quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

DEPOIS

E depois a luz apaga, o café esfria, o leite azeda, a casa vazia.
E depois os sonhos esquecidos, as fotos guardadas, as roupas desbotadas.
E depois a comida estraga, o carro para, a porta fecha.
E depois o corpo envelhece, o andar enrijece, a fala estremece.
E depois o amor se vai, a paixão termina, o romance expira.
E depois a flor murcha, a planta seca, o rio vira córrego.
E depois os passos lentos, a memória traiçoeira, nas mãos, a tremedeira.
E depois os dias longos, as noites de insônia, o arrastar da vida.
E depois as algemas invisíveis, as amarras indissolúveis, a morbidez da espera.

E mais tarde, depois do depois, a ruptura definitiva.
A vida esvaída, a estrada sem volta, a trilha não seguida.
A solidão do partir, a tristeza do deixar ir.
A palidez da face serena, mãos geladas estendidas.
A saudade que vai acalmando, as lembranças que vão adormecendo.
A dor que vai amenizando, o amor que vai ficando.

E então, depois do depois do depois, o esquecimento.
Já não há flores nem velas.
Já não há preces nem rimas.
Já não não há choros nem lástimas.
Já não haverá vida!

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