Neste mês de janeiro eu e o Tadeu, meu ex-marido, comemoramos Bodas de estanho ao contrário, porque completamos10 anos de separação. Ficamos casados durante 23 anos, Bodas de Palha.
Quando o conheci tinha apenas 15 anos, era tão menina. mas lembro-me bem, Fiquei fascinada por aquele belo jovem de 23 anos que havia voltado da marinha. Éramos vizinhos. Trocamos olhares, um beijo, mais um, o pedido de namoro, noivado, gravidez e casamento, bem nesta ordem. Aos 17 anos já estava casada, cheia de sonhos.
E por algum tempo fomos felizes, tínhamos sintonia, havia paixão. Na cama nos entendíamos muito bem, fora dela mais ou menos. Sempre tive a impressão que faltava alguma coisa e hoje entendo, faltava cumplicidade!
Vieram os filhos, passamos por algumas dificuldades de todos os tipos, fui crescendo, tive que crescer e amadurecer.
O Tadeu era bom marido, companheiro sempre que eu precisava, mas tinha gênio complicado, psicologicamente confuso. Ótimo pai até hoje, está sempre disposto a ajudar os filhos, não poderia ter escolhido melhor pai para os meus filhos.
Sempre tive muitos defeitos e a imaturidade foi o que mais contribuiu para o fracasso do nosso casamento, embora eu ache que 23 anos de casamento não possa ser considerado fracasso, claro que não. Mas aos 17 anos não se tem condições de fazer escolhas definitivas, não se tem maturidade para isso. Eu queria mais do que criar filhos cuidar da casa, queria estudar, trabalhar fora, conhecer pessoas, poder sair, ser livre para pensar por mim, agir sem ter que me explicar o tempo todo, porque sempre fui ajuizada, não faço nada demais, mas gosto de me sentir livre!
Mas sou grata ao Tadeu po tudo que fez por mim, principalmente, pela Patrícia, pela Paula e pelo Tiago, nossos filhos, só por eles nossas Bodas de Palha já valeram a pena. Com ele aprendi a ser forte, lutar pelo que quero, batalhar pelo meu sustento sem depender de ninguém, sabendo que se eu quero, eu posso e consigo. Ele foi meu primeiro amor, casei completamente apaixonada e gostaria que fôssemos amigos ainda hoje pois sempre teremos contato, afinal temos filhos e netos em comum.
Mas com ele nunca tive aquela experiência gostosa de combinar as coisas, de planejar, de decidir juntos, de fazer em conjunto. Era sempre assim:"Tu decide, a tua mãe resolve", e eu decidia, resolvia e depois escutava barbaridades se as coisas não dessem certo. Sentia falta dessa cumplicidade.
Mas nosso casamento durou o tempo que tinha que durar. Fomos felizes, tivemos ótimos momentos juntos e temos, ambos, muitas lembranças boas. E a separação aconteceu no momento oportuno, nem antes, nem depois, portanto, não há resentimentos nem arrependimentos, não há mágoas, acredito que tudo ficou bem resolvido!
E agora, ao comemorarmos Bodas de Estanho de separação, desejo a ele que seja muito feliz, de verdade, que refaça sua vida com alguém que consiga entendê-lo, lidar com suas fraquezas, enxergar sua magnitude e que sejam felizes para sempre!
Então, parabéns para nós.
MARIA CONCEIÇÃO DE AGUIAR
JANEIRO DE 2012


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