alegria será retomada, minha vida, renovada!
Quando a primavera chegar, abrirei as janelas e portas, o coração e a mente, a alma! Sairei mais adiante, no meu buscar constante, de entender o que entedia!
Porque nada mais entediante, que uma mente borbulhante, num corpo estagnado, privado da liberdade, sem poder ir ou vir, no respaldar do inverno, olhando e nada vendo, espiando pelo fio de vida!
Entender faz-me crescer, ou apenas rebuscar, o que de mim ficou parado, o que de ti não tens falado. Entender não faço questão, muito menos de ter razão, contemplar e observar, essa é minha opção.
Então assim sigo trilhando, devagar quase parando, na linha tênue da vida, a primavera esperando.
Já não tarda a apontar, mais uns dias e ela virá, para então em mim brotar, a força para recomeçar!

VERSO

Verso que rima, combina
Ensaia na mente, consonante
Baila no papel, rapel
Foca no som, tom!

Verso que entoa, canoa
Que enlaça o coração, vibração
Que alcança a alma, calma
Versátil sem destoar, alegrar!

Verso que surge, urge
Entonação serena, pequena
Inquietação profunda, abunda
Voz que grita, agita!

Verso sem nexo, complexo
Pensamento constante, conflitante
Querer expressar doçura, lisura
Saber falar sem dizer, entender!

Verso que faz pensar, analisar
Poder de enaltecer, envaidecer
Capaz de entristecer, transparecer
Verso perdido no vento, tempo!




quarta-feira, 31 de agosto de 2016

ELE SE FOI

E de repente ele se foi. E eu fiquei!
Sozinha, sem chão, sem saber o que fazer, o que falar, como agir. E agora? 
Foram 25 anos de um casamento que parecia sólido, mas pensando bem, todos os casamentos parecem sólidos, até ruírem. Mas ela nunca havia cogitado essa ideia. Não, com eles seria diferente. Envelheceriam juntos.
Afinal, tinham uma vida boa, viajavam, gostavam de fazer coisas juntos, olhavam-se e se viam, não tinha porque terminar. Mas terminou!
Num dia qualquer ele disse que queria separar. Queria uma nova vida, vida nova sem ela! Oi? Como assim, somos um casal, somos felizes, não existe você sem mim ou eu sem você!
Mas ele se foi.
Então os dias, as semanas, os meses que se sucederam foram de tortura, de penúria, de porquês. Ela queria entender, precisava saber, nada fazia sentido.
Acordar e ver o lado direito da cama vazio. O espaço vago no armário, no banheiro. O bolo, a sobremesa, o prato preferido dele. O vestido que ele gostava que ela usasse, as flores que cultivaram juntos, a casa que montaram, um lar. Nada mais dava prazer, ao contrário, tudo fazia sofrer.
Ah como explicar a saudade! O que fazer com essa repentina liberdade? Até quando suportar a dor da solidão, o vazio do nada...
Saudade do seu sorriso, seu cheiro, seu gosto. Saudade do seu beijo, do seu toque, da sua luz.
Saudade até das tuas manias, das broncas, do mau humor repentino.
Mas ele se foi. E ela ficou. E com ela ficaram as lembranças, a angústia, o choro abafado, as noites mal dormidas, os dias mal vividos.
E com o passar do tempo o coração e a alma foram se acalmando, tudo aos poucos foi se ajeitando. Ainda falta muito para ela se acostumar a viver sem ele, mas isso já não assusta tanto. Ainda o ama, mas é um amor libertador, que quer vê-lo feliz, mesmo que seja sem ela. Ainda há muito a viver, a fazer, a conhecer.
E ela sabe que vale a pena viver. Então, de pouco em pouco vai reaprendendo, recomeçando, reinventando-se. Haverá o dia em que olhará para trás sem sofrimento, está trabalhando para isso.
Por enquanto ainda dói, mas a ferida está cicatrizando.
Ele se foi e ela está aí, preparando-se para retomar a vida sem ele!E tem feito belos progressos.
E está no rumo certo! Porque sabe que viver é maravilhoso e que amar a si, o amor próprio, é o maior de todos os amores!

domingo, 19 de junho de 2016

RIMA...

Amores que se vão, outros logo vem
Amigos de fé a gente sempre tem
Irmãos de caminhada a quem queremos bem!

Família unida também briga
Filha emburrada sempre liga
Companheiros de vida!

Seres humanos irracionais
Animais com atitudes leais
Sociedade que faz e desfaz!

No emaranhado do ser
Por vezes mais importante é ter
Assim fazendo o mal acontecer!

Mas no cotidiano social
Muitos procuram ser igual
Semeando a paz e enterrando o mal!

E assim vou rimando
Como que poetando
Mas apenas palavras treinando!

Maria Conceição de Aguiar

MULHERES FASCINANTES


Ela tem 70 anos, fez uma cirurgia no joelho e foi se recuperar na casa da filha. No dia seguinte recebeu a visita do namorado, carregando um buquê de flores e um sorriso largo.

Ela tem 82 anos e mora sozinha. Quando o filho avisou que pretende visita-la em breve, respondeu que se ele demorar talvez não a encontre mais lá. Preocupado, tenta reanima-la, quando ela diz: "Mas quem está pensando em morte? Estou comprando um novo apartamento e pretendo mudar logo!"

Ela tem 91 anos mas fala para todos que tem 90, não quer parecer velha. Elegante e vaidosa, faz questão de ir semanalmente ao salão de beleza. Acompanha as tendências da moda e jamais recusa um convite para um passeio.

Três mulheres, três exemplos fascinantes, três histórias que ouvi nesta semana. Assim como elas, há centenas, milhares de outras não menos fascinantes, que se esforçam para envelhecer com sabedoria, mantendo a qualidade de vida, o convívio social, as atividades do dia a dia.
Dificuldades elas têm, claro. Mas a diferença é que não se deixam sucumbir. Superam os problemas, as dores, os momentos de solidão, as limitações. São felizes e gratas pela vida e tudo fazem para prolonga-la.
Então hoje faço minha homenagem às mulheres que envelhecem sabiamente, belas por dentro e por fora, que não se lamentam, ou que, quando o fazem, logo reanimam-se, vestem-se e saem por aí espalhando vida!
Parabéns a estas três mulheres fascinantes e a todas as outras que nos inspiram a querer ser parecidas com elas!

MUNDO

O mundo é grande e grandes são as voltas que ele dá. Minha mente borbulhante não cabe em mim, então me explora, implora por espaço, fica num descompasso sem fim.
Não sei me limitar, falar o essencial, calar, aceitar sem retrucar. Não sei deixar de opinar, de mostrar, de ver, de observar. Quisera saber simplificar e não me deixar abater, nem esmorecer. 
Mas não, meu pensar extrapola os limites do meu ser. 
Grande coisa não sou, até por opção. 

Escolhi ser mais uma na multidão. Mas minha mente barulhenta não me deixa aquietar-me. Então fico pequena, quero asas, batê-las em disparada, beber novas águas, conhecer novas gentes, sentir novos cheiros, sabores, preencher lacunas.
Então preparo o passo, libero espaço, formato o disco, saio do compasso para então reencontrar o rumo.
E não quero aprender a aquietar-me, acomodar-me, aceitar, não! Quero aprender mais e mais a deixar fluir, sentir, agir.
Quero mente aberta, alerta, mas sem subestimar nem superestimar o outro, a mim, o mundo. Quero a profundeza do ser, do saber que chama saber, do aprender que lembra que nada sei, que pouco saberei, mas que sou quem sou.
E sou uma em muitas e muitas em uma. E sou forasteira, que precisa partir para novos desafios. E sou felina quando falo tudo o que penso e reflexiva quando ouço o que preciso.
E sou a ex, a atual, a futura. Sou a mãe, a avó, a sogra, a tia. Sou a professora, a jornalista, a servidora pública. Sou a escrevedora, a contadora de histórias, a que gosta de opinar sempre. Sou a que encanta ou desencanta, conquista ou afasta, faz-se amar ou odiar, ou simplesmente ignorar!
Ah mas sou quem sou, resultado das escolhas que faço, da vida que vivo, dos laços que crio, dos nós que me envolvem, das emoções que compartilho, das tristezas e alegrias, do despertar de cada dia.
Ah e sou eu tão comum, apenas mais uma dentre tantas. Mas sou seu, tão cheia de ideais e tão pouco prática.
Ah  mas sou sou o que sou e de mim me orgulho. Sou jardim que floresce e espinho que fere. Sou sonho que embeleza e pesadelo que entristece. Sou fada, sou bruxa, sou boa e sou má, sou o que eu quiser ser, sou o que escolho ser.
Então não reclamo, nem me deixo abater. Apenas repenso, revejo, relaxo e recomeço!
Um brinde às chances de recomeçar, sempre!

sábado, 18 de junho de 2016

INSPIRAÇÃO

Há tempos não tenho inspiração para escrever. Devo estar perdendo o jeito, ou talvez o rumo, o prumo, o gosto. Sei lá, tenho estado ausente, distante, alheia, meio que sem vontade de olhar, observar, opinar, meio sem gosto para ouvir, falar, escrever.
Talvez seja uma fase de introspecção, de recolhimento, ou de reconhecimento de meus limites!
Limites que me limitam e limites que transbordam. Na verdade, falta de paciência para as mesmices e babaquices. Então, não escrevo, não ouço, não falo. Mas leio!
E lendo viajo, conheço, aprendo, supero. E lendo amplio meus limites e vislumbro novos horizontes. E lendo sou livre, fico leve, ganho força!
Mas sinto falta do papo bom, das conversas sobre acontecimentos, da vivência que inspira e que desperta o pensar e o agir. Sinto falta de gente leve, que brinda à vida, que vive, sonha e realiza.
Falando sério, tenho sentido falta de uma noite com amigos, um almoço agradável, um passeio, um encontro, uma reunião elegante!
Sim elegante, em que não se fale sobre pessoas mas sim sobre ideias, e que as opiniões sejam respeitadas, sem imposições. Elegante pois todos conseguem se olhar nos olhos, falar o que sentem, rir sem culpa, dizer sem medo, ouvir sem julgar.
Mas cadê as pessoas que antes me inspiravam? Cadê o mundo em que eu vivia? Teria sido equívoco? Teria eu me afastado? Teria então me decepcionado? Ou decepcionado aos demais, ao mundo, a mim mesma!
Onde estará minha inspiração? Terá se perdido em minha falta de atenção? Terá de desviado de mim? Terá sido levada pelo mar, pelo ar, pelo tédio?

Já não sei! 
Mas hoje, reflexiva, repenso e me busco, tento me reencontrar, rever minhas escolhas, reverter minha desolação, deixar de queixar-me e encontrar novo rumo, novo tempo, novo paradigma.

Pensante que sou, sinto-me errante a ecoar um grito de socorro, de novos ares, novos pares, nova vida, vida nova.
Eis que me vejo assim, em modo de transição, em meio a uma confusão de ideias que me me fazem querer viver o que virá, sem esquecer o que vivi, sem esperar nem sufocar, mas reaprender a me encontrar!
Então assim, a inspiração voltará, a vida vai florir e a semente germinar. E encerro com outro pensar, o que comecei num reclamar, reanimada, reativada, motivada a continuar! 

Maria Conceição de Aguiar

terça-feira, 29 de março de 2016

PONTO FINAL

Observando, conversando, ouvindo e interagindo percebo o quanto é difícil colocar pontos finais. Exclamações, interrogações, vírgulas, reticências, dois pontos teimam em nos atrapalhar e fazer com que levemos adiante situações desgastadas, relações acabadas, trabalhos enfadonhos, submissão, omissão, confusão.
Alguém está em um relacionamento de aparências, doentio, que já não faz nenhum bem. Decide romper! Simples assim? Não! Porque surgem as dúvidas, a culpa, o medo do novo, o comodismo da mesmice. E então pergunta-se: Será? E se....
Outro arrasta-se diariamente em um trabalho que não o realiza, não promove o crescimento, não se sente valorizado. A porta está aberta, mas os receios são tantos! E se não arrumar outro emprego? E se o dinheiro acabar? E se eu me arrepender? E se quiser voltar? Melhor pensar, deixar rolar....
A moça quer casar, mudar de cidade, ir ao encontro do seu amor que longe está a lhe esperar. Mas será que vai acostumar, adaptar-se? Hum, e se ele não for tudo isso, terei arriscado muito pra me decepcionar, melhor não arriscar! Ou será que vale a pena tentar?
E tem um que se sente sufocado, sugado, explorado. Quer dar um grito de liberdade, sentir-se livre dos fardos pesados, mas cadê a coragem, parece que não há. Tantos dependem dele, tanto esperam dele! Mas está infeliz, frustrado, sem vida própria, vivendo realidades alheias. O que fazer? Como dar um basta sem magoar nem machucar? Não, ele não quer decepcionar!
E tem quem esmole amor, quem esconde a dor, quem disfarça o sofrer, quem vive sem viver!
E assim vão escorregando nas reticências, exclamações, interrogações, sem conseguir usar o ponto final.
Mas saibam que ele pode ser usado sim, sem remorsos, sem culpas, sem preconceitos. Eu aprendi a usá-lo e posso afirmar que o ponto final alivia, gera paz, serenidade!
Porque a vida continuará estando você feliz ou não, realizado ou não. E se você romper os laços que se tornaram nós, vai experimentar o quanto  a vida pode ser prazerosa. 
E logo o seu ex encontrará outro alguém ou não, mas seguirá vivendo. Rapidamente sua vaga será preenchida e você encontrará outra ocupação, outra inspiração, reinventará sua nova versão. Quer viver seu sonho, seu amor? Pois vá sem medo e nem olhe para trás. Que seja eterno enquanto dure! Mas vá de coração e cabeça abertos, pronta para ser feliz!
Quer ser livre, livre-se! Quer voar, voe! Quer sonhar, sonhe! Quer arriscar, arrisque! Quer realizar, realize! Quer separar, separe! Quer casar, case! Quer recomeçar, recomece! Quer viver, viva!
A vida é breve para tantas reticências...Que as exclamações sejam para surpresas agradáveis, para sensações de bem estar. Que as interrogações sejam mínimas, pouco usadas. E que o ponto final venha com força para terminar um parágrafo, um capítulo, uma história e então, um recomeço! 
Ah, como é bom encerrar ciclos e iniciar outros com paz de espírito, serenidade e certeza de ter agido em prol da sua felicidade!
Então, encerro meu pensar para provocar o seu! E ponto final.

VOLTAS

Ah, as voltas que o mundo dá! Os dias, meses e anos passam e nós vamos nos modificando. Mudamos a cor e o corte do cabelo, ganhamos ou perdemos uns quilinhos, envelhecemos um tanto....Mas, principalmente, mudamos conceitos, prioridades, sentimentos. Libertamo-nos de tantas amarras, nas voltas que o mundo dá!

E quando nos damos conta o príncipe encantado virou sapo, a Cinderela perdeu o encanto, a gata borralheira nos encanta e  percebemos que o lobo nem é tão mau. Então, amores vem e vão, paixões fulminantes transformam-se em breves lembranças, amizades se fortalecem ou esmorecem. E aprendemos a relevar algumas coisas, ignorar outras e repudiar outras tantas. E aprendemos a perdoar e pedir perdão, especialmente a nós mesmos. Sim, nas voltas que o mundo dá, a culpa cede lugar à vida, o remorso e o arrependimento podem nos fazer dar um passo atrás, ou seguir adiante deixando o passado passar.

E como humanos que somos, mudamos de opinião, reinventamos sonhos, criamos coragem para vivê-los. E revivemos, renascemos quantas vezes forem necessárias. Porque assim é a vida e seus ciclos. E assim somos nós, sempre em busca de algo, da felicidade, do amor. Buscas incessantes, por vezes insanas, noutras tão serenas e sensatas. Buscas que nos aproximam ou afastam, mas que nos motivam!

E nas voltas que o mundo dá, entontamos, pequenas vertigens para depois longos momentos de lucidez. E mudamos, crescemos, amadurecemos, sem perdermos o brilho no olhar, o prazer em sonhar, a satisfação em realizar. E crescemos, seguimos, andamos, rodamos. E vivemos! Pois o mais importante é viver, sentir-se vivo, semear a vida. 


sexta-feira, 4 de março de 2016

VIVER

Viver, sobreviver, reviver, renascer, esmorecer, morrer.
Todos passamos por essas fases. Nascemos e estamos vivos, mas no decorrer desta vida, muitas vezes desanimamos, caímos, sucumbimos às tristezas, angústias, mazelas.
Mas que interessante o poder de regeneração que possuímos. Conseguimos levantar-nos e continuarmos a trajetória. Então assim vamos renascendo, buscando a vida que nos falta, que faz falta, que de nós foi tirada, que perdemos ou que desperdiçamos.
E quantas vezes nos sentimos prestes a morrer, e morremos, como zumbis numa semi vida dilacerante, sem propósitos, sem porquê. Mas eis que de repente a mágica acontece, a fé renasce, a esperança floresce e a nova vida acontece.
Basta querer!
Querer viver, mudar, ajudar-se e ajudar ao próximo. Fazer o bem, ser do bem, ser bom.
E também um tantinho egoísta, por que não? Pensarmos em nós, nas nossas necessidades, nas nossas prioridades, nos nossos sonhos.
E sonhar faz parte, ir em busca da realização do sonho, uma quase obrigação.
Ah vida que surge, que ressurge, que brinda, que prega peças, que dá rasteiras, que nos emudece e entristece, mas que também nos alegra e envaidece. Vida que se vive, um dia de cada vez, ano após ano, vida que segue, tempo que voa, vida que aflora!
E hoje proponho um brinde à vida! Que cada um seja livre para viver a sua, desde que não interfira na do outro, Que todos tenham direito a ela, que a paz prevaleça, que a amizade se fortaleça, que a magia de viver nos encante mais e mais.
E que as neuroses do mundo não nos tirem o prazer de viver, que saibamos discernir, opinar, falar e calar, olhar e enxergar, escutar e ouvir.
Que superemos as dores próprias, que entendamos as dores alheias, que sejamos vida, em plenitude!
E nesta reflexão que faço, penso, repenso e digo convicta: Viver sempre vale a pena!

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

VERSO POBRE

Quisera ser poeta
Expressar em versos sentimentos e sensações
Quisera ser poeta
Transformar palavras em emoções!

Quisera saber rimar
Brincar com os versos e trovas
Quisera saber rimar
E inventar palavras novas!

Quisera saber amar
E no amor me perder
Quisera saber amar
E de amor enlouquecer!

Quisera saber cuidar
E com meu canto acalentar
Quisera saber cuidar
Sem medo de fortemente abraçar!

Quisera saber querer
E no meu discurso focar
Quisera saber querer
E não mais deixar pra lá!

Quisera saber o saber!

VERDADES

Neste mundo tão efêmero as verdades tornam-se tênues frágeis, não menos efêmeras. 
O livre arbítrio nos permite decidir acreditar ou não, mentir ou não, mudar de opinião. Então de repente o que acreditava ser verdade já não faz mais tanto sentido. E o que julgava uma grande mentira começa a fazer parte da realidade.
E já não sabemos mais até quando, até quanto, até onde.... E já não ousamos tanto, ou, ao contrário, entramos no jogo e arriscamos mais e mais.
E o que é a verdade? Onde ela está? Quando começa? Onde termina? 
Se eu creio, para mim é verdadeiro. Se me convém até finjo que acredito. Mas me pego confusa, numa onda de boatos e fuxicos, de redes sociais, de vidas expostas como em aquários públicos. E falam, e fazem discursos eloquentes, e agem como donos da verdade absoluta. E são desmentidos, e outras verdades aparecem, mentiras nem tão aparentes.
E no mundo instantâneo da internet, uma imagem pode denotar ou esconder verdades e mentiras, Uma frase ganha tamanha densidade que fica quase impossível discernir.
Daí entre erros e acertos, verdades e mentiras, a confusão da mente forma uma corrente, ambíguos já não sabemos ao certo em quem acreditar, a quem confiar nossos sentimentos, nossas verdades.
E nesse faz de conta misturamos realidade com fantasia, eu sou, eu faço, eu posso...ele é melhor, você faz mais, outro pode tudo.
E vamos escolhendo, reinventando-nos para que possamos nos adaptar, E vamos aprendendo a viver em harmonia, ocultando pequenas verdades, aceitando pequenas mentiras. Porque afinal, no fim das contas, tudo é tão efêmero como qualquer grande verdade!

sábado, 2 de janeiro de 2016

ANO NOVO

E na mágica do calendário encontramos a oportunidade de recomeçar. A cada dia, semana, mês. A cada ano!
Então de repente o ano termina e com ele deixamos nossas lamúrias, aflições, dores, angústias. E o que inicia nos traz alegria, vontade de viver, de fazer planos, projetos, promessas. Esse desapego do passado e euforia do futuro pode durar alguns dias, semanas, meses. Mas faz bem.
Afinal, como é bom reinventar-se, redesenhar-se, redescobrir-se. E tentar ser melhor a cada novo ano é saudável, dá-nos uma sensação maravilhosa de poder, de querer, de fazer. 
Assim é a magia do novo, do desconhecido que nos desafia.
Ao iniciar cada ano sabemos o que faz parte da nossa rotina, preparamo-nos para o trabalho, cuidados com a casa, os dias de pilates, a família. Mas a vida é imprevisível e o acaso pede passagem. E de repente acontece algo que não estava na programação. Um novo emprego, uma viagem, nova função, mudança de casa, de cidade, de país, um novo amor, um rompimento, a perda de alguém. 
Acaso? Será?!
Pensando bem, a vida é surpreendente, o tempo é sábio, mas pode ser traiçoeiro. Não, não acho que as coisas acontecem por acaso. Acredito sim que tudo tenha uma razão, um propósito, um porquê. Se assim não for, qual o sentido em viver?
Mas, de uma coisa tenho plena convicção: Colhemos o que plantamos, e, sendo assim, muitas surpresas da vida refletem o que semeamos lá atrás, de bom ou de ruim. Além disso, acredito também no Criador, nessa força maior que nos impulsiona, socorre, liberta. Ele sim, dono do tempo e da vida de cada um de nós, independente de sigla religiosa.
Entretanto, cabe a nós aproveitar cada dia, cada momento, cada recomeço, cada nova chance. E tentar ser melhor, ser feliz, fazer alguém feliz, doar, doar-se, colocar-se no lugar do outro, querer bem, fazer o bem.
Também não proponho que viremos imbecis que tudo suportam calados, apenas que sejamos mais tolerantes, menos severos com os erros alheios e com os nossos. Que acusemos e julguemos menos e tentemos ajudar mais. Claro, sempre na medida do admissível, do suportável, capachos não!
Basta não fazer ao próximo o que não queremos que nos façam e, consequentemente, deixar pra lá a ofensa gratuita, a discórdia semeada, a fofoca, o medo, o terrorismo.
Basta lembrar que não somos melhores nem piores que ninguém, apenas diferentes. Que as opiniões precisam ser respeitadas, mesmo que divergentes. Que títulos e diplomas não denotam sabedoria, que humildade não é sinônimo de ignorância.
Então, neste novo ano, desejo que tenhamos um olhar mais atento, um falar mais ameno, um ouvir mais cauteloso. Que sejamos mais amigos, mais filhos e pais, mais colegas, mais marido e mulher, mais gente de bem e do bem. 
Estou tentando, cada vez mais aberta às mudanças necessárias, ao aprendizado, ao novo, ao diferente. Ainda falta muito. Por vezes tenho recaídas e me pego julgando, no direito de jogar a primeira pedra. Mas, estando consciente disso faz com que eu saiba voltar, pedir desculpas e recomeçar, sempre! Assim vou evoluindo, devagar, a passos lentos, conhecendo a mim diariamente, mudando o que não está bom, aprimorando as virtudes! Bem vindo 2016!!!