terça-feira, 3 de janeiro de 2012

MEIO SÉCULO

Este ano completo 50 anos de vida. Meio século de existência, dividido em décadas. É isso, separo a minha vida em décadas. A cada 10 anos tomo grandes decisões de mudanças e as cumpro.
Em 1962 decidi nascer. Vejam só que grande decisão! Arriscar-me a enfrentar este mundo sem saber como seria, quem seria, o que estaria me esperando aqui fora, mas eu vim! Enfrentei todos os desafios e cheguei aqui aos 50 anos (quase, falta um mês).
Em 1972, aos 10 anos, meus pais se separaram e eu decidi viver com meu pai e a família dele. Também foi uma grande decisão, na verdade hoje nem sei se foi bem opção ou se eu vi assim. Mas enfim, nos dez anos que se seguiram casei e tive duas filhas!
Em 1982, com apenas 20 anos, eu já era mãe de duas meninas. Mal sabia cuidar de mim e lá estava tentando cuidar de uma casa, um marido e duas filhas. E sabe o que decidi então? Ter mais um filho. Queria um menino! E encerrar, depois dele não queria mais filhos. Também decidi começar a estudar. E fiz, Voltei para a escola, concluí o segundo grau, engravidei do meu menino, fiz laqueadura de trompas e continuei estudando, fiz Magistério para Séries Iniciais e Educação Infantil!
1992, já com 30 anos, hora de fazer faculdade e começar a trabalhar, mudar de cidade, de ares, de profissão, nossa, queria fazer tanta coisa. Casamento em crise, filhos crescendo, eu querendo sei lá o quê. Então tá, comecei a trabalhar, lecionar, fiz concurso público para ser Professora na Prefeitura de Tubarão e passei. Então fiz vestibular para a faculdade de Jornalismo e também passei e lá fui trabalhar o dia todo e estudar à noite. Era uma dureza. Acordava cedo, mandava as crianças para a escola, ia pro trabalho, vinha em casa para dar o almoço rapidinho e voltava pro trabalho, deixava um cuidando do outro. Á noite o pai tomava conta e eu ia direto para a  faculdade e, quando chegava ainda ia fazer algum serviço da casa, ajudar em alguma tarefa mais difícil, socorrer em algum problema, ser mãe...Quando me formei sugeri virmos morar em Joinville, meu marido aceitou, ele era policial civil, pediu transferência e viemos de mudança para cá, cidade nova, trabalho novo, vida nova!!!
2002: 40 anos: Hora de cuidar de mim. Decidi acabar de vez com um casamento falido. Casei aos 17 anos, quando não se tem maturidade para fazer escolhas definitivas, não dá. Meu casamento capengava havia anos. Tentamos, empurramos com a barriga, disfarçávamos, fingíamos ou nem fingíamos mais. Chegou numa situação insuportável. Até que eu tomei a decisão e disse chega. Quero viver, quero ser feliz! Ele, como homem acomodado, levou muito temo para aceitar e cinco anos para assinar o divórcio. Enquanto isso, comportei-me como se ainda fosse casada, trabalhando, fazendo meus cursos, terminando de educar e criar meus filhos, sendo mãe! por muitos anos esqueci-me de ser mulher! Até que um dia, já depois do divórcio sacramentado, reuni-me com os três e disse que tudo que eu poderia dar de exemplo a eles eu já tinha dado, todos os princípios e valores eu já tinha passado e estes eles levariam consigo para sempre. E, a partir daquele momento eu iria viver a minha vida pessoal, sair, passear, me divertir, dançar e namorar. E assim o fiz!
2012: 50 anos: As decisões que estou tomando este ano também são sérias e bastante desafiadoras. Decidi que a partir de agora vou sim cuidar mais de mim, da minha saúde, da minha beleza, do meu bem-estar, da minha vida. Meus filhos cresceram e podem se cuidar sozinhos,já sabem se virar. Decidi parar de fumar, de vez, definitivamente! Sou fumante há 30 anos e sozinha não consigo, então fui ao médico e estou fazendo um tratamento complicado. Além de caro, fico deprimida, irritada, chorosa, nervosa, ansiosa, uma chata. Vou parando aos poucos até o dia 10, quando devo parar para sempre. Sei que esta será uma luta árdua, difícil mesmo, porque me conheço, preciso de ajuda, tenho rezado muito,mas hei de conseguir! E por último, minha grande decisão da década é terminar meu namoro de 3 anos que já deu o que tinha que dar. Eu gosto do Alexandre e sei que ele gosta de mim, mas o guri ainda é muito jovem, tem o direito de viver! Quando o Tiago fez o facebook dele eu olhei a foto e falei "puxa filho, que foto bonita, fazia anos que eu não te via sorrindo assim!", e ele respondeu que era uma foto antiga quando estava com os amigos. Agora o Alexandre foi passar férias no Paraná e eu vi algumas fotos dele com os amigos, só que atuais, mas vi o mesmo sorriso. Eu o vi feliz, descontraído, livre, leve. E é assim que quero vê-lo, é assim que quero sabê-lo. Então não vou mais empatar a vida dele nem vou mais deixar que empate a minha. Sou grata a ele por todo amor que me dedica, por todo carinho que me dá, por cuidar tão bem de mim, por ter se esmerado durante a minha recuperação. Gosto dele de verdade e acredito no amor dele mas acho que nós dois merecemos alguém que combine mais conosco. Então é o fim do nosso amor Alexandre!!!

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