domingo, 28 de dezembro de 2014

VIDA

Estamos vivos hoje, mas a única certeza que temos é de que todos morreremos um dia. Grande chavão não é mesmo? Mas é verdade.
E pensando nessa verdade, medito sobre a vida e a morte. Quem somos, o que somos, o que fazemos, como fazemos, que vida vivemos! Que tipo de morte teremos.
E penso que o importante é o hoje, o aqui e agora. E que a beleza, assim como a felicidade, consistem nas coisas mais simples do dia a dia. Na família reunida, no passeio, no banho de mar, no alvoroço das crianças, na amizade, no carinho, na gratidão e no amor!
Porque o ontem passou, não voltará. O amanhã é uma incógnita, não podemos prevê-lo.
Então reunimos a família para celebrar o Natal, a Páscoa, nossos aniversários. Reunimos os amigos para uma cerveja gelada, um bate papo, boas rizadas.
E não sabemos por quanto tempo o poderemos fazer. Não sabemos se estaremos todos juntos na próxima Páscoa, no próximo Natal, no próximo aniversário, na próxima reunião.
Tênue demais a linha que separa a vida da morte. Invisível, inexplicável.
E nesse ínterim não dá para perder tempo com questões mal resolvidas, com mal entendidos, fofocas, brigas inúteis. E não dá para adiar aquela conversa, a declaração de amor, a viagem, o passeio, aquela visita há tanto planejada.
Imprescindível é administrar o nosso tempo, o tempo que nos resta da melhor maneira possível, já que não sabemos quanto teremos.
E dividindo nosso tempo de maneira sadia, podemos fazer tudo ao mesmo tempo, ou tudo a seu tempo. Sem atropelos, mas sem deixar para depois, nem para lá!
Resolver pendências, pedir desculpas, perdoar, dar um abraço apertado, um aperto de mão. Ligar, visitar, convidar para um café!
Amanhã pode ser tarde, amanhã pode não chegar para nós ou para alguém que amamos, admiramos, queremos bem.
Portanto, é sempre bom rever e repensar quem somos, o que somos, o que fazemos e como fazemos. Caso tenhamos que diminuir o ritmo, tudo bem! Caso tenhamos que acelerar o passo, tudo bem também. Só não podemos parar, estagnar, deixar o tempo passar sem que percebamos a graça de estarmos vivos, sem que vivamos em plenitude.
Estou refletindo, estou repensando, estou questionando e tudo isso faz-me um bem enorme! Afinal, não sei quanto tempo tenho. Mas agradeço por cada dia, por mais um dia, por todos os dias!

Maria Conceição de Aguiar

RETORNO

Por um bom tempo fiquei afastada do blog. Tenho estado cansada, trabalhando demais, acumulando funções de dona de casa e profissional. Além disso, tenho me sentido meio baixo astral. Daí, a inspiração voa para bem longe.
2014 foi um ano difícil! A crise financeira que abalou a todos. As notícias constantes de corrupção e desvios de verbas públicas. Escândalos por toda parte. 
Enquanto o brasileiro se distraia com a Copa do mundo, eles sucateavam nossas empresas públicas, falindo-as, raspando tudo o que podiam.
Enquanto alguns se contentam com as bolsas, cotas e vales, eles roubam descaradamente e depois é um tal de 'eu não sabia'.
E nós pobres mortais brasileiros sobreviventes, arcamos com o ônus de tanto desmando. Custo de vida altíssimo, impostos nas alturas e os serviços básicos cada vez piores.
Com tal realidade fica difícil inspirar-se para escrever sobre o cotidiano, sobre pensamentos e opiniões.
Confesso que fui acometida de uma espécie de apatia, gerada pelo descontentamento, pelas decepções, pelas contas altas demais.
E falo das contas de modo geral, de todos.
Pois o público tornou-se privativo de espertalhões que só pensam em tirar proveito próprio em detrimento de quem realmente necessita dos serviços, do atendimento à saúde, da educação, segurança, cultura, lazer.
Mas enfim, assim caminha o brasileiro. Desiludido, desacreditado e quase já acostumado com os escândalos financeiros causados pelos políticos corruptos que assolam o país. 
Então, depois desse desabafo, quero dizer que pretendo retornar ao blog, com meus textos e meus pensamentos, comentando aqui o vai e vem da vida. E,claro, torcendo por um Brasil melhor, em que todos tenham oportunidades de crescimento, em que o público seja de fato de todos, sirva para o bem comum e não apenas para satisfazer a ganância de alguns!

Maria Conceição de Aguiar
28/12/2014

terça-feira, 16 de setembro de 2014

CHAVÕES

De quando em quando a gente se pega repetindo aqueles velhos chavões, tentando, com eles, traduzir nosso momento atual. 
Hoje estou assim e andei conversando e percebi que não estou só neste momento de 'meio sem rumo' ou 'sem norte algum'.
Dando murros em ponta de facas, remando contra a maré, nadando, nadando e morrendo na praia, vivendo com o freio de mão puxado!
E de repente dá uma vontade de sair por ai, sem lenço nem documento, ao sabor do vento, apenas com uma mochila com o que de mais básico se possa carregar. E que tal sair de bicicleta, pedalando, pedalando até cansar! 
E parar em um lugar qualquer...e sorrir da coragem aventureira...e chorar o choro estrangulado...e depois continuar a caminhada, a pedalada, a procura, o encontro ou o desencontro.
Dar um tempo da vida, do trabalho, dos sabores e dissabores. Dar um tempo para os problemas, para a serenidade, para o pensamento lógico.
Apenas sair sem rumo, buscando um novo rumo, afastando-se por algumas horas, dias, semanas.
Até recompor-se e retornar com as forças renovadas, refeitas.
O dia a dia cansa, exaure nossa energia. 
Quisera ter coragem de qualquer dia  colocar o básico em uma mochila e sair por ai, sem data, sem roteiro, sem drama nem culpa, sem pensar muito, apenas apreciando a paisagem.
Vendo outros nasceres do sol, outros mares, outras gentes. Sentir novos gostos, novos cheiros, novos toques.
Tem aumentado em mim essa busca, esta necessidade de levantar voo, dar um tempo! Quem sabe eu faça!!!

Maria Conceição de Aguiar

domingo, 24 de agosto de 2014

SINTOMAS DE SAUDADES

Estava me sentindo estranha, meio tristonha, irritadiça, um tanto impaciente. Refleti, analisei, ponderei e diagnostiquei: Estou com sintomas de saudades!
Saudades dos amigos, dos colegas de outrora, da minha cidade, (àquela que escolhi), da minha casa, da minha família, da vida.
Saudades dos papos bons, das conversas animadas, do café na lanchonete, das saídas às sextas, do happy hour depois do trabalho.
Saudades das mentes pensantes, das conversas brilhantes, das discussões sobre ideias e ideais.
Saudades das mentes simples, das conversas irreverentes, das discussões sobre banalidades.
Saudades do corre-corre, do pilates, da terapia, da estética. 
Então, diagnóstico feito, hora do tratamento. A princípio pensei em voltar, retomar minha vida de dois anos atrás. Mas recuei, afinal, pra frente é que se anda.
Então, receita número dois: Ter mais tempo para rever os amigos, colegas e família. Ter mais tempo para mim. Na verdade, tempo eu tenho, mas não tenho sabido usá-lo. Portanto, hora de dar uma remexida, organizar a agenda e rever a vida.
Saudades a gente mata, senão sufoca. 
Mas, nesses dias em que cogitei voltar fui surpreendida por saber que tantos também sentem minha falta e gostariam de me ter por pero. Confesso que isso foi como um bálsamo para mim. É muito gratificante saber que por onde se passa, as portas continuam abertas. É emocionante sentir o carinho das pessoas queridas e até das chefias antigas.
Pois é, estou com sintomas de saudades, mas estou me tratando. Percebi que não preciso voltar para ter meus amigos por perto. Decidi apenas sair da clausura e retomar a vida social, ao convívio daqueles de quem tanto aprecio a companhia.
Morar em uma cidade pequena tem suas vantagens. Pouco trânsito, todos se conhecem, basta abrir a guarda e as amizades florescem. Mas para mim, o melhor de morar na praia é em relação a minha saúde. Sinto-me bem, sem enxaquecas e isso é maravilhoso. 
Quanto as desvantagens, bem, sou suficientemente forte para superá-las, apesar de toda saudade. 
Somos livres para fazer nossas escolhas, portanto somos responsáveis pelas consequências que delas geram. Então, aqui estou, com sintomas de saudades, mas me sentindo aconchegada, amada e recompensada. Por ora basta, amanhã, no próximo mês, ano que vem, não sei. O tempo tem o tempo que o tempo tem! E o tempo que o tempo tem ele não conta parta ninguém!

Maria Conceição de Aguiar

sábado, 23 de agosto de 2014

TEMPO

E de repente eles se vão. Ao longo da vida vamos sofrendo a dor da perda de amores, amigos, pais, parentes, conhecidos. 
Os que nos são próximos deixam saudades, lembranças, sentimento de impotência. Àqueles que mal conhecíamos deixam-nos também entristecidos, porque tiveram uma história, uma família, um amor, uma vida da qual pouco sabemos, mas, ainda que distantes, sentimos sua perda.
Difícil conviver com a morte. Ela não chega com hora marcada, com aviso prévio, ao contrário, normalmente pega-nos desprevenidos, em meio a correria diária.
Então fico pensando na despedida que não houve, no abraço que não deram, nas palavras que não disseram, nas ações que não fizeram. E seus nomes continuam nas redes sociais, e-mails a ser respondidos, telefonemas a ser retornados, encontros que não foram desmarcados.
A roupa que ficou guardada para uma ocasião especial, a viagem que estava sendo planejada, o passeio, os sonhos, o futuro.
Futuro! Ao pensarmos no quão tênue é a linha que separa a vida e a morte, talvez percamos um pouco a noção e extrapolemos, passemos a viver o aqui e agora, o tudo hoje, porque o amanhã talvez não haja. 
Particularmente, acho que não. Precisamos sim viver o presente no presente. Mas, um dia de cada vez.
No entanto, sabendo dessa fragilidade, não podemos economizar vida. É preciso amar e espalhar bons sentimentos. Acordar cada manhã agradecendo pelo novo dia e, antes de dormir, por mais um dia!
Viver a generosidade, a harmonia, deixar sua marca de paz e tranquilidade, deixar seu afeto, conquistar e cativar.
Não, realmente não podemos economizar vida! Talvez não dê tempo para fazer a viagem tão sonhada, talvez não chegue a ocasião especial para estrear o vestido novo, talvez não consiga pedir perdão ou perdoar, declarar seu amor, fazer as pazes. Pode ser que não haja tempo para um novo curso, um outro concurso, outro trabalho, mais um filho, um grande amor. 
Ah, implacável o tempo! Como saber qual será a última vez que nos veremos? E porque não sabemos deixemos nosso melhor sorriso na despedida, um abraço caloroso, um até breve. E porque não sabemos quanto tempo temos com determinadas pessoas, tratemo-nas bem, cordialmente, educadamente, carinhosamente.
A morte é certa, independente da idade, da saúde, do estilo de vida. Quando chega a hora, ela nos encontra. Portanto, convivamos mais, façamos mais, vivamos mais. Não dá para economizar a vida! Ela é breve,e em segundos pode esvair-se. Então, viva e deixe viver, façamos florescer o que de melhor nela há!

Maria Conceição de Aguiar

REFLEXÕES....

Iniciei um novo curso virtual pela Academia Judicial do Tribunal de Justiça de Santa catarina. Estou gostando tanto que decidi dar uma parada para refletir sobre algumas leituras interessantes que o curso apresenta. 
O curso 'Administração Judiciária'. O primeiro módulo 'Gestão de Pessoas'.
Um tópico, em especial, chamou-me atenção. A história da telha. Dela originou-se a expressão 'feito nas coxas', pois até o século XIX os escravos a confeccionavam usando suas coxas como moldes, então saiam sem padrão de qualidade, sem formas definidas, seguiam a anatomia do corpo de quem as criava. O mesmo texto traça um paralelo entre as telhas na atualidade e as competências individuais. As telhas servem para proteger o ambiente, impedir a passagem da chuva, da luz, do calor e do frio. Entretanto, só atentamos para sua importância quando quebram e deixam de cumprir o seu papel. Assim somos nós. Na maioria das vezes trabalhadores invisíveis, desempenhando suas funções, atingindo suas metas e objetivos. Entretanto, somos notados pelos gestores apenas quando 'quebramos' e não mais realizamos nossas tarefas da maneira esperada!
Achei muito interessante esta abordagem e, como pensadora que sou, fiquei refletindo sobre o assunto. E parece fazer sentido. O mundo avança, as tecnologias tomam conta do cotidiano individual e coletivo, mas, na gestão de pessoas ainda há muito que alavancar.
Ainda vemos os quadros na parede com o 'funcionário do mês', ainda compara-se a produtividade, ainda temos papeis definidos os quais não podemos discutir, opinar, discordar.
E enquanto cumprimos nossas metas, quietos e amarrados à demanda do trabalho, que aumenta continuadamente, somos imperceptíveis. Sabem que estamos ali porque os resultados aparecem. Mas quando quebramos, adoecemos, instigamos, ousamos desafiar, então somos notados.
E dai, como telhas quebradas, tornamo-nos inúteis, devemos ser substituídos, reciclados talvez, mas sem muita serventia. De fato, instigante o tema!
Estou na quinta aula do primeiro módulo e já estou encantada com o quanto o curso tem me feito refletir, repensar, reanalisar e observar.
E quanto mais leio, mais pensadora fico. E recomendo. Tenho certeza de que aprenderei muito com este curso e gostaria que muitos outros o realizassem para que, assim como eu, possam refletir e expor sua visão sobre nossas atividades laborais.
Tenho certeza de que nos próximos módulos haverá outros textos, outras reflexões, outras citações e incitações. Até que deixemos de ser vistos como telhas. Mas até lá, vale a reflexão inicial, que tanto chamou minha atenção.
Parabéns ao CNJ e a ENFAM, que desenvolveram um curso bastante desafiador, capaz de mexer nos paradigmas, capaz de incentivar a redescoberta dos potenciais, das competências ee do gerenciamento destas. Pela primeira vez comento aqui um curso da Academia. Pela primeira vez estou plenamente satisfeita com o conhecimento compartilhado, que, de fato, está proporcionando reflexões! Vale a pena!

"Livre conhecimento não significa livre gerenciamento", Juíza Corregedora Eliane Nogueira.

Maria conceição de Aguiar

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

PAPO DE VÓ

E de repente nos damos conta do tempo passado, tão rápido e rasteiro que, quando nos apercebemos, tudo mudou.
Os filhos cresceram, formaram suas famílias, a casa ficou vazia. Nossos cabelos começam a mudar de cor, nossa pele vai perdendo o viço, nosso corpo já não é o mesmo, nossos movimentos não mais tão ágeis.
Mas eis que eles começam a chegar e tudo muda de lugar! Com a vinda dos netos, renascemos, literalmente. Tornamo-nos mais fortes, adquirimos novas habilidades, redescobrimos outras. Então lá estamos nós, novamente, sentadas no chão com as pernas cruzadas ajudando-os a montar um quebra-cabeças. Brincamos de casinha, de boneca, de escolinha, de carrinhos.
Com os netos revivemos, renascemos, redescobrimo-nos. Sensação maravilhosa de vê-los chegar aos domingos, com os braços abertos para o abraço apertado, perguntando o que tem de bom pra comer, o que vamos fazer juntos! Sensação maravilhosa ao ouvir coisas do tipo "Vó eu te amo", "a vó é minha princesa", "a vó é linda"!
Netos são a nossa recompensa maior. Tivemos filhos e os educamos para a vida. E eles nos recompensam gerando outras vidas, fazendo-nos avós!
E sofremos com suas febres, com seus choros, seus dissabores. E sorrimos com seu sorriso, suas alegrias e descobertas. E neles vemos nossos filhos, revivemos sua infância, nossa infância.
Quando estão longe a saudade aperta. Tê-los por perto é pura alegria.
Porque ser avó é apoderar-se de um sentimento imensurável, capaz de superar qualquer outro. Podemos mimá-los, amá-los, embalá-los. Podemos fazer aquele bolo de chocolate que tanto gostam, baldes de pipoca, sucos de todos os sabores, gelatinas de todas as cores.
Coisas tão simples que os deixam tão felizes.
E assim como nossos filhos cresceram, nossos netos crescem rapidamente. O tempo é implacável, não espera. Então, para estar com eles, abrimos mão de qualquer outro compromisso, dirigimos, viajamos, esquecemos nossas dores, tudo para ter horas agradáveis junto deles.
Sou avó, amo meus netos. Gosto de tê-los por perto. Gosto da casa cheia de alegria com a sua presença, dos brinquedos espalhados, da mesa sempre posta, do papo furado e do papo reto. Gosto das histórias que me contam e que pendem que lhes conte. Gosto das brincadeiras, das gargalhadas gostosas, dos passeios. E gosto, principalmente, de sentir o quanto meu amor por eles é correspondido. Sou avó e sou mais feliz por sê-la!


Maria Conceição de Aguiar

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

VENHA!

Venha de onde vier, sem hora marcada, sem bagagem pesada!
Venha sem medo, sem culpas nem traumas, com leveza na alma!
Venha de dia ou de noite, traga o sol ou a lua, sem sombras ou trevas!
Venha de coração aberto, mente arejada, desarmado!
Venha cheio de amor, transbordando paz, harmonizando!
Venha despido de preconceitos, de expectativas, de receios!
Venha de braços abertos e neles deixe que me aconchegue!
Venha para somar, multiplicar, emocionar!
Venha para me amar!
Venha para ficar o tempo destinado a nós!
Venha por inteiro, estou te esperando!
Venha!

CONVERSA DE MÃE

E de repente ela descobre que está grávida. E surge um misto de alegria e medo, surpresa e ansiedade, felicidade e preocupação. Então começam os preparativos para a chegada do novo ser. Consultas médicas, exames, enxoval, quarto...coração transbordando de tanto amor por este filho que ainda nem chegou, mas já é tão importante, faz tão bem!
E quando eles nascem elas ficam maravilhadas, completamente fascinadas por aquele bebê. E o chamam de seu. Acham-no lindo, perfeito, um sonho realizado.
Então elas assumem um novo papel, o de mãe. Papel esse acompanhado de vários outros, não menos importantes. Tornam-se heroínas, professoras, cozinheiras, doceiras, enfermeiras, contadoras de histórias...e aprendem a brincar de carrinho, de bonecas, de casinha, de bandido e mocinho, de bola, peteca e raquete. E jogam vídeo game, montam quebra-cabeças, assistem aulas de ballet, de futebol ou de inglês.
E eles crescem, os cuidados mudam, mas não diminuem, as preocupações igualmente. Adolescentes! As mães querem conhecer seus amigos, sua turma. Nasce então uma vontade de protegê-los de tudo e de todos, colocá-los debaixo das asas para sempre.Mas é claro que o bom senso fala mais alto. Então elas os preparam para seguir suas vidas. Mostram como voar, apontam os caminhos, tentam conduzi-los na direção certa.
Tarefa árdua, difícil mesmo, nem sempre conseguem. Mas eles crescem, abrem as asas e voam. Constroem seus ninhos, escrevem suas histórias, formam suas famílias.
E a mãe sempre acompanhando tudo, opinando quando pode, observando quando convém, calando-se quando necessário, sem omitir-se jamais! 
E nessa nova fase as mães aprendem a conviver com novas emoções. Novas alegrias e frustrações. Novos sabores e dissabores. 
Momentos de extrema felicidade quando os veem escolher um rumo, uma profissão, um curso, um trabalho, um amor.
Momentos de intensa agonia quando eles sofrem pela indecisão na hora das escolhas, pelos amores frustados, pelos tombos naturais, pelas derrotas.
E as mães sofrem quando não conseguem ajudar o filho a superar, a se reencontrar, quando o vê seguindo caminhos tortos, parcerias erradas, escolhas erradas.
E elas torcem o nariz para a piriguete que  ronda o seu menino, para o cafajeste que cerca a sua princesa. Hum, coração de mãe não se engana não é? Pois é! Intuição de mãe é forte.
Mas a vida segue, cada qual toma seu rumo. Mas os filhos que foram verdadeiramente educados levarão para sempre os ensinamentos, as palavras, os exemplos da mãe. 
E elas terão sempre a certeza de que tudo valeu a pena. E chegará a hora em que se tornarão filhas dos seus filhos e colherão o que plantaram: Amor, dedicação, carinho, cuidados. Porque ser mãe é uma bênção e ter mãe é uma bênção ainda maior! Amor incondicional!

Maria conceição de Aguiar

quarta-feira, 30 de julho de 2014

DEPOIS DO CHAMPIX

O tratamento dura três meses. Drástico, com tantos efeitos colaterais que dá até vontade de desistir. Mas, fiz direitinho, do início ao fim. E consegui ficar sem fumar por um ano e meio!
E depois? E agora?
Durante o tratamento, de fato não sentia vontade de fumar. Apesar de ficar meio lesada, em todos os sentidos, convivia bem com a abstinência. Findo o uso do medicamento, a vontade voltou com força total, então apelei para a força de vontade, a determinação em não voltar, não sucumbir, não recair.
E assim foi durante um tempo.
Até que numa linda noite de verão, num encontro com amigos ao ar livre, cerveja gelada e papo bom, cheiro de cigarro, tentação, vontade, fraqueza.
Então sucumbi! Fiz o que não poderia ter feito, peguei um de uma amiga e fumei. Achei que fosse ficar tonta, passar mal, vomitar, sei lá, depois de tanto tempo. Mas qual nada. Foi como se nunca tivesse parado.
E no dia seguinte mais um, até que no terceiro dia estava comprando e fumando novamente.
No início me senti culpada, derrotada pelo vício, chateada por ter fraquejado.
Depois com raiva de mim, do CHAMPIX enganoso, do prazer que o vício me proporcionava.
E tempos depois decidi assumir. Reconheço que assim como um alcoolista em recuperação não pode dar o primeiro gole, uma tabagista em recuperação não poderia dar a primeira tragada.
Pois é, eu recaí. E há um ano voltei a fumar!
Não estou comemorando este aniversário, estou apenas recordando, desabafando e admitindo minha fraqueza.
Não sei se terei ânimo para fazer outros tratamentos, porque esse que fiz era para ser eficaz, inovador, para sempre. E não foi. Talvez algo mais drástico como internação, nada menos. 
E eis que me gabo inteligente, leitora e escrevedora, instruída, bem informada mas, ainda assim, deixo-me dominar por algo que me faz mal, que me destrói, envelhece, deixa minha pele e meu cabelo feios, minha roupa cheirando mal.
E me deixo dominar, sem mais relutar, sem mais questionar. Estou preguiçosa demais para duelar, para travar batalhas que sei serão infrutíferas enquanto eu não estiver plenamente consciente da real necessidade de dar um basta. e, confesso, não estou! Ainda não!

Maria conceição de Aguiar
30/7/2014

sexta-feira, 25 de julho de 2014

EQUIPE

O que é uma equipe? Acho que é muito mais que um grupo de pessoas reunidas em uma sala, uma casa, um escritório.
Na verdade, considero bastante distinta a definição de grupo e de equipe. Para mim, grupos podem se formar para realizar um trabalho, executar tarefas, ouvir palestras, debater ideias... Já equipes vão se formando aos poucos, através dos grupos. Os membros de uma equipe forma um todo, nem sempre uníssono, nem sempre cordato, mas abertos ao diálogo, receptivos às mudanças, as ideias, as trocas e divergências de opiniões.
E quem os conduz? Normalmente o grupo tem um chefe, o qual distribui tarefas individuais e cobra resultados, desempenho, produtividade.
Já a equipe possui um líder que se destaca por 'pegar junto', assumindo com sua turma as tarefas, os erros e acertos.
O chefe é imposto, o líder, escolhido. Ambos podem estar na mesma pessoa, dependendo da postura com que encara as rotinas do dia a dia, com que trata sua equipe ou grupo, como delega, como traça as metas e objetivos, como recebe e emite as críticas e elogios, como se sai em situações de conflito.
Na equipe não há individualismos. Somos nós! Não há vencedores e vencidos, há companheiros em busca dos mesmos objetivos.
E apesar dos avanços tecnológicos, das várias ferramentas que facilitam a comunicação e a realização das tarefas cotidianas, apesar de estarmos na era virtual, digital, ainda há mentes completamente analógicas. Pessoas que ainda pensam que o mundo gira aos seu redor, que sãoé insubstituíveis, ou que, ao contrário, com medo de serem substituídos, assumem a postura caótica do 'chefe'!
Mas basta olharmos ao redor, lermos os noticiários, analisarmos os resultados. Os trabalhos realizados em equipe atingem patamares memoráveis. 
Mas isso não acontece da noite para o dia. Uma equipe vai sendo formada aos poucos, com incentivos, com objetivos claros, com visão! Trabalham em sintonia, agem com parceria.
Pois é, verdadeiramente acredito que, seja na vida privada, escolar ou profissional, ou somos equipe ou não seremos nada.
Então, deixemos de lado a visão simplista do eu e passemos a enxergar o nós. Deixemos de apontar o dedo para os erros alheios e passemos a ajudar a consertá-los. Deixemos de vangloriar-nos pelos acertos individuais e passemos a compartilhá-los com nossa equipe, porque, se analisarmos detidamente, veremos que nada fazemos sozinhos. Aliás, sozinhos somos quase impotentes, pois não dotamos todos os saberes, não dominamos todas as etapas, portanto, não conseguimos ir do início ao fim. Entretanto, quando a equipe está engajada, cada qual dá o seu melhor visando concluir o todo em harmonia e sintonia.
Pois é, a vitória é sempre resultado do trabalho em equipe e geralmente coordenada por um líder que sabe conduzi-la como o maestro de uma orquestra, sem gritos, sem exageros, sem devaneios, apenas com pequenos gestos, olhares, palavras! 
Portanto, reafirmo, em todos os sentidos e em todos os aspectos, ou somos uma equipe pu não seremos nada!

Maria Conceição de Aguiar


quinta-feira, 24 de julho de 2014

ENTRE MULHERES

Nós evoluímos, conquistamos o mundo. Provamos que somos capazes de realizar quaisquer tarefas, encarar os mais duros desafios, enfrentando obstáculos e vencendo-os sem perder o charme, a elegância e a essência feminina.
Nós aguentamos firmes as dores do parto, da depilação, da unha encravada. Submetemo-nos a procedimentos estéticos torturantes, apertamos nossos pés em saltos desconfortáveis, tudo em nome da vaidade, beleza, essência feminina.
Nós sabemos ser mães, educar, criar, formar nossos filhos. Sabemos ser esposas, namoradas, amantes, companheiras de todas as horas. 
Somos criativas, normalmente bem humoradas, fazemos a diferença na sociedade, sem sombra de dúvida.
Pois é, nós mostramos a que viemos!
Entretanto, por mais que avancemos, continuamos a duelar entre nós. Ao invés de unirmos forças, na maioria das vezes, encaramos as outras mulheres como rivais, ameaça a nossa soberania. Então entramos numa competição meio irracional. E não votamos em outras mulheres, não queremos ser chefiadas por mulheres, preferimos liderar equipes masculinas.
Escolhemos umas poucas amigas e, de resto, rotulamos, taxamos, encaramos como se inimigas fossem.
E eis que começamos a travar uma guerra desleal, atacando e ativando mecanismos de defesa cada vez que nos sentimos ameaçadas pela colega, pela professora do filho, pela amiga do namorado, pela vendedora da loja, por outra mulher.
Claro, não é regra. Há mulheres que conseguiram superar este complexo de inferioridade, este trauma de que mulher não confia em mulher, outras, lutam diariamente para superá-los.
Mas ainda há muito que melhorar, progredir, avançar.
Somos mulheres e, assim como os homens, temos qualidades e defeitos, dons e competências distintas. Não há sentido em travarmos batalhas diárias para marcar território, tentando provar que somos melhores que as outras, usando de artimanhas nem sempre corretas para que sejamos notadas, valorizadas, respeitadas. Também não podemos assumir o papel de coitadas, vítimas da sociedade machista que nos impôs a condição de competir a qualquer preço.
Somos mulheres e somos muitas em uma e uma em muitas. Podemos tudo, mas sabemos ponderar o que nos convém. E cabe a nós decidirmos viver em harmonia, unindo forças, somando e multiplicando, compartilhando os resultados positivos das atitudes positivas. Ou, cair na mesmice do achismo, das rivalidades vãs e das perdas que essa escolha significa. A decisão é diária, constante, carece de amadurecimento e discernimento, mas depende de nós mulheres!

Maria Conceição de Aguiar

quarta-feira, 2 de julho de 2014

CÁ ENTRE NÓS

De vez em quando fico pensando sobre as mil e uma utilidades que temos nesta vida. Somos mães, donas de casa, esposas, namoradas, estudantes, profissionais, consumidoras, enfim, somo úteis.
Cada dia é um verdadeiro desafio para que consigamos desempenhar todos os papeis a contento, sem deixar nada nem ninguém para trás. Casa arrumada, tarefa escolar supervisionada, jantar pronto, trabalho concluído, responder os e-mails, retornar os telefonemas, lembrar dos aniversariantes. Ufa, cansa só de pensar.
Mas, cá entre nós, o que acontece quando nossa utilidade diminui? Quem fica ao nosso lado? Quem ajuda, apoia, entende, colabora? Podemos nos tornar inúteis apenas na velhice, quando começamos a esquecer nomes e datas, perdendo o vígor para desenvolver as tarefas cotidianas. Quem ficará conosco? Não é fácil cuidar de velhos inúteis!
Mas podemos ficar inúteis bem antes. Acometidos de uma doença grave, estéreis, deprimidos, sem dinheiro, endividados. E então quem nos aguentará sem nenhuma utilidade?
Olha, difícil aceitar que não somos mais necessários, podemos ser descartados a qualquer momento, basta que não tenhamos utilidade.
Vejo filhos que deixam seus pais em casas de repouso, porque tornaram-se inúteis, não podem mais ajudar nos trabalhos domésticos, cuidar das crianças ou produzir qualquer coisa. Ao contrário, tornaram-se dependentes, frágeis, debilitados. Mas não dá para desacelerar, melhor passar o compromisso para outros.
Conheço mulheres abandonadas pelo marido porque entraram na menopausa e sofreram com as suas consequências. 
Sei de pessoas que são desprezadas por sofrerem transtornos como a depressão, a bipolaridade, entre outros.
Vejo colegas doentes sofrerem discriminação por que estão momentaneamente inúteis. Como se a licença para tratamento de saúde fosse uma afronta e não um direito. Como podem ter paz de espírito para tratar a saúde sabendo que seus superiores torcem para que logo se aposentem e que a vaga possa ser ocupada por alguém saudável, útil!
E há os que perdem o emprego, ficam sem dinheiro, então já não têm a quem recorrer. Os amigos desaparecem, os credores surgem de todos os lados.
Complicado ser taxado de inútil. Quem sobra? Quem estende a mão? Quem consegue se colocar no lugar do outro e pensar que poderia ser consigo aquela situação, aquele problema.
Muitas vezes já cometi o erro de perder a paciência, julgar, condenar. Mas, aos poucos, tenho aprendido a me colocar no lugar do outro, tentando entender o que está passando e enxergar o que está precisando. Talvez eu nem possa ajudar, mas se não julgar já é um bom começo. Tenho procurado, cada vez mais, tratar os demais como gosto que me tratem, independente da condição, da situação, da sua utilidade! 
Mas há um consolo. Ao nos tornarmos desnecessários saberemos o quanto e por quem somos amados. Entenderemos para quem temos valor. Porque nessa hora sobrarão apenas os que nos querem bem, verdadeiramente. Portanto, não podemos desanimar jamais. Mesmo incapacitados, sempre seremos úteis para alguém, sempre haverá uma mão estendida, renovando a esperança! 
Mas, cá entre nós, nesse mundo competitivo, dá um tantinho de medo de sermos rotulados de inúteis!

Maria conceição de Aguiar

NOVAS VOVÓS

Minha amiga tornou-se avó e está meio assustada com isso. Olha para o bebê e sente um amor imensurável, quase inexplicável. Parece seu! Um misto de sentimentos, quer protegê-lo, cuidá-lo, mimá-lo, mas a palavra avó não lhe soa bem.
Ao olhar-se no espelho vê-se bela e jovem, nada parecida com as avós das nossas histórias. Ao contemplar sua filha enxerga ainda uma menina. Mas a menina cresceu, tornou-se mulher, mãe. E minha amiga, avó!
Sei bem como se sente. Já experimentei essa sensação estranha do primeiro neto, dos primeiros meses, até acostumar-me à nova realidade, até aprender a desempenhar um novo papel social, até entender que a cira da minha filha era dela, meu neto, e eu, avó!
Sabe amiga, entendo perfeitamente o que sentes, como te sentes. Mas olhe, aos poucos vamos nos acostumando. Começamos a ocupar nosso real espaço na vida dessa criança, que também é nossa, de maneira diferente. É filha da nossa filha. É nossa descendência e o amor de avó é diferente do amor de mãe. Porque não temos que educar, apenas mimar, amar, aconchegar.
E com o passar do tempo ela vai crescendo e a maravilhosa sensação e ser avó torna-se mais evidente. Quando nos olha e abre um largo sorriso. Quando aprende a falar a palavra vovó. Quando abre os abraços e corre ao nosso encontro. Quando nos imita no jeito de andar, falar e vestir. Quando pede para brincar com nossos sapatos de salto alto, nossas maquiagens, nossos vestidos de festa. Quando mais tarde ligar e dizer: "Vó, preciso conversar contigo". Então desabafa, conta-nos suas mazelas que, para eles tão importantes, para nós coisas de criança, adolescentes. Mas os ouvimos, entendemos e conversamos com suas mães e pais.
Hoje tenho cinco netos, o mais velho já com treze anos, fala das suas coisas, desabafa, pede conselhos. E eu, limito-me a ouvi-lo e tentar ajudá-lo explicando sobre as dores do crescimento, as mudanças no corpo e na vida, na maneira de pensar e de ver o mundo. Deixando claro que seus pais querem o melhor para ele e que, portanto, deve sempre ouvi-los.
O mais novo fica feliz quando vou visitá-lo ou quando vem na minha casa. Aos quatro anos solicita minha atenção para ler para ele, brincar, jogar, levá-lo para passear. Adoro isso!
E as três meninas, ainda pequenas, filhas das minhas filhas, admiram meu batom vermelho, pedem para usá-lo. Brincam com meus saltos e me imitam. Gostam de estar comigo e eu adoro estar com elas. Com os cinco aprendi a desempenhar o papel de avó!
Portanto amiga, tenha calma. Não tenha pressa, não tenha medo. Você vai vê-la crescer e se desenvolver naturalmente. Vai estar ao lado dela sempre que precisar, sem sufocar, sem querer ser a mãe, vai aprender a ser a vovó! E tenho certeza de que cada vez que você a tem nos braços, sente um misto de medo e felicidade. Mas é normal, natural.
Deixe sua filha ser mãe e ocupe seu lugar de avó. Aos poucos o medo desaparece, passamos a distinguir com maior exatidão a diferença entre ser mãe e avó. E posso te afirmar que vale a pena. Vale muito a pena!
Que Deus abençoe tua família, que venham outros netos, e que tenha a certeza de que os laços que te unem a essa criança são eternos, fortes, inexplicáveis!

Maria Conceição de Aguiar

segunda-feira, 30 de junho de 2014

PODER DO PERDÃO

Saber perdoar é uma dádiva, na verdade, um sinal de maturidade, de grandiosidade, de generosidade. Principalmente consigo. Poque ao perdoar os erros de alguém, as ofensas que nos causaram, a puxada de tapete, a fofoca, a mentira, a calúnia, a traição, estamos nos libertando do peso da mágoa, da angústia, do sofrimento que determinada ação nos causou.
Então perdoar é necessário para que consigamos seguir adiante, sem resquícios, sem ficar remoendo, sem tentativas de vingança, sem revanche. Livres!
Mas perdoar, na minha concepção, não significa que queremos nos reaproximar de quem nos feriu. Porque voltar a confiar e acreditar é quase impossível. Não precisa, podemos manter distância, deixar de lado, até ignorar, mas sem culpas nem ressentimentos, com leveza nos sentimentos.
Já fui rancorosa, já acumulei mágoas e dissabores. Com o tempo percebi que tais coisas só faziam mal a mim. Quem as causou seguia sua vida normalmente. 
Então fui amadurecendo, mudando meus conceitos, revendo minhas atitudes. E aprendi a perdoar.
Sou contra a vingança e a favor da justiça. Então que sejamos justos.
Ao sermos traídos de alguma forma, por um amigo, um parente, um colega, um amor, tendemos a ficar mal. Inicialmente nos culpamos tentando encontrar explicação para o fato. Depois deixamo-nos inundar de ressentimentos, ódio, raiva, decepção.
Mas, quando simplesmente perdoamos, o alívio que sentimos é imensurável. Estamos libertos.
Não precisamos mais entender os motivos, não necessitamos mais buscar respostas. Passamos a limpo!
Mas o perdão há de ser real, verdadeiro, limpeza da alma, da mente e do coração. Enquanto remoermos a situação não ficaremos livres, não teremos perdoado pra valer.
E assim também é quando erramos e pedimos perdão. O alívio é libertador. Mas, nesse caso, ao admitirmos que erramos, temos a chance de tentar reparar, consertar, voltar atrás. Porque perdoar a nós mesmos também é imprescindível para alcançar a paz de espírito necessária para viver cada dia.
Hoje já não guardo mágoas nem rancores. Aprendi a perdoar e a pedir perdão. Para alguns erros, além do perdão, ofereço uma segunda chance, uma nova tentativa, um recomeço.
Para outros, prefiro manter-me longe, distante, mas sem sequelas. Não, definitivamente não tenho mais sequelas das mazelas vividas. estou livre, estou em paz.
E sabendo perdoar a mim, aos outros e, sabendo pedir perdão, sinto-me mais leve, mais tranquila, mais feliz! E diariamente repito: Eu sinto muito, me perdoe, eu te amo e sou grata! E diariamente eu perdoo, faço uma limpeza na memória e durmo sem nenhum ressentimento. Demorou, mas aprendi e estou muito melhor assim!

Maria conceição de Aguiar

domingo, 29 de junho de 2014

PARABÉNS AMIGA

Hoje quero fazer um texto diferente. Uma pequena homenagem a uma amiga muito especial. Éramos colegas de trabalho mas nos identificamos tanto que nos tornamos amigas de verdade. Temos, em nossa história de vida, trechos muito parecidos. Temos também pensamentos e convicções que se assemelham, por isso, em vários pontos, somos parecidas. Uma breve narrativa da sua trajetória, minha homenagem.
Ela casou muito cedo e logo teve duas filhas. Estudou e se tornou professora. Ansiosa por mudanças, mudou de profissão, aprendeu novo ofício, construiu uma família, tornou-se suporte do lar. Conseguia conciliar a vida profissional com a maternidade, ser esposa, dona de casa, filha e irmã. Vivia no interior e era feliz na simplicidade escolhida.
Mas como a vida não é um conto de fadas, o que parecia perfeito, desabou. Traída pelo marido, descobriu que ele seria pai fora do casamento. Mas uma mulher elegante e generosa não se deixa abalar. perdoou e até pensou em criar aquela criança como seu. Então refletiu, aconselhou-se, ponderou e decidiu que não, resolveu dar um basta!
Pediu a separação, a transferência do emprego para outra cidade e foi embora, com as filhas adolescentes, rumo à cidade grande, cheia de medos e anseios, mas repleta de coragem, garra e determinação.
Aos poucos a vida retorna ao eixo e então ela começa a permitir-se viver. Trabalhando muito para terminar de educar as filhas, fez novos amigos, conheceu pessoas, enamorou-se.
Anos mais tarde conheceu o amor da sua vida, estava pronta. E ousou recomeçar, acreditar, deixar-se envolver. Casaram e vivem em harmonia, claro, como a maioria dos casais, com altos e baixos, mas sem hipocrisias.
A vida pessoal em ordem, filhas crescidas, independentes, casamento solidificado, avó! Mas faltava um sonho a ser realizado. Cursar uma nova faculdade, específica, Direito. Então, novamente ousou e durante cinco anos dedicou-se ferozmente aos estudos, sem deixar de ser a esposa, a dona de casa, a mãe, a filha, a avó. Cada coisa no seu lugar, organização.
E eis que agora ela conquista o tão sonhado diploma e a aprovação no exame da Ordem na primeira tentativa. Feliz e orgulhosa, com toda razão. 
E aos 52 anos de idade, minha amiga certamente tentará um novo concurso, ousará ir mais longe ou, em breve, passará a exercer o ofício de advogada, com o mesmo brilhantismo que exerceu todos os demais.
Sinto-me honrada por ser sua amiga, por ter acompanhado sua história, ouvido seus relatos, debatido nossas vidas.
Sinto-me orgulhosa e feliz por ela, porque sei que está colhendo exatamente o que plantou, é merecedora de cada conquista, de todas as vitórias. 
Sinto-me inspirada pela sua força e determinação, coragem e sabedoria. Sabedoria essa conquistada aos poucos, vivendo cada fase, acreditando, caindo e levantando, sem jamais esmorecer. 
Parabéns amiga, siga em frente e que Deus continue abençoando seus planos e objetivos, sua família, sua vida. E que bom saber que posso chamá-la de amiga, em toda concepção da palavra. Obrigada e continue brilhando. Parabéns!

Maria Conceição de Aguiar

TRECHOS

"O Pequeno príncipe", meu livro predileto, deu-me importantes lições sobre o amor, a lealdade, a fidelidade. "É o tempo que dedicas a tua rosa, que a faz importante. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. O essencial não é visto com os olhos; é sentido com o coração."
Acredito sim que o tempo que dedicamos a alguém, o quanto de amor lhe damos é que o faz tornar-se importante para nós. Isso é cativar. E, ao cativarmos a amizade, o amor, o coração ou a admiração, ao cativarmos determinada pessoa, tornamo-nos responsáveis por ela, espelho, reflexo, compromisso! Essas coisas são essenciais e não podem ser vistas com os olhos, porque, embora óbvias, referem-se a sentimentos! E se nos deixamos cativar então tudo fica ainda mais bonito. Ficamos mais fortes, coração cheio de bons sentimentos, formamos elos, tornamo-nos parte da vida de quem nos conquistou!
"A Culpa é das Estrelas", livro lindo, mostrou-me que o amor sempre vale a pena e que, correr riscos, faz parte. “Não dá para escolher se você vai ou não vai se ferir neste mundo, meu velho, mas é possível escolher quem vai ferí-lo. Eu tenho medo de ser esquecido."
E quem não tem medo de ser esquecido? Queremos ser lembrado, de preferência com carinho. As feridas cicatrizam, os medos podem ser superados, as escolhas que fazemos trarão as consequências relativas, e assim será!
"O Caçador de Pipas", excelente livro, ensinou-me que, apesar das desigualdades, a família e os amigos devem estar acima de qualquer outra coisa. "Existe apenas um pecado, um só. E esse pecado é roubar. Qualquer outro é simplesmente a variação do roubo. Quando você mata um homem, está roubando uma vida. Está roubando da esposa, o direito de ter um marido, roubando dos filhos um pai. Quando mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando trapaceia, está roubando o direito à justiça..."
Quando li esse trecho no livro refleti e concordei. O maior de todos os pecados é roubar. Não temos o direito de roubar os sonhos de ninguém, os seus direitos, deveres e, principalmente, a sua personalidade. Então é preciso cuidado ao lidar com os sentimentos alheios, evitar a manipulação, a mentira, o dolo. Ao enganarmos ou iludirmos um coração estamos roubando-lhe a felicidade!

E há ainda trechos memoráveis de poemas, sonetos e músicas, que carrego comigo como fonte de inspiração, reflexão, desenvolvimento. Sou amante dos livros, dos textos, das crônicas, das músicas de boa qualidade. Sou pensadora nata e escrevedora por vocação, então, ler e ouvir grandes autores é para mim a melhor distração, o maior divertimento. E, para finalizar, cito alguns dos meus preferidos, apenas alguns, porque tenho uma lista enorme para recomendar!
"Que não seja imortal, posto que é chama, Mas que seja infinito enquanto dure" (Vinícius de Moraes
"Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a escrever." ( Clarice Lispector)
"Eu quero o silêncio das línguas cansadas, Eu quero a esperança de óculos; E meu filho de cuca legal
"Queria ter aceitado as pessoas como elas são. Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração."
"Mas "quase" também é mais um detalhe; Um grande amor não vai morrer assim; Por isso, de vez em quando você vai lembrar de mim"
Elis Regina, Titãs, Roberto Carlos. Trechos riquíssimos, eloquentes, os quais admiro.
Ah, palavras escritas que se transformam em letras de músicas, poemas, livros, histórias...amo muito tudo isso!

sábado, 28 de junho de 2014

QUERENDO

E nessas andanças aumenta mais e mais minha ânsia por mudanças! Aff, como sou mutável, graças a Deus!
Estou querendo mais!
Mais abraços apertados, mãos entrelaçadas, braços abertos, beijos quentes, noites sem dormir!
Mais sorrisos, olhares e papo bom! Mais passeios, viagens e a alegria de voltar para casa!
Estou querendo dançar, levitar, suspirar, prender a respiração de tanto amor!
Mais dias de sol, mais noites de lua cheia, mais finais de semana.
Estou querendo um novo amor, um amor novo, um motivo, um sentido, um encontro.
Mais vida, mais sonhos, mais realizações, mais livros, mais textos.
Mais namoro, mais atrevimento, mais ousadia!
Ah, como o novo me atrai. e me deixo levar pelas vontades, quando quero, vou atrás!
Então agora penso que estou querendo amar e ser amada, ser a namorada, ficar apaixonada!
Porque a vida pulsa em mim com tamanha intensidade que, de tempos em tempos, preciso desencantar, renascer, reviver, renascer!
Fico pilhada, gosto disso. Minha energia me inspira. Escrevo, trabalho muito, cuido da casa, sou mãe e avó, amiga de toda hora.
Mas está faltando alguma coisa, neste momento, claro! Quero um amor.
Um amor na medida, nem demais nem de menos. Um amor feito de laços mas sem nós, sem amarras, sem frescuras.
Estou querendo, mas não procurando, talvez esperando! Mas não é muito do meu perfil esperar. Porque logo já quero outra coisa e esqueço o queria agora. portanto, acho que preciso agir.
Meu coração e minha mente estão abertas ao amor. Meu corpo está sempre pronto para o amor! Então que venha, que chegue, que fique por um tempo, pouco ou muito tempo, o tempo todo, não sei!
Sei apenas que estou querendo! E isso já é um bom começo!

Maria Conceição de Aguiar

METÁFORA

E no meio de um temporal o céu escurece, as nuvens pesadas impedem a visibilidade e o vento forte dilui pensamentos. Em meio ao temporal a chuva grossa tudo embaça, o barulho dos trovões ensurdece, os raios assustam.
E de tempos em tempos atravessamos temporais. Alguns duram dias, semanas, meses. Enquanto o estivermos contemplando, sentindo, vivenciando tudo fica conturbado, deturpado, estranho. 
E quanto mais tentamos sair dali, mais envoltos ficamos, mais amedrontados, assustados, sem conseguir ver uma estrela no céu, uma ponta do arco-íris, um filete de sol.
Mas eis que mesmo em meio a um grande temporal e, apesar dele, precisamos continuar vivendo, trabalhando, executando nossas atividades, dando seguimento à vida!
Então o enfrentamos!  Ousamos passar por ele, mesmo com medo, mesmo receosos. 
E nos deixamos molhar, ligamos o limpador de para-brisas, o desembaçador, abrimos as janelas da casa e da alma.
E então, ao encararmos o temporal começamos a nos surpreender com a força que temos, com tudo que somos capazes, com nossa superação.
Enfrentando o temporal ele passa, sempre passa. O sol volta a brilhar, as estrelas surgem resplandecentes, a lua majestosa, o céu limpo de novo!
Então, passado o temporal, é hora da faxina, da limpeza, da remoção dos entulhos, da lama, do mofo. Momento de renovação, inspiração, recomeço!
Pois é, temporais são inevitáveis, a intensidade que eles têm é que depende de nós, do que fazemos, de comor reagimos. É preciso suportá-los por um tempo, mas reagir até que passem, sem forçar nada, sem tentar remar contra a correnteza, apenas saindo dele com calma, paciência e sabedoria. 
Sim, saber atravessar os temporais da vida é ser sábio, é aquirir a sapiência necessária para lidar com a vida e com o que ela nos apresenta diariamente. Com um limão podemos fazer uma limonada, uma caipirinha ou tomar seu suco puro e ficar fazendo careta pelo gosto amargo que fica. Depende de nós! A chuva que alaga é a mesma que rega e gera vida, depende de nós!
Depende de nós o rumo que damos à vida, a maneira como enfrentamos os revessos. Enquanto temos vida e mente ativa, somos responsáveis por nossos atos e atitudes e, claro, pelas consequências das decisões. Portanto, enfrentemos os temporais e saibamos sair deles ainda mais fortes, com alma e coração lavados!

Maria Conceição de Aguiar

sexta-feira, 27 de junho de 2014

PARÓDIA

O tempo passa, o mundo evolui rapidamente, mas as princesas Disney continuam influenciando e moldando a vida de muitas mulheres, em pleno século XXI.
Natural uma menina sonhar em ser princesa, vestir-se e portar-se como tal. Sonhos de criança. Mas, ao crescer, é preciso cair na real e entender que a vida é bem mais que um faz de conta, não dá pra ficar parada esperando o príncipe encantado. Pois bem, nem todas crescem.
Conheço Brancas de Neve que vivem em pequenas aldeias, cercadas de 'anões', os quais fazem de tudo para agradá-las, conquistá-las, encantá-las. Mas não, elas os consideram inferiores. Não conseguem enxergar suas qualidades na simplicidade em que vivem, tratam-nos bem, mas mantendo a distância necessária, deixando claro que não devem aproximar-se além do estabelecido. Envelhecem esperando o príncipe aparecer montado em seu cavalo branco para então viverem felizes para sempre!
Sei de Belas Adormecidas que se enclausuram em seus castelos de sonhos sem ver o mundo, sem contato com os outros, sem querer acordar. Seguras em seu quarto arrumado, vivem no sonho de que o príncipe chegará e com um beijo as acordará e então começarão a amar, como num passe de mágicas onde o coelho sai da cartola.
Há Cinderelas que se sujeitam aos maltratos das irmãs, da madrasta, da família, porque nada fazem para mudar a situação. Não reagem, não batalham, não se impõem. Limpam, cozinham, costuram, sempre resmungando e reclamando, mas sem coragem de atravessar a porta e ir em busca da vida real. Ao contrário, esperam pela fada que as deixará belas, prontas para o primeiro baile e lá encontrarão o seu príncipe.
E tem muitas que escolheram a vida da Rapunzel. Do alto da torre apenas observam o tempo correr, ninguém pode se aproximar, não há espaço para mais nada além da espera pelo amor ideal.
Pois é mulherada que vive presa no sonho de viver um conto de fadas, sinto desapontá-las, mas vocês têm que ir à luta.
Os príncipes não se encantam tão facilmente. Querem mulheres de verdade, prontas para a vida. Que saibam o que querem, que estabelecem objetivos e vão em busca deles. Que estudam, leem, trabalham, vivam. Que enxerguem além da aparência. Que não ficam eternamente nas janelas e torres, apenas esperando.
É possível ser princesa sem sapatos de cristal. É possível ser princesa e culta, profissional, descolada.
É possível ser princesa real que vai pra balada, sai com as amigas, paquera, namora, tem pegada e não espera ser escolhida, sabe escolher. É possível ser princesa escolhendo por amor, afinidades, semelhanças ou diferenças, independente dos defeitos e imperfeições do príncipe, dividindo as despesas, alegrias e frustrações.
E se for para se inspirar que seja na Bela, que enxergou a Fera além da sua aparência e má fama. Soube amá-lo e por ele amada, vencendo juntos as barreiras das diferenças!
Portanto, princesas acordem! O príncipe não chegará altivo em seu cavalo branco, nem num camaro amarelo para salvá la. Talvez você o encontre de carro popular, de motocicleta, bicicleta ou a pé. Mas faça a sua parte, acorde! Olhe para os lados, analise-se e veja que na vida real o que vale é viver uma história legal. E que seja eterno enquanto dure!

Maria Conceição de Aguiar

quinta-feira, 26 de junho de 2014

ADMIRÁVEL

Admirável beleza ao contemplar a natureza!
Admirável o sol nascente, não menos belo o poente!
Admirável imensidão do mar, da onda na praia a bailar!
Admirável o céu estrelado, ensolarado, nublado!
Admirável o assovio do vento, fazendo correr o tempo!
Admirável o dia e a noite e entre os dois a ponte!
Admirável a vida e a morte, leme ao norte!
Admirável o amor que aflora e a saudade que afoga!
Admirável a lembrança boa, a despedida à toa!
Admirável o homem e a mulher, e deles o que vier!
Admirável o gerar outro ser e ver nova vida nascer!
Admirável mundo velho, entrelaçado meio sem elo!
Admirável concepção do ser, saber, aprender!
Admirável terra viva, fonte de vida!
Admirável!

NOVIDADES

Adoro o novo, literalmente! Por isso não penso muito quando decido mudar. Decido e faço acontecer!
E mudo de casa, de cidade, de profissão, de trabalho, de amor, de opinião, de conceitos!
As novidades me atraem, atiçam minha curiosidade e me impulsionam à aprendizagem.
Estou, neste momento, aprendendo a me integrar ainda mais ao mundo virtual, digital. Digo ainda mais porque no meu dia a dia já sou bastante conectada. Blogueira, participo das redes sociais, salvo e compartilho meus arquivos no OneDrive. Mas, em breve também o meu trabalho será executado no ambiente virtual.
Estamos migrando para a realidade dos processos digitais!
Então, além de estar fazendo um curso virtual, participei do curso presencial. Confesso que minha cabeça está dando nó com tanta informação. Mas confesso também que estou gostando, sentindo-me desafiada e isso me fascina.
Novos desafios, novos projetos, novos aprendizados, novas tarefas. Fascinante!
Porque penso que não podemos nos deixar estagnar pelo cansaço, pela mesmice, pelo comodismo ou pelo medo. Não, ao contrário. Acredito que necessitamos de constantes desafios, os quais reativam nosso pensar e agir, nosso raciocínio, nossa infinita capacidade de aprendizagem.
Ah, sou fá das novidades. Não desprezo o velho, o passado, o que ficou, minhas bagagens. Mas estou sempre pronta para o novo, o diferente, o desafiador!
E aquariana de mente barulhenta e perfil questionador, fico feliz em conhecer novas tecnologias e inserir-me na vida real do mundo virtual!

Maria Conceição de Aguiar

segunda-feira, 16 de junho de 2014

PARA SEMPRE!

Para sempre pode se referir a um dia, uma noite, uma semana, um mês, um ano, uma década, muitos anos, uma vida inteira.
Uma vida inteira pode durar um dia, uma noite, uma semana, um mês, um ano, uma década, muitos anos.
Um momento, uma lembrança, um abraço, uma palavra, um gesto, um sorriso são coisas que podem ficar para sempre em nós, em quem transmitiu ou em quem recebeu.
Como é relativo o tempo. Pouco tempo, muito tempo, tempo ideal! Tudo depende da circunstância, da visão que temos, da sensação do acontecimento. 
Os dias de uns podem faltar horas, faltar tempo, já os de outros as horas vagam, o tempo sobra. 
Mas, pensando bem, é difícil definir o que é para sempre, quanto tempo dura uma vida inteira.
Numa fração de segundos tudo pode acabar, transformar-se, mudar. 
Sentimentos mudam, realidades são reviradas, maneiras de pensar são revistas. Vidas são ceifadas diariamente.
Mas não costumamos pensar muito nessas coisas, nem tem por quê. Vivemos o hoje, o momento presente e assim deve ser. Claro, assimilando as lições do passado, preparando-se para o futuro, mas sem depressão nem ansiedade, apenas vivenciando cada dia.
Porque o para sempre pode ser interrompido a qualquer momento. A vida pode ser interrompida a qualquer instante.
Portanto precisamos estar preparados, não prontos, porque dificilmente estamos prontos para lidar com as perdas, com as despedidas, com a partida.
Mas preparar-se é deixar-se levar mais pelo coração, pela emoção, sem perder o foco da razão. 
E pensando nisso concluo que não devemos economizar sorrisos, gentilezas, caridade, amizade, nem dinheiro. Aliás, o dinheiro serve para nos garantir o essencial, a vida digna, o conforto necessário para que tenhamos alimentação, saúde, lazer, educação. Mas, não deveria servir para o acúmulo de bens materiais dos quais nem precisamos, não usaremos. Não, o ter não pode sobrepujar o ser, jamais.
Ninguém sabe quanto tempo viverá, quando ainda resta, quantas viagens faremos, quantos amores viveremos, quantos aniversários comemoraremos. Portanto, é preciso amar incondicionalmente o outro, por mais difícil que possa parecer, mas dá pra aprender, exercitar até aperfeiçoar-se. 
É como viver um processo de despedidas diárias, sem pessimismo ou melancolia, sem preocupar-se em demasia, mas procurando sempre melhorar, olhar e enxergar, ouvir e escutar, falar e se fazer entender. É necessário julgar menos e perdoar mais, lamentar-se menos e agradecer mais. 
É imprescindível gastar tempo passeando, admirando paisagens, conhecendo novos lugares, abraçando, praticando o que pregamos.
Não sei mais o que significa para toda a vida, para sempre, a vida inteira. Não sei quanto tempo tenho para estar ao lado dos que amo. Não sei quanto tempo eles têm. Não acredito em videntes, prefiro nem saber.
Então procuro valorizar o tempo que tenho, o qual poderá ser longo ou curto, mas valorizo cada momento que passo no meu trabalho, na minha casa, com minha família e meus amigos. Valorizo meus momentos de solidão e recolhimento. E vou me preparando emocionalmente, cultivando bons sentimentos, compartilhando meus pensamentos, fazendo a minha parte. por vezes, uma escorregada, mas logo volto ao prumo.
E divagando vou vivendo, despedindo-me sem querer ir, mas sabendo que a vida é breve, os amores vão e vem, as relações são frágeis. Então, vamos seguindo, buscando a felicidade diária, a satisfação permanente, para sempre!

Maria Conceição de Aguiar
16/6/2014

quarta-feira, 11 de junho de 2014

BAGAGENS

Estou exercitando cada vez mais a valorização das bagagens que carrego. Ao longo da vida vamos acumulando bagagens emocionais, culturais, psíquicas e materiais. Mas, chega um momento em que tornam-se fardos.
Então é hora de começar a selecionar. Levar consigo apenas o essencial, o que faz bem, o que agrega. Memórias, lembranças, sentimentos, angústias, lamentos, saudades, ganhos, perdas, roupas e calçados. Selecionar a bagagem, para mim, é fazer uma limpeza na alma, no coração, no guarda-roupa, na casa. Livrar-se do que já não serve, não tem utilidade, passar adiante coisas que podem servir a outros, despir-se dos vestígios negativos, da soberba, da inércia.
De tempos em tempos faço essa limpeza. E a medida em que o tempo passa, meus avessos despojados tornam-se mais claros, minhas verdades revistas, minha bagagem mais leve.
De tempos em tempos reviro-me em pensamentos, reflexões, ponderações e me descubro mais forte, mais humana, mais sábia.
Na verdade, passo a vida buscando a sabedoria de reencontrar-me constantemente e de encontrar o melhor do outro, sua face Cristã. 
Tarefa árdua revirar-se do avesso para encontrar novos dons, novos objetivos, novos sonhos. Entender as mazelas alheias, o vai e vem das vidas, o cotidiano do próximo no contexto em que se encontra.
Não quero ser melhor do que ninguém, quero ser melhor do que eu era ontem e, amanhã, melhor do que hoje.
A sabedoria dos livros eu assimilo bem. Mas a sabedoria humana, ah, muito mais difícil.
Então vou selecionando minhas bagagens, revistando minhas verdades e crenças. E eis que descubro novas verdades, novos sentimentos, novas amizades, novas formas de amar. Então experimento as novidades, adaptando e assimilando algumas, descartando outras.
E quando me reviso deixo de lado as discussões inúteis, a arrogância e prepotência, o julgamento para com o outro. E vou esvaziando as malas, gavetas, bolsas. E vou modificando sentimentos, impressões e necessidades. E vou restabelecendo prioridades. 
Então levo comigo apenas o necessário, o que de fato preciso para ser feliz, para viver com maior liberdade de escolhas, de idas e vindas, de redescobertas e renascimentos.
Bagagens pesadas já não me servem. pessoas pesadas me cansam. Meu eu, quando está pesado, torna-se fardo fatigante. Portanto, ouso revirar-me, reagir, esvaziar-me de algumas coisas para abrir espaços necessários ao novo, mais leve, dinâmico, que melhor se adapta ao meu momento de vida!
E nessas redescobertas constato que não preciso provar nada para ninguém, não devo esperar recompensas ou retribuições, não posso apontar o dedo para os defeitos alheios, nem tampouco para os meus, esses, devo corrigi-los!
E assim eu sigo firme e forte, sentindo-me abençoada por dar-me sempre mais uma chance, uma oportunidade, novas opções, renascimento! Como faz bem essa faxina interna e externa! Como é necessária a limpeza da alma, do pensar, sentir e agir. Como é providencial o esvaziamento das gavetas e armários. Que dádiva maravilhosa poder desmontar-se e recompor-se, sem grandes sequelas, experimentando o despertar para uma nova vida, progressivamente!

Maria Conceição de Aguiar
11/6/2014

terça-feira, 10 de junho de 2014

SEGREDOS

Hoje acordei mais leve, com uma vontade absurda de viver. Fui até a praia, sentei na areia e contemplei o mar, o céu azul, o sol radiante depois de vários dias de chuva forte.
Senti-me inspirada, agradecida, privilegiada por estar aqui e agora, por estar viva, pelos meus sentidos, por tudo que tenho, por ser quem eu sou!
Confesso que passei por momentos desgastantes em que cheguei a desanimar. Orçamento apertado, adaptando-me a morar numa cidade pequena, sem tantos recursos, sem tantas facilidades, novo grupo de trabalho, recaída ao tabagismo. Além das crises pessoais e existenciais, deixei-me abalar pelos problemas sociais e coletivos, que afetam-me demais. Corrupção, ingerência, desmandos, direitos essenciais negados. Povo sofrido, empobrecido, humilhando-se para conseguir sobreviver. coisas que mexem comigo.
Sou racional no pensar e no agir, mas sou emocional e sonhadora na observação das gentes, das atitudes, das ações e reações.
E sonho com um mundo melhor, onde, independente de cotas, as pessoas tenham oportunidades iguais. Um mundo em que a dignidade passa pelo trabalho e pelo sustento que dele provém, pela moradia digna sem paredes de papelão ou telhados desabando, pela educação, saúde, pela liberdade de expressão, de escolhas e pela consciência da importância em assumir as consequências.
Então esmoreço em meio a tamanha discrepância entre o ideal e o real. Então recuo, perco a inspiração, a fala, a esperança.
Mas eis que de repente repenso, revejo, refaço-me e percebo que se fizer a parte que me cabe posso inspirar outros, podemos formar uma corrente e continuar a luta por um mundo melhor, com pessoas melhores, esperanças renovadas.
Nunca fui ambiciosa. Estudo e leio muito porque tenho necessidade do saber. Mas gosto de levar uma vida simples, sem frescuras nem armaduras, exponho-me, compartilho, renasço!
Então reencontro a paz que havia me deixado, reencontro-me e me encho de novas esperanças, novos projetos, novas atitudes. E deixo a leveza tomar conta do meu ser, assim tudo fica mais fácil, mais claro, nítido. E mais leve sou mais saudável, mais bonita, mais amada e consigo amar despretensiosamente.
E hoje acordei querendo ver o mar. E hoje dormirei embalada por novos sonhos. E amanhã não sei, amanhã ainda está por vir, não estou ansiosa, não estou acomodada, apenas estou leve, em paz, feliz!

Maria Conceição de Aguiar
10/6/2014

CONTROVERSO

Tempos estranhos estes em que estamos vivendo. O Brasil sedia a copa do mundo. Estádios de primeira grandeza foram construídos, porém nem todos concluídos. Grandes obras para mobilidade urbana foram iniciadas, mas a maioria está inacabada.

E o povo brasileiro prepara-se para assistir à copa. Enfeitam suas casas, compram novos aparelhos de TV, vibram e torcem pelo campeonato, na expectativa da conquista do título pela nossa seleção. Por um mês esquecerão dos problemas corriqueiros, fascinados pelo grandioso espetáculo.

País controverso o Brasil! Enquanto a bola rolar no campo continuaremos a enfrentar a grave crise financeira e econômica. Os doentes continuarão em longas filas de espera pela consulta, o exame, a cirurgia, o remédio, a internação. As escolas continuarão sucateadas, com professores desmotivados e alunos vibrando porque sairão mais cedo nos dias de jogos da seleção.
Mas não se faz copa com hospitais, escolas, postos de saúde, delegacias de polícia, creches...claro que não!

E enquanto os jogadores se preparam, recebendo salários milionários, alimentação balanceada, acomodações dignas de reis, o povão segue sonhando, trabalhando, tentando driblar a crise, goleando a escassez, esforçando-se para vencer as dificuldades do dia a dia.
E há os que afirmam que a copa já está ganha, comprada, arranjada. Não quero crer, prefiro não saber.

Mas, não posso deixar de pensar e ponderar sobre tamanha falta de senso administrativo. O país está em greve. Os salários estão defasados frente a inflação galopante dos últimos tempos. Inflação essa maquiada, disfarçada, embora real e sentida pela classe média, pagadora de impostos, consumidora de bens e serviços.

E em meio a tamanha controversa vamos seguindo, meio sem rumo, sem tino. Depois da copa tem eleição, então o circo continua. E depois o que será? Como será? 
Do mundial restarão os belos estádios, monumentais 'elefantes brancos', sem nenhuma utilidade prática. Da campanha política sobrarão as dívidas, as promessas eleitoreiras, as cortinas mal fechadas.

Mas eis que logo em seguida será natal, ano novo com posse presidencial, de governadores, deputados e senadores. Então tudo começa outra vez, ano novo, vida nova, quem sabe a gente entra no prumo! 

Não sou contra a copa, a prática de esportes, a competição. Mas não posso ser solidária com tamanha insensatez! Antes de darmos uma festa precisamos dispor dos recursos para tal, arrumar a casa, limpar o quintal. Esconder a sujeira debaixo do tapete não resolve! Amontoar o lixo num canto do pátio também não dá, é nocivo. Em ambos os casos pode ventar e o lixo espalhar para nos envergonhar!

Que tempos estranhos, que país controverso!

Maria conceição de Aguiar
10/6/2014

segunda-feira, 9 de junho de 2014

DONS

Para nós Cristãos, a Santíssima Trindade representa o Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo. E ao celebrarmos o Dia de Pentecostes, fiquei a refletir sobre os Dons do Espírito Santo.
São sete: Piedade, ciência, conselho, temor de Deus, inteligência, fortaleza e sabedoria.
Lendo sobre o assunto e refletindo, chego a conclusão que todos os outros dons que possuímos provêm destes. Na verdade, todos somos dotados de algum dom, com maior ou menor intensidade, vamos desenvolvendo-os ao longo da vida, aperfeiçoando uns e agregando outros.
Mas falando especificamente dos dons do Espírito Santo, vemos que não é fácil atingi-los em plenitude. Faz-se necessário adotar posturas de vida, de pensar, de ser, de agir; maneiras de enxergar o mundo, o outro, a mim e a Deus!
É preciso muito esforço, paciência, outros tantos dons desenvolvidos.
A piedade por si só nada acrescenta, nada adianta. Ao sermos tocados pela piedade temos que agir, tentando reverter a situação daquele que está em situação difícil. Piedade sem ação é discurso vazio, empobrecido. Portanto, essa deve estar aliada a caridade, ao fazer o bem, a praticidade e verdade de realizações, senão, de nada vale.
A ciência por si só é confusa e difusa. Não podemos desprezar os avanços tecnológicos, ao contrário, é preciso incentivá-los e, através deles, desenvolver mais e mais meios que facilitem o trabalho, as tarefas diárias, a cura de doenças e enfermidades, a qualidade de vida. Mas a ciência deve respeitar os direitos humanos, individuais ou coletivos e precisa estar em sintonia com nossas crenças, com a fé de cada um, com seus preceitos e particularidades. 
O conselho pode nortear ou fazer debandar. O conselheiro há de estar atento à realidade do outro, ao contexto da situação. Aconselhamento é necessário, faz parte do crescimento, mas é necessário que se tenha um cuidado muito especial para não incutir no outro o nosso pensar, esvaziando-o do que pensa, sente e crê. Aconselhar é muito mais do que apontar caminhos, é saber ouvir, ponderar, calar se preciso for, abraçar e acarinhar, é ajudar com convicção.
O temor de Deus deve servir não para que tenhamos medo, não para que pensemos Naquele Deus do Antigo Testamento, que punia, castigava, exigia provas radicais. Ao contrário, deve servir para lembrarmos do Deus do Novo Testamento, mostrado por Jesus, que ama incondicionalmente, que perdoa os pecadores arrependidos, que norteia nossos passos e ações em busca de uma vida mais justa para todos, com melhor igualdade de condições, com fraternidade e lealdade uns para os outros. 
A inteligência nos faz pensar, refletir, entender a realidade, compreender os ensinamentos, assimilar teorias, aprender, dominar conhecimentos. Ser inteligente é ter a capacidade de raciocinar, agindo de acordo com nossas convicções.
A fortaleza nos mantém de pé, mesmo enfrentando situações adversas, normalmente movidos pela fé, pela compreensão de que tudo pode mudar, de que podemos sempre reverter o que nos está incomodando, invocar iluminação e encontrar respostas mesmo em meio as piores tempestades. Ser forte não significa que não podemos esmorecer vez por outra, mas sim, que a fé é capaz de nos fortalecer a tal ponto que passamos a enxergar os problemas com mais clareza, buscando soluções.
A sabedoria é por em prática o nosso pensar. É agir visando o bem comum, lembrando que fazemos parte de um todo, de um conjunto, que sozinhos nada somos, que precisamos uns dos outros. Ser sábio é saber ponderar, esperar, agir com cautela, discernir. 
Esses sete dons são dádivas da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Para que os alcancemos é preciso muita fé, invocação, oração e ação. Não são fáceis. Não é de primeira que os atingimos e por vezes, deixamos que nos escapem. Mas quando conseguimos, saboreamos a vitória de sentirmos a presença viva do Deus que é Pai, que é Filho e que é Espírito Santo agindo em nós, transformando a nossa vida, direcionando-nos. Vale a pena tentar!
Essas 'definições' e ponderações são minhas, talvez muitos discordem, tenham outras, mas é a minha maneira de ver e sentir os dons do Espírito Santo, por isso decidi compartilhá-las. 
E neste dia de Petencostes, elevo minhas preces invocando ao Espírito Santo de Deus que me dê a graça de alcançar, entender e praticar a ciência, o conselho, a sabedoria, a piedade, o temor de Deus, a inteligência e a fortaleza. Que assim seja, amém!

Maria Conceição de Aguiar