Ao mesmo tempo em que sou observadora atenta dos sentimentos, dos comportamentos, do que há por trás da felicidade ou tristeza aparente, da ira ou do amor demonstrado, da maldade ou da bondade escancarada, enfim do dia a dia das pessoas, do mundo, da vida, sou totalmente desatenta aos detalhes.
E isso é um paradoxo. Posso lembrar de tudo que ouvi, do que vi, do que senti. Mas jamais lembro que roupa que o outro estava vestindo, o novo corte de cabelo, a marca e modelo do carro. Interessante isso.
Minha mente parece dividida, absorve o que importa mas não se atém a determinados detalhes. Não gravo números de telefones, endereços, placas de automóveis, nomes de ruas, modelos de carros. Mas gravo feições, palavras, gestos e
Por vezes esta falta de atenção aos detalhes é benéfica, pois jamais vou reparar se você está bem ou mal vestida, se sua casa está arrumada, se seu cabelo está bem tratado. Mas noutras é prejudicial porque parece que não me importo.
E querem saber, não me importo mesmo.
No entanto sou incapaz de esquecer algo que você me disse, que me fez de bom ou de ruim. Sou capaz de lembrar de quando os conhecemos, das palavras que trocamos, se vi verdade no seu olhar.
Aliás, o olhar, os gestos, a maneira de falar me diz muito mais do que suas palavras.
O conceito de felicidade é muito efêmero. Você pode demonstrar que está feliz da vida, realizada em todos os sentidos, mas seu modo e agir pode desmenti-la num piscar de olhos.
O conceito de certo e errado é bastante contraditório, portanto, suas ações é que demonstram como você lida com eles, não seus posts ou palavras, nem tampouco sua religião.
Pois é, sou observadora e isto me angustia as vezes, porque consigo ultrapassar as barreiras da aparência, do fugaz, do que você quer me mostrar.
Mas não sou detalhista. Não quero saber quantos vestidos você tem no seu guarda roupa porque se usar o mesmo todos os dias nem vou reparar. Não quero saber se você trocou de carro porque se o vir nem vou saber a diferença. Não preciso saber se você pintou a casa porque nunca reparei na cor antiga. Efêmera eu sou, no pensar e no agir e, principalmente no conseguir enxergar o todo sem ater-me aos detalhes. Complicado não é? Intrigantes as peculiaridades de cada ser.
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