segunda-feira, 4 de maio de 2015

POR QUE CONTINUAR A GREVE?

Nós, servidores do Poder Judiciário de Santa Catarina estamos em greve há 25 dias. A maior greve do Judiciário catarinense. A maior mobilização desta categoria. 
E porque?
Durante anos fomos sendo esquecidos. Trabalhadores eficientes, alta produtividade, celeridade processual. O TJSC entre os mais produtivos do Brasil e seus servidores entre os mais mal remunerados dentre os tribunais estaduais.
E fizemos várias solicitações. E protocolamos pedidos de melhorias. Sempre em vão. Nossos pleitos têm sido arquivados sem o devido estudo, sem análise de viabilidade, acostumamo-nos com os muitos 'nãos'. 
Até que finalmente cansamos. Decidimos dar um prazo ao Tribunal para uma resposta positiva, caso contrário, greve! Pagaram pra ver e nós cumprimos o combinado, o que foi decidido em assembleia: Greve por tempo indeterminado!
Mas o que queremos? Ganhos tão simples, pleitos fáceis de serem atendidos, pois orçamento há. Queremos que o nosso Plano de Cargos e Salários seja enviado para a Assembleia Legislativa, votado, aprovado e implantado. Assim, trabalharemos com a certeza de que seremos valorizados, de que não precisaremos mais mendigar anualmente, inclusive pela reposição da inflação. Com um plano de cargos e salários poderemos, mais tarde, aposentarmo-nos com dignidade, sem que tenhamos que depender da caridade alheia para sobrevivência na velhice.
Queremos aumento real de 16%, como antecipação do NPCS. Estamos há cinco anos sem aumento salarial. Nosso poder aquisitivo diminui a cada dia. Estamos sim beirando a penúria!
Queremos a reposição das perdas inflacionárias, que transformaram nosso vencimento em quase nada. Tornamo-nos servidores que, apesar da qualificação, da eficiência e do empenho profissional, não conseguem manter suas contas em dia, vivem no vermelho, recorrem aos empréstimos consignados, comprometendo ainda mais o salário. 
Mas desde o início da greve o tribunal tem se mostrado de uma incoerência decepcionante. Não há justiça na casa da justiça. Não há conciliação, não há diálogo, não há abertura. Sentimo-nos como vivendo em uma ditadura. Amagamos ofensas, humilhações, ameaças, nenhuma contraproposta, nenhuma oferta, nenhuma negociação. 
Então, sendo assim, resta-nos continuar em greve. Nós estamos convictos da legitimidade das nossas reivindicações, portanto, não vamos nos deixar abater.
Desistir não está no nosso dicionário! E a partir de amanhã, nosso movimento entra em nova fase. Agora, há de se usar de astúcia, inteligência, pedir ajuda, buscar aliados. E é o que faremos.
Vamos procurar desembargadores, juízes, deputados, vereadores, advogados, imprensa, sociedade. Vamos explicar os reais motivos que nos trouxeram até aqui. Vamos dar visibilidade ao nosso movimento paredista. 
Proponho que as comarcas próximas se reúnam diariamente, por região de abrangência e comecem as visitas, as passeatas, as caminhadas. Cada dia em uma cidade, com servidores de várias comarcas reunidas. 
Sinto que estamos na reta final, que logo nossa greve terá fim e seremos vitoriosos na conquista dos nossos direitos. No entanto, esta semana que se inicia terá que ser decisiva. Com estratégias pautadas no bom senso, na inteligência, nas ações direcionadas a buscar aliados. Vamos todos, a partir de amanhã, acelerar o movimento, dar novo impulso, novos rumos, sem perdermos o ânimo que nos motivou até aqui, sem perdermos a união, a garra, a força e a coragem que nos têm servido de inspiração. Vamos em frente! Foco no NPCS! A greve continua e nós continuaremos em greve, juntos!

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