domingo, 24 de agosto de 2014

SINTOMAS DE SAUDADES

Estava me sentindo estranha, meio tristonha, irritadiça, um tanto impaciente. Refleti, analisei, ponderei e diagnostiquei: Estou com sintomas de saudades!
Saudades dos amigos, dos colegas de outrora, da minha cidade, (àquela que escolhi), da minha casa, da minha família, da vida.
Saudades dos papos bons, das conversas animadas, do café na lanchonete, das saídas às sextas, do happy hour depois do trabalho.
Saudades das mentes pensantes, das conversas brilhantes, das discussões sobre ideias e ideais.
Saudades das mentes simples, das conversas irreverentes, das discussões sobre banalidades.
Saudades do corre-corre, do pilates, da terapia, da estética. 
Então, diagnóstico feito, hora do tratamento. A princípio pensei em voltar, retomar minha vida de dois anos atrás. Mas recuei, afinal, pra frente é que se anda.
Então, receita número dois: Ter mais tempo para rever os amigos, colegas e família. Ter mais tempo para mim. Na verdade, tempo eu tenho, mas não tenho sabido usá-lo. Portanto, hora de dar uma remexida, organizar a agenda e rever a vida.
Saudades a gente mata, senão sufoca. 
Mas, nesses dias em que cogitei voltar fui surpreendida por saber que tantos também sentem minha falta e gostariam de me ter por pero. Confesso que isso foi como um bálsamo para mim. É muito gratificante saber que por onde se passa, as portas continuam abertas. É emocionante sentir o carinho das pessoas queridas e até das chefias antigas.
Pois é, estou com sintomas de saudades, mas estou me tratando. Percebi que não preciso voltar para ter meus amigos por perto. Decidi apenas sair da clausura e retomar a vida social, ao convívio daqueles de quem tanto aprecio a companhia.
Morar em uma cidade pequena tem suas vantagens. Pouco trânsito, todos se conhecem, basta abrir a guarda e as amizades florescem. Mas para mim, o melhor de morar na praia é em relação a minha saúde. Sinto-me bem, sem enxaquecas e isso é maravilhoso. 
Quanto as desvantagens, bem, sou suficientemente forte para superá-las, apesar de toda saudade. 
Somos livres para fazer nossas escolhas, portanto somos responsáveis pelas consequências que delas geram. Então, aqui estou, com sintomas de saudades, mas me sentindo aconchegada, amada e recompensada. Por ora basta, amanhã, no próximo mês, ano que vem, não sei. O tempo tem o tempo que o tempo tem! E o tempo que o tempo tem ele não conta parta ninguém!

Maria Conceição de Aguiar

sábado, 23 de agosto de 2014

TEMPO

E de repente eles se vão. Ao longo da vida vamos sofrendo a dor da perda de amores, amigos, pais, parentes, conhecidos. 
Os que nos são próximos deixam saudades, lembranças, sentimento de impotência. Àqueles que mal conhecíamos deixam-nos também entristecidos, porque tiveram uma história, uma família, um amor, uma vida da qual pouco sabemos, mas, ainda que distantes, sentimos sua perda.
Difícil conviver com a morte. Ela não chega com hora marcada, com aviso prévio, ao contrário, normalmente pega-nos desprevenidos, em meio a correria diária.
Então fico pensando na despedida que não houve, no abraço que não deram, nas palavras que não disseram, nas ações que não fizeram. E seus nomes continuam nas redes sociais, e-mails a ser respondidos, telefonemas a ser retornados, encontros que não foram desmarcados.
A roupa que ficou guardada para uma ocasião especial, a viagem que estava sendo planejada, o passeio, os sonhos, o futuro.
Futuro! Ao pensarmos no quão tênue é a linha que separa a vida e a morte, talvez percamos um pouco a noção e extrapolemos, passemos a viver o aqui e agora, o tudo hoje, porque o amanhã talvez não haja. 
Particularmente, acho que não. Precisamos sim viver o presente no presente. Mas, um dia de cada vez.
No entanto, sabendo dessa fragilidade, não podemos economizar vida. É preciso amar e espalhar bons sentimentos. Acordar cada manhã agradecendo pelo novo dia e, antes de dormir, por mais um dia!
Viver a generosidade, a harmonia, deixar sua marca de paz e tranquilidade, deixar seu afeto, conquistar e cativar.
Não, realmente não podemos economizar vida! Talvez não dê tempo para fazer a viagem tão sonhada, talvez não chegue a ocasião especial para estrear o vestido novo, talvez não consiga pedir perdão ou perdoar, declarar seu amor, fazer as pazes. Pode ser que não haja tempo para um novo curso, um outro concurso, outro trabalho, mais um filho, um grande amor. 
Ah, implacável o tempo! Como saber qual será a última vez que nos veremos? E porque não sabemos deixemos nosso melhor sorriso na despedida, um abraço caloroso, um até breve. E porque não sabemos quanto tempo temos com determinadas pessoas, tratemo-nas bem, cordialmente, educadamente, carinhosamente.
A morte é certa, independente da idade, da saúde, do estilo de vida. Quando chega a hora, ela nos encontra. Portanto, convivamos mais, façamos mais, vivamos mais. Não dá para economizar a vida! Ela é breve,e em segundos pode esvair-se. Então, viva e deixe viver, façamos florescer o que de melhor nela há!

Maria Conceição de Aguiar

REFLEXÕES....

Iniciei um novo curso virtual pela Academia Judicial do Tribunal de Justiça de Santa catarina. Estou gostando tanto que decidi dar uma parada para refletir sobre algumas leituras interessantes que o curso apresenta. 
O curso 'Administração Judiciária'. O primeiro módulo 'Gestão de Pessoas'.
Um tópico, em especial, chamou-me atenção. A história da telha. Dela originou-se a expressão 'feito nas coxas', pois até o século XIX os escravos a confeccionavam usando suas coxas como moldes, então saiam sem padrão de qualidade, sem formas definidas, seguiam a anatomia do corpo de quem as criava. O mesmo texto traça um paralelo entre as telhas na atualidade e as competências individuais. As telhas servem para proteger o ambiente, impedir a passagem da chuva, da luz, do calor e do frio. Entretanto, só atentamos para sua importância quando quebram e deixam de cumprir o seu papel. Assim somos nós. Na maioria das vezes trabalhadores invisíveis, desempenhando suas funções, atingindo suas metas e objetivos. Entretanto, somos notados pelos gestores apenas quando 'quebramos' e não mais realizamos nossas tarefas da maneira esperada!
Achei muito interessante esta abordagem e, como pensadora que sou, fiquei refletindo sobre o assunto. E parece fazer sentido. O mundo avança, as tecnologias tomam conta do cotidiano individual e coletivo, mas, na gestão de pessoas ainda há muito que alavancar.
Ainda vemos os quadros na parede com o 'funcionário do mês', ainda compara-se a produtividade, ainda temos papeis definidos os quais não podemos discutir, opinar, discordar.
E enquanto cumprimos nossas metas, quietos e amarrados à demanda do trabalho, que aumenta continuadamente, somos imperceptíveis. Sabem que estamos ali porque os resultados aparecem. Mas quando quebramos, adoecemos, instigamos, ousamos desafiar, então somos notados.
E dai, como telhas quebradas, tornamo-nos inúteis, devemos ser substituídos, reciclados talvez, mas sem muita serventia. De fato, instigante o tema!
Estou na quinta aula do primeiro módulo e já estou encantada com o quanto o curso tem me feito refletir, repensar, reanalisar e observar.
E quanto mais leio, mais pensadora fico. E recomendo. Tenho certeza de que aprenderei muito com este curso e gostaria que muitos outros o realizassem para que, assim como eu, possam refletir e expor sua visão sobre nossas atividades laborais.
Tenho certeza de que nos próximos módulos haverá outros textos, outras reflexões, outras citações e incitações. Até que deixemos de ser vistos como telhas. Mas até lá, vale a reflexão inicial, que tanto chamou minha atenção.
Parabéns ao CNJ e a ENFAM, que desenvolveram um curso bastante desafiador, capaz de mexer nos paradigmas, capaz de incentivar a redescoberta dos potenciais, das competências ee do gerenciamento destas. Pela primeira vez comento aqui um curso da Academia. Pela primeira vez estou plenamente satisfeita com o conhecimento compartilhado, que, de fato, está proporcionando reflexões! Vale a pena!

"Livre conhecimento não significa livre gerenciamento", Juíza Corregedora Eliane Nogueira.

Maria conceição de Aguiar

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

PAPO DE VÓ

E de repente nos damos conta do tempo passado, tão rápido e rasteiro que, quando nos apercebemos, tudo mudou.
Os filhos cresceram, formaram suas famílias, a casa ficou vazia. Nossos cabelos começam a mudar de cor, nossa pele vai perdendo o viço, nosso corpo já não é o mesmo, nossos movimentos não mais tão ágeis.
Mas eis que eles começam a chegar e tudo muda de lugar! Com a vinda dos netos, renascemos, literalmente. Tornamo-nos mais fortes, adquirimos novas habilidades, redescobrimos outras. Então lá estamos nós, novamente, sentadas no chão com as pernas cruzadas ajudando-os a montar um quebra-cabeças. Brincamos de casinha, de boneca, de escolinha, de carrinhos.
Com os netos revivemos, renascemos, redescobrimo-nos. Sensação maravilhosa de vê-los chegar aos domingos, com os braços abertos para o abraço apertado, perguntando o que tem de bom pra comer, o que vamos fazer juntos! Sensação maravilhosa ao ouvir coisas do tipo "Vó eu te amo", "a vó é minha princesa", "a vó é linda"!
Netos são a nossa recompensa maior. Tivemos filhos e os educamos para a vida. E eles nos recompensam gerando outras vidas, fazendo-nos avós!
E sofremos com suas febres, com seus choros, seus dissabores. E sorrimos com seu sorriso, suas alegrias e descobertas. E neles vemos nossos filhos, revivemos sua infância, nossa infância.
Quando estão longe a saudade aperta. Tê-los por perto é pura alegria.
Porque ser avó é apoderar-se de um sentimento imensurável, capaz de superar qualquer outro. Podemos mimá-los, amá-los, embalá-los. Podemos fazer aquele bolo de chocolate que tanto gostam, baldes de pipoca, sucos de todos os sabores, gelatinas de todas as cores.
Coisas tão simples que os deixam tão felizes.
E assim como nossos filhos cresceram, nossos netos crescem rapidamente. O tempo é implacável, não espera. Então, para estar com eles, abrimos mão de qualquer outro compromisso, dirigimos, viajamos, esquecemos nossas dores, tudo para ter horas agradáveis junto deles.
Sou avó, amo meus netos. Gosto de tê-los por perto. Gosto da casa cheia de alegria com a sua presença, dos brinquedos espalhados, da mesa sempre posta, do papo furado e do papo reto. Gosto das histórias que me contam e que pendem que lhes conte. Gosto das brincadeiras, das gargalhadas gostosas, dos passeios. E gosto, principalmente, de sentir o quanto meu amor por eles é correspondido. Sou avó e sou mais feliz por sê-la!


Maria Conceição de Aguiar

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

VENHA!

Venha de onde vier, sem hora marcada, sem bagagem pesada!
Venha sem medo, sem culpas nem traumas, com leveza na alma!
Venha de dia ou de noite, traga o sol ou a lua, sem sombras ou trevas!
Venha de coração aberto, mente arejada, desarmado!
Venha cheio de amor, transbordando paz, harmonizando!
Venha despido de preconceitos, de expectativas, de receios!
Venha de braços abertos e neles deixe que me aconchegue!
Venha para somar, multiplicar, emocionar!
Venha para me amar!
Venha para ficar o tempo destinado a nós!
Venha por inteiro, estou te esperando!
Venha!

CONVERSA DE MÃE

E de repente ela descobre que está grávida. E surge um misto de alegria e medo, surpresa e ansiedade, felicidade e preocupação. Então começam os preparativos para a chegada do novo ser. Consultas médicas, exames, enxoval, quarto...coração transbordando de tanto amor por este filho que ainda nem chegou, mas já é tão importante, faz tão bem!
E quando eles nascem elas ficam maravilhadas, completamente fascinadas por aquele bebê. E o chamam de seu. Acham-no lindo, perfeito, um sonho realizado.
Então elas assumem um novo papel, o de mãe. Papel esse acompanhado de vários outros, não menos importantes. Tornam-se heroínas, professoras, cozinheiras, doceiras, enfermeiras, contadoras de histórias...e aprendem a brincar de carrinho, de bonecas, de casinha, de bandido e mocinho, de bola, peteca e raquete. E jogam vídeo game, montam quebra-cabeças, assistem aulas de ballet, de futebol ou de inglês.
E eles crescem, os cuidados mudam, mas não diminuem, as preocupações igualmente. Adolescentes! As mães querem conhecer seus amigos, sua turma. Nasce então uma vontade de protegê-los de tudo e de todos, colocá-los debaixo das asas para sempre.Mas é claro que o bom senso fala mais alto. Então elas os preparam para seguir suas vidas. Mostram como voar, apontam os caminhos, tentam conduzi-los na direção certa.
Tarefa árdua, difícil mesmo, nem sempre conseguem. Mas eles crescem, abrem as asas e voam. Constroem seus ninhos, escrevem suas histórias, formam suas famílias.
E a mãe sempre acompanhando tudo, opinando quando pode, observando quando convém, calando-se quando necessário, sem omitir-se jamais! 
E nessa nova fase as mães aprendem a conviver com novas emoções. Novas alegrias e frustrações. Novos sabores e dissabores. 
Momentos de extrema felicidade quando os veem escolher um rumo, uma profissão, um curso, um trabalho, um amor.
Momentos de intensa agonia quando eles sofrem pela indecisão na hora das escolhas, pelos amores frustados, pelos tombos naturais, pelas derrotas.
E as mães sofrem quando não conseguem ajudar o filho a superar, a se reencontrar, quando o vê seguindo caminhos tortos, parcerias erradas, escolhas erradas.
E elas torcem o nariz para a piriguete que  ronda o seu menino, para o cafajeste que cerca a sua princesa. Hum, coração de mãe não se engana não é? Pois é! Intuição de mãe é forte.
Mas a vida segue, cada qual toma seu rumo. Mas os filhos que foram verdadeiramente educados levarão para sempre os ensinamentos, as palavras, os exemplos da mãe. 
E elas terão sempre a certeza de que tudo valeu a pena. E chegará a hora em que se tornarão filhas dos seus filhos e colherão o que plantaram: Amor, dedicação, carinho, cuidados. Porque ser mãe é uma bênção e ter mãe é uma bênção ainda maior! Amor incondicional!

Maria conceição de Aguiar