sábado, 21 de dezembro de 2013

TIAGO

21 de dezembro de 1985 você chegou. E veio me trazendo a plenitude da maternidade. Já era mãe de duas meninas e Deus me presenteou com um terceiro filho, um menino, o Tiago.

E desde então ganhei mais que um filho, um parceiro, companheiro, admirador, confidente, conselheiro, amigo!
Ser mãe é, para mim, vivenciar o amor de Deus, que me confiou três vidas para que eu cuidasse, educasse, criasse e preparasse para o mundo. E, ser mãe de um menino, é uma experiência fantástica, maravilhosa. Meninos têm suas mães como divas, exemplos de mulher, amam-nas incondicionalmente.
E assim o é o Tiago. Um filho carinhoso, amoroso, preocupado sempre com o bem estar da família, dos amigos, dos que lhe são caros. Um filho abençoado, amado pelos pais, irmãs, sobrinhos e, principalmente pelo filho, que o tem como ídolo.
E hoje filho, quando você completa 28 anos, encho-me de orgulho para enaltecer as tuas qualidades. E quero que saibas que te amo infinitamente, que estou sempre por perto, ao teu lado para o que der e vier.
Amo o Tiago solidário, preocupado com o bem estar comum, com as questões coletivas, com a sociedade em que vivemos.
Amo o Tiago irmão da Patrícia e da Paula, que desde pequeno incutiu o preceito dos três mosqueteiros com relação a elas: "Um por todos e todos por um".
Amo o Tiago meu filho, chamando minha atenção quando saio do orçamento, preocupado com as minhas finanças, com a minha saúde, com a minha qualidade de vida. Que me ouve sempre, por vezes discordando, mas sempre aceitando a minha opinião e, na maioria das vezes, acatando-a.
Amo o Tiago pai do Caio, que não mede esforços para educá-lo, mantê-lo e criá-lo, sempre cheio de cuidados. Pai admirável e exemplar.
Amo o Tiago baladeiro, que curte funk, música gaúcha, rock...Eclético até no gosto musical.

Amo o Tiago amigo dos amigos, que mantém até hoje a turma do ensino médio reunida e unida.
Amo o Tiago controverso, que, assim como eu, é uma metamorfose ambulante. O que hoje é paixão e defesa, amanhã pode ser apenas mais um ponto a ser conversado e discutido.
Enfim filho, quero, neste texto, dizer que te amo e te admiro e que somos uma família abençoada. Na verdade, sou muito abençoada por Deus por ser mãe da Patrícia, da Paula e do Tiago e, mais ainda, por ser avó dos frutos de vocês, meus descendentes, minha família, meus amores.
Feliz aniversário meu filho, continue sonhando, planejando e realizando. Seja feliz!

Maria Conceição de Aguiar
21/12/2013

domingo, 17 de novembro de 2013

PAULA

Era início de 1980 quando descobri que estava grávida. Levei um susto pois tinha um bebê de apenas seis meses. Confesso que demorei um pouco para assimilar e aceitar a ideia, não estava preparada! Então pensei, "bom então que seja um menino porque já tenho uma menina". Mas nada, veio outra menina.
E você nasceu tão pequena, frágil, precisando tanto de cuidados que, imediatamente me apaixonei. E desde então nos tornamos tão amigas, parceiras, companheiras mesmo. Estabelecemos uma relação muito íntima de mãe e filha e posso assegurar com certeza que você foi mais um grande presente de Deus na minha vida.
E hoje, quando você completa aniversário, faço essa confissão de rejeição inicial, mas, ao mesmo tempo, quero dizer que desde o início te amei e  que, intimamente, sabia que seria outra menina, tanto que tinha já o nome escolhido: Paula.
Então de repente me vi mãe de duas meninas, como se brincasse de bonecas eu me esmerava para cuidar de vocês. Nem sempre consegui, por vezes me sentia meio perdida, ainda muito nova, com duas crianças pequenas. Mas sempre estive presente em todos os momentos, ainda estou e assim sempre será.

Lembro do meu desespero quando você quebrou a clavícula, queria verdadeiramente sentir a dor em seu lugar. Lembro das decepções amorosas, das vezes que te abracei e disse, chore, desabafe.
Lembro das tantas coisas que fizemos juntas, que ainda vivemos juntas. Dos passeios, das viagens, das compras, das conversas.
Lembro do prazer em ajudá-la nos preparativos do seu casamento. Na verdade meu lado egoísta sofria um pouco, porque iria perder a companheira de todas as horas. Mas você estava feliz, então eu também estava, fiz tudo com amor e esmero.
Lembro da sua formatura, fiquei orgulhosa da minha filha, agora fisioterapeuta.
E nestes anos muitas foram as vezes em que te chamei para me aplicar uma injeção, fazer-me companhia, ouvir meus desabafos e você sempre solícita, jamais me disse não.
Paula, hoje é seu aniversário e quero dizer que te amo muito, que agradeço a Deus por ter-me dado uma filha tão abençoada, carinhosa, companheira, responsável. Você e seus irmãos são dádivas de Deus em minha vida e sou grata por isso.
Saiba filha que sempre estarei por perto, que minha casa será sempre a sua casa, que meu colo sempre estará pronto para você e que meu mundo é muito mais bonito com a sua presença.
Amo você filha, de todo coração e te desejo toda felicidade do mundo. E rogo a Deus que continue abençoando a tua vida, protegendo a família linda que formaste. Saiba que sinto orgulho de ser sua mãe e que bom que Deus me escolheu para sê-lo.
Feliz aniversário, com as bênçãos da tua mãe que tanto te ama!

Maria Conceição de Aguiar
17/11/2013

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

BARULHO

Há dias em que gosto do silêncio, noutros prefiro o barulho. Sons que mexem comigo, que me fazem pensar, sonhar, fantasiar, realizar, lembrar, sorrir e até chorar.
Adoro música, de todos os gêneros, ritmos, mas, gosto principalmente das que têm letras que mexem com a gente. Ouvir uma música pode mudar o nosso dia , o humor, a vontade.
E tem aqueles dias em que a música certa, na hora certa, dá um up, uma mexida geral.
Adoro o barulho do mar, das ondas batendo nas pedras ou desfazendo-se na areia. Som que acalma, reanima, energiza.
Gosto de ouvir a chuva caindo, cadenciada, lavando a terra seca, tocando o solo como uma sinfonia.
Gosto do barulho da brisa suave, que passa fazendo um carinho na pele, assoviando de mansinho, revirando os cabelos, envolvendo os sentidos.
Adoro o barulho de casa cheia, família reunida, todos falando ao mesmo tempo, os assuntos mudando a todo instante, risos, copos brindando, crianças brincando. Som maravilhoso que vem de gente que se ama e que nos ama.
Barulhos que alegram, que encantam, que trazem alegria, sorriso largo. Sons como a voz da pessoa amada, do canto dos pássaros, da cerveja gelada, do poema recitado, do sussurro ao pé do ouvido.
Ah, no meu silêncio há barulhos que fazem a diferença. 
E tem os barulhos internos, do pulsar do meu coração, da imensidão dos meus pensamentos, da inquietude da minha alma, do silêncio intrigante da madrugada...
Barulhos que me inspiram, alertam, aguçam meus sentidos. Adoro o som do barulho redundante dessas palavras embaralhadas, dando vida aos sentimentos!

Maria Conceição de Aguiar

terça-feira, 12 de novembro de 2013

AMORES IMPERFEITOS

Hoje uma cena chamou minha atenção. Um casal considerado diferente por ela ter certa deficiência mental ou neurológica. Tentavam separá-los e vi-os abraçados, enquanto ela chorava copiosamente ele declarava seu amor, dizendo que nada o faria dela desistir.
Ah, quem me conhece sabe que fiquei encantada. Histórias de amor me encantam, fascinam e aguçam a minha imaginação.
E aqui estou pensando e divagando sobre o quanto preconceituosos somos. Olhamos, analisamos, julgamos! Então rotulamos o que achamos amores imperfeitos!
Imperfeitos por serem diferentes, mas perfeitos no amor que os une, na cumplicidade que demonstram, na sintonia da atração mútua, no entrosamento, no dia a dia companheiros!
Sou a favor do amor e acho que toda forma de amor vale a pena. Então não gosto de rótulos, de segregação, de antologias vãs.
Ela é mais velha e ele ainda garotão, e por que não?
Ele é mais velho e ela tão menina, diferença que aproxima.
Ela é negra e ele alemão, juntos olhando na mesma direção!
Ele é rico e ela pobre, amor que se torna nobre.
Ela é doutora e ele mal sabe falar, mas a paixão pode ser vista no olhar!
Ele é cadeirante e ela atleta, vida que desperta.
Ela é feia e ele um gato, amor de fato.
Ele é ocidental e ela oriental, amor original.
Ela é sonhadora e ele pé no chão, construindo uma relação.
E assim são os amores 'imperfeitos'. Aos preconceituosos de plantão parece que sempre há algo por detrás. Interesse, mentira, traição.
Pois eu acho lindos os casais apaixonados, independente das suas diferenças ou semelhanças, indiferentes aos olhares curiosos e maledicentes, enfrentando a todos e a tudo para que possam ficar juntos. Por vezes as batalhas a encarar são grandes, fortes, mas valem a pena, sempre vale a pena. 

E este casal que hoje vi, sem saber nome nem sobrenome, sem conhecê-los, mas em breves instantes de observação, convenci-me de que são o exato exemplo da perfeição de um amor imperfeito. E torço para que consigam vencer as barreiras e continuarem juntos.
Porque afinal, como diz o poeta "Tudo vale a pena se a alma não é pequena" e "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"!
Portanto, quando cativar alguém ou se deixar cativar, engrandeça sua alma e viva esse amor em plenitude, pois sempre valerá a pena! Adoro amores perfeitos nas suas imperfeições!

Maria Conceição de Aguiar

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O JARDINEIRO 2

E as obras continuam e o jardineiro sem jardim continua por lá, sem tino nem rumo, para o nada a olhar.
Mas, observando bem, ele acostumou-se ao marasmo do nada para fazer. 
Já não rega as poucas plantas que restaram em frente ao prédio. Já não retira as ervas daninhas que começam a subir pela escadaria principal. Entregou-se ao tédio, ou, ao ócio.
Como toda obra, essa também está atrasada e aparentemente ainda levará um bom tempo para ser concluída. Enquanto isso, o pouco ou quase nada que sobrou do que antes era um jardim está totalmente abandonado.
E o jardineiro a tudo observa calado. Cumpre um horário ilógico, sem fazer absolutamente nada.
E assim agindo vai deixando de ser admirado e passa a ser ignorado. Mesmo restando apenas um canteiro, alguns poucos vasos, as ervas daninhas em volta da escadaria, ele poderia demonstrar que se importa, que gosta do que faz, que quer manter o que resta.
Mas, ao contrário, como um moribundo que espera a hora da morte, o jardineiro sem jardim aguarda que a obra chegue na parte da frente do prédio, então cuidar para quê se logo será destruído, acabado ou renovado.
Talvez ele esteja certo, talvez não. Mas particularmente sua presença inútil começa a incomodar, pois já não mostra interesse, vontade, prazer.
Vejo-o diariamente sentado no banco ou na calçada, puxando assunto com quem passa, chega ou sai, sem nenhuma iniciativa, sem nenhum zelo, sem mais nada.
Pois é, um jardineiro sem jardim de fato torna-se inútil. Assim como uma blogueira sem textos, um médico sem pacientes, um advogado sem clientes, um escritor sem contos, um jornalista sem notícias. Enfim, quando já não há muito para fazer pode-se fazer o pouco que há, renovar, reciclar, redescobrir novas habilidades, redesenhar sua profissão.
Mas, talvez a este jardineiro falte ânimo, incentivo ou cobranças. Está solto, acostumou-se ao vazio da inutilidade, portanto, esta história continua e com certeza ainda termos novidades!

LEMBRANDO

Há tempos cultivava a ideia de mudar para o litoral. Mas queria ficar por perto, morar em uma cidade próxima a Joinville, mas, de porte menor, com praia, ar saudável, menos trânsito, mais qualidade de vida.
E há um ano, exatamente no feriado de 15 de novembro de 2012, fui passear em Piçarras e decidi que queria morar e trabalhar naquela cidade. No dia seguinte fui até o Fórum local conversar sobre a possibilidade de remoção ou permuta. Informaram-me que no momento não havia vagas, mas que, em seis meses, duas pessoas iriam se aposentar e então abririam novas vagas.
Mas, quando decido, quero que seja pra já. Então vim passear em Barra Velha e por alguns dias fiquei pensando na possibilidade de mudar para cá. Conversei com meus filhos, expliquei que queria mudar, morar próximo ao mar, mas continuar perto deles. Aceitaram e me apoiaram.
Então no início de dezembro fiz contato com o Fórum da Comarca e imediatamente consegui uma permuta.

 
E em dois meses comprei uma pequena casa na cidade, fiz a mudança e comecei a trabalhar aqui em fevereiro.
Há um ano decidi e comecei a providenciar minha mudança de vida. Passou rápido.
Hoje fiquei pensando nisso. Não me arrependo de ter mudado, estou bem aqui. Tenho sim mais qualidade de vida, vou à praia, pedalo pela cidade, fiz amigos.
Jamais saberei se deveria ter esperado a vaga em Piçarras. Não sei se seria mais feliz lá, mas sou feliz aqui.
Estou perto, meus filhos e netos estão sempre por perto.
Mas claro enfrento os prós e contras de morar em uma cidade pequena, cidade de veraneio. Não há shoppings nem grandes lojas, o trabalho é puxado com poucos funcionários. Mas em compensação não há trânsito, nem semáforos, uma brisa leve diariamente, um sol maravilhoso, ar bem mais limpo, sem fumaça ou cheiro de poluição da Tupy. As pessoas se cumprimentam, caminham, andam de bicicleta, todos se conhecem.
Gosto daqui, gosto de morar aqui, gosto da minha casa simples e da vida simples que levo aqui. Gosto de olhar o mar, comprar peixe fresco, participar das festas tradicionais.
Estou bem, estou feliz e pretendo ficar por aqui até que novamente decida mudar, ou não. Quem sabe? Vivo o hoje, estou feliz hoje, satisfeita hoje, amanhã quem sabe? Amanhã talvez!
Lembrando faço balanço e fecho com saldo positivo minha decisão de mudar. Lembrando penso que fiz a escolha certa em continuar aqui pelo litoral Norte, porque não conseguiria ficar longe da minha família. E de Barra velha a Joinville é tão rápido que não dá tempo de sentir-me sozinha ou com saudades. Estou sempre lá e eles sempre cá. Lembrando percebo que não há do que me arrepender, estou bem melhor aqui!

domingo, 10 de novembro de 2013

AMOR

Ah o amor quando chega normalmente nos encontra desprevenidos, desprovidos de ação e então ficamos meio que sem reação, até um tanto sem noção.
E quando se instala nos deixa confusos, num misto de medo e segurança. Por amor enfrentamos tudo, pai, mão, filhos, amigos. Por um amor abrimos mão da própria identidade, já não sabemos quem somos, já não somos únicos, tornamo-nos um em dois ou dois em um.
Hum, o amor que vem e nos transforma, fortalece, enaltece, enobrece.
Amando sentimo-nos mais fortes, mais belos, gentis, a vida fica mais bonita.
Sentindo-nos amados tornamo-nos poderosos, abençoados, enaltecidos.
E o amor é capaz de coisas incríveis. Sorrimos à toa, passamos a saudar o sol, a lua, as estrelas, a vida fica cor de rosa. 
E o ser amado torna-se fonte de referência, de exemplo. Aconchego!
Como é bom amar e ser amado. Esse é, sem dúvida, o grande desejo da humanidade. 
Queremos saúde, emprego, salário digno, casa, carro, viajar, estudar, progredir. Mas queremos amar, queremos amor!
Senão nada do mais tem sentido, nada é compatível, é como se a vida não fosse completa, sempre faltará algo.
Não que precisemos de alguém ao nosso lado para sermos felizes. Mas somos muio mais felizes com alguém do nosso lado.
Um amor, um companheiro, um amante, confidente, parceiro.
E amando nos entregamos e queremos entrega, partilha, soma.
Amando ficamos melhores, tornamo-nos seres melhores. Porque não há nada pior do que gente que não sabe amar, que não credita no amor, que não o aceita, tornam-se sépticos, amargos, quase insuportáveis.
Mas, enfatizando, não falo aqui das pessoas que estão sozinhas, que optam por não ter um par. Falo daquelas que não conseguem amar nem se deixam amar. Essas sim, perdem momentos preciosos na vida.
Porque amor é bom, necessário, faz bem. E, parafraseando os poetas: "Toda forma de amor vale a pena" e "Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure"!
Então um brinde ao amor!
Maria Conceição de Aguiar

sábado, 9 de novembro de 2013

ETERNO

O que é eterno? O que pode ser eterno? Um sentimento, um amor, um rancor, uma dor, uma conquista, uma perda, um momento...o que é eterno?
Na verdade acredito que, na vida, tudo pode ser eterno. Porque tudo o que vivemos fica em nossa mente, em nosso consciente ou subconsciente para sempre, então torna-se eterno.
Como prova disto, quantas vezes sorrimos ou choramos ao lembrarmos de algo, de alguém, de um acontecimento, de um instante?
Quantas pessoas que já se foram para longe há tempos continuam vivas em nossa memória, presentes em nossa vida, como que se aqui estivessem?
Então, o que é eterno?
Realmente tudo passa, tudo se transforma, os sentimentos mudam, pessoas vão e vem, crescemos, amadurecemos, mudamos. E de verdade tudo é chama que se apaga, fogo que cessa, vida que passa.
Mas será que apaga mesmo? Cessa, passa?
Se pensarmos bem, veremos que fazemos eternos os momentos que vivemos, os sentimentos que desfrutamos, as alegrias e tristezas, os amores e amigos, a família.
E embora vamos mudando, o que foi permanecerá para sempre, eternizado em nosso íntimo, por vezes em forma de saudade, outras em forma de vontade, de nostalgia, sabor de quero mais. Ou ainda em forma de mágoa, ressentimentos que só nos fazem mal, culpa, lástima.
Eternizamos momentos especiais, pessoas especiais, sabores, lugares, sentimentos.
Eternizamos especialmente o que foi bom, o que nos fez bem, o que nos causa sorrisos ocasionais ao ouvir uma música, ao visitar um lugar, a relembrar.
Então o que é eterno? Tudo? Ou será que nada?
Bem, depende do ponto de vista, depende do entendimento individual. Há acontecimentos em minha vida que, mesmo passados, continuarão a fazer parte de mim para sempre. Há pessoas que, mesmo sem vê-las ou sabê-las continuarão eternizadas em minhas lembranças. Há coisas que relembro em sonhos, que imagino como teriam sido se tivesse sido diferente.
Podemos eternizar um segundo, um minuto, um dia, um fim de semana, um ano, uma vida. Podemos tornar eterno em nós o que quisermos, desde que valha a pena, que nos faça bem. Aliás, pensando bem, eternizar é guardar a parte boa do que foi ou ainda é. Registrar na memória , retirar lições, vivenciar, reviver.
Então, na verdade, que nada seja eterno apenas enquanto dure, mas que continue eternizado enquanto nos fizer bem, arrancar sorrisos bobos, produzir lembranças agradáveis, aquietar nossa alma e coração, sabendo que valeu a pena!
E para você, o que é eternos? Pense nisso!

Maria Conceição de Aguiar

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

DE REPENTE

E de repente tudo muda de lugar. O que era fundamental passa a ser opcional, as prioridades são revistas e modificadas e a lista da vida, refeita.
E de repente o dever torna-se prazer e o prazer vira dever, invertem-se as posições.
E o sol agora é necessário, indispensável, já o protetor solar fica no armário.
O peixe passa a ter um novo sabor e assume lugar de honra no cardápio.
E de repente são bem vindos o leite e seus derivados, a carne branca, as frutas e os legumes.
O sal já tem mais tanto sabor e o refrigerante é como se nunca houvesse existido.
E de repente a bicicleta torna-se essencial e a vida especial.
E de repente tudo muda de valor, de razão de ser e de ter, rever torna-se a palavra de ordem!
E assim a vida segue. Mudando, revirando, recomeçando. E assim o tempo passa e o que num instante era sem graça, noutro torna-se admirável mundo novo.
E de repente novos planos surgem, novos sonhos brotam, novas ideias pedem passagem, a vida não pode parar!
E eis que o novo deixa de ser novidade e torna-se rotina, realidade, dia a dia.
E eis que o que outrora difícil, torna-se aprazível, de fácil realização.
E de repente já não se é o mesmo, como camaleão que precisa mudar de forma e de cor, adaptamo-nos às mudanças, como que num passe de mágicas, em que o querer torna-se poder e fazer.
E então, abrimos o leque, os braços, o sorriso....e então estendemos a mão, aceitamos a mão estendida, o sorriso, o abraço!
E de repente a vida volta a pedir passagem, o que foi não voltará e o que tiver que vir o tempo trará. E eis que o hoje é o presente, o aqui, o agora, a dádiva da vida!
E de repente tudo muda de lugar!

Maria Conceição de Aguiar

MUITO OBRIGADA!


Muito obrigada pela vida, pela dádiva de ter nascido e de estar aqui e agora!

Obrigada pelos filhos que são a minha continuidade, a minha contribuição, a minha razão maior.
Obrigada pela família linda, com netos que iluminam meus dias.
Obrigada pela casa que me acolhe, pela coberta que me aquece, pela roupa que me cobre.
Obrigada pelo alimento de todo dia, por cada refeição que faço.
Obrigada pelo trabalho que realizo, dele provém meu sustento.
Obrigada pelos amigos que me apoiam, que me aceitam sem julgamentos, sem preconceito.
Obrigada pelos antepassados, sem eles eu também não existiria.
Obrigada pelos professores que orientaram, ensinaram, mostraram-me os caminhos do saber.
Obrigada pela saúde que desfruto e pelos remédios que curam meus males sempre passageiros.
Obrigada pelas palavras que escrevo, por este dom que tanto aprecio.
Obrigada pelos amores que tive e por aqueles que ainda terei.
Obrigada pelos meus sentidos, ainda bastante aguçados, que me mantém firme e forte em meu viver.
Obrigada por meus membros que me conduzem aonde quer que eu vá.
Obrigada por todos que passam pela minha vida, ninguém passa em vão.
Obrigada por cada sorriso, cada lágrima, cada lembrança, cada saudade.
Obrigada por cada vitória, cada conquista, cada tombo, cada recomeço.

Obrigada por cada dia, cada noite, cada estação, cada novo ano, cada aniversário.
Obrigada por tudo e por todos.

Muito obrigada!

ATÉ QUANTO?

Até quanto? Quanto vale, vale quanto? Tudo tem preço, será mesmo? 
Até quanto vale a vida? E a morte, vale quanto?
Quanto vale a saúde, e a doença quanto vale?
Até quanto vale o amor, e o desamor não tem valor?
Quanto vale a amizade, a intimidade, qual o preço da vida? 
Até quanto estamos dispostos a pagar para realizar um sonho, idealizar um projeto, recuperar a saúde, a beleza e a juventude?
Até quanto nos dispomos a gastar para ajudar alguém que precisa, doar sabendo que retorno financeiro não haverá?
Quanto vale o dinheiro? 
O meu, o seu, o nosso, ganhos com nosso trabalho, muitas vezes parco e escasso, ou, de outros, além do esperado, do necessário, do cobiçado. Todos têm valor e vem do salário merecido, do fruto colhido.
O que diferencia é o valor que a ele damos. Quanto vale meu dinheiro? Quanto vale o seu salário? Quanto valem os rendimentos alheios?
Até quanto posso gastar para viver? Até quanto gasto para promover a vida?
Valor monetário, valor coletivo, valor unitário. 
Valor do prazer, do bem querer, do desapego, do saber viver.
Viver com seus recursos, dentro das suas possibilidades, mas vivendo e aprendendo lições de humildade e fraternidade.
Até quanto vale a vida, os vivos e os mortos? Até quanto valemos uns para os outros? Há preço, piso, teto?
Quanto vale um coração inquieto? E a alma em plena serenidade, quanto vale?
Até quanto? 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O JARDINEIRO

Quando o jardineiro chegou logo se animou porque havia um grande jardim para cuidar.
Grama para roçar, árvores para podar, flores para cultivar!
E ele fazia seu trabalho alegre, cantarolando, assoviando! O jardim florescia e o jardineiro rejuvenescia!
Mas de repente o belo e amplo jardim teve que ser destruído e uma obra iniciada.
E de repente o jardineiro já não tinha mais o que fazer, seu trabalho tornou-se o nada!
E a obra continua...e já não há mais jardim...não há grama, árvores nem flores, e o tudo tornou-se nada até que a obra seja finalizada!
Mas o jardineiro continua por lá. E agora, na sua inutilidade, vaga de um lado para o outro, com as máquinas não tem intimidade.
Então senta-se ora na escadaria do prédio, ora no banco que restou, amargurado pelo tédio.
E ao observá-lo vejo um semblante triste, por debaixo de um boné surrado, mantendo o uniforme alinhado, como se a esperar que o tempo passe, a obra termine, ao jardim retorne.
E ao vê-lo vagando pra lá e pra cá, penso em que pensamentos viaja, que sonhos acalenta, que frustrações lamenta, para aonde vai quando seu olhar se fixa no nada, no chão ou na escada.
Vez por outra puxa assunto com os passantes, mas ninguém tem tempo, parar e conversar não é interessante.
Então o jardineiro segue triste, cumprindo sua jornada de trabalho sem trabalho! Segue inútil sem ter o que fazer, vazio pois não consegue entender.
E todos os dias o vejo ali e aqui, sem rumo, sem norte na triste condição de ser jardineiro sem jardim para cuidar, sem ao menos uma planta para regar.
Certamente gostaria de novamente sentir-se útil, ter o que fazer, fazer o que sabe.
Esta é a história do jardineiro sem jardim, história essa que ainda não sei o fim!
Maria Conceição de Aguiar 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

TRANSPARENTE

Aqui neste blog me exponho, mostro meus medos e minhas fraquezas, minhas conquistas e minhas alegrias. E fora daqui sou igual, transparente, exposta.
Há muito deixei de me importar com a opinião alheia. Não faço nada do que possa me envergonhar, ao contrário, orgulho-me de ter sentimentos fortes, verdadeiros, de ser autêntica, de viver e deixar florescer a vida em mim e nos outros.
Por vezes me criticam ou questionam,"porque falar sobre isso ou aquilo? Ninguém tem nada com isso!" Pois é, ninguém tem nada com isso. Mas não sei viver de outro jeito, não sei ser de outra forma, não sei ser falsa, a mentira me incomoda, o teatro da boa convivência me irrita.
Com os anos aprendi a ser mais tolerante, mais compreensiva, saber que nem tudo deve ser do jeito que acho que deva ser, que as pessoas são livres para decidirem o que fazer das suas vidas, como viver, a quem amar, enfim, já não faço julgamentos. Cada um no seu quadrado!
Então não aceito a hipocrisia, a falsidade, o puxa-saco nem o puxa-tapete.
Claro que para viver em sociedade é preciso buscar a harmonia. E a convivência pacífica e harmônica passa pelo  diálogo, pela conversa franca, pela tolerância aos pequenos erros, pela aceitação das pessoas como elas são. Mas nunca pela farsa, pela mentira, pela inveja ou pelo egoísmo do 'primeiro eu'.
Então prefiro ser transparente. Quando alguém me magoa, perdoo, relevo, deixo pra lá. Aprendi a ver sempre o lado bom das pessoas, das coisas, dos acontecimentos.


Mas isso não quer dizer que tenha sangue de barata. Ao contrário, deixo bem claro o que me desagrada, compro briga pelo bem comum, pelas garantias constitucionais a todos, indistintamente.
E, vez por outra, quando realmente não consigo gostar de alguém, prefiro afastar-me, manter distância, ignorar.
E ignorar é meu modo de fazer entender que fiz o possível para cativá-lo ou, para ser cativado por esta ou aquela pessoa, mas, como não conseguimos, como nossas energias não entraram em sintonia, melhor ignorar!
E assim eu sou! Transparente. Brigo por gente, gosto de gente que se expõe, que não tem medo de viver, ou se tem, enfrenta-o e segue adiante. Gosto da vida, gosto do que me faz bem e cultivo o que me faz bem. O resto é resto e eu não preciso de restos.
Portanto, antes de me perguntar algo tenha certeza de que quer ouvir minha resposta, ela será sincera. Antes de pedir minha opinião esteja certo que a quer, ela poderá desagradá-lo. Mas, se quiser a minha amizade e se desejar ser meu amigo, saiba que poderá contar comigo sempre, porque sou parceira, sou leal e fiel, sou real. Sou Maria Conceição de Aguiar!

ENVELHECER

Assisti a um vídeo do Padre Fábio de Mello falando sobre este tema: Envelhecer!
Sábias palavras que me fizeram pensar, refletir sobre isso. E compartilho meus pensamentos...
Como envelheceremos? Quando nos sentiremos velhos? E quem estará ao nosso lado quando perdermos a nossa utilidade na vida?
Há pessoas que envelhecem mais cedo, outras mais tarde. Há àqueles que se preparam para a velhice, cuidam da saúde do corpo e da mente, de uma reserva financeira, semeiam, cultivam para depois colher.
E há os que simplesmente vão deixando acontecer e ai o que tiver que ser, será!
Mas chegará o tempo em nos tornaremos inúteis. Já não seremos produtivos. Caso insistamos em ficar, seremos aposentados compulsoriamente. Os sentidos vão perdendo a força e as forças se esvaindo. 
Precisaremos de óculos cada vez mais fortes, aparelhos auditivos, teremos lentidão ao caminhar, para pensar, reagir.
O corpo envelhece, independente da nossa vontade. E então já não conseguiremos preparar o almoço, arrumar os cabelos, fazer normalmente atividades rotineiras, tudo tornar-se-á difícil, complicado.
E com a velhice vem as doenças e suas sequelas. E neste momento podemos passar pelo constrangimento de depender de quem nos troque a fralda, dê-nos banho, leve-nos para o banho de sol.
Feliz de quem tiver pessoas amadas ao seu lado quando a velhice e a doença chegarem. Feliz de quem não precisar ser posto num asilo ou abandonado em um hospital.
Feliz de quem tiver um sorriso diário, um abraço matinal, um beijo de boa noite, um carinho.
Feliz de quem envelhecer e, mesmo na sua inutilidade de velho, ser aceito, amado e cuidado.
Porque nesta vida corrida, no dia a dia de agenda cheia quase não sobra tempo para àqueles que nos antecederam, que cuidaram de nós quando éramos frágeis, dependentes.
Pouca paciência temos para lidar com o envelhecimento alheio, sua angústias, seus medos, seus desatinos. Esquecemos de praticar a gratidão e de olhar para nossos velhos com amor, carinho, atenção.
Feliz de quem cuida dos seus idosos. Felizes os idosos que pelos seus são cuidados.
E nós, como envelheceremos? Quando? Em que fase da vida seremos considerados inúteis? Quem estará ao nosso lado?
Maria Conceição de Aguiar

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

NOSTALGIA

Hoje é um daqueles dias em que deixo a nostalgia tomar conta de mim, por algumas horas apenas, claro!
E então as lembranças vem à tona com tanta força, com tamanha intensidade, bate saudade.
Saudade da criança que fui, que gostava de brincar de boneca, de casinha, mas já tinha tantas responsabilidades. Sempre pensante, desafiadora, sempre querendo entender o porquê de tudo.
Saudade dos tempos de escola, dos colegas, dos professores que contribuíram para que eu me tornasse ainda mais pensante, instigante, escrevedora.
Saudades de mim adolescente, alta e magra, bonitinha até. E, principalmente das amigas daquela época, as primeiras, com quem eu me identificava, ou não, mas éramos amigas, pra todas as horas. O primeiro namorado, noivado, casamento.
Saudade dos filhos pequenos, crescendo, descobrindo o mundo. "Manhê......." Saudades!
Da faculdade, dos amigos da vida adulta, das reuniões de família, das festas do interior, do gosto de ensinar, lecionar, interagir com meus alunos.
Do jornalismo, da assessoria, da atuação política, dos textos, das matérias, dos artigos.
Saudades!
O tempo passa tão rápido, mudamos, evoluímos, crescemos literalmente.
E de repente começamos a nos afastar. O tempo é curto, a vida é rápida, as atividades são muitas. E de repente quase não visitamos os parentes, os amigos, a família torna-se muito restrita.
Os amores vem e vão. Os amigos vem e vão. Os sonhos vem e vão. As prioridades mudam, as necessidades mudam.
E a tecnologia hoje facilita o contato virtual, impessoal. Mas faltam abraços, aconchego, conversas, bate papo descontraído. Falta intensidade, falta cumplicidade.
E de repente tudo torna-se efêmero, passageiro, demodê, fácil e difícil ao mesmo tempo, complexo.
E nessas horas de nostalgia ouço Titãs, Paralamas, Engenheiros e tantos outros que marcaram momentos importantes da minha vida.
E nessa sessão de nostalgia fico pensando nas conquistas que ensejaram renúncias, nas derrotas que deram lugar a recomeços, nas tristezas que trouxeram lições importantes, nas alegrias que jamais esquecerei.
E nessa nostalgia penso e lembro de pessoas, lugares, canções, momentos eternizados em minha memória.
O tempo não para, nem volta. nem eu gostaria que assim fosse. Mas,de vez em quando, gosto de relembrar, reviver, olhar para trás e ver que valeu a pena, que a vida sempre vale a pena. E que, apesar da distância física, as pessoas que amo permanecem em meu coração. Vivos ou mortos, longe ou perto, com ou sem contato, Amo meus filhos, meus netos, minhas tias, meus tios, minha primalhada toda, meu irmão, meus sobrinhos, meus primos, meus avós, meu pai.
E de resto é resto. Para o resto costumo parafrasear o poeta e dizer: "Eles passarão e eu passarinho!"

Maria Conceição de Aguiar

ANTEPASSADOS

Nestes dias que antecedem o 'Dia de Finados', faço uma reflexão sobre os meus finados, meus antepassados, minha história de vida até aqui.
Sou fruto da mistura de duas famílias grandes. Por um lado, os Nunes de Souza, italianos, fixaram-se em Cocal do Sul. Lembro do meu bisavô, um homem com longas barbas brancas, olhar triste, jeito calmo e tranquilo de ser. Cartorário, botânico, gostava de estudar as plantas e as pessoas. Chamava-o de nono. Da nona lembro-a sorridente, com um grande avental, cozinhando para todos. Faz tanto tempo, mas ainda lembro daquela casa antiga, com ampla varanda e ainda sinto o cheiro da sua comida. Quando criança passávamos o feriado de Finados lá, visitando o túmulo do meu avô materno, o qual nem conheci.
De outro lado, os Aguiar, também do sul do Estado, mas do litoral. Com eles convivi bem mais. Lembro perfeitamente da casa dos meus avós paternos, de cada cômodo, da disposição dos móveis, dos dias de festa e das noites de dor.
Foram muitas festas, no final de ano a família toda se reunia. Não havia presentes caros, brinquedos exclusivos, mas havia alegria, gente reunida, conversa alta, mesa farta.
Foram muitas dores. Naquela casa adoeceram e faleceram meu avô e meu pai.
Meus antepassados! graças a cada um deles estou aqui, nasci, sou quem sou, tenho este sangue, este jeito de ser, estes traços físicos.
E quando antecede o dia de finados sinto-me um pouco em falta com eles. Há muitos anos não visito Cocal, perdi o contato. Há tempos não vou ao cemitério da Pescaria brava onde estão sepultados meu avô Paulino, minha avó Conceição, meu tio Vilmar e meu pai.
E há algum tempo fiquei sabendo que seu túmulo precisa de reparos, de reforma. Então começo a pensar no que fazer, como reverter, como ajudar. Gostaria de ir até lá no próximo dia 2, mas confesso que tenho vergonha. Estou envergonhada por não ter mais cuidado do local onde estão sepultados seus corpos.
Claro, sei que eles não estão lá, estão em uma outra dimensão. Mas seus restos mortais, seus corpos que tanto abracei, suas mãos que tanto me afagaram, lá repousam eternamente. Então, ao ir lá, gostaria de encontrar a 'casa' deles arrumada, preparada para receber as visitas, afinal, já não podem fazer isso, deixaram para nós essa missão.
Portanto, vou pensar, dar um jeito, reunir gente e vamos restaurar o túmulo da Família Aguiar.
Antepassados, muito obrigado!

Maria Conceição de Aguiar

domingo, 20 de outubro de 2013

RENÚNCIAS

E assim vamos vivendo, fazendo escolhas, optando, tomando decisões. E assim vamos renunciando a pessoas, sentimentos e coisas em geral.
E normalmente a renúncia é um ato de amor. Nem sempre, claro. por vezes renunciamos a situações que não nos fazem bem, pessoas que já nada tem a ver conosco, que nada acrescentam a nossa vida.
No entanto, muitas vezes renunciamos por amor.
Renunciamos a um trabalho melhor, com salário mais alto, posição mais elevada, mas em um local distante. Então, para não ficar longe dos que amamos abrimos mão, damos um passo atrás na carreira.
Renunciamos a uma grande festa, um show, uma importante reunião de trabalho só para poder assistir a apresentação do filho na escola, ou acompanhá-lo a um passeio com os colegas.
Renunciamos a um amor por senti-lo infeliz e insatisfeito ao nosso lado.
Renunciamos a mágoa, a dor, ao sofrimento para perdoar e sentir-nos aliviados.
Renunciamos a uma briga, ao prolongamento de uma discussão, em nome da paz e harmonia em casa, no trabalho, em família.
Renunciamos àquela roupa nova, ao sapato bonito, a viagem dos sonhos, para pagar aulas particulares ao filho que está precisando, inscrevê-lo no cursinho pré-vestibular, ajudá-lo.

E há renúncias bem mais difíceis, que mesmo com o coração em frangalhos, são necessárias naquele momento. Renunciar a um filho, aos pais, à família! Renunciar à vida, abrir mão do que lhe é mais sagrado. Deve ser complicado, confuso, deve dar um medo que, imediatamente, precisa ser substituído pela coragem de ir além.
E não cabe a mim julgar as renúncias alheias, E a ninguém dou o direito de julgar as minhas. 
As escolhas que fazemos ao longo da vida podem ser objetivas ou totalmente subjetivas, mas são muito pessoais e particulares. 
Talvez chegará o dia em que nos arrependamos de ter renunciado a algo ou, principalmente a alguém. Talvez não. Mas, o mais importante, na minha concepção, é ter a nítida certeza de que, naquele momento, naquela fase, naquele ponto do caminho, essa renúncia foi a alternativa mais acertada.
Então, por mais dolorida e sofrida que possam ser suas renúncias, faça-as com convicção, sem pensar no julgamento alheio, apenas aja por amor e com amor e depois erga-se novamente, encare as consequências e volte à vida! S´não vale ficar se lamentando, choramingando, afinal, sua vida, suas escolhas, suas consequências! Pensamentos meus!!!

Maria Conceição de Aguiar

FERIDAS SOCIAIS

Não sou especialista em nada, não sou estudiosa do comportamento humano, sou apenas observadora atenta, ouvinte, leitora e participante ativa da vida!
Então, ponho-me a pensar sobre as várias feridas sociais que nos acometem no momento. Algumas tão sem solução, outras tantas esbarrando na divergência de opinião e dai ficam também sem solução.
E eu, como observadora e pensadora que sou, vou aqui neste blog expondo a minha opinião, deixando o meu achismo. Certa ou errada? Não sei! Mas vou escrevendo, expondo-me, indagando!
Redução da maioridade penal é um dos temas que tenho acompanhado debates ao longo da história. Talvez não seja este o caminho, afinal, antes de punir é necessário dar condições para que os jovens se desenvolvam. E isso passa pela estruturação familiar, educação, acesso à cultura, ao esporte, à vida! Em contrapartida, deixar de punir também não pode ser a solução. A marginalidade precisa ser contida, a criminalidade deve ser combatida. 
Outro tema polêmico é o uso de animais como cobaias em laboratórios. Claro, sou completamente contra os maus tratos, mas a ciência precisa avançar, então que haja regras, controle rígido, acompanhamento. E não podemos ser hipócritas e só agir quando isso dá ibope, audiência, vira notícia. E o tanto de animais abandonados pelas ruas? Sem água nem comida, sem lar, o que fazer por eles? 
E vamos mais além! Há seres humanos nas ruas, morando em bancos de praças e jardins, dormindo em becos. Há doentes amontoados pelos corredores dos hospitais públicos. Há idosos jogados em asilos sem nenhuma condição de funcionamento. Seres humanos! Feridas sociais!
Mais um: Bolsas e vales para amenizar a situação de pobreza...será esse o caminho? Penso que não. Acredito que seria melhor investir em escolas, criar frentes de trabalho, cursos profissionalizantes, apostar nas famílias, na sua estruturação, valorização e organização. Pessoas com acesso à educação, ao trabalho e renda não precisam de esmolas. Aliás, essas bolsas e vales retiram a dignidade humana, que passa pelo poder de prover seu próprio sustento e o de sua família, que passa pela moradia digna, pelo nome e sobrenome, pelo estímulo a autoestima.
E tantas outras feridas sociais que nos afetam diretamente. Temas polêmicos, controversos, difusos, capazes de gerar horas de discussão, debates, sem que se chegue a qualquer consenso. 
E, por vivermos em um país democrático, respeito a opinião alheia, mas deixo a minha, sem impô-la, apenas expressando minha indignação com tantas chagas abertas numa sociedade que poderia estar bem mais evoluída, bem mais avançada. Feridas sociais! Aff...

Maria Conceição de Aguiar

TER E SER

Tenho sonhos, sou sonhadora
Tenho ideais, sou idealista
Tenho amor, sou amante
Tenho fé, sou crente
Tenho força, sou forte
Tenho esperança, sou esperançosa
Tenho problemas, sou problemática
Tenho surpresas, sou surpreendente
Tenho felicidade, sou feliz
Tenho filhos, sou mãe
Tenho razão, sou racional
Tenho emoções, sou emocional
Tenho coragem, sou corajosa
Tenho capacidade, sou capaz
Tenho emprego, sou empregada
Tenho trabalho, sou trabalhadora
Tenho formação, sou profissional
Tenho amigos, sou amigável
Tenho saúde, sou saudável
Tenho virtudes, sou virtuosa
Tenho defeitos, sou defeituosa
Tenho gratidão, sou grata
Tenho paixão, sou apaixonada
Tenho vida, sou vivaz!

PAIS E FILHOS

Intrigante a relação entre pais e filhos. Às vezes a gravidez é planejada, desejada e o filho ansiosamente esperado. Outras, acontece por acaso, descuido, mesmo assim àquela criança é ansiosamente esperada. E há ainda tantas vezes que aquela gravidez assusta, não era o momento, não podia ser, mas foi, e agora seja o que tiver que ser.
Nos três casos, depois que a criança nasce, começa a se desenvolver, vai crescendo, tudo pode mudar. 
Então vemos pais e mães amorosos, que sempre tiram um tempo para estar com seu filho, valorizando cada minuto a seu lado. Pais que cantam, contam histórias, brincam, entram na fantasia do faz de conta da criança. Esse tempo pode ser pequeno, algumas horas por semana, mas de qualidade e sabem que esses momentos ficarão para sempre na memória dos filhos, servirão de norte para sua vida futura.
Também encontramos pais e mães que trabalham diuturnamente para proporcionar todo conforto aos filhos. As melhores escolas, os melhores brinquedos, cursos variados, festas de aniversário fantásticas. E, na maioria das vezes, esses pais esquecem que, provavelmente, sua criança trocaria tudo isso por um passeio no parque, uma brincadeira juntos, a sua presença na apresentação da escola.
Difícil estabelecer uma relação harmoniosa entre o ter e o ser. O que consideramos mais importante para os nossos filhos? Será que eles compartilham da da nossa opinião? São consultados, ouvidos?
E há ainda pais e mães que simplesmente esquecem de exercer o seu papel. Deixam de valorizar este grande presente em suas vidas, o filho. Então essas crianças vão crescendo meio sem norte, sem referências, sem modelos ou, com modelos deturpados de paternidade e maternidade.
Fazer filhos é fácil, prazeroso....Tê-los, igualmente. Alimentá-los não é tão difícil. Difícil é educá-los fazendo-se presente na vida deles. Difícil é transmitir-lhes valores e princípios pelo exemplo, mais que pela palavra. Difícil é ser pai e mãe na totalidade, assumindo todos os ônus e bônus que fazem parte do processo.
Difícil, mas possível. Então porque nem todos conseguem? Nem todos o fazem, o são, praticam?
Intrigante algumas relações entre pais e filhos!

Maria Conceição de Aguiar

VOCÊ!

E de repente você chegou e mudou minha concepção de amor, namoro, relacionamento. Fez-me entender que pode-se ser feliz, apesar das diferenças.
E ao seu lado fui feliz! Mas, confesso, tive medo! Medo de demonstrar, medo de mostrar-me demais, medo de parecer frágil, dominada, medo de sucumbir demasiadamente.
Mas você, apesar da pouca idade, mostrou-se homem feito. E fez-se companheiro. E segurou minhas mãos nas crises de enxaqueca, e cuidou de mim quando precisei fazer cirurgia.
E apesar de tão jovem soube amar-me e demonstrar isso em gestos, atitudes, olhares, palavras.
Ao seu lado descobri o exato sentido da palavra companheirismo. Conheci a verdadeira intimidade que só se dá entre casais de verdade.
Com você descobri que posso amar e ser amada e que
as diferenças são apenas detalhes.
Mas esses detalhes, assumo, começaram a pesar para mim. Apesar de dizer-me descolada, livre, independente, vivo em sociedade e comecei a ficar incomodada.
De repente, nossas diferenças culturais, sociais, profissionais e, principalmente, de idade, passaram a me incomodar, foram se tornando empecilhos.
E de repente vi-me pensando no amanhã, no depois, no como será daqui cinco, dez, vinte anos.
Normalmente não sou assim. Então, percebi que aquela relação já não podia ser. 
E eis que deixei você ir. E eis que agora o excluo finalmente da minha rede de contatos e deixo-o livre para seguir, para viver, para voar. E eis que solto as amarras de vez, para sempre!
Mas lembrarei com carinho dos anos que passamos juntos, das idas e vindas, dos momentos bons, da parceria e até das brigas e discussões, dos estresses.
Jamais o esquecerei, poque você foi um marco na minha vida, entre o que eu era  o que sou. E sei que também não me esquecerás, ficarei para sempre guardada num cantinho especial da sua memória.
Com você aprendi a ser mais leve, mais solta, mais alegre, mais amada. Com você aprendi a amar sem preconceitos, sem pré-conceitos. Por isso, hoje, dedico-lhe este texto e me despeço de vez, desejando que você seja muito feliz, sempre. 
Acredito que nada é por acaso e que ninguém passa pela vida de ninguém em vão. Aprendemos muito um com o outro e posso dizer categoricamente: Valeu a pena!

EU

Eu sou assim, mas não nasci assim, nem morrerei assim. porque sou mutante, atuante, pensante e sempre em constante processo de aprendizagem e, consequentemente, mudando.
Hoje sou uma mulher apaixonada pela vida, mas nem sempre fui assim. Já tive meus momentos de depressão e angústia, achando que tudo podia ser diferente. 
Então decidi que eu poderia fazer a diferença, ser a diferença e  passei a ver a vida com outros olhos.
Hoje sou feliz na minha simplicidade de viver. Sou feliz nos almoços em família, nas pedaladas à beira mar, ao contemplar o sol, a praia, a lua, o vento e a chuva.
Hoje sou feliz no meu trabalho, valorizo-o porque através dele mantenho-me financeiramente.
Eu sou esta mulher que aprendeu a valorizar cada minuto, cada hora, cada dia. Que se alegra com a alegria dos amigos, que se entristece com as mazelas e frustrações dos que me rodeiam.
Eu sou esta mulher que adora ser mãe e se orgulha dos filhos. Eu sou avó e presente e atenta, sempre preocupada com o bem estar dos filhos dos meus filhos.
Hoje sou alegre, sou de bem com a vida, por opção.
Escolhi enxergar o lado bom das pessoas e dos acontecimentos. Optei pela felicidade. 
Eu sou mãe, avó, sogra, tia, sobrinha, prima. Eu sou amiga, companheira, profissional, colega. vizinha.

Hoje sei quem sou. Mas sei que sou controversa, complexa. 
Eu sou esta mulher sonhadora, que anseia em viver um amor, mas enquanto isso, aproveito os pequenos amores que a vida me dá. Sou humana.
Tenho princípios, ética, decência. Não faço nada do que possa me envergonhar, mas, ao mesmo tempo, não fico preocupada com a opinião dos outros. Sou livre para fazer minhas escolhas e, assumir as consequências dessas.
Eu sou narcisa, blogueira, adoro brincar com a palavras, redundante na minha maneira de escrever, assim sou eu!
Eu sou esta mulher que não perde a fé e agradece por tudo e por todos. Sou forte, mas por vezes fraquejo e peço ajuda. 
Eu sou esta mulher que gosta de ser útil, de ajudar, de agregar, somar.
Eu sou uma mulher e gosto de namorar, paquerar, dançar, conquistar amigos e amores, saberes e e sabores.
Hoje sou assim , mas nem sempre o fui e amanhã, não sei! Mas hoje sou feliz na vida simples que escolhi, rodeada pelas pessoas que prezo, amando e sendo amada! 
Eu sou Maria Conceição de Aguiar!

sábado, 19 de outubro de 2013

PAUSAS

De tempos em tempos precisamos dar uma pausa, não na vida exatamente, mas na maneira de viver, na correria, no dia a dia, nos costumes, nos problemas.
Pequenas pausas para que possamos nos recompor. Normalmente, essa pausas são necessárias sempre que nos sentimos sobrecarregados ou, sempre que algo sério acontece, ou ainda, quando pequenas coisas estão nos afetando demasiadamente. Então é hora de dar um tempo.
E dar um tempo, pausar, não significa desistir, entregar-se, deixar ser. Ao contrário, serve para nos fortalecermos, recompormos, passarmos a ter nova visão do mundo que nos envolve.
Quando perdemos uma pessoa querida, precisamos de uma pausa, um tempo de luto, só nosso, para que nos acostumemos a viver sem a sua presença física, para que aceitemos a sua ausência, sabendo que jamais voltará.
Quando um romance, namoro, casamento ou que nome se dê ao relacionamento, termina, também é preciso uma pausa, um período de luto interno, até que estejamos prontos para seguir em frente sem aquela pessoa que por tempos nos fez companhia, partilhou das nossas intimidades, da nossa vida. 
E quando o estresse do trabalho, estudos, casa, filhos, pais, enfim, quando a vida fica tão pesada a ponto de querermos explodir, a pausa faz-se urgente. Férias, um bom livro, um filme, recolhimento.
Na verdade acho que uma pausa de vez em quando é preciso. Caso contrário, tendemos a sufocar, estressar, deprimir. Então, sempre que possível, pare por uma hora, um dia, uma semana. Mas paremos pra valer, um tempo único, só pra nós.
Em uma hora dá para tomar um banho demorado, fazer uma massagem relaxante, uma caminhada, observar o pôr do sol, as nuvens do céu,
Em um dia é possível fazer um passeio, tomar um banho de mar ou simplesmente sentar na areia e ouvir o barulho das ondas, observando a imensidão do oceano. Ou então ir para o interior, sentir o cheiro de terra, o vento batendo no rosto, observar uma cachoeira, extasiar-se com as belezas da natureza.
Em uma semana é possível viajar, conhecer um lugar novo, talvez a cidade vizinha, ou àquela mais distante. Conhecer pessoas diferentes, culturas diversificadas, fazer um curso de artes, culinária, ou outro qualquer.
Posso afirmar que depois de uma pausa sentimo-nos revigorados, prontos para mais um período, uma jornada, um semestre, um ano. Prontos para a vida.
Portanto, sempre que sentir que está tudo pesado demais, que não está dando conta, pare! 
Pare, respire fundo, faça alguma coisa que lhe dê prazer e retorne às suas atividades revigorado.
Afinal, a vida pede passagem, e para vivê-la temos de estar bem em todos os aspectos. Então, pare, recomponha-se e volte pleno de energia!
Maria Conceição de Aguiar

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

CREIO

Eu creio que tudo que nos acontece, de bom ou de ruim, sempre tem um porquê, uma razão de ser. Muitas vezes esse porquê demora a ser compreendido, assimilado, aceito.
Principalmente quando passamos por momentos difíceis, tendemos a questionar 'por que eu?', 'porque comigo?', 'porque com quem tanto amo?'
Então, só o tempo será capaz de apaziguar nosso coração, desvendar nossos olhos tristes e fazer-nos entender a razão de termos passado por aquela situação tão desgastante, desagradável, sofrível.
Assim é quando perdemos alguém a quem amamos para a morte. A princípio não entendemos, não aceitamos, ficamos desolados, querendo que tudo fosse um grande engano.
Assim é quando somos acometidos por uma enfermidade grave. O longo tratamento, o desgaste físico e emocional, a dor real e a dor da alma, fazem-nos, por vezes, querer desistir, esmorecer, perder a fé.
Assim é quando atravessamos dificuldades financeiras, derrotas, perdas.
Assim é quando somos vítimas de injustiças, desmandos, agressões.

E nos momentos difíceis em que a dor e o sofrimento nos assolam, enfraquecemos, esbravejamos, blasfemamos.
Então, quando decidimos deixar a dor de lado e aceitar os acontecimentos, tornamo-nos mais fortes para enfrentá-los. E a partir dai a cura se faz.
Mas para isso é preciso crer. Crer que sempre há um porquê. E que um dia ele será desvendado.
Os mistérios da vida e da morte, das enfermidades, das mazelas, das dores, dos desamores, dos sofrimentos. Nada há de ser em vão, sempre haverá uma explicação. Sempre haverá uma nova chance, um recomeço, um ponto de luz que nos chama à vida!
E se cremos, sabemos que enquanto há vida, há esperança. Enquanto o coração pulsar, mesmo com batidas mais lentas e descompassadas, ainda assim há esperança.
E se cremos sabemos que mesmo a morte não significa o fim. Apenas uma passagem, uma viagem. Então, se você perdeu alguém querido, deixe-o ir em paz, iluminar os céus com uma estrela a mais a cintilar, sua presença, embora não mais física, continuará a apaziguar seus dias, sua vida, seu viver.
E se você está doente, creia na cura, lute por ela, enfrente a batalha. Não se esconda, ao contrário, mostre-se, chame os amigos, peça ajuda, conte com quem lhe quer bem. E creia sempre! Caso desabe por alguns instantes, deixe ser. Chore, desabafe, escreva, fale. E depois recomponha-se, recomece, cuide-se.
E se você crê um dia entenderá. poderá olhar para trás e dizer "eu venci!", poderá olhar para a frente e dizer "vida, voltei!". 
Eu creio em Deus, nos homens, na ciência. Eu creio na vida! Eu creio em você! Eu creio em mim!

Maria Conceição de Aguiar 

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

MEU MUNDO!

Meu mundo é eclético, meio bipolar!
No meu mundo misturam-se realidade e fantasia, concreto e abstrato, serenidade e loucura.
No meu mundo todos são bem vindos desde que venham em paz, com alma serena, paz de espírito e amor no coração.
E quem vier pode ficar, mas quando quiser partir poderá seguir sem medo, sem mágoas, sem dores nem rancores.
Meu mundo é livre. Meu espírito é livre, libertador. Meu amor é incondicional.
No meu mundo tem dias de extrema sapiência e outros cheios de dúvidas, incertezas, em que nada sei.
No meu mundo tem fadas e duendes, faz de conta, era uma vez....
Tem sonhos e anseios, ilusões, amores imperfeitos, insensatez.
No meu mundo tem também realidade dura, luta pela sobrevivência, decepções, erros, enganos.
E tem gente, muita gente!
No meu mundo tem gente de bem, do bem, que a simples presença me deixa feliz, que um sorriso enfeita meu dia, que uma palavra transborda meu ser. 
E no meu mundo bipolar também tem gente que não curte, não me acrescenta, não se envolve nem se deixa envolver. 
Mas não tem gente do mau, nem de mal, porque esses não encontram abrigo no meu mundo.
Meu mundo é controverso, paradoxo. E, nele, por vezes estou nua, despida de qualquer desafeto, qualquer preconceito, qualquer julgamento, qualquer segredo. Noutras, fecho-me em concha e ponho-me como expectadora.
No meu mundo sempre cabe mais um! Mais um amigo, mais um colega, mais um amor, mais um livro, mais um aprendizado! Aliás, no meu mundo não há limites para as descobertas, as mudanças, a ânsia pelo saber, a interação, a mão estendida e o sorriso franco.
Meu mundo é como esse blog, escrito, lido, comentado e compartilhado. Meu mundo tem lugar para o passado lembrado com carinho, o futuro e suas surpresas e, principalmente, o presente, o hoje, o agora.
Meu mundo é muito meu, embora exposto, guardo na alma e no coração coisas e pessoas, lembranças e e saudades só minhas, meus segredos!
Meu mundo é assim, cheio de idas e vindas, de momentos, de vivência. Meu mundo tem muita vida!

Maria Conceição de Aguiar

AMARRAS

Solte as amarras, deixe ir! Este é o meu pensamento do dia!
Soltar as amarras nem sempre é fácil, ao contrário, geralmente é difícil, dói, causa uma sensação ruim, um gosto amargo de perda, derrota, fim...Mas é preciso, normalmente é necessário.
Solte as amarras e deixe ir aquele a quem amas mas que já não sente o mesmo, não corresponde!
Solte as amarras e deixe ir quem te decepcionou, mentiu, enganou, feriu a tua confiança.
Solte as amarras e deixe ir quem te magoou, fez chorar, causou sofrimento.
Solte as amarras e deixe ir o filho que casou e formou a própria família.
Solte as amarras e deixe ir a filha que decidiu viajar, estudar fora, sair de casa.
Solte as amarras e deixe ir àquele que Deus chamou, deixe que sua alma descanse em paz!

Solte as amarras! Deixe ir! Deixe que a vida siga seu curso. 
Liberte-se você também das amarras que o prendem a sentimentos negativos, aos valores invertidos, ao apego exagerado, as pessoas que o deixaram, que se foram, que o tempo e a vida afastaram.
Liberte-se de tudo que não faz bem, que não traz paz, que não acolhe, não conforta, não acrescenta.
Liberte-se das amarras que o prendem ao passado, ao que ficou para trás, ao que deixou de ser, ao que deixou de ter.
Liberte-se! Solte as amarras.

Enterre seus mortos!
Renove seus sentimentos!!
Revista-se de novos sonhos!
Redescubra a vida.
O que foi não voltará. E quem tiver que ir, irá, independente da sua vontade. Portanto, despeça-se com um sorriso, um abraço apertado e deixe ir. E se doer, recolha-se por uns dias, chore, ore...e depois siga em frente, firme e forte, lembrando de vez em quando com carinho, sentindo aquela saudade boa, sem obsessão, sem deixar-se sufocar. 

Solte as amarras, deixe ir, liberte-se!

Maria Conceição de Aguiar  

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

AOS MESTRES

Professor, mesmo que você não tenha defendido tese de mestrado, para mim, você é o verdadeiro mestre.
E neste 15 de outubro, quero homenageá-lo, agradecê-lo, fazer-lhe um agrado!
Obrigada a você que é professor de Educação Infantil e trata suas crianças com respeito, amor e carinho. Eles têm em você a primeira imagem do mestre, o primeiro contato com a escola. E é ali na pré-escola que começam a descobrir-se, desenvolver seus potenciais, suas habilidades sempre com a sua ajuda. Precisam da sua mão firme, dos seus braços e abraços, do seu olhar terno. Ouvem atentamente as suas histórias, realizam as atividades, interagem, integram-se, graças a sua atuação.
Obrigada a você que é professor do Ensino Fundamental. Para mim, a fase escolar mais importante, quando a criança inicia o letramento. E, com a sua ajuda e incentivo começam a desenvolver o gosto pela leitura, pela expressão do pensamento, falando e escrevendo, pelos cálculos matemáticos, pelos esportes, pela prática de atividades saudáveis. E nessa etapa do processo ensino-aprendizagem, você professor é a figura mais importante para essas crianças e, portanto, ficará na lembrança deles para sempre!
Obrigada a você que é professor do Ensino Médio e que incentiva nossos adolescentes a descobrirem a filosofia, a sociologia, a interpretação da leitura, o senso crítico, estético e eclético da língua e literatura. Nessa etapa você tem a habilidade de fazê-los pensar, raciocinar, discernir, contribuindo para o seu desenvolvimento global.
Obrigada a você que é professor Universitário e apoia a construção do pensamento crítico, a descoberta das ciências, a profissionalização. Seu papel é de fundamental importância para a formação dos profissionais de todas as outras áreas, todos passarão por você, pelos seus ensinamentos e, através da sua pedagogia, formarão uma bagagem de conhecimentos e sairão da faculdade não apenas com o diploma, mas com todo o saber necessário ao desenvolvimento da profissão que escolheram.
Obrigada a você professor! Médicos, advogados, dentistas, músicos, jornalistas, pedagogos, tecnólogos, engenheiros, cientistas e tantos outros profissionais que entram no mercado de trabalho diariamente, passaram pelas mãos dos Mestres, desde a mais tenra idade até o último nível de formação. 
E, provavelmente, todos esses profissionais, terão empregos mais suntuosos, salários bem mais altos que os seus, reconhecimento, renome, sucesso.
Mas a sua melhor e maior recompensa é sentir-se seguro e orgulhoso em ter cumprido o seu papel de Mestre, de estar contribuindo ano a ano, dia a dia, em cada aula para que tenhamos um Brasil melhor para todos.
Porque você professor tem esse poder. Poder de promover transformações, mudanças de hábitos e atitudes, desenvolvimento de aptidões, formar outros tantos mestres nas diversas áreas do conhecimento.
Portanto Professor, sinta-se orgulhoso pela profissão que escolheu. Continue trabalhando com zelo, com amor, com sabedoria. Claro, também continue lutando pela valorização da sua classe, por salários mais dignos, por maior participação da comunidade, da família, por escolas qualitativas. Mas sempre orgulhoso na sua simplicidade de grandiosidade, sabendo não ser apenas um transmissor de conhecimentos, ma sim o Mestre, um condutor, um exemplo, um formador de gente de bem.
Parabéns Mestres! Orgulho-me de já ter sido professora, de já ter feito parte desta categoria. Orgulho-me de todos os meus mestres pois tiveram participação importantíssima na minha formação, pessoal e profissional, no que sou, no que faço, no que falo, no que pratico e, especialmente, no que escrevo.Parabéns Professor. 

Maria Conceição de Aguiar

VIDA

E a vida passa com uma velocidade difícil de acompanhar. É preciso estar atento, antenado, com disposição para seguir adiante, enfrentando os obstáculos, encarando as dificuldades, vencendo as incertezas.
Viver é bom, é maravilhoso. A vida foi nos dada de presente e o que fazemos dela define quem somos, o que queremos, quem fomos e o que será mais adiante.
Há tempos decidi mudar de vida. Aliás, estou em constante mudança, sempre em processo de renovação.
E cada vez mais me convenço que, para acompanhar a velocidade dos acontecimentos, hã de se ter um ritmo de vida em plenitude.
Ou seja, temos que viver cada momento, passar por cada etapa, tirando lições do passado e semeando sempre para que haja colheita no futuro.
E nesse ritmo não dá para perder tempo com mazelas, com tristezas e angústias acumuladas, com mágoas e ressentimentos guardados, com rancores e picuinhas.
Não é possível ser só razão ou só emoção. Há que se ter equilíbrio!
E no meu constante processo de mudança renovo-me a cada dia. O que era bom ontem já não interessa hoje. O que me feriu ontem já não me machuca hoje. O que faço, sinto, falo, escrevo agora, talvez já não faça, sinta, fale, escreva amanhã.
Mas neste momento estou pensando em mudar mais algumas coisas, fazer faxina, limpar a alma. vou começar reorganizando os armários. o que já não serve, está em desuso, não quero mais, vou passar adiante.
Depois no facebook. Gosto do face, acho um lugar legal para encontrarmos parentes e amigos, conhecer pessoas novas. Mas também acho que é um local de interação e, portanto, se adiciono pessoas que não conheço, com as quais nunca converso, melhor excluir. Então também lá farei uma faxina. Nada mais de meros expectadores da minha vida. Nada mais de ex-amores, ex namorados, ex ficantes. Nada mais de gente que não me acrescenta. Porque não quero ter um milhão de amigos, quero apenas àqueles necessários, que fazem bem a mim e para os quais eu faça bem. Então, vamos à limpeza!
E assim vou mudando, renovando, renascendo, planejando, construindo. E assim vou seguindo. 
Mas não mudo minha essência. Continuo a mesma mãe, avó, companheira, amiga, acolhedora. Continuo a mesma observadora, ouvinte, conselheira. Continuo sendo mil em uma  e uma em mil. Minha essência não mudo!
Não considero pessoas descartáveis, claro que não. Como já disse aqui, sou apegadinha. Mas não imponho a minha presença, não imploro por amor, não ofereço mais do que posso dar e nem espero mais do que posso ter.
Então, de tempos em temos, preciso reciclar, rever, refazer.
Preciso me reencontrar, recomeçar, reviver. De tempos em tempos, renasço, pois percebo que, para acompanhar a velocidade da vida, não posso parar, estagnar, emudecer. 
Esta sou eu!

Maria Conceição de Aguiar 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

COMO VAI VOCÊ?

Como vai você?
Você que já esteve comigo, trocou minhas fraldas, ensinou-me a caminhar, ouviu minhas primeiras palavras?
E você que me ensinou a ler e, mais que isso, o gosto pela leitura, o prazer em escrever?
Como vai você que me deu o primeiro beijo? 
E você que me fez mulher?
Como vai você que ouviu minhas lamúrias, que emprestou seu ombro, que bebeu comigo, que dividiu seu lanche, seu cigarro, seu ficante?
Como vai você que me confidenciou o fora que levou, ou aquele gato que conquistou?
Como vai você?
Que me emprestou aquele vestido novo? Que usou meu sapato mais bonito? Que me abraçou carinhosamente?
E você que me ensinou a ser professora? Que fez desabrochar em mim a paixão pelo docência e pela decência?
Como vai você que me deu a primeira chance? O primeiro livro, o primeiro emprego, aquele estágio?
Como vai você que me ajudou a ser mais forte?
E você que me viu enfraquecida, esmorecendo e ergueu-me com sua mão amiga?
Como vai você que foi meu mestre?
E você que foi meu pupilo?
Como vai você que me mostrou que o amor existe e que amar sempre vale a pena?
E você que me amparou quando eu mais precisava? E você, que me abandonou quando eu jã não tinha muito a oferecer, como vai?
Como vai você que me procurou e eu lhe estendi a mão? E você, a quem não pude socorrer? E você que não tive tempo para lhe ouvir, como vai?
Como vai você que tanto me ensinou? E você que tanto comigo aprendeu?
Você que se foi, você que se vai, você que ainda está por ai, como vai?
Como vai você que me amou e se decepcionou? E você que me ignorou, como vai?
Como vai você que ainda lembra de mim com carinho? E você que pensa em mim com saudades? Como vai você que me amou mas eu não soube retribuir?
Como vai você que chegou, marcou e se foi?
E você por quem passei, marquei e me fui, como vai?
50 anos. muitos amigos, colegas, professores, chefes, amores, família. a vida passa, o tempo voa, a gente se perde uns dos outros, as vidas tomam rumos diferentes.
E de vez em quando bate uma nostalgia, uma vontade de saber como vai você???

Maria Conceição de Aguiar