Como se passageiros de grandes trens fôssemos, seguimos adiante, entre curvas e retas, túneis, viadutos, pontes.
Por vezes o trem desencarrilha e levamos um susto, sacolejamos, levantamo-nos e avante!
Em cada estação alguém fica. Um desconhecido, um parente, uma amiga, um pai, um filho, uma mãe.
Por alguns dias o lugar fica vago, mas logo outro passageiro o ocupa.
Então lembramos daquela senhora de cabelos grisalhos com o teço nas mãos, daquele homem garboso assanhado, fazendo pose de galã para as moças de todos os vagões, daquela menina bonita, com laço de fita, vestido de chita, daquele garoto sardento, meio rabugento. E pensamos no bebê recém-nascido, cujo choro cessou, na noiva já pronta, no velho ranzinza que os resmungos já não se ouve, na mulher falante, cuja fala calou.
Em que estação desceram?
E os trens continuam, aqui e acolá. Por vezes se cruzam, mas o manobrista experiente não deixa que colidam. E neles há vagões mais cheios, outros mais vazios, outros sem ninguém. Ouve-se choro, rizo, alegria, tristeza, fala, assovio, lamúria, agradecimento.
E de tempos em tempos pensamos que talvez na próxima estação sejamos convidados a descer. Talvez, quem sabe. Um mistério! Ninguém poderá saber, iniciamos a viagem sem saber a data do final. O bilhete só de ida não aponta o prazo de validade!
E quem saberá em qual estação nossa viagem terminará? Ninguém! Portanto, o que podemos fazer é apreciar e saborear cada momento desta linda viagem, antes que chegue ao final.
E se amanhã eu chegar a minha estação de desembarque, chegarei feliz e tranquila, pronta para mais uma viagem, desta vez sem bagagem, misteriosa como só! E para os que no trem prosseguirem, acenarei saudosa, conformada, feliz, desejando-lhes boa viagem!
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