Precisei recorrer ao médico, estou tomando um remédio que me deixa totalmente dopada, durmo muito e acordo meui sem tino. Diminui a quantidade de cigarros até que, a partir do dia 10, não fume mais nenhum. Não sei como vai ser então. Tenho enfrentado bem a redução, Também passo a maior parte do tempo dormindo. Mas depois, sem nenhum, tenho um pouco de medo, mas tenho fé e esperança que vou conseguir.
Sabem, fumo há 30 anos e sempre fui muito criticada, cobrada, alvejada por discursos sobre os malefícios provocados pelo cigarro, principalmente pelas pessoas mais próximas como os meus filhos e meu neto. Quando finalmente decidi parar, esperei deles mais apoio, sei lá, achei que fossem ficar mais ao meu lado, suprir esta dependência, fazer-me esquecê-la. Mas confesso que me decepcionei ao ver que agem como se eu estivesse apenas cumprindo com a minha obrigação em parar de fumar, já que isto só prejudica a mim e só trará benefícios a mim.
É tão difícil entenderem como estou frágil neste momento, como preciso de mais atenção e carinho, de companheirismo. É tão difícil para mim pedir ajuda, queria que fosse espontânea, afinal assim deve ser entre os que se amam. Na verdade, sinto falta de alguém ao meu lado, para valorizar comigo cada pequena conquista, cada cigarro a menos, para segurar minha onda a partir do dia 10, para me dar esta força que só tenho encontrado em Deus. Sinto-me tão só, frágil, carente. Sei que isso tudo vai passar, é uma fase, mas uma fase dolorida, marcante, profunda demais.
Hoje finalmente entendo a luta das pessoas que se empenham desesperadamente para largar as drogas, parar de beber, emagrecer, controlar o apetite. Como precisam de apoio, como precisam de ajuda, de incentivo, de palavras e gestos de conforto. Cada conquista, por menor que seja, precisa ser vista como uma vitória, porque isto faz diferença entre a continuidade e a recaída. Agora vejo como é complicado travar uma batalha diária com nosso cérebro, nosso corpo, nosso inconsciente...Precisamos de ajuda, pedimos socorro, mesmo sem falar! Mas, infelizmente, muitas vezes ninguém percebe, ou, quando percebem, é tarde demais!
Hoje compreendo tanta coisa e tanta gente e me arrependo de não ter estendido a mão, de não ter ajudado, de não ter entendido este grito de socorro e peço perdão àqueles que não soube entender o quanto estavam lutando para se livrar de uma dependência!
Maria Conceição de Aguiar
8/1/2012
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