E hoje decidi visitar a obra, olhar e observar. como toda obra está atrasada, fora do prazo. Chegaram as gramas e em breve chegarão as plantas.
Mas até lá o jardineiro sem jardim continua vagando solitário por entre os peões da construção, pelos canteiros revirados, cheios de barro, pelos corredores, inerte, como já habituado a essa situação.
Já nem chama atenção. Já não faz diferença. tornou-se invisível.
Triste sina tornar-se invisível aos passantes, aos demais. Triste espera, longa, desgastante.
Ms ele, o jardineiro, parece ter-se habituado.
Recolhe-se mais e mais a sua invisibilidade. Uns poucos dão-lhe uma fala, bom dia, boa tarde.
Mas, a grama nova já está lá, amontoada, esperando ser plantada para então ele voltar a cultivá-la.
Observando penso no que pode estar sentindo. Não sei, não consigo adivinhar.
O jardineiro sem jardim acostumou-se ao marasmo do nada por fazer, do esperar pacientemente.
Mas observando melhor percebo um semblante triste, acabrunhado por ter que cumprir horas de trabalho sem trabalho. Como se o tempo tivesse parado, como se ele houvesse parado no tempo.
Difícil entender, difícil avaliar, analisar, julgar.
Espero que em breve o novo jardim esteja pronto e o velho jardineiro recupere o ânimo, a vontade de trabalhar, a habilidade em manter a grama verde, as flores viçosas, as plantas bem cuidadas.
Espero que a apatia que agora o assola torne-se sombras do passado e ele, com o jardim novo, renove-se na arte de exercer seu ofício com esmero, vontade e apreço.
Mas, por enquanto, continua vagando imune a tudo e a todos, como um fantasma que já ninguém vê, que nem mesmo assombra.
Pois é, essa história ainda vai render. Vou continuar acompanhando e compartilhando com vocês a história do jardineiro sem jardim!
Maria Conceição de Aguiar
11/2/2014
Sempre aguardando o próximo capítulo.
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