E quanto mais o tempo passa mais admiro a simplicidade dos pequenos detalhes do dia a dia. Frases simples, gente simples, pensamentos simples, sentimentos simples...
Talvez com o avançar da idade eu esteja aprendendo a valorizar o que de mais importante exista. o que de verdade faça diferença na minha vida e na vida dos outros.
Ainda tenho resquícios de complexidades, algumas inúteis mas que fazem parte de mim, porém já não as exijo dos demais.
Sou extremamente chata com o português, ao falar e escrever, mas não mais me incomodo com quem fala ou escreve da sua maneira, sem preocupar-se com a gramática e a fonética.
Gosto das roupas de cama e banho combinando, mas não me melindro quando me oferecem uma toalha surrada ou um lençol em desalinho.
Gosto de escrever, de ler, refletir, pensar, mas já não cobro tal comportamento de ninguém. Cada qual sabe de si.
Alás, tenho cobrado menos, ansiado menos, julgado menos e me olhado mais, por dentro e por fora.
E assim vou redescobrindo a simplicidade e o prazer que ela nos proporciona.
E tenho agradecido mais e reclamado menos. Afinal, tenho tudo o que preciso para ser feliz, para viver. Estou viva e isto já é motivo de agradecimento diário.
E nessas redescobertas, encanta-me o nascer e o por do sol, o vento, o mar, a água, a chuva, os pássaros!
E encanto-me com as pessoas de alma e coração limpos, que sabem amar incondicionalmente, que não fingem, não mentem, que se expõem sem medo do julgamento alheio.
E na minha simplicidade de agora tenho me sentido mais feliz, melhor e mais saudável. E na minha simplicidade de agora vou abandonado velhos hábitos, incutindo outros, assimilando saberes populares, aprendendo com quem vive a realidade do cotidiano. E na minha simplicidade de agora já não entro tanto em discussões políticas, religiosas, ideológicas, respeito mais a escolha e pensamento alheio.
E assim sinto-me em constante evolução e fico bem com essa constatação.
Não tenho tudo, aliás não tenho muito. Mas o que tenho me faz bem, satisfaz meus anseios e se mais não tenho é poque não corro atrás, não me esforço o suficiente, talvez, por que não tem importância, não me faz falta neste momento.
Então nesse aprendizado constante de vivenciar a simplicidade, admiro mais, elogio mais, agradeço mais. E assim, sinto-me cada dia melhor, apesar de meus inúmeros defeitos, alguns já arraigados como parte da minha personalidade, reconheço minha essência simples, humilde e serena! E, assim continuando, quem sabe poderei atingir a plenitude do ser, do crer, da magia de viver!
Maria Conceição de Aguiar
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