segunda-feira, 6 de julho de 2015

MARIA

E todos os dias ao acordar digo bom dia Deus, bom dia vida, bom dia Maria Conceição. E agradeço por mais um despertar, por mais um dia, pelo sol ou pela chuva, pelo alimento, pelo trabalho, pela vida.
E todos os dias enceno as muitas 'Marias' que em mim existem. Sou a mãe, a mulher, a servidora pública, a colega, a amiga, a avó, a ouvinte, a falante, a leitora, a escrevedora.....
E para cada uma dessas, e de tantas outras, que compõem-me tenho um jeito, um falar, um pensar, um agir. Não que eu seja falsa ou aparente. É que sou muitas numa só e uma em muitas. 
Então me adapto, vou me aperfeiçoando, moldando-me a minha maneira, ao meu discurso, unindo fala e ação, tornando-me única mesmo que desfragmentada.
Pois é, desfragmentada! Para ser muitas é preciso saber discernir, adaptar-me, aprender a lidar com as emoções, a separar o que é relevante do que não tem importância, saber deixar pra lá.
Mas nem sempre é fácil. A profissional exige de mim muito tempo, muito esforço, muito trabalho. A mãe exige que eu me desdobre em três, em oito, em dez. A amiga me faz, por vezes, sentir o peso da responsabilidade em ouvir um desabafo, um segredo, um conselho. A colega me traz emoções dúbias como a decepção, a angústia e a admiração.
Não é fácil, mas vou tentando.
E nem sempre acerto, claro. Tem vezes que misturo tudo. Há dias que separo muito. Mas vou tentando.
E quando finalmente chega a noite, a hora de deitar e repensar no dia que passou, novamente uma prece, um obrigada por mais um dia, por cada dia, por tudo que tenho, principalmente por ser quem eu sou.
Porque sou a Maria Conceição e gosto de ser quem sou. Gosto desta fragmentação, de dividir-me em muitas para somar e, no final, multiplicar.
Mas que final? 
Enquanto eu viver não haverá um final. Haverá recomeços, tropeços, mudanças. Haverá pessoas indo e vindo. haverá novos papeis e novos desafios. Haverá erros e acertos. Haverá amores e desamores, gente que passa, gente que fica, sentimentos que mudam, opiniões modificadas. Mas não haverá fim!
Então, pensando assim, continuarei a ser as muitas Marias, por ora pensadora, observadora. 
Continuarei viva enquanto vida em mim houver. Continuarei mãe para os filhos, avó para os netos, amiga e colega para os que assim desejarem, sobrinha, irmã, tia, sogra. Continuarei a Maria profissional que vive em busca de novos saberes, dos desafios, do que acrescenta, da eficiência.
E como é bom continuar viva sentindo-se viva, capaz de enfrentar os percalços cotidianos, desanimando um pouco algumas vezes para, logo em seguida, reerguer-se ainda mais forte, como a Fênix. Assim sou eu, Maria Conceição de Aguiar. 
PS: Também um pouco presunçosa talvez, mas na medida para me saber valorizar!

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