Sempre fui referência de calma, paciência, bom humor. Sempre demonstrei alegria em viver, gratidão, amizade.
Nunca fui ambiciosa, estudei porque tinha necessidade do conhecimento formal. Li muito porque sempre tive fome de saber. Fui professora, jornalista, assessora. Hoje sou funcionária pública. Sempre trabalhei com paixão, com dedicação e eficiência. Uma casa para morar, um carro para me transportar, um emprego para me manter são o que me bastam materialmente.
Jamais fui interesseira. Os amigos que conquistei e que me conquistaram foi por empatia, afinidade. Os amores que vivi tinham ainda menos que eu. Saí de um longo casamento com as mãos vazias, sem arrependimento, pela liberdade de pensamento, de ação.
Sempre fui batalhadora, criei meus filhos com noções muito rígidas de valores éticos e morais. Eduquei-os também sem ambição, talvez um erro, afinal um pouco de ambição impulsiona o ser humano, mas para mim continua sendo uma virtude nesta atual inversão de valores.
Ouvinte, amiga, conselheira, pau pra toda obra, confidente; metida, chata, mandona; sempre querendo o seu bem.
Entretanto de uns tempos para cá tenho perdido a calma mais facilmente. Como
escrevi há pouco estou intolerante, sem tempo pras babaquices do dia a dia.
Talvez estes tempos austeros, em que o custo de vida está alto e meu salário estagnado. Talvez a falta de um amor. Talvez a falta de planejamento, de perspectiva. Talvez o cansaço, excesso de trabalho. Talvez a saudade de casa, dos amigos de Joinville, da minha antiga Comarca. Talvez a preocupação com a velhice que virá. Talvez a menopausa não tarde a chegar.
Enfim, para descobrir os muitos 'talvez' que rondam meus dias, comecei a terapia.
Porque, como sempre escrevi neste blog, sou muito consciente das minhas limitações e das minhas realidades e percebo claramente quando não estou bem, quando preciso de ajuda. E peço.
Então estou buscando ajuda, fazendo psicoterapia, tentando me reencontrar.
E quero perceber que ainda tenho tempo para fazer muita coisa, para viver muita vida, para amar e ser amada, para trabalhar, quem sabe voltar a estudar, mudar de emprego. E quero descobrir que estou viva, saudável, voltar a ser amável, sem exageros claro, porque tudo que é demais soa falso.
Na verdade quero reencontrar o equilíbrio perdido. E detectar o que está me fazendo falta. Se for Joinville, voltarei para lá. Se for um amor, vou procurar. Se forem as dívidas e contas a pagar será hora de buscar uma renda extra, um bico, outro trabalho. Se for a menopausa que se aproxima, então partir pro tratamento. Se for apenas cansaço, uns dias de férias, uma viagem a Tubarão para rever meus tios.
Enfim, sei que esta fase de incertezas vai passar. E como sempre darei a volta por cima e voltarei ainda mais forte, mais inspirada, de novo de bem com a vida.
Mas, por enquanto "de escolha própria, escolho a solidão"!
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