Para sempre pode se referir a um dia, uma noite, uma semana, um mês, um ano, uma década, muitos anos, uma vida inteira.
Uma vida inteira pode durar um dia, uma noite, uma semana, um mês, um ano, uma década, muitos anos.
Um momento, uma lembrança, um abraço, uma palavra, um gesto, um sorriso são coisas que podem ficar para sempre em nós, em quem transmitiu ou em quem recebeu.
Como é relativo o tempo. Pouco tempo, muito tempo, tempo ideal! Tudo depende da circunstância, da visão que temos, da sensação do acontecimento.
Os dias de uns podem faltar horas, faltar tempo, já os de outros as horas vagam, o tempo sobra.
Mas, pensando bem, é difícil definir o que é para sempre, quanto tempo dura uma vida inteira.
Numa fração de segundos tudo pode acabar, transformar-se, mudar.
Sentimentos mudam, realidades são reviradas, maneiras de pensar são revistas. Vidas são ceifadas diariamente.
Mas não costumamos pensar muito nessas coisas, nem tem por quê. Vivemos o hoje, o momento presente e assim deve ser. Claro, assimilando as lições do passado, preparando-se para o futuro, mas sem depressão nem ansiedade, apenas vivenciando cada dia.
Porque o para sempre pode ser interrompido a qualquer momento. A vida pode ser interrompida a qualquer instante.
Portanto precisamos estar preparados, não prontos, porque dificilmente estamos prontos para lidar com as perdas, com as despedidas, com a partida.
Mas preparar-se é deixar-se levar mais pelo coração, pela emoção, sem perder o foco da razão.
E pensando nisso concluo que não devemos economizar sorrisos, gentilezas, caridade, amizade, nem dinheiro. Aliás, o dinheiro serve para nos garantir o essencial, a vida digna, o conforto necessário para que tenhamos alimentação, saúde, lazer, educação. Mas, não deveria servir para o acúmulo de bens materiais dos quais nem precisamos, não usaremos. Não, o ter não pode sobrepujar o ser, jamais.
Ninguém sabe quanto tempo viverá, quando ainda resta, quantas viagens faremos, quantos amores viveremos, quantos aniversários comemoraremos. Portanto, é preciso amar incondicionalmente o outro, por mais difícil que possa parecer, mas dá pra aprender, exercitar até aperfeiçoar-se.
É como viver um processo de despedidas diárias, sem pessimismo ou melancolia, sem preocupar-se em demasia, mas procurando sempre melhorar, olhar e enxergar, ouvir e escutar, falar e se fazer entender. É necessário julgar menos e perdoar mais, lamentar-se menos e agradecer mais.
É imprescindível gastar tempo passeando, admirando paisagens, conhecendo novos lugares, abraçando, praticando o que pregamos.
Não sei mais o que significa para toda a vida, para sempre, a vida inteira. Não sei quanto tempo tenho para estar ao lado dos que amo. Não sei quanto tempo eles têm. Não acredito em videntes, prefiro nem saber.
Então procuro valorizar o tempo que tenho, o qual poderá ser longo ou curto, mas valorizo cada momento que passo no meu trabalho, na minha casa, com minha família e meus amigos. Valorizo meus momentos de solidão e recolhimento. E vou me preparando emocionalmente, cultivando bons sentimentos, compartilhando meus pensamentos, fazendo a minha parte. por vezes, uma escorregada, mas logo volto ao prumo.
E divagando vou vivendo, despedindo-me sem querer ir, mas sabendo que a vida é breve, os amores vão e vem, as relações são frágeis. Então, vamos seguindo, buscando a felicidade diária, a satisfação permanente, para sempre!
Maria Conceição de Aguiar
16/6/2014
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