sábado, 14 de setembro de 2013

INTIMIDADE

O assunto das rodas de conversa da semana foi relacionamentos. Namoro, casamento, convivência e suas implicações. Falamos, debatemos, concordamos e divergimos sobre os principais motivos que levam um relacionamento ao sucesso ou ao fracasso. Minhas conclusões:
O ponto mais importante para que um relacionamento dê certo continua sendo o amor. O amor verdadeiro, compartilhado, vivenciado e demonstrado em pequenos gestos, atos. A paixão é importante, mas passa. O amor prossegue. 
Entretanto, além do amor, ou em conjunto a esse, deve haver intimidade. Casal que não tem intimidade não pode ser considerado um casal e está fadado ao fracasso.
E de que intimidade falo? O que é intimidade entre marido e mulher?
É confiar no outro sem medo de se expor, sem receio de ser julgado. É partilhar seus desejos mais íntimos, seus segredos, seus gostos, suas preferências, seus medos. É sentir-se seguro ao seu lado, sem medo de ser feliz.
Intimidade é planejar juntos as compras da semana, o cardápio do almoço de domingo, o orçamento doméstico. Intimidade é construir juntos os sonhos que deixam de ser dele ou dela e passam a ser dos dois.
Intimidade é ajudar a escolher uma roupa, opinar quanto ao novo corte de cabelo, planejar as férias, a reforma da casa, a compra de um móvel, a troca do carro.
Intimidade é ouvir o ronco do outro, cuidar e ser cuidado, admirá-lo apesar dos defeitos, aceitá-lo como é.
Essa intimidade não nasce da noite pro dia, é conquistada, mas geralmente, chega naturalmente junto com o amor. E quanto mais o relacionamento se aprofunda, na mesma proporção, a intimidade.
Mas para tal, há necessidade da convivência. Convivendo é que se aprende a conhecer o outro e a si próprio, respeitando os limites de um e de outro, ampliando a intimidade do casal.
Portanto, acredito que relacionamentos a distância perdem essa característica.
Casais que, por várias razões, moram em locais distantes, ficam muito tempo sem conviver, acabam perdendo a intimidade e, consequentemente, o relacionamento tende a desgastar-se.
Claro, há exceções. Há aqueles que conseguem desenvolver formas de, mesmo distantes, manterem-se próximos. Inventam meios, ludibriam a distância e não perdem a essência. Mas são raros. É preciso muito esforço, muito amor, muita parceria. Dá muito trabalho, por isso tantos desistem no meio do caminho.
Então, particularmente não acredito em relacionamentos a distância. Acho que perdem o sentido. Aos poucos, devagar, quase que sem perceberem, deixam de ser parceiros, vão se distanciando, falta assunto, falta troca, acaba a intimidade.
Nem todos concordam. Muitos ao lerem este texto estarão pensando que nem sempre é assim, ou dizendo, 'comigo não é assim'.
Concordo, como já disse, há exceções. Mas na maioria das vezes a distância é um impedimento para o aprimoramento e aprofundamento da relação.
Relacionamento tem a ver com intimidade sim, com dia a dia, com o cozinhar a quatro mãos, com o 'eu cuido de ti e tu cuidas de mim', com ' eu lavo a louça e tu secas'. Intimidade é estar junto em todos os momentos, não como um grude, uma sombra, nem atrás nem na frente, mas ao lado, na vida em comum, no café da manhã, na conversa depois de um dia de trabalho, na cama, no sexo.
Definitivamente, não acredito em amores distantes. Por pouco tempo, talvez. Por muito tempo, fracasso, desencanto! E quando o encanto termina, tudo acaba, nada resta!

Maria Conceição de Aguiar
14/9/2013

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