Aqui estou em frente ao computador, pensando, escrevendo, transformando ideias em frases que, juntas, formam um texto. Mas só consigo fazê-lo porque, ao longo da vida, tive excelentes professores. Ainda lembro da dona Joana, minha professora alfabetizadora. Ensinou-me as primeiras letras, o gosto pela leitura e pela escrita, o despertar do conhecimento. E vieram outros, cada qual com seu saber, contribuindo para o meu desenvolvimento cultural, pessoal, profissional.
Lugar comum, mas nunca é demais lembrar que todos os profissionais foram alunos durante grande parte da vida. Todos tivemos professores, mestres, que muito se esforçaram para que nos tornássemos gente grande.
Mas, depois que 'crescemos', tendemos a esquecê-los. Professor? Não! Melhor ser doutor! Juiz, advogado, promotor. Ou médico, dentista, cientista. Talvez vereador, senador, governador. Tudo, menos professor.
Mas sem o professor quem poderia ser doutor? Sem o professor quem haveria de transmitir conhecimento, incentivar a pesquisa, o raciocínio, o pensamento crítico, a interpretação, a leitura e a escrita conscientes? Sem o professor eu não saberia me fazer entender e você não conseguiria interpretar meu pensar!
Mas então, porque este profissional essencial é tão desmerecido, desrespeitado, mal pago, menosprezado?
Em Santa catarina, novamente os profisisonais da educação pública estadual estão em greve. Brigam por valorização, por reconhecimento profissional, por manutenção dos direitos conquistados, por melhoria salarial. Mas não são ouvidos! Tornaram-se invisíveis! Acampados no átrio da Assembleia Legislativa, em frente à Secretaria de Educação, nas praças e jardins, nas ruas das cidades, clamam por ajuda, pedem socorro.
Deveriam ser reverenciados e são desprezados. Deveriam ser homenageados e são escorraçados. Deveriam ser valorizados e são achincalhados!
Cadê nossos representantes políticos? Onde estão nossos doutores de notórios saberes que fecham olhos, ouvidos e bocas para a situação caótica que se abateu sobre o magistério estadual?
Eles precisam de ajuda, da mão amiga, da palavra de esperança, da manifestação de solidariedade.
E, através deste texto, faço um apelo. Não deixemos nossos profissionais da educação a mercê da própria sorte, da omissão, da desqualificação. O movimento paredista que enfrentam é justo, digno e devemos apoiá-los. Investir em educação é melhorar as condições de trabalho dos profissionais que nela atuam, dando-lhes salários dignos, tratamento igualitário.
Portanto governador, chame-os para negociar, mas seja decente e coerente. Não os faça mendigar, respeite-os. Senhores deputados, abracem mais esta causa, mostrem o quanto se importam, o quanto estão comprometidos, o quanto são valorosos nossos educadores.
Comunidade catarinense juntemo-nos a eles. Nossos filhos carecem de educação de qualidade e isso passa, principalmente, pela valorização do professor.
Professores, pedagogos, mestres, jamais duvidem da sua capacidade, do seu poder, da sua importância. Continuem firmes, de cabeça erguida, voz cansada mas não abafada. Santa Catarina precisa de vocês! O Brasil, o mundo precisam do seu trabalho. Portanto, não desanimem, não se curvem. Nós estamos com vocês!

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