domingo, 19 de janeiro de 2014

RUPTURAS

Quando algo se rompe geralmente causa algum estrago, maior ou menor, dependendo do caso. Mas, qualquer rompimento costuma ser doloroso, deixar marcas, sequelas provocar dores.
E falo aqui de todo tipo de ruptura. De laços e nós, de telhados e paredes, de barreiras e barragens, de conceitos e preconceitos, de confiança, amizade, amores, relacionamentos.
Quando barragens se rompem, rios e açudes avançam levando tudo pela frente, destruindo, castigando, fatigando.
Quando paredes se rompem a obra desaba, desabriga, desaloja, causa transtorno e sofrimento.
Quando a corda se rompe tudo vem abaixo, tudo pode acontecer, os desastres são incontáveis.
Quando o colar se rompe, as pérolas espalham-se rapidamente, impossível recolhê-las todas.
Quando o varal se rompe roupas brancas são jogadas ao chão, arrastadas sem controle.
E assim é! Diariamente acompanhamos rompimentos, rupturas, desenlaces, quedas, quebras.
E assim é quando a confiança é rompida, traída, maculada. Causa-nos uma decepção quase irreparável!
E assim é quando sofremos rupturas abruptas, repentinas, bruscas. Pegos de surpresa ficamos meio que sem reação, sem entender, sem saber o que fazer e como fazer.
O namoro que termina, o casamento que acaba, o amor que amorna, a paixão que esfria, a decepção, a derrota, a perda do emprego, da casa, do carro, do amigo. 
Rupturas, rompimentos que nos causam sofrimento, que no primeiro momento nos derrubam e somente mais tarde, com o passar do tempo entenderemos, aceitaremos, reconstruiremos, ou não!
E ainda tem a maior ruptura de todas: A da vida, ou seja, a morte! Não estamos preparados para morrer nem para aceitar a morte de quem amamos. Mas ela é consequência natural da vida, então, está ai, rondando, sondando, ameaçando e chega, na grande maioria das vezes, de surpresa, de supetão, E então de repente o que era vida já não é mais. O que era causa já não tem efeito, e quem era já foi, não volta mais.
Pois é, qualquer rompimento é intrigante, instigante, desgastante. Toda ruptura é assustadora, ameaçadora, demolidora.
Mas, muitas vezes, são necessárias, precisam acontecer, fazem-nos crescer, enxergar, acordar, renascer. 

Maria Conceição de Aguiar
19/1/2014

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