Não gosto de ficar na superfície, gosto de mergulhar, de revirar-me nas entranhas do mundo, do ser, da alma. Gosto de ir até o fundo, submergindo, emergindo, ido e vindo sempre que necessário.
Não sou superficial, sou profunda, autêntica, sangro, faço sangrar.
Não sou metade, não sou meio isto ou meio aquilo, não sou mais ou menos coisa nenhuma. Sou tudo ou nada, sou transparente e verdadeira, sou quente e fria, sou Maria,
E o tempo escasseia e já não dá tempo para melindres, fingimentos, rasuras. Já não há espaço para a pequenês, a tolerância cega, a intolerância generalizada.
Não gosto de lerdeza, amo a velocidade. Dias velozes, ventos fortes, turbilhões de pensamentos, sentimentos intensos.
Não gosto da incerteza, adoro a lealdade, sinceridade, parceria, igualdade.
Não suporto gente rasa, sem conteúdo, sem vontade, sem brilho, sem trilho.
Não tenho paciência para gente que finge, que não olha nos olhos, que vive de aparências vãs.
Não convivo bem com a superficialidade humana dos que se deixam levar pela maré, dos que puxam tapete, que bajulam.
Não aceito a fé profana da mediocridade que bate no peito para dizer-se melhor, maior.
Gosto do profundo, do simples, do complexo, do inteiro.
Prefiro o café bem quente e a água bem gelada. Extremos, deles tiro forças, inspiração, moderação.
Aprecio uma boa discussão, pautada nas ideias, sem violência verbal, sem ideologismos irredutíveis. Ah, fascina-me o campo das ideias. Compartilhá-las, mudá-las sim, e por que não? Argumentos convincentes! Sem gritos, sem elevar as vozes, argumentando, partilhando opiniões, enriquecimento cultural.
Ah, fascina-me a conversa simples, com o camponês, o feirante, a gari. Como são ricas em ideias, proveitosas, enriquecedoras.
Não, definitivamente não gosto da superfície nem da superficialidade. Sou profunda, vivo nas profundezas, mergulhada em meus devaneios sóbrios e, volta e meia, venho à superfície para recuperar o fôlego. Sempre fascinada!
Maravilhoso texto! Me emocionei...
ResponderExcluirObrigada! Adorei teu comentário!
Excluir