segunda-feira, 21 de outubro de 2013

ANTEPASSADOS

Nestes dias que antecedem o 'Dia de Finados', faço uma reflexão sobre os meus finados, meus antepassados, minha história de vida até aqui.
Sou fruto da mistura de duas famílias grandes. Por um lado, os Nunes de Souza, italianos, fixaram-se em Cocal do Sul. Lembro do meu bisavô, um homem com longas barbas brancas, olhar triste, jeito calmo e tranquilo de ser. Cartorário, botânico, gostava de estudar as plantas e as pessoas. Chamava-o de nono. Da nona lembro-a sorridente, com um grande avental, cozinhando para todos. Faz tanto tempo, mas ainda lembro daquela casa antiga, com ampla varanda e ainda sinto o cheiro da sua comida. Quando criança passávamos o feriado de Finados lá, visitando o túmulo do meu avô materno, o qual nem conheci.
De outro lado, os Aguiar, também do sul do Estado, mas do litoral. Com eles convivi bem mais. Lembro perfeitamente da casa dos meus avós paternos, de cada cômodo, da disposição dos móveis, dos dias de festa e das noites de dor.
Foram muitas festas, no final de ano a família toda se reunia. Não havia presentes caros, brinquedos exclusivos, mas havia alegria, gente reunida, conversa alta, mesa farta.
Foram muitas dores. Naquela casa adoeceram e faleceram meu avô e meu pai.
Meus antepassados! graças a cada um deles estou aqui, nasci, sou quem sou, tenho este sangue, este jeito de ser, estes traços físicos.
E quando antecede o dia de finados sinto-me um pouco em falta com eles. Há muitos anos não visito Cocal, perdi o contato. Há tempos não vou ao cemitério da Pescaria brava onde estão sepultados meu avô Paulino, minha avó Conceição, meu tio Vilmar e meu pai.
E há algum tempo fiquei sabendo que seu túmulo precisa de reparos, de reforma. Então começo a pensar no que fazer, como reverter, como ajudar. Gostaria de ir até lá no próximo dia 2, mas confesso que tenho vergonha. Estou envergonhada por não ter mais cuidado do local onde estão sepultados seus corpos.
Claro, sei que eles não estão lá, estão em uma outra dimensão. Mas seus restos mortais, seus corpos que tanto abracei, suas mãos que tanto me afagaram, lá repousam eternamente. Então, ao ir lá, gostaria de encontrar a 'casa' deles arrumada, preparada para receber as visitas, afinal, já não podem fazer isso, deixaram para nós essa missão.
Portanto, vou pensar, dar um jeito, reunir gente e vamos restaurar o túmulo da Família Aguiar.
Antepassados, muito obrigado!

Maria Conceição de Aguiar

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