Só quem sofre deste mal sabe o que é ter crises de enxaqueca. De repente, do nada, ela aparece. Por vezes dá um leve sinal como uma sonolência ou visão turva.
Entretanto, na maioria das vezes ela chega sem aviso prévio. Mas, claro, sempre tem uma causa, que quase nunca conseguimos identificar.
Alimentos, bebidas, noites mal dormidas, cheiro forte, estresse, tensão pré-menstrual, ansiedade, enfim, as causas que desencadeiam uma crise são várias.
Há tempos sofro desse mal. Faço tratamento profilático, mas volta e meia ela aparece e me derruba. A dor é insuportável, vômito, náusea, intolerância a claridade, a ruídos e odores. São dois ou três dias insuportáveis, em que preciso correr ao PA e receber medicação venosa.
Mas quem nunca padeceu de enxaqueca nem sabe do que estou falando. Parece coisa de outro mundo. A gente se transforma, quer ficar sozinha num canto escuro, sem forças nem ânimo para nada, até a crise passar. E quando passa, ufa, que alívio, nem parece que passei por tudo aquilo.
Tenho enxaqueca desde muito nova e, à medida que os anos foram passando, as crises foram se intensificando. E essa herança passei para minhas filhas.
Interessante escrever sobre este assunto após sair de uma crise. Parece que foi com outra pessoa que aconteceu. Passei o domingo na cama, desesperada de dor, enjoada, vomitando cada gole d'água. Vinte e quatro horas sem comer nada, sem ver ninguém, sem atender ao telefone, sem querer sair do meu enclausuramento. Até que não aguentando mais fui ao pronto Atendimento pedir socorro. E, mesmo assim, após ter saído da crise, serão mais dois ou três dias com a cabeça leve, sem poder descuidar, tomando ainda remédios, cuidando da alimentação.
Pois é, enxaqueca só quem tem sabe. Porque é difícil explicar, mensurar e entender. Os tratamentos funcionam bem por um tempo, até que o organismo acostuma e aquele medicamento já não faz mais efeito. E assim nós, portadores de enxaqueca, seguimos experimentando novos remédios, terapias alternativas, buscando sempre evitar as crises, que sempre teimam em vir. O bom é que passa, sempre passa e fica apenas o gosto amargo na boca, a sensação daquele dia perdido, o sonho da droga ideal, que levasse esse mal embora para sempre!
maria conceição de Aguiar
17/6/2013
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