Nós evoluímos, conquistamos o mundo. Provamos que somos capazes de realizar quaisquer tarefas, encarar os mais duros desafios, enfrentando obstáculos e vencendo-os sem perder o charme, a elegância e a essência feminina.
Nós aguentamos firmes as dores do parto, da depilação, da unha encravada. Submetemo-nos a procedimentos estéticos torturantes, apertamos nossos pés em saltos desconfortáveis, tudo em nome da vaidade, beleza, essência feminina.
Nós sabemos ser mães, educar, criar, formar nossos filhos. Sabemos ser esposas, namoradas, amantes, companheiras de todas as horas.
Somos criativas, normalmente bem humoradas, fazemos a diferença na sociedade, sem sombra de dúvida.
Pois é, nós mostramos a que viemos!
Entretanto, por mais que avancemos, continuamos a duelar entre nós. Ao invés de unirmos forças, na maioria das vezes, encaramos as outras mulheres como rivais, ameaça a nossa soberania. Então entramos numa competição meio irracional. E não votamos em outras mulheres, não queremos ser chefiadas por mulheres, preferimos liderar equipes masculinas.
Escolhemos umas poucas amigas e, de resto, rotulamos, taxamos, encaramos como se inimigas fossem.
E eis que começamos a travar uma guerra desleal, atacando e ativando mecanismos de defesa cada vez que nos sentimos ameaçadas pela colega, pela professora do filho, pela amiga do namorado, pela vendedora da loja, por outra mulher.
Claro, não é regra. Há mulheres que conseguiram superar este complexo de inferioridade, este trauma de que mulher não confia em mulher, outras, lutam diariamente para superá-los.
Mas ainda há muito que melhorar, progredir, avançar.
Somos mulheres e, assim como os homens, temos qualidades e defeitos, dons e competências distintas. Não há sentido em travarmos batalhas diárias para marcar território, tentando provar que somos melhores que as outras, usando de artimanhas nem sempre corretas para que sejamos notadas, valorizadas, respeitadas. Também não podemos assumir o papel de coitadas, vítimas da sociedade machista que nos impôs a condição de competir a qualquer preço.
Somos mulheres e somos muitas em uma e uma em muitas. Podemos tudo, mas sabemos ponderar o que nos convém. E cabe a nós decidirmos viver em harmonia, unindo forças, somando e multiplicando, compartilhando os resultados positivos das atitudes positivas. Ou, cair na mesmice do achismo, das rivalidades vãs e das perdas que essa escolha significa. A decisão é diária, constante, carece de amadurecimento e discernimento, mas depende de nós mulheres!
Maria Conceição de Aguiar
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