sábado, 9 de maio de 2015

OBRIGADA PRESIDENTE

Excelentíssimo Presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, nós servidoras deste Poder e mães, queremos agradecê-lo pela forma filial com que estamos sendo tratadas desde que deflagramos greve no Judiciário. Aliás, pensando bem, nosso tratamento majestoso iniciou-se muito antes, na verdade, desde o nosso ingresso nesta Casa.
Somos profissionais capacitadas, trabalhamos ininterruptamente sete horas por dia. Exercemos nossas funções com agilidade, competência, eficiência e elegância, a qual nos é peculiar. Compomos a grande maioria do quadro de servidores. Somos organizadas, habilidosas no trato com partes e advogados, no cumprimento às determinações judiciais, no trabalho diário.
Mas, temos vida fora do Judiciário, ah sim, nós temos. E somos esposas, namoradas, noivas, amigas, filhas, irmãs, vizinhas, donas de casa. Temos família! E principalmente, somos mães!
Talvez o senhor não saiba mas já deixamos nossos filhos doentes, febris, com enfermidades mais simples ou mais complexas, aos cuidados de outras pessoas, em nome do comprometimento profissional. Talvez o senhor nem faça ideia, mas muitas vezes perdemos momentos valiosos do crescimento deles, porque tínhamos metas a cumprir, pilhas de processos para dar andamento, então chegamos mais cedo e saímos muito mais tarde do trabalho. Talvez o senhor nem imagine o que seja nunca almoçar com seus filhos, não poder levá-los ou pegá-los na escola, porque nosso horário de trabalho não permite. 
Mas tudo isso acontece senhor presidente. Somos mães em tempo integral, mas, por muitas vezes, perdemos a apresentação escolar, a homenagem, a feira de ciências, a apresentação do TCC, porque nem sempre podemos dar uma saída, nem sempre podemos pegar uma folga, nem sempre as datas e horários coincidem.
E o que temos recebido em troca de tamanha dedicação ao trabalho? Salários defasados, serviço excessivo, doenças cônicas, distúrbios psicológicos, qualidade de vida diminuída ano a ano. E quando finalmente, esgotadas pelo descaso, cansadas das promessas vãs, decidimos parar e entrar em greve somos humilhadas de toda forma, ameaçadas moralmente, expulsas do local de trabalho, tratadas como um monte de nada.
Mas continuamos firmes e fortes, cada vez mais unidas. Porque somos mães, estamos formando novas gerações, estamos criando homens e mulheres que precisam aprender pelo exemplo o que é ter garra, o que é lutar pelos direitos. Porque nossos filhos, apesar de não poderem frequentar escolas de excelência, conhecer a disney, viajar em todas as férias, sentem orgulhos de nós, suas mães. Porque sabem que tudo fazemos para dar-lhes o melhor. E o melhor, para nós e para eles, é amor, carinho, atenção, valorização do pouco tempo que temos juntos. Mas queremos também que tenham uma vida melhor financeiramente e que depois, mais tarde, quando envelhecidas, cansadas e aposentadas, não nos tornemos fardos para eles. Por tudo isso estamos em greve, por  tudo isso estamos lutando. Pela nossa valorização e consequente valorização da nossa família.
Portanto excelência, agradecemos a sua atenção aos nossos pleitos, a sua dedicação em analisar as nossas reivindicações, o seu carinho para conosco e até perdoamos o esquecimento da mensagem nos parabenizando, porque entendemos que deva estar profundamente ocupado, preocupado em estudar nossos pedidos, considerá-los justos e atendê-los o quanto antes, dando fim ao movimento de greve.
E amanhã, quando sentar-se à mesa do almoço com as mães de sua família, olhe para elas e nos veja em cada uma. E que este dia das mães seja especial para o senhor e os seus. E que ao abraçar sua esposa, mãe, filhas, irmãs ( caso as tenha), estenda esse abraço às mães do judiciário Catarinense. Muito obrigada senhor presidente!

MÃES SERVIDORAS DO JUDICIÁRIO CATARINENSE

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