E de repente eles se vão. Ao longo da vida vamos sofrendo a dor da perda de amores, amigos, pais, parentes, conhecidos.
Os que nos são próximos deixam saudades, lembranças, sentimento de impotência. Àqueles que mal conhecíamos deixam-nos também entristecidos, porque tiveram uma história, uma família, um amor, uma vida da qual pouco sabemos, mas, ainda que distantes, sentimos sua perda.
Difícil conviver com a morte. Ela não chega com hora marcada, com aviso prévio, ao contrário, normalmente pega-nos desprevenidos, em meio a correria diária.
Então fico pensando na despedida que não houve, no abraço que não deram, nas palavras que não disseram, nas ações que não fizeram. E seus nomes continuam nas redes sociais, e-mails a ser respondidos, telefonemas a ser retornados, encontros que não foram desmarcados.
A roupa que ficou guardada para uma ocasião especial, a viagem que estava sendo planejada, o passeio, os sonhos, o futuro.
Futuro! Ao pensarmos no quão tênue é a linha que separa a vida e a morte, talvez percamos um pouco a noção e extrapolemos, passemos a viver o aqui e agora, o tudo hoje, porque o amanhã talvez não haja.
Particularmente, acho que não. Precisamos sim viver o presente no presente. Mas, um dia de cada vez.
No entanto, sabendo dessa fragilidade, não podemos economizar vida. É preciso amar e espalhar bons sentimentos. Acordar cada manhã agradecendo pelo novo dia e, antes de dormir, por mais um dia!
Viver a generosidade, a harmonia, deixar sua marca de paz e tranquilidade, deixar seu afeto, conquistar e cativar.
Não, realmente não podemos economizar vida! Talvez não dê tempo para fazer a viagem tão sonhada, talvez não chegue a ocasião especial para estrear o vestido novo, talvez não consiga pedir perdão ou perdoar, declarar seu amor, fazer as pazes. Pode ser que não haja tempo para um novo curso, um outro concurso, outro trabalho, mais um filho, um grande amor.
Ah, implacável o tempo! Como saber qual será a última vez que nos veremos? E porque não sabemos deixemos nosso melhor sorriso na despedida, um abraço caloroso, um até breve. E porque não sabemos quanto tempo temos com determinadas pessoas, tratemo-nas bem, cordialmente, educadamente, carinhosamente.
A morte é certa, independente da idade, da saúde, do estilo de vida. Quando chega a hora, ela nos encontra. Portanto, convivamos mais, façamos mais, vivamos mais. Não dá para economizar a vida! Ela é breve,e em segundos pode esvair-se. Então, viva e deixe viver, façamos florescer o que de melhor nela há!
Maria Conceição de Aguiar
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