Estou exercitando cada vez mais a valorização das bagagens que carrego. Ao longo da vida vamos acumulando bagagens emocionais, culturais, psíquicas e materiais. Mas, chega um momento em que tornam-se fardos.
Então é hora de começar a selecionar. Levar consigo apenas o essencial, o que faz bem, o que agrega. Memórias, lembranças, sentimentos, angústias, lamentos, saudades, ganhos, perdas, roupas e calçados. Selecionar a bagagem, para mim, é fazer uma limpeza na alma, no coração, no guarda-roupa, na casa. Livrar-se do que já não serve, não tem utilidade, passar adiante coisas que podem servir a outros, despir-se dos vestígios negativos, da soberba, da inércia.
De tempos em tempos faço essa limpeza. E a medida em que o tempo passa, meus avessos despojados tornam-se mais claros, minhas verdades revistas, minha bagagem mais leve.
De tempos em tempos reviro-me em pensamentos, reflexões, ponderações e me descubro mais forte, mais humana, mais sábia.
Na verdade, passo a vida buscando a sabedoria de reencontrar-me constantemente e de encontrar o melhor do outro, sua face Cristã.
Tarefa árdua revirar-se do avesso para encontrar novos dons, novos objetivos, novos sonhos. Entender as mazelas alheias, o vai e vem das vidas, o cotidiano do próximo no contexto em que se encontra.
Não quero ser melhor do que ninguém, quero ser melhor do que eu era ontem e, amanhã, melhor do que hoje.
A sabedoria dos livros eu assimilo bem. Mas a sabedoria humana, ah, muito mais difícil.
Então vou selecionando minhas bagagens, revistando minhas verdades e crenças. E eis que descubro novas verdades, novos sentimentos, novas amizades, novas formas de amar. Então experimento as novidades, adaptando e assimilando algumas, descartando outras.
E quando me reviso deixo de lado as discussões inúteis, a arrogância e prepotência, o julgamento para com o outro. E vou esvaziando as malas, gavetas, bolsas. E vou modificando sentimentos, impressões e necessidades. E vou restabelecendo prioridades.
Então levo comigo apenas o necessário, o que de fato preciso para ser feliz, para viver com maior liberdade de escolhas, de idas e vindas, de redescobertas e renascimentos.
Bagagens pesadas já não me servem. pessoas pesadas me cansam. Meu eu, quando está pesado, torna-se fardo fatigante. Portanto, ouso revirar-me, reagir, esvaziar-me de algumas coisas para abrir espaços necessários ao novo, mais leve, dinâmico, que melhor se adapta ao meu momento de vida!
E nessas redescobertas constato que não preciso provar nada para ninguém, não devo esperar recompensas ou retribuições, não posso apontar o dedo para os defeitos alheios, nem tampouco para os meus, esses, devo corrigi-los!
E assim eu sigo firme e forte, sentindo-me abençoada por dar-me sempre mais uma chance, uma oportunidade, novas opções, renascimento! Como faz bem essa faxina interna e externa! Como é necessária a limpeza da alma, do pensar, sentir e agir. Como é providencial o esvaziamento das gavetas e armários. Que dádiva maravilhosa poder desmontar-se e recompor-se, sem grandes sequelas, experimentando o despertar para uma nova vida, progressivamente!
Maria Conceição de Aguiar
11/6/2014
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