Estava me sentindo estranha, meio tristonha, irritadiça, um tanto impaciente. Refleti, analisei, ponderei e diagnostiquei: Estou com sintomas de saudades!
Saudades dos amigos, dos colegas de outrora, da minha cidade, (àquela que escolhi), da minha casa, da minha família, da vida.
Saudades dos papos bons, das conversas animadas, do café na lanchonete, das saídas às sextas, do happy hour depois do trabalho.
Saudades das mentes pensantes, das conversas brilhantes, das discussões sobre ideias e ideais.
Saudades das mentes simples, das conversas irreverentes, das discussões sobre banalidades.
Saudades do corre-corre, do pilates, da terapia, da estética.
Então, diagnóstico feito, hora do tratamento. A princípio pensei em voltar, retomar minha vida de dois anos atrás. Mas recuei, afinal, pra frente é que se anda.
Então, receita número dois: Ter mais tempo para rever os amigos, colegas e família. Ter mais tempo para mim. Na verdade, tempo eu tenho, mas não tenho sabido usá-lo. Portanto, hora de dar uma remexida, organizar a agenda e rever a vida.
Saudades a gente mata, senão sufoca.
Mas, nesses dias em que cogitei voltar fui surpreendida por saber que tantos também sentem minha falta e gostariam de me ter por pero. Confesso que isso foi como um bálsamo para mim. É muito gratificante saber que por onde se passa, as portas continuam abertas. É emocionante sentir o carinho das pessoas queridas e até das chefias antigas.
Pois é, estou com sintomas de saudades, mas estou me tratando. Percebi que não preciso voltar para ter meus amigos por perto. Decidi apenas sair da clausura e retomar a vida social, ao convívio daqueles de quem tanto aprecio a companhia.
Morar em uma cidade pequena tem suas vantagens. Pouco trânsito, todos se conhecem, basta abrir a guarda e as amizades florescem. Mas para mim, o melhor de morar na praia é em relação a minha saúde. Sinto-me bem, sem enxaquecas e isso é maravilhoso.
Quanto as desvantagens, bem, sou suficientemente forte para superá-las, apesar de toda saudade.
Somos livres para fazer nossas escolhas, portanto somos responsáveis pelas consequências que delas geram. Então, aqui estou, com sintomas de saudades, mas me sentindo aconchegada, amada e recompensada. Por ora basta, amanhã, no próximo mês, ano que vem, não sei. O tempo tem o tempo que o tempo tem! E o tempo que o tempo tem ele não conta parta ninguém!
Maria Conceição de Aguiar
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