Caros colegas funcionários do Tribunal de Justiça de Santa Catarina:
Comecei a trabalhar no Poder Judiciário faz sete anos. Sou formada em Comunicação Social, prestei o concurso em 2005, fui aprovada em 30º Lugar e assumi em nove de abril de 2008. Logo que entrei, no mês de maio, houve um reajuste salarial considerável, o que deixou a todos bastante animado, a mim principalmente, recém chegada, achei que tinha feito a opção certa na escolha do concurso para Técnica Judiciária Auxiliar.
Doce ilusão! De lá para cá não tivemos mais nenhum aumento significativo, nenhum ganho real.
Somos profissionais, somos eficientes, somos altamente produtivos e céleres no exercício das nossas atividades. Mas infelizmente nosso trabalho não é reconhecido.
Fomos enrolados por mais de dois anos com o PCS, até o seu arquivamento. Os cartórios estão abarrotados de processos, petições, ARs. Mas somos poucos e nos desdobramos para dar conta.
Trabalhamos 35 horas semanais, sete horas diárias ininterruptas. Fazemos nosso lanche na mesa de trabalho. Fazemos cursos de aperfeiçoamento, mas nossos requerimentos levam anos para ser analisados.
Folgas e férias precisam ser conversadas, justificadas, pedidos analisados. Licença prêmio adquirimos por direito, mas para gozá-la é quase impossível. Licenças para tratamento de saúde não são bem vistas, doentes, tornamo-nos fardos.
Nosso salário base, salário líquido, salário bruto está completamente defasado. Com ele temos que pagar aluguel, alimentação, vestuário, educação e tudo mais. Alguém está conseguindo? Não acredito. Eu sou sozinha e tenho que me sustentar e manter-me com esse salário. Não estou conseguindo!
E de novo tentam nos enrolar com datas e mais datas para discutir o novo PCS. Mas para os juízes e desembargadores não há prazos, tudo é imediato. Não que não mereçam, claro que sim!
Mas e quanto a nós? Também não somos merecedores? O Judiciário catarinense seria o que é se não fossem os seus servidores? Claro que não. Juntos formamos um elo. Juízes, servidores, desembargadores. Cada qual tem a sua importância, o seu papel imprescindível nos cartórios, gabinetes, comarcas.
Sempre ponderei sobre as greves, porque acho que quem mais perde é a população que paga seus impostos sem retorno em serviços. Mas estou certa de que agora é a hora de darmos um basta, de falarmos mais alto, de mostrarmos nossa força, de darmos as mãos.
Então dia 31 de março iremos para a assembleia. Estaremos de mãos dadas, cabeça erguida, discurso reto de quem está com a razão. Pressionaremos, reivindicaremos, exigiremos soluções.
Queremos e merecemos reposição das perdas salariais, aumento real no vencimento. Queremos e merecemos pausa para lanche, gozar folgas, férias e licenças. Queremos e merecemos mais servidores nos Cartórios Judiciais, diminuindo a sobrecarga de serviço. Queremos e merecemos ser tratados com dignidade, igualdade, justiça. Queremos ficar no Judiciário com orgulho por sermos respeitados, por sermos valorizados, por termos um plano de carreira em que possamos planejar o futuro e viver o presente.
Porque nós merecemos!
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