quarta-feira, 2 de julho de 2014

NOVAS VOVÓS

Minha amiga tornou-se avó e está meio assustada com isso. Olha para o bebê e sente um amor imensurável, quase inexplicável. Parece seu! Um misto de sentimentos, quer protegê-lo, cuidá-lo, mimá-lo, mas a palavra avó não lhe soa bem.
Ao olhar-se no espelho vê-se bela e jovem, nada parecida com as avós das nossas histórias. Ao contemplar sua filha enxerga ainda uma menina. Mas a menina cresceu, tornou-se mulher, mãe. E minha amiga, avó!
Sei bem como se sente. Já experimentei essa sensação estranha do primeiro neto, dos primeiros meses, até acostumar-me à nova realidade, até aprender a desempenhar um novo papel social, até entender que a cira da minha filha era dela, meu neto, e eu, avó!
Sabe amiga, entendo perfeitamente o que sentes, como te sentes. Mas olhe, aos poucos vamos nos acostumando. Começamos a ocupar nosso real espaço na vida dessa criança, que também é nossa, de maneira diferente. É filha da nossa filha. É nossa descendência e o amor de avó é diferente do amor de mãe. Porque não temos que educar, apenas mimar, amar, aconchegar.
E com o passar do tempo ela vai crescendo e a maravilhosa sensação e ser avó torna-se mais evidente. Quando nos olha e abre um largo sorriso. Quando aprende a falar a palavra vovó. Quando abre os abraços e corre ao nosso encontro. Quando nos imita no jeito de andar, falar e vestir. Quando pede para brincar com nossos sapatos de salto alto, nossas maquiagens, nossos vestidos de festa. Quando mais tarde ligar e dizer: "Vó, preciso conversar contigo". Então desabafa, conta-nos suas mazelas que, para eles tão importantes, para nós coisas de criança, adolescentes. Mas os ouvimos, entendemos e conversamos com suas mães e pais.
Hoje tenho cinco netos, o mais velho já com treze anos, fala das suas coisas, desabafa, pede conselhos. E eu, limito-me a ouvi-lo e tentar ajudá-lo explicando sobre as dores do crescimento, as mudanças no corpo e na vida, na maneira de pensar e de ver o mundo. Deixando claro que seus pais querem o melhor para ele e que, portanto, deve sempre ouvi-los.
O mais novo fica feliz quando vou visitá-lo ou quando vem na minha casa. Aos quatro anos solicita minha atenção para ler para ele, brincar, jogar, levá-lo para passear. Adoro isso!
E as três meninas, ainda pequenas, filhas das minhas filhas, admiram meu batom vermelho, pedem para usá-lo. Brincam com meus saltos e me imitam. Gostam de estar comigo e eu adoro estar com elas. Com os cinco aprendi a desempenhar o papel de avó!
Portanto amiga, tenha calma. Não tenha pressa, não tenha medo. Você vai vê-la crescer e se desenvolver naturalmente. Vai estar ao lado dela sempre que precisar, sem sufocar, sem querer ser a mãe, vai aprender a ser a vovó! E tenho certeza de que cada vez que você a tem nos braços, sente um misto de medo e felicidade. Mas é normal, natural.
Deixe sua filha ser mãe e ocupe seu lugar de avó. Aos poucos o medo desaparece, passamos a distinguir com maior exatidão a diferença entre ser mãe e avó. E posso te afirmar que vale a pena. Vale muito a pena!
Que Deus abençoe tua família, que venham outros netos, e que tenha a certeza de que os laços que te unem a essa criança são eternos, fortes, inexplicáveis!

Maria Conceição de Aguiar

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