"Ela está no fim, precisa apenas de conforto", disse o médico. Mãe e filha se entreolharam, saíram de lá em silêncio. Não conseguem ainda conversar sobre o assunto.
Há alguns anos a mãe foi diagnosticada com uma doença grave. Tratou-se, voltou à vida normal e quando pensou estar curada vem o diagnóstico contrário: A doença espalhou-se rapidamente, não há mais o que ser feito a não ser proporcionar-lhe conforto com medicamentos paliativos, vida regrada, amor e carinho.
E a filha, aos 18 anos, sente-se meio perdida, assumindo as responsabilidades da casa, sem saber direito o que fazer, como agir, o que pensar.
Ouvindo-a falar fiquei pensando, deu um nó no peito, um dó por ambas. Quanta dor estão sentindo, quantos sonhos serão roubados, quantas coisas deixarão de viver.
Já passei por isso e sei exatamente como é. Meu pai foi diagnosticado com câncer terminal quando eu também tinha 18 anos. E assim como a mãe da minha amiga, que não tem um companheiro, meu pai não tinha um amor, uma mulher, uma companheira.
E nessas horas faz falta. Porque filhos e pais dão um suporte imenso, claro, são essenciais. Mas um companheiro segurando na sua mão, secando o seu suor, ajudando-a a ir ao banheiro, no banho, a vestir-se...é diferente, faz falta sim!
Também tentamos dar ao meu pai o conforto necessário. Mas ver sua vida esvaindo-se aos poucos foi muito triste.
Então amiga, quero que saibas que essa dor que sentes agora tende a aumentar. Por vezes parecerá sufocar. Irão chorar escondidas, lamentar-se, perguntar-se o porquê. Poderão desanimar, deixar assim e depois recomeçar, levantar, reerguer-se até uma nova crise. e assim sucessivamente, até o fim!
E depois ficará uma angústia, que se transformará em saudade, depois em lembranças. E chegará o dia em que apenas as boas lembranças ficarão, a dor passará e o porquê será entendido.
Sim, pois acredite, há um porquê, uma explicação, nem sempre lógica, nem sempre de fácil compreensão, mas há! Nada é por acaso, nada é em vão.
portanto, aproveite este tempo que terão juntas. Beije-a, abrace-a carinhosamente, diga o quanto a ama, leve-a para passear. Seja filha, amiga, companheira, enfermeira. Faça a sua parte e terá para sempre a certeza de que fez tudo o que era possível, que deu o melhor de si, que amou e foi amada incondicionalmente! E ela irá serena, mais tranquila percebendo o quando você amadureceu, o quanto tornou-se forte. Sim, porque você já está mais adulta, forte, encorajada a ajudá-la nessa jornada. por isso dou-lhe parabéns e saiba que pode contar comigo, sempre!
Maria conceição de Aguiar
13/2/2014
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