sexta-feira, 22 de agosto de 2014

PAPO DE VÓ

E de repente nos damos conta do tempo passado, tão rápido e rasteiro que, quando nos apercebemos, tudo mudou.
Os filhos cresceram, formaram suas famílias, a casa ficou vazia. Nossos cabelos começam a mudar de cor, nossa pele vai perdendo o viço, nosso corpo já não é o mesmo, nossos movimentos não mais tão ágeis.
Mas eis que eles começam a chegar e tudo muda de lugar! Com a vinda dos netos, renascemos, literalmente. Tornamo-nos mais fortes, adquirimos novas habilidades, redescobrimos outras. Então lá estamos nós, novamente, sentadas no chão com as pernas cruzadas ajudando-os a montar um quebra-cabeças. Brincamos de casinha, de boneca, de escolinha, de carrinhos.
Com os netos revivemos, renascemos, redescobrimo-nos. Sensação maravilhosa de vê-los chegar aos domingos, com os braços abertos para o abraço apertado, perguntando o que tem de bom pra comer, o que vamos fazer juntos! Sensação maravilhosa ao ouvir coisas do tipo "Vó eu te amo", "a vó é minha princesa", "a vó é linda"!
Netos são a nossa recompensa maior. Tivemos filhos e os educamos para a vida. E eles nos recompensam gerando outras vidas, fazendo-nos avós!
E sofremos com suas febres, com seus choros, seus dissabores. E sorrimos com seu sorriso, suas alegrias e descobertas. E neles vemos nossos filhos, revivemos sua infância, nossa infância.
Quando estão longe a saudade aperta. Tê-los por perto é pura alegria.
Porque ser avó é apoderar-se de um sentimento imensurável, capaz de superar qualquer outro. Podemos mimá-los, amá-los, embalá-los. Podemos fazer aquele bolo de chocolate que tanto gostam, baldes de pipoca, sucos de todos os sabores, gelatinas de todas as cores.
Coisas tão simples que os deixam tão felizes.
E assim como nossos filhos cresceram, nossos netos crescem rapidamente. O tempo é implacável, não espera. Então, para estar com eles, abrimos mão de qualquer outro compromisso, dirigimos, viajamos, esquecemos nossas dores, tudo para ter horas agradáveis junto deles.
Sou avó, amo meus netos. Gosto de tê-los por perto. Gosto da casa cheia de alegria com a sua presença, dos brinquedos espalhados, da mesa sempre posta, do papo furado e do papo reto. Gosto das histórias que me contam e que pendem que lhes conte. Gosto das brincadeiras, das gargalhadas gostosas, dos passeios. E gosto, principalmente, de sentir o quanto meu amor por eles é correspondido. Sou avó e sou mais feliz por sê-la!


Maria Conceição de Aguiar

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