domingo, 8 de fevereiro de 2015

(IN)DECISÃO

Casar ou comprar uma bicicleta, carro sedan ou hatch, casa ou apartamento, um ou dois filhos, namoro ou amizade.....
Ter ou não filhos, assinar os papeis ou viver juntos, dormir ou acordar, sair ou chegar, ir ou ficar.....
Mudar de cidade, de casa, de emprego. Cursar a universidade ou tornar-se técnico, ganhar dinheiro ou fazer o que gosta, gastar ou economizar......
Viver ou sobreviver, sorrir ou chorar, lamentar ou superar, esperar ou buscar, salvar ou ignorar......
Viver ou morrer!
Quantas decisões precisamos tomar diariamente e ao longo dos anos. Quão indecisos podemos ficar. E na hora do vamos ver pensamos, refletimos, analisamos, ponderamos. E se ainda não chegamos a uma decisão, pedimos conselhos, ouvimos opiniões, ou, por vezes, deixamos nos levar e nos guiar pelo acaso e que seja o que tiver que ser.
Difícil escolher, decidir, decifrar. Difícil entender as escolhas alheias, suas decisões, seus enigmas. Difícil explicar as nossas decisões, nossas mudanças, nossas ações.
E quando se trata de escolher entre matar ou deixar viver? Aborto, eutanásia, assuntos que estão sempre no contexto das ideias, das conversas, dos debates. E se for comigo? E se for com você? E se fosse conosco o que faríamos, saberíamos decidir?
E depois da decisão tomada e aplicada não há como voltar atrás. O que está feito está feito, pronto e acabado. Será? Depende do momento e das circunstâncias em que decidimos. Pode ser que haja alívio, sensação de bem estar em ter feito a coisa certa. Ou poderá haver a culpa, arrependimento, sofrimento. Matar ou deixar viver?
Viver ou morrer? Continuar vivo ou dar fim à própria vida? Parece e tão óbvio, ninguém que morrer. Mas diariamente pessoas cometem suicídio, tiram de si o direito de continuar vivendo, roubam dos seus o direito da convivência. Partem feridos, machucados, culpados. E os que ficam choram, procuram respostas, explicações, razões, sentem-se culpados. Mas, uma vez feito não há como reverter, não há mais o que fazer.
E os que morrem lentamente por falta de amor, de cuidados, de carinho. Morrem pelo descaso, pelos vícios, pelas fraquezas, pela depressão, pelas angústias contidas, pelas mágoas vividas, pelo câncer generalizado. Morrem devagar, aos poucos. Talvez assim o queiram, talvez não. Mas passam desapercebidos, enquanto vamos lutando no meio da multidão pelo nosso dia a dia, pelo ganha pão, pela companhia solitária de nós mesmos, de quem nos cerca, pelas decisões e indecisões corriqueiras.
Matar ou deixar viver? Morrer ou viver? Acelerar o processo ou permitir que todos os ciclos aconteçam? A escolha é nossa, minha, sua, de cada um. Por hoje, por ora, eu escolho viver e deixar viver!


Maria Conceição de Aguiar 

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