quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

CONECTADA

                             Houve tempos em que eu criticava quem ficava em frente ao computador, conectado à internet, achava perda de tempo. Fazia igual julgamento quanto à televisão e revistas de fofoca. Trocava essas coisas por um bom livro, a leitura de um jornal, um passeio ao ar livre ou uma conversa olho no olho.
                              Nunca gostei muito de amigos virtuais, sempre preferi os reais, os que se pode tocar, sentir, falar olhando nos olhos.
                              Bem, quanto a televisão e as revistas populares continuo com a mesma opinião, não gasto meu tempo com eles. Já, em relação a internet, mudei de ideia. Nesta fase em que me encontro, de quase total isolamento, tenho preferido ficar aqui, escrevendo neste blog, postando no facebook e até conversando no msn.
                              Mas ainda prefiro os amigos reais então não adiciono muita gente. Tenho poucos contatos nas redes sociais da internet e pretendo continuar assim, afinal, sendo muitos perderemos a chance de nos conhecermos, estarão ali por estar, sem muita praticidade.
                             Prefiro fazer amigos de verdade, aos poucos, ao longo da vida, no dia a dia. Alguns até virtuais, mas que acrescentaremos alguma coisa na vida um do outro, partilharemos vivências, experiências, seremos amigos e não apenas contatos adicionados.
                             Então, durante este tratamento doloroso contra o fumo, este recolhimento necessário que me faz repensar e replanejar toda minha vida, minha existência, meu presente, o computador tem sido meu companheiro de todas as horas. Já não me imagino sem tê-lo um dia sequer. Sei que esta também é uma fase e que também vai passar. Mas é aqui, em frente a esta tela, teclando estas palavras que vou suportando estas mudanças tão bruscas, tão radicais, tão repentinas.
                             Mudanças de livre arbítrio, afinal eu escolhi fazê-las. Decidi que agora é a hora e o momento para parar de fumar depois de trinta anos de vício. Decidi romper um namoro de três anos, por achar que não conseguia mais conviver com todas as nossas diferenças. Decidi isolar-me em meu apartamento, sozinha e com o pé quebrado, recebendo apenas as visitas diárias dos meus filhos, por entender que precisava deste momento de reflexão, de recolhimento, só meu.
                              Mas admito que não está sendo fácil! Sinto falta do cigarro. Em determinadas horas do dia a vontade de fumar é muito grande, apesar do remédio. Sinto falta do meu ex-namorado, ainda gosto dele. E quando ele aparece, de vez em quando, quase tenho uma recaída, mas então invento uma briga e assim mantenho firme minha decisão. Mas tenho saudades. Sinto falta de gente, de movimento,de conversar, de desabafar...sinto falta de tantas coisas, mas ainda não me sinto pronta.
                              Então neste momento, neste mês de janeiro, só tenho a internet, só tenho as redes sociais! Mas em noites como esta em que estou mais sensível, gostaria de um aconchego, de alguém ao meu lado, de um abraço.
                             Bom, mas decidi também que o champix não vai me destruir, a falta de cigarros não vai me derrubar, e namorado? Ah, deixa eu me recuperar que arrumo outro, que tenha mais a ver comigo. Meu pé está em plena recuperação. Daqui a pouco estarei novinha em folha. Marquei até uma data para o meu renascimento: 5 de fevereiro, dia do meu aniversário! A partir deste dia chega de depressão, de lamúrias, de tristezas, de queixumes! A partir do próximo dia 5 de fevereiro nasce uma nova mulher, aguardem!

MARIA CONCEIÇÃO DE AGUIAR

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