Hoje é só um dia, mais um dia como tantos outros. Mas hoje estou pesada, coração aflito, mente acelerada.
Hoje queria um colo, um aconchego, um abraço apertado. Só por hoje gostaria de ter um tempo, dar um tempo, sumir por um tempo.
Hoje estou cansada, amargurada, chorosa e lamuriosa.
Hoje estou carente, displicente, largada em pensamentos encharcando a mente.
Hoje eu gostaria de pensar menos, preocupar-me menos, relaxar mais, sorrir mais.
Hoje me sinto só!
E só por hoje me permito esmorecer, entristecer, apiedar-me de mim mesma, só por hoje.
Hoje eu sou nada, sou tudo, sou gota de água que pouco rega, sou a flor que murcha e cai.
Hoje sou metade, sou porção, sou inteira e sem muita noção vou me deixando levar pelos sentimentos que, ao brotar, transcrevo nesta narração.
Hoje sou noite, tempestade mansa, que devagar avança e vai deixando rastros ainda indecifrá
veis.
Hoje, e só hoje, sou fera ferida, enjaulada nas profundezas, rasgada nas entranhas, despojada nas amarras.
Hoje queria seguir sem sangrar, amar sem cobrar, dar-me sem nada esperar.
Mas hoje também queria parar, amada, retribuída.
Hoje meu pensar vagueia, meus sensores desnorteiam, meu rumo está sem prumo!
Hoje, somente por hoje desejaria não mais pensar, não mais questionar, não mais me cobrar, não mais enlouquecer.
E hoje, só por hoje, queria poder relaxar, sem me deixar abalar, sem me deixar contaminar.
Mas hoje não dá! Mas hoje são apenas sombras, chuva forte, ventania. Hoje nada vai melhorar meu dia! Só por hoje!
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