sábado, 4 de janeiro de 2014

EXTREMOS

Dizem que o opostos se atraem e os semelhantes se completam. Pode ser!
Pensando bem, acho que é assim mesmo. Sentimo-nos atraídos, geralmente, por pessoas diferentes de nós, opostas.
Pessoas muito sérias gostam de quem é mais solto, brincalhão, com senso de humor. Os mais organizados atraem bagunceiros, que nunca sabem onde está nada. Intelectuais sentem-se atraídos por mentes abertas, sem muitos porquês. A dama prefere o vagabundo e o mocinho escolhe a vilã.
E essas diferenças todas fazem parte dos relacionamentos, da vida em comum, o que falta em um sobra no outro, então dividem, multiplicam e somam contabilizando a harmonia da convivência com a diversidade um do outro.
Entretanto, infelizmente, com o passar dos anos essas diferenças começam a pesar e até incomodar. Então o que tempos atrás nos atraiu passa a ser defeito, queremos corrigir, mudar a pessoa amada, não mais a aceitamos como é.
O excesso de brincadeiras, piadas e gargalhadas incomoda, assim como incomoda a seriedade absoluta.
O excesso de organização passa a ser cisto como toc, faz mal, bem como a desorganização do outro, suas coisas espalhadas, seu jeito bagunçado.
O jeito de se portar, vestir, andar, falar, comer. Os hábitos, costumes, lazer. De repente tudo passa a ser defeito, irrita, envergonha, gera briga e discussão.
E nesse estágio esquecemos que aquilo do que estamos reclamando foi o que nos atraiu, fez-nos apaixonar, encantou-nos por certo tempo. Esquecemos do quanto gostávamos do seu cabelo comprido, agora o queremos curto e alinhado, das suas roupas extravagantes, agora deve vestir-se com elegância e discrição. Esquecemos do quanto era bom aventurar-se, agora tem que ser tudo bem planejado.
E assim as diferenças começam a pesar e a afastar casais.
Então será que os semelhantes de fato se completam? Mas também não conseguimos conviver por muito tempo com alguém que pense, aja, fale, vista-se e porte-se exatamente igual a nós. Com os anos isso também seria cansativo, repetitivo, enfadonho.
Pois é! Então qual a fórmula para que um relacionamento dê certo? Quem sabe, quem pode dizer?
Na verdade, acredito que não haja uma receita única, mágica. Cada casal precisa encontrar seu caminho, suas bases, seu rumo.
Importante é respeitar as diferenças e, desde o início deixar claro o que não lhe agrada, o que não lhe faz bem, ouvindo, da mesma forma, a opinião do outro.
Então talvez o segredo seja dosar, evitar os extremos. Nem iguais que pareçam ter saído da mesma fornada, nem tão diferentes que pareçam de planetas diversos.
Dosar, respeitar, amar e aceitar o outro como é, sem querer mudá-lo. Ao mesmo tempo, cedendo um pouquinho cada um, afinando a convivência.
E quando a crise chegar, porque ela sempre chega, vale a pena lembrar do porquê nos apaixonamos por àquela pessoa e procurar reviver o encanto inicial, desfazendo-se dos nós e fortalecendo os laços.
Amar sempre vale a pena. E, já que os opostos se atraem e os semelhantes se completam, melhor saber equilibrar diferenças e semelhanças para que a harmonia se estabeleça. Fácil? Claro que não! Precisa de boa vontade, discernimento, desprendimento e, principalmente, amor!

Maria Conceição de Aguiar
3/1/2014

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