Iniciei um novo curso virtual pela Academia Judicial do Tribunal de Justiça de Santa catarina. Estou gostando tanto que decidi dar uma parada para refletir sobre algumas leituras interessantes que o curso apresenta.
O curso 'Administração Judiciária'. O primeiro módulo 'Gestão de Pessoas'.
Um tópico, em especial, chamou-me atenção. A história da telha. Dela originou-se a expressão 'feito nas coxas', pois até o século XIX os escravos a confeccionavam usando suas coxas como moldes, então saiam sem padrão de qualidade, sem formas definidas, seguiam a anatomia do corpo de quem as criava. O mesmo texto traça um paralelo entre as telhas na atualidade e as competências individuais. As telhas servem para proteger o ambiente, impedir a passagem da chuva, da luz, do calor e do frio. Entretanto, só atentamos para sua importância quando quebram e deixam de cumprir o seu papel. Assim somos nós. Na maioria das vezes trabalhadores invisíveis, desempenhando suas funções, atingindo suas metas e objetivos. Entretanto, somos notados pelos gestores apenas quando 'quebramos' e não mais realizamos nossas tarefas da maneira esperada!
Achei muito interessante esta abordagem e, como pensadora que sou, fiquei refletindo sobre o assunto. E parece fazer sentido. O mundo avança, as tecnologias tomam conta do cotidiano individual e coletivo, mas, na gestão de pessoas ainda há muito que alavancar.
Ainda vemos os quadros na parede com o 'funcionário do mês', ainda compara-se a produtividade, ainda temos papeis definidos os quais não podemos discutir, opinar, discordar.
E enquanto cumprimos nossas metas, quietos e amarrados à demanda do trabalho, que aumenta continuadamente, somos imperceptíveis. Sabem que estamos ali porque os resultados aparecem. Mas quando quebramos, adoecemos, instigamos, ousamos desafiar, então somos notados.
E dai, como telhas quebradas, tornamo-nos inúteis, devemos ser substituídos, reciclados talvez, mas sem muita serventia. De fato, instigante o tema!
Estou na quinta aula do primeiro módulo e já estou encantada com o quanto o curso tem me feito refletir, repensar, reanalisar e observar.
E quanto mais leio, mais pensadora fico. E recomendo. Tenho certeza de que aprenderei muito com este curso e gostaria que muitos outros o realizassem para que, assim como eu, possam refletir e expor sua visão sobre nossas atividades laborais.
Tenho certeza de que nos próximos módulos haverá outros textos, outras reflexões, outras citações e incitações. Até que deixemos de ser vistos como telhas. Mas até lá, vale a reflexão inicial, que tanto chamou minha atenção.
Parabéns ao CNJ e a ENFAM, que desenvolveram um curso bastante desafiador, capaz de mexer nos paradigmas, capaz de incentivar a redescoberta dos potenciais, das competências ee do gerenciamento destas. Pela primeira vez comento aqui um curso da Academia. Pela primeira vez estou plenamente satisfeita com o conhecimento compartilhado, que, de fato, está proporcionando reflexões! Vale a pena!
"Livre conhecimento não significa livre gerenciamento", Juíza Corregedora Eliane Nogueira.
Maria conceição de Aguiar
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